Notas iniciais
*** Capítulo revisado e reeditado em 26/09/2015 *** p.s. As notas originais não foram alteradas Como prometido, não demorei com o capítulo! Espero que gostem Let's Go!!!

MANUELA

Caramba! A Duda ficou uma fera por ter sido expulsa da sala pela primeira vez na vida. A cara de injustiçada dela ao sair foi tão fofa que gargalhei, recebendo um olhar mortal em recompensa. Eu sabia o que me esperava no último horário, que ao menos seria Biologia, então acho que ela não teria muitos problemas se me matasse durante a aula. A professora era tão puxa-saco dela que era capaz de dizer para dissecarem o meu corpo para estudar.

Desde que entrei naquela escola, eu observei que Eduarda era tratada de forma diferenciada dos outros alunos pela tal professora Márcia. Ela sempre conversava com Eduarda como se fosse uma amiga de longa data e não uma aluna, e eu ás vezes podia jurar que ela estava se insinuando. Não ajudava nada o fato de ela não aparentar ter mais que vinte e dois anos e ser extremamente atraente. Sim, ela era gostosa, admito!

Logo Duda entrou novamente na sala, acompanhada pela professora e rindo de algo que a mesma dissera. Márcia nos deu bom dia e sentou-se em sua mesa, e, para meu desgosto, Duda sentou-se de frente para ela, já que Amanda tinha desocupado a primeira carteira indo conversar com as amigas no fundo da sala.

–- Moluscos! Vamos começar a estudar um pouco desses bichinhos – disse Márcia dando início á aula – São os animais que apresentam o corpo com consistência macia, protegidos geralmente por uma concha calcária...

Olhei para Duda e ela parecia totalmente absorta na explicação que era dada por Márcia, que por sua vez só parecia enxergar a minha garota naquela sala e não tirava os olhos dela. Aquilo já estava começando a me irritar.

Ciumes? Com certeza!

Nem 24 horas de namoro mas eu já sentia ciúme da Eduarda, na verdade, esse sentimento não começou juntamente com o nosso namoro, eu sentia ciúme dela desde que a conheci. Era irracional, eu sei, mas o que posso fazer?

–- Muito bem Dudinha! Tô vendo que você estudou – elogiou depois que Duda deu uma resposta certa, o que era normal em todas as aulas

Dudinha? Ugh!

O pior foi que ela abriu um sorriso ao ouvir aquilo.

O sinal tocou depois de longos cinquenta minutos de tortura, vendo aquela gavioa em cima da Duda. Antes eu tinha minha dúvidas, mas no momento que ela levantou o braço para escrever algo no quadro, a manga de sua blusa desceu um pouco, revelando uma pulseira do arco-íris, aquilo foi confirmação suficiente. A maldita jogava no mesmo time que eu!

–- Vamos Duda? – chamei, testando se ela ainda estava brava comigo. Ela apenas balançou a cabeça em confirmação e pegou a mochila vindo em minha direção.

–- Dudinha, pode esperar um pouco? Queria falar com você – Márcia disse, claramente me mandando ir embora.

Olhei para Duda e ela, apesar de ainda estar com um biquinho muito lindo, virou-se para a professora dizendo:

–- Tudo bem Márcia, pode falar, seja lá o que for, eu não me importo que a Manu ouça.

–- Ahn... ok – respondeu com uma feição que dizia para que eu fosse embora e as deixasse á sós – É que nesse fim de semana nós vamos fazer um churrasco lá em casa em comemoração ao aniversário de casamento dos meus pais e eu gostaria muito que você fosse... er... com sua família é claro, afinal nossa mães são amigas de longa data...

–- Tu-tudo bem, vou passar o recado – disse Duda meio sem graça diante da minha expressão

–- Ótimo! Eu te ligo pra confirmar – falou e... PISCOU pra Duda

Liga pra confirmar? Como assim liga? Onde ela conseguiu o número da Eduarda? Eu vi direito? É isso mesmo? Ela piscou pra Eduarda?

–- Er... vamos Manu? – perguntou Duda, constrangida pelo descaramento daquela atirada

–- Vamos – respondi secamente

–- Sabia que você fica fofa com ciúme? – perguntou depois de um tempo em silêncio

–- Então você sabe que eu tenho razão para estar com ciúme né?

–- Não, não tem

–- Como assim não tenho? Ela estava praticamente se jogando em cima de você Eduarda

–- Deixa de besteira, eu e a Márcia fomos criadas... pode-se dizer juntas, assim como a Ana também, nossas mães eram amigas desde a época de colégio

–- Mas ela não trata a Ana da mesma forma como te trata, e ela não olha pra Ana do jeito que olha pra você

–- Impressão sua Manuela! Ela olha pra mim como qualquer outra aluna

–- Ás vezes você é tão inocente Duda. Ela estava dando em cima de você, e não foi a primeira vez

–- Manu, eu não quero discutir contigo, olha só pra gente, mal começamos a namorar e já estamos discutindo

–- Desculpe, você tem razão... é só que essa professora me irrita – falei fazendo-a rir

–- Me fala uma coisa, com quem eu estou namorando?

