In Love With Her
19 Garota esquecida
Notas iniciais
MANUELA
—- É sério, Ana! Você tinha que ver! Uma mulher linda. Tadinha da Jéssica, a cara dela foi impagável quando a viu. Quase tive que me abaixar e apanhar o queixo dela do chão – Eduarda foi precedida por sua voz empolgada quando cheguei à porta da escola, no local em que ficávamos até tocar o sinal para o início das aulas.
—- Espero que vocês estejam falando da Karina – disse, abraçando Duda quando cheguei e recebendo um selinho discreto sem que ninguém além de nossos amigos visse
—- Bom dia, amor! E claro que estamos falando da minha irmã... Vê se eu ia falar de outra desse jeito – falou
—- Acho bom mesmo, dona Eduarda – falei rindo e cumprimentei Ana, Lucas e Rafael, que pelo visto estavam ouvindo o relato da Duda sobre o encontro com a irmã no dia anterior.
—- Nossa, como é ciumenta essa namorada que eu arrumei, vocês não acham, gente? – perguntou aos amigos, que apenas riram
—- Pode ser ciumenta ou o que for, mas a Manuela me salvou da sua rasgação de seda pra cima da sua irmã recém-descoberta – falou Rafa, piscando pra mim.
—- Rafael, a sua sorte é que eu tô de ótimo humor hoje, então vou relevar seu comentário – respondeu Duda, fazendo um bico muito fofo, e tive que me controlar para não beijá-la ali mesmo, na frente de toda a escola
O nosso primeiro horário naquele dia foi Matemática, o que só contribuiu para o bom humor da minha namorada. Mas notei que o seu sorrisão foi sumindo aos poucos à medida que a aula de Biologia se aproximava. E, dito e feito, Eduarda passou todo o horário da Márcia de cara amarrada para a professora.
Será que ela tinha aprontado alguma pra cima da minha garota? Eu realmente esperava que não, não sei se seria páreo para ela em uma briga pela Duda.
Márcia já era uma mulher, uma mulher lindíssima, já conhecia a Duda há muito mais tempo que eu. Meu medo era acabar perdendo a Duda para ela.
Preferi não questionar a Eduarda sobre isso, com medo da resposta dela. Passei o restante da aula pensando no assunto, e quando chegamos ao intervalo e pude conversar direito com a Duda, vi o quanto ela estava realmente feliz com a volta da irmã e não quis atrapalhar isso falando sobre a Márcia.
Ao final da aula, Eduarda me lembrou que tínhamos um trabalho inacabado para fazer, e combinamos que eu iria até a casa dela mais tarde para concluirmos.
*****
Terminei de almoçar, lavei as louças e fui pegar minha mochila para ir à casa da Duda terminar nosso trabalho de história. Era muita sorte a professora ter escolhido as duplas, e nós duas termos ficado juntas. Ana parecia querer matar alguém quando descobriu que faria o trabalho com o Gabriel (sim, aquele idiota homofóbico que queria sair comigo). Rafa não reclamou de sua dupla, afinal ele ficou com a Amanda, que era uma ótima aluna, e seus trabalhos eram sempre impecáveis.
Do portão eu já conseguia ouvir a música alta vinda de dentro da casa da minha namorada. Sorri, tendo pena dos vizinhos, mas nem tanta, porque a Duda tinha bom gosto.
Toquei o interfone, e nada de ela vir atender. Bati no portão diversas vezes, chamei por ela, mas não adiantou de nada. Estava quase desistindo quando o portão se abriu e dele saiu uma apressada Jéssica.
—- Ei, Jéss
—- Ah, oi, Manu.
—- Tudo bem? – perguntei enquanto ela andava de costas, afastando-se de mim aos poucos.
—- Tudo, sim. Tá procurando a Duda? Entra aí, ela tá lá dentro. Deixa eu correr, estou super atrasada para a minha aula – falou virando-se antes de terminar de falar.
Ri um pouco do seu jeito atrapalhado, parecido com o da irmã, e logo entrei pelo portão que ela havia deixado aberto. Não dei nem dois passos e fui surpreendida por Princesa, que pulava tentando me lamber.
—- Nossa, Princesa, eu sei que você gosta de mim, mas não se empolga tanto! A Duda pode ficar com ciúmes, sabia? – brinquei com a cadela que me seguia alegremente enquanto eu andava
—- Duda! – gritei ao chegar à sala e não ver ninguém
—- Já chegou, amor? – perguntou da cozinha, de onde parecia vir o som de Paramore, uma de suas inúmeras bandas favoritas.
