In Love With My Guitar
13 Capítulo 13 – Graduation
- Uma formatura? – Yara olhava-o incrédula.
— Sim. Algum problema?
— Leo... É que... – Richard não sabia como se expressar.
— Gente. Vocês têm que entender. Nós não estamos em posição de escolher lugar. Já faz muito tempo desde o dia que a gente tocou no Fire Burning.
— É. Ele tem razão. – Samuel ajudou o amigo. – Além do mais, pode ser divertido. Temos até chance de encontrar uma garota para o Richard. – Dizendo isso, o baterista piscou maliciosamente para o baixista.
— Aonde é a formatura? – Dava para perceber de longe que a loira não estava gostando da ideia.
— Não sei. Camille vai passar aqui para nos levar.
— Quem vai formar?
— Pelo o que soube, é terceiro colegial de uma escola próxima.
— Quando vai ser?
— Quarta feira. Quer saber mais alguma coisa, Yara? – Leo agora brincava com a menina.
— Não, não, só isso. Quando eu precisar de alguma coisa, eu te chamo. – Ela piscou para ele, de um jeito brincalhão que era raro, vindo dela.
— Madame. – Leo fez uma reverencia fingida. – Bom. Foi isso que a Camille me disse ontem à noite. – O moreno disse, subindo as escadas do porão até a sala. Deixando seus três amigos no andar de baixo, conversando sobre o possível show que fariam. Chegou ao topo da escada e virou na segunda porta do corredor, parando de frente para o quarto de Hanna. A morena tinha parado de falar com ele desde a conversa no porão.
— Ursinha? – Ele bateu cautelosamente na porta, que estava aberta. Hanna estava jogada no colchão, com a cara enfiada no travesseiro. Seu corpo subia e descia. Ou ela estava dormindo, ou...
— Vai embora! – Ela gritou, mas saiu abafado por causa do travesseiro. Mesmo com o volume baixo, Leo conseguiu perceber que sua voz estava embargada.
Na mesma hora o garoto entrou no quarto, preocupado com ela.
— Hanna? – Ele chamou, agachando-se perto da cama.
Ela não respondeu.
— Hanna, por favor, fale comigo. – Ele insistiu.
— Já disse para você ir embora! – Dessa vez a voz saiu mais fraca ainda.
Leo obedeceu, depositando um beijo carinhoso nos cabelos dela antes de sair. Fazendo-a chorar mais ainda.
*
Hanna não sabia ao certo o motivo de estar ali, esparramada no colchão, soluçando tanto. Mas sua consciência sabia:
“Para largar de ser idiota! Vai trouxa, ele te trocou. O que você esperava? Não passa de uma nerd que só se importa com os livros. É... Ele preferiu uma garota muito mais bonita e talentosa que você.” Ela não parava de falar. Hanna se sentia uma inútil. “Quem mandou abandoná-lo aquele dia?”
— Eu não o abandonei. – Ela dizia para si mesma.
— Abandonou quem? – Richard estava na porta, pasmo. Não se lembrava de já ter visto sua irmã chorar. Não desse jeito. Parecia que era a pessoa mais infeliz do mundo.
— Não interessa! – Ela, com muito esforço, gritou.
— Hanna. Tem alguém na porta que quer falar com você.
A morena não respondeu. Ficou alguns segundos parada, tentando se recompor. Quando já estava cansada, levantou-se e foi até a porta, enxugando as lágrimas que insistiam em cair.
— O que quer com ela? – Hanna percebeu que Leo estava na porta. “Ah não! Se for o Leonardo eu trato de voltar para o meu quarto e me afogar nas minhas próprias lágrimas!” Mas antes de virar e fazer qualquer coisa, percebeu também que não tinha só o Leo na porta, havia outra pessoa. Bem mais alta que ele.
— É assunto meu e dela. Não se intrometa aonde não foi chamado. – Era uma voz de homem. Falava friamente. No fundo (bem no fundo mesmo) do cérebro da garota, ela reconheceu a voz, mas não tinha ideia de quem era.
— Olha aqui seu... – Leo começou a avançar na direção do outro. Exatamente como fizera antes de socar o nariz de Yan naquele dia.
Hanna estava a ponto de começar a chorar ali mesmo, lembrando-se do dia em que beijou o moreno pela primeira – e última – vez.