–- Comigo?

–- Exatamente, então não há motivo algum pra ter ciúmes. Eu posso nunca ter me envolvido com ninguém, mas se tem uma coisa que eu nunca faria é trair alguém, seja um amigo, um parente e principalmente minha namorada

–- Eu não duvidei de você Duda, eu também nunca te trairia, olha só se eu vou trocar meu anjinho por alguém!

–- Então estamos combinadas? Nada de ciúmes?

–- Não posso prometer isso, até por quê não é algo que eu possa controlar, ainda mais tendo a pessoa mais fofa desse mundo como namorada. Mas prometo não implicar com a Márcia se ela não pisar no meu calo

–- Tudo bem! – sorriu para mim

EDUARDA

A Manuela ficava tão linda com ciúme de mim! Mas vê se pode? Ficar com ciúme da Márcia! A minha relação com minha professora de biologia era de amizade, apesar de ela ser cinco anos mais velha que eu. Na verdade, quem era amigo dela mesmo era meu irmão Diogo, aqueles dois eram inseparáveis, andavam sempre juntos. Teve uma época em que até pensávamos que eles tinha algum rolo, isso foi antes, é claro, de ambos se assumirem homossexuais para as nossas famílias. A família da Márcia aceitou tudo muito bem, já meus pais... Falar que eles quase tiveram um troço seria um enorme eufemismo... Mas não gostava de pensar a respeito desse assunto, não quando eu mesma já tinha minha parcela de problemas pendentes com a minha orientação sexual, não queria nem imaginar se meus pais descobrissem que eu estava namorando uma garota.

–- Ei, meninas, será que vocês podem andar logo? Eu quero chegar em casa hoje, se possível! – disse Ana, parada na porta da escola nos esperando com os garotos

–- Nossa amiga, que mau humor, cuidado que isso dá rugas hein! Principalmente pra você que não tem essa cutis cor de chocolate maravilhosa que não deixa aparecerem muitos sinais de velhice – brinquei batendo a mão em meu próprio rosto

–- Você fala como se eu tivesse 30 anos, Eduarda!

–- É o que o seu humor está sugerindo – disse rindo

–- Não vou nem falar nada! Me poupe de palavras, podemos ir por favor?

–- Aposto que é TPM – falou Rafael baixinho quando Ana saiu andando e nos deixando para trás

–- Ela deve ter brigado com o Guto – discordou Lucas

–- Ô maluca! Espera a gente! – gritou Manu e Ana parou no meio da rua, com os braços cruzados e batendo um dos pés no chão, nos fazendo rir de sua expressão de impaciência.

–- Que foi Ana? – perguntei ao me aproximar

–- Promete que não vai me bater?

–- Prometo!

–- Eu preciso chegar logo em casa para pegar o cartão de crédito do meu pai, porque a minha loja preferida de sapatos entra em liquidação daqui a meia hora e se eu não chegar logo já vão ter pegado os melhores pares! – fiquei olhando para sua cara, incrédula, ela era mesmo muito patricinha — Aaaii, você prometeu – reclamou quando eu lhe dei um tapa na cabeça

–- Desculpe, não resisti – falei rindo

–- Está entregue – disse quando chegamos á porta do condomínio da Manu

–- Vem cá Duda – falou e a segui até a esquina do seu quarteirão, em uma rua onde não havia ninguém

–- Nem pensar! – disse me afastando quando ela tentou me beijar

–- O que foi? Ninguém vai nos ver aqui

–- É, mas eu ainda não esqueci que fui expulsa da sala por sua culpa

–- Prometo não te beijar mais no banheiro da escola depois que bater o sinal do intervalo, satisfeita?

–- Sim, mas eu ainda não vou te beijar

–- Vai me deixar de castigo, é?

–- Vou!

–- Duvido que você consiga ficar sem me beijar – provocou

–- Haha, é aí que você se engana! Pra quem passou 17 anos sem beijar ninguém, um dia a mais, um dia a menos não faz diferença — menti descaradamente

–- É, mas para mim faz! Não estou acostumada a ficar sem beijar ninguém

–- Tudo bem! Você realmente conseguiu me convencer com esse argumento – falei irônica, não sabia o que pensar daquilo, mas, com certeza, não gostei muito

–- Duda, eu estava só brincando! Me dá logo meu beijo vai

–- Não

–- Você está falando sério, não vai me beijar mesmo?

–- Mais que sério

–- Por quanto tempo?

MANUELA

3 dias!

Três longos e intermináveis dias foi o tempo que Eduarda me deixou na seca, dá pra acreditar?

Eu mal tinha começado o namoro e ela já estava me deixando de molho!