Fui até lá, deparando-me com uma Eduarda que lavava louças enquanto parecia dançar em um ritmo próprio e meio louco.
Ao me ver, Duda desligou o som e veio me receber com um leve beijo nos lábios.
—- Pensei que você viria mais tarde pra terminar o trabalho – falou
—- E viria mesmo, mas sabe como é, né? Não consigo passar muito tempo longe de você – respondi piscando para ela
—- É mesmo? Bom saber disso – sorriu — Senta, eu já estou terminando aqui pra gente fazer o trabalho.
—- Tudo bem, mas pra quê tanta pressa para fazer o trabalho? Aposto que tem muita coisa mais interessante que isso para fazer – arqueei uma sobrancelha, provocando-a com um olhar malicioso.
—- Pode ir tirando o cavalinho da chuva, Manuela, você veio para estudar história!
—- Calma, eu estava só brincando, ok? – falei rindo da sua expressão séria.
Duda terminou de arrumar a cozinha, e subimos até o seu quarto para fazer o maldito trabalho.
Apesar de nenhuma de nós duas gostar muito da matéria, rapidamente concluímos o que faltava da parte escrita e estávamos livres.
—- Pronto, achei que não ia terminar nunca! – falou Duda, exagerada como sempre.
—- Exagerada você nem é, né?
—- Não, nem um pouco! Se discordar ou achar ruim, me beija – falou sorrindo
—- Até sem discordar! – disse indo beijá-la.
Acho que nunca me cansaria de beijar Eduarda, era algo extremamente viciante para mim.
***
Estávamos na cama de Duda. Ela recostada á cabeceira lendo um livro, e eu, deitada com a cabeça em seu colo enquanto ouvia música.
—- Amor, sabe que dia é amanhã, né? – perguntei
—- Hum... Não faço ideia, que dia é?
—- Tem certeza que não sabe? – perguntei incrédula por ela ter esquecido
—- Ah... Agora eu lembrei, amanhã é o dia da prova de matemática, não é? – respondeu após pensar um pouco
—- É... É isso mesmo – respondi, chateada e muito brava por ela ter esquecido o nosso aniversário de um mês – Olha, Eduarda... eu... eu tenho que ir embora, minha mãe chega cedo hoje, e não quero aborrecê-la – dei a primeira desculpa em que pude pensar.
—- Não vai ainda não, amor, fica mais um pouco, o que houve pra você sair assim? – segurou meu braço quando me levantei juntando minhas coisas.
—- Eu tenho mesmo que ir, Eduarda! Nos falamos depois – peguei minha mochila, coloquei tudo dentro e saí sem ao menos deixar que ela se despedisse.
—- Acho que afinal eu não sou tão importante assim para ela lembrar que amanhã faz um mês que estamos juntas – resmunguei sozinha, andando pela rua – Garota idiota!
EDUARDA
A Manu estava espumando de raiva! Eu estava bem ferrada por ter fingido que havia me esquecido do nosso aniversário.
Peguei meu celular e disquei o número de Ana.
—- Alô
—- Tá tudo certo – falei entusiasmada
—- Ela acreditou?
—- Saiu daqui querendo me matar. Você tinha que ver como ela falou meu nome, parecia até a minha mãe quando eu faço algo de errado – contei.
—- Duda, você sabe que essa foi uma ideia muito, mas muito idiota mesmo, né? – repreendeu-me
—- Tá bom, mãe! Vai me ajudar ou não?
—- Claro! Você que sabe, a namorada é sua mesmo.
—- Daqui a pouco chego aí então
*****
—- Minha filha, tem certeza que não quer ir? – perguntou minha mãe, colocando as malas no carro
—- Tenho, mãezinha, vão vocês e divirtam-se, vou ficar por aqui mesmo.
—- Duda, não se esqueça de trancar tudo quando for dormir. Não abra o portão para estranhos, qualquer coisa ligue para mim ou para a sua mãe e, se vir qualquer coisa suspeita, chame os vizinhos – falou meu pai categoricamente enquanto eu balançava a cabeça em sinal afirmativo diversas vezes seguidas.
—- Tudo bem, não se preocupem, eu me viro – falei.
—- Tem certeza que não quer que eu chame a Márcia pra te fazer companhia? – perguntou mamãe, e tive que me segurar para não dizer que não ficaria sozinha com ela nem que me pagassem, afinal, "companhia" era a última coisa que ela andava querendo me fazer ultimamente.
—- Mãe, eu não sou mais criança, não preciso de babá. E Ana pode vir pra cá também – falei forçadamente
Depois de mais meia dúzia de recomendações, eles entraram no carro, avisando que voltariam na segunda pela manhã para a Jéssica não perder aula. O que me deixava com a casa só para mim o fim de semana todo.
