In Love With My Guitar
2 Capítulo 2 – Give me rain And I'll make It right
– Já disse que não! – Leo conseguiu deixá-lo muito irritado.
– Olha, eu sei que você é o dono deste bar, cara, você é uma lenda! Tem que haver um jeito de encaixar agente na lista! – O garoto insistia.
– Não, não tem nenhum jeito. Aliás, quantos anos você tem, rapaz? – O dono do bar mais famoso do bairro agora olhava desconfiado para Leo.
– Dezenove. – Disse, estreitando os olhos azuis.
– Bom... Do mesmo jeito, não há mais vaga para nenhuma banda! – O cara gordo, de cinquenta e tantos anos, ia fechar a porta, mas o garoto colocou o pé.
– Se não quer dar a resposta agora... – Leo disse, puxando um papel do bolso, mas foi cortado.
– A resposta é não! – O dono do bar estava ficando vermelho.
– Pelo menos fique com o nosso número. Nunca se sabe. – E abriu um sorriso amarelo.
O cara, vendo que o garoto ia ficar insistindo, logo pegou o papel e fechou a porta.
Aquela era a quarta vez seguida que recusavam a banda dele. Já estava ficando desanimado, mas não parou, bateu na porta de mais três lugares, sendo eles dois salões de festas e um restaurante. Já estava ficando sem opções. Fazia três dias desde a aposta com Hanna. Ela se deliciava com o pensamento de acabar com a banda.
Voltou para casa de cabeça baixa.
Abriu a porta e encontrou o mais absoluto silêncio. “Os outros devem estar na escola” pensou. Afinal, ele e a irmã mais velha de Richard eram os únicos que tinham mais de 18 anos ali, portanto não estudavam mais. Aliás, Leo não estudava, porque mesmo não estando na faculdade, Hanna vivia lendo livros e mais livros de diversas matérias. Ele nunca entendera o porquê disso, mas nunca ousou perguntar, pois ela era a rainha quando se tratava em dar sermões.
Jogou-se no sofá, pensando em uma solução.
Passou cinco minutos... Nada ainda. “pensa Leonardo, pensa"
Quinze minutos... Nenhuma ideia. “Não deve ser tão difícil assim achar uma solução...”
Quando fazia meia hora que ele estava ali, olhando para o teto, pensando, Hanna entrou na casa, carregando uma sacola de pano, aparentemente pesada. Cheia de livros.
– E então, arrumou alguma coisa? – Ela falava com tom de ironia.
– Não – Ele respondeu secamente.
– Bom, querido, o tempo está correndo. Só faltam quatro dias até essa idiotice toda acabar!
– Se eu fosse você, não pensaria assim.
– A é? Por quê? Por acaso está forçando as pessoas a te contratar? Ou está poluindo a cidade com cartazes e panfletos?
“Cartazes? Panfletos? AH! Leonardo burro! Como você não pensou nisso antes?”
Ele abriu um sorriso de orelha a orelha para ela, que estranhou muito:
– O que? Que foi? Ficou bobo? – Dizia ela, tentando entender o entusiasmo do rapaz.
– Nada não, ursinha. Só que você acabou de me dar uma ÓTIMA ideia!!
– Garoto idiota... – Ela foi até o quarto resmungando.
O resto da tarde, Leo passou tentando criar alguma frase legal para juntar com uma foto da banda e o número de telefone.
Depois de muitas tentativas, ele já estava convicto que a sua imaginação só funcionava na hora de criar músicas. Então, decidiu colocar um trecho de uma das suas músicas; “For the first time In my life Give me rain And I'll make It right”
Leo não queria se gabar, mas a letra da música encaixou perfeitamente. Desenhou letras grandes em uma cartolina, recortou e foi montando seu cartaz, que mais parecia um pôster. Quando terminou, ficou maravilhado. Limpou a sala e correu até a papelaria mais próxima. Mandou fazer cento e cinquenta cópias. Pegou tudo e voltou para casa com um sorriso gigante estampado no rosto.
Chegou à porta, respirou fundo e entrou. Samuel e Richard estavam jogando vídeo-game enquanto Yara folheava uma revista. Todos pararam o que estavam fazendo para olhar a figura de olhos claros parada na porta com duas sacolas cheias.
– Que é isso? Ganhou dinheiro? – Yara olhava um tanto curiosa.
– Não. – Olhou cada um naquela sala apertada e continuou: — AINDA não.
– Como assim? – Samuel levantou e foi até o amigo, pegou um papel de uma das sacolas e começou a examiná-lo. – O que é isso?
– Nosso ingresso para o primeiro show. – Dizendo isso, os outros correram para perto do baterista, afim de ver do que Leo estava falando.
– O que é isso? Um cartaz? – Perguntava Yara.
– Sim. E temos mais cento e cinquenta para pendurar pela cidade. Já que esse é o original.
Richard se iluminou:
– Você está dizendo que com isso aqui – Levantou a folha – poderemos ter uma chance de tocar oficialmente?
Leo soltou as sacolas no chão e foi se sentar no sofá.
– Sim. Olha só, isso é publicidade. – Leo falava, animado. — Vamos imaginar que tem um dono de um bar ou um organizador de festas andando pela rua, pensando em como vai fazer para substituir a banda que cancelou a apresentação no último momento, então ele olha para o lado e vê na parede o NOSSO cartaz colado. Ele abre um sorriso, nos liga e pronto! Vamos tocar!
Samuel e Richard se animaram, mas Yara, como sempre faz, nem se mexeu. Apenas falou:
– Olha, odeio ser estraga prazeres... Mas as chances de isso acontecer são bem remotas.
– Mas não impossíveis! – Leo a contrariou. Ela não falou mais nada. Apenas concordou em levantar cedo para começar a colar os cartazes.
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