Foi bem estúpida a minha brincadeira de ter falado que não estava acostumada a ficar sem beijar, e deu no que deu. A Duda, que antes já estava brava pelo episódio do banheiro, ficou mais brava ainda ao me ouvir falar aquilo.

Eu exagerei um pouco mas em partes era verdade. Júlia tinha me acostumado muito mal, sempre me apresentando a amigas dela, sempre me levando a festas onde me embebedava, e aí já viu...

Não pensem mal de mim! Eu não era uma vadia que ficava com todas, eu era realmente bem tímida, mas queria curtir a vida, e as amigas da Júlia sempre foram bem... er... espontâneas, acho que pode-se dizer assim. O resultado era que eu já tinha ficado com algumas garotas sim, mas não a ponto de sofrer com a abstinência de beijos como tinha afirmado para Eduarda.

O grande problema era que não era apenas uma simples abstinência de beijos, era uma abstinência de beijos da minha linda namorada, que insistia em me provocar, mesmo sem querer.

A Duda era dura na queda e queria provar para mim que namorar não era apenas ficar de agarramento. Admito que me diverti muito com os programas que ela arrumava para a gente.

Um dia era uma sorveteria, outro íamos jogar fliperama – isso mesmo, aquelas máquinas enormes de vídeo games da época dos meus pais –, ás vezes, matávamos o tempo apenas conversando. Sempre que eu chegava perto demais, Eduarda fazia que iria desistir daquela tortura, quase me beijando, mas desviando no último momento rindo de mim.

Tarde de quinta-feira.

–- Sua vez Manu – falou Rafael me entregando a guitarra – Desisto de tentar ganhar dessa viciada.

Estávamos na casa do loiro, em um pequeno campeonato, e Duda estava ganhando de lavada.

–- Eu aposto que consigo vencê-la – posicionei meus dedos sobre os botões coloridos e olhei para Duda, desafiando-a

–- Manda ver então — ela aceitou o desafio

–- O que você acha de apostarmos?

–- Por mim tudo bem, eu vou ganhar mesmo – disse convencida

–- Então não vai se importar de apostar um beijo! — falei, maliciosa — É o seguinte, se você perder, eu ganho um beijo e meu castigo se encerra, se você ganhar, pode pedir o que quiser... o que acha?

–- Hum... interessante... temos um trato

–- Mas eu tenho uma condição

–- O quê?

–- Jogaremos no modo Expert

–- Por mim tudo bem, então vamos uma de cada vez, jogamos a mesma música e quem conseguir a maior pontuação ganha, você pode começar

–- Eu aposto na Manu! – falou Lucas

–- Eu também, acaba com essa metida da Duda – concordou Ana

–- Não sei não hein gente... a Eduarda é um monstro jogando Guitar hero – discordou Rafael – Mas vamos ver o que vai dar! E um pequeno detalhe, eu escolho a música

–- Ok! – eu e Duda falamos ao mesmo tempo

–- Play With Me, Extreme – disse nos fazendo arregalar os olhos, aquela era uma das músicas mais difíceis de se tocar

Selecionei as opções e escolhi a música, Duda me lançava um sorrisinho enquanto o jogo carregava. E logo a música se iniciou, eu achei que meus dedos fossem quebrar de tão rápido que as notas vinham, sem me dar sequer um descanso. Mas uma coisa que a Duda não sabia era que se existia alguém mais viciada que ela naquele jogo, esse alguém era... bem... deixa eu me apresentar, Manuela Fernandes hehe

Terminei de tocar a última nota e sorri para Eduarda enquanto esperava a minha pontuação e logo apareceu na tela: 100%

Ok, até eu me surpreendi, nunca tinha conseguido acertar todas as notas daquela música! O que um pouco de determinação e um desejo insano de beijar uma garota não faziam?

–- Sua vez! – passei a guitarra para Duda que me surpreendeu ao colocá-la sobre o sofá em silêncio e vir em minha direção

–- Você ganhou — falou antes de me puxar para um beijo de tirar o fôlego, não se importando com os nossos amigos ali presentes, mas eles se importaram, é claro

–- Eca! Eu estou comendo, será que você duas poderiam parar com isso? – implicou Rafael, recebendo um dedo do meio da minha parte, sem desgrudar os lábios da boca da Duda.

Suas mãos apertavam minha cintura de forma suave e delicada, porém, com uma firmeza que só ela tinha. Apesar da surpresa inicial, não demorei mais que milésimos de segundo para corresponder ao apelo daqueles lábios doces.

–- Tava com saudades – ela disse sorrindo quando interrompemos o beijo

Notas finais
*** Capítulo revisado e reeditado em 26/09/2015 *** p.s. As notas originais não foram alteradas então, oq acharam? ficou legal? bjos pra vocês suas lindas! e o dia das crianças tá chegando o/ meu dia o/ vou pedir o Papai Noel uma namorada de presente... pera... acho que é o Coelinho da Páscoa... não... pera... só o Gênio da Lâmpada pra realizar desejos impossíveis! rsrs