In Love With My Guitar

3 Capítulo 3 – The Fire Burning


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Era sexta-feira, era feriado e estava frio. Caía uma garoa fininha por ser tão cedo.

Passaram duas horas e eles ainda tinham vários cartazes para colar nas ruas.

Quando deu meio-dia, faltavam cinco cartazes, mas todos estavam famintos. Nem café da manhã tinham tomado, na pressa de sair. Os quatro pararam em uma lanchonete qualquer, cada um pediu um hambúrguer com um acompanhamento diferente.

Quando já tinha acabado – Não estava com tanta fome assim – Leo foi até o balcão perguntar pelo gerente.

– Sou eu. Algum problema? – Um cara aparentando ter uns trinta anos limpava copos com certo tédio.

– Não, senhor. Nenhum. – Olhou para os lados e chegou mais perto, apoiando um cotovelo no balcão. – Só queria pedir um pequeno favor, entende?


– O que ele está fazendo ali? – Samuel apontou para Leo, que estava conversando com um cara.

Os outros dois olharam para a direção que o dedo do baterista apontava.

– Mas que diabos...? Que aquele maluco está fazendo? – Perguntou Yara, enfiando uma batata frita na boca.


Leo voltou para a mesa onde seus amigos estavam sentados e percebeu que os três olhavam para ele com um grande ponto de interrogação na cara.

– O que? – Perguntou meio envergonhado ao se sentar.

– Que você foi fazer ali, “Mister Popularidade”? – Perguntou Yara, com seu típico jeito irônico e seco.

– Fui ajudar a nossa banda.

A garota riu:

– Sério? Como?

Leo se ajeitou na cadeira e contou:

– Bom, concordam que faz três horas que estamos andando com esses cartazes na mão. E agora já são quase uma hora da tarde e ainda estamos com uns cinco deles? – Esperou todos afirmarem para continuar: — Então, pedi para colar os que faltam, já que são poucos, aqui nesse restaurante. Afinal, não tem quase nenhum cartaz por aqui.

Os três sorriram para o mais velho que, convencido, dizia:

– Eu sei, eu sou um gênio!

*

Quando chegaram em casa, exaustos, encontraram uma Hanna furiosa sentada no sofá. Quando viu que Leo entrou com os outros três, levantou-se e foi até ele, encarou bem os olhos azuis do garoto e começou a dizer:

– Aonde você foi? – Todos, menos Leo, sentaram-se no sofá para ver a cena.

– Por quê? Preocupou-se comigo? – Ele deu um de seus sorrisinhos metidos, formando uma covinha no canto direito da boca.

– Claro que não! – Hanna virou a cabeça para o lado e cruzou os braços, corando. – Só queria saber porque um tal de Charles ligou aqui perguntando da banda...

– O QUE? – Todos gritaram de excitação.

– Como assim? Charles? De onde? Que horas? – Richard vibrava de ansiedade no sofá, fazendo seus cabelos pretos – iguais os da irmã – voarem em todas as vezes que ele pulava.

– Hey, acalme-se aí, ô Bambi. Para de pular. – Isso fez Richard fechar a cara e os outros dois abafarem um riso.

– Ele disse de onde era? – Leo fitava os olhos verdes da garota com excitação.

– Disse. Era de um tal de Fire Burning... – Hanna não pôde acabar de falar, porque uma explosão de gritos e alegria saiu do sofá. Os três pulavam de tanta felicidade.

Leo deu um sorriso superior para a morena que estava na sua frente. Depois que a barulheira parou um pouco, ele perguntou:

– Esse tal de Charles, deixou recado, Hanna? – Ele não conseguia disfarçar o sorriso de alegria.

– Disse que ligaria mais tarde. – Dizendo isso, foi para o quarto.

A banda, em comemoração, fizeram uma nova música, chamada Down. Quando anoiteceu pediram uma pizza e conversaram até tarde.

Estavam todos fartos e cansados, o entusiasmo e a maratona dos cartazes de manhã esgotaram toda a energia dos quatro. O relógio anunciava que eram nove horas.

– O cara já não devia ter ligado? – Perguntou Samuel, logo depois começou a reclamar que estava com dor de barriga.

– O dia ainda não acabou gente. Tenham ânimo! – Encorajava Leo, que estava dedilhando sua Becky.

– Se você ainda não percebeu, cara, já está de noite.

– Haha Yara, muito engraçado. Vocês entenderam o que eu quis dizer. – Mal acabara de falar, o telefone tocou. Todos ficaram paralisados.

– Atenda você Leo. – Dizia Richard.

– É, cara, a ideia dos cartazes foi sua! – Concordava Samuel.

– Alguém atenda logo isso! Já é a terceira vez que toca! Daqui a pouco a pessoa desiste! – Dizia Yara, olhando para Leo.

Por fim, o garoto de olhos claros levantou-se – ainda segurando Becky – e atendeu:

– Alô? – Ele disse apreensivo. Mas a voz que respondeu não era desconhecida, muito menos de homem. – Mãe? – Todos que estavam no sofá desanimaram, com exceção de Samuel que estava rolando no chão, querendo pegar outro pedaço de pizza.

– Querido! Como está? Tudo bem? – A voz doce da Dona Cida soava no ouvido do filho.

– Sim, mãe. Está tudo bem.

– Bom, eu não posso demorar muito. Só liguei para dizer que eu e seu pai estamos indo viajar.

– Uau, que legal! Para onde?

– Para o chalé de um amigo. Partiremos amanhã de manhã. Voltou daqui duas semanas. Vai ficar bem?

– Sim.

– Bom, lá é meio de mato, então não poderei ligar. Tenho que ir arrumar as malas. Beijos, querido. Nós te amamos.

– Eu também amo vocês, tchau.

Desligou.

– Ela só ligou para avisar que vai viajar e só vai voltar daqui... – Antes que pudesse concluir, o telefone tocou de novo. – Oxe, será que ela esqueceu de alguma coisa? – Leo atendeu novamente o aparelho: — Alô?

– Olá, posso falar com... Leonardo? – Uma voz grossa e rouca partia do outro lado da linha.

– Sou eu. Quem é? – Leo perguntou, confuso. Mas já tinha uma ideia de quem era.

– Boa noite, Leonardo. Meu nome é Charles Castillo. Sou o dono do Fire Burning. – O cara ficou em silêncio. Então Leo falou para quebrar o gelo:

– Muito prazer, senhor Castillo. – Leo cobriu a parte de baixo do telefone com a mão e sussurrou para a banda que este era o homem. No mesmo instante Yara deu um grito, que foi abafado por Richard, que enfiou uma almofada na cara da moça.

– Bom, amanhã, à noite, temos uma vaga para uma apresentação curta de meia-hora. Está interessado?

– Sim! Sim! Que horas? – Leo quase pulava de alegria.

– Esteja aqui antes das nove horas e a apresentação é sua.

– Até amanhã então.

– Tenha uma boa noite, Leonardo.

– O senhor também.

O garoto desligou o telefone com toda a calma que conseguiu, virou para os amigos e gritou a plenos pulmões:

– CONSEGUIMOS!!


Naquela noite, os quatro foram dormir com um sorriso estampado no rosto.

O futuro estava apenas começando.