— Leonardo! – Ela falou. Fazendo-o virar, com surpresa no rosto. – Você não ouviu que o homem quer falar comigo? – “Ótimo. Minha voz está quase voltando ao normal.”
O garoto ia falar alguma coisa, mas ela o interrompeu:
— Ainda está aqui? Vamos, ande! É assunto particular! – A contragosto, Leo virou-se e desceu as escadas até o porão. Mas não antes de dar seu melhor olhar mortal para o tal cara.
— Desculpe por isso. Quer entrar? – Ela perguntou educadamente, embora não conseguisse vê-lo direito. O sol que passava pela porta batia diretamente contra ela.
O homem entrou e sentou no sofá. Só então Hanna percebeu que se tratava de um cara muito bonito. Tinha os cabelos dourados e a pele bronzeada. Usava uma camisa de azul bem claro, deixando a mostra os músculos bem definidos, tinha um cordão de sementes no pescoço, uma bermuda verde-escura e chinelas pretas. Parecia um surfista.
Mas o mais impressionante eram os olhos. Tinham a mesma tonalidade de verde que os de Hanna. Mas sem muito brilho, deixando-o frio e distante. Olhando fixamente para o cara, ela o reconheceu.
— E-Eric?
Ele sorriu, mostrando os dentes extremamente brancos.
— Oi, Ariel!
“Ariel? Hahahaha.” “Cala a boca consciência!”
— Er... – Ela mudava o peso do corpo de uma perna para a outra, achando dificuldade para falar. – Meu nome... Não é Ariel...
— Eu sei. Hanna. – Ele continuou sorrindo. Deixando-a extremamente confusa. Ele devia ter percebido, pois na mesma hora prontificou-se para explicar. – Calma! Aquele garoto que me veio “receber”, que me contou. – Hanna tinha fechado a cara assim que ouviu isso. “idiota.” Pensou. – Não o culpe. Ele não sabia do seu pseudônimo.
— Como você descobriu onde eu morava?
— Hnn... – Ele parou para pensar. – Tenho minhas fontes. – Ele piscou para ela, sorrindo novamente. – A propósito! Tenho uma coisa para te falar!
Hanna esperou até ele pegar alguma coisa do bolso. Era um envelope grande e branco, decorado com rendas douradas.
— O que é isso? – Ela perguntou.
— Um convite. – Ele disse. “Óbvio que é um convite!” Ela pensou, mas ficou quieta.
— Para quê? – A morena permaneceu educada.
— Quarta feira terá uma formatura na escola em que eu trabalho. Sou professor de Francês. – Ele esclareceu. – Eu pensei bastante e não tem pessoa melhor que você, para me acompanhar.
— Sua primeira opção não vai poder ir? – Ela arqueou uma sobrancelha.
— Na verdade... Ela está... Indisponível por ora. Viajando. – Ele sorriu.
— Hnn... Eu acho que... – Ela estava confusa. – Bom. Não é nada demais... Certo? Sim, eu vou. – O rosto dele se iluminou. – Mas não se alegra muito não! – Ela logo retomou seu tom normal. Arrogante e mandão.
Ele sorriu mais ainda.
— Quarta feira esteja pronta às oito da noite. É o horário que eu virei te buscar.
Eric levantou-se do sofá e abriu a porta para sair.
— E... Obrigado por aceitar ir comigo. – Ele fechou a porta. Deixando-a na sala, sem reação.
“Meu estado está crítico! Estou aceitando acompanhar caras que eu nem conheço...”
Hanna foi andando de volta para o quarto, olhava o convite em suas mãos. Entrou no cômodo, totalmente absorta em pensamentos.
— O que ele queria? – Leo estava sentado na cama e falava com um tom extremamente grosso. Primeiro que Hanna não gostou do jeito que ele estava falando com ela, segundo que piorava o fato de ele estar no quarto da morena sem ela por perto.
— Não te interessa menino! – Ela estava ficando de saco cheio dele. Leonardo estava rodeando-a desde que ela ficou com Eric no bar. Se ele queria algo sério, não era assim que ia conseguir.
O garoto levantou da cama, chegou perto da morena e encarou os olhos verde esmeralda, que um dia foram dele.
— Você está bem? – Ele perguntou.
— Estou. – Ela olhou para baixo. – Quer sair do meu quarto agora?
Ele saiu. Mas não tirou da cabeça que alguma coisa estava muito errada com aquele cara.
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