Olhei no relógio e, vendo que já estava em cima da hora, fui me arrumar para a escola.
******
—- Eu ainda não acredito que ela esqueceu, Rafa – dizia Manu quando cheguei à sala de aula
—- Talvez ela tenha se lembrado hoje quando acordou – opinou meu amigo
—- Bom dia! – me aproximei fingindo não ter ouvido nada e dei um beijo no rosto de cada um
—- Bom dia – Rafael respondeu-me enquanto Manuela me olhava com os olhos cheios de expectativas
—- Não tem nada para me dizer? – questionou-me
—- E eu deveria ter? – fingi confusão
—- Quer saber? Nada não, Eduarda, nada mesmo – afastou-se de cara emburrada e foi se sentar no fundo da sala, isolada de todos.
Não pude conter o riso diante de suas atitudes de criança mimada. É claro que ela tinha razão em estar assim, mas que era cômico e ao mesmo tempo fofo, ah, isso era.
Além disso, eu tinha que rir enquanto podia, pois, se eu bem conhecia a minha linda namorada, ela iria querer me matar quando soubesse que era tudo armação.
—- Tá louca, garota? Dá uma de desmemoriada pro lado da sua namorada e depois fica aí rindo? Como você pôde ser tão cafajeste a ponto de esquecer o primeiro aniversário de namoro de vocês, Duda? – repreendeu-me Rafael
—- Olha bem pra mim, eu tenho cara de quem esquece algo assim? – perguntei
—- Realmente não é do seu feitio, mas-
—- É claro que eu não esqueci, Rafael, só quero que a Manu pense assim
—- O que você tá aprontando, Duda? – perguntou desconfiado, e eu passei metade da aula explicando o que queria fazer.
A prova de matemática, que a Manu e eu faríamos juntas, ela fez com a Ana. Hora ou outra, eu lançava olhares para onde Manu estava, mas ela sempre virava a cara para o outro lado ao me ver fitando-a. Ela estava determinada a me ignorar, tanto foi que ao final dos três primeiros horários, quando o sinal para o intervalo tocou, sumiu de vista.
Fiquei preocupada e estava indo procurá-la, mas Lucas me impediu:
—- Deixa que eu vou, aproveita que seremos liberados agora e vai terminar de organizar tudo, porque eu sei que você ainda tem muita coisa para fazer. Entrego a sua princesa no horário combinado, ok?
—- Valeu, Lu! Fico te devendo essa. Seu lindo! – falei, e ele sorriu
MANUELA
—- Manu! Espera aí, quero falar com você – parei, esperando que Lucas se aproximasse – O que houve?
—- Sua amiga é uma idiota, só isso – respondi seca
—- Você tem alguma coisa para fazer hoje? – perguntou-me, mudando de assunto surpreendentemente rápido
—- Não, por quê?
—- Então você vai passar a tarde comigo, e eu não aceito não como resposta
—- Mas...
—- Sem mas! Eu e o Matheus passamos na sua casa para te pegar em uma hora, e você virá por bem ou por mal – falou sorrindo
—- E eu tenho escolha?
—- Mas é claro... que não!
—- Tudo bem, mais tarde nos falamos então
—- Combinado, beijos – despediu-se, e eu fui para casa
Talvez o Lucas me distraia um pouco dos pensamentos homicidas que eu estou tendo neste momento para com a amiga dele— pensei
Cheguei em casa e, aproveitando que minha mãe estava no horário de almoço dela, avisei que passaria a tarde fora com meus amigos.
Tomei um banho, e logo o porteiro anunciou a chegada de Lucas e Matheus, e eu autorizei a subida deles.
—- Mãe, eu já vou! – falei pegando a bolsa e indo em direção à porta
—- Espera, quero conhecer esses seus amigos com quem você vai sair
—- Isso é realmente necessário, dona Marina? – perguntei ironicamente
Ela nem se deu ao trabalho de responder e foi abrir a porta para os meninos.
Depois das apresentações e de uma série de perguntas embaraçosas, conseguimos sair de casa.
—- Ah, eu já ia me esquecendo – falou Lucas dirigindo-se á minha mãe – Será que a senhora deixa a Manu passar esse fim de semana na minha casa? Preciso de alguém para me ajudar a estudar para as minhas provas.
Meu queixo foi ao chão e voltou quando minha mãe permitiu, com um sorriso no rosto, e despediu-se de Lucas novamente.
—- Ok, o que está acontecendo? – perguntei quando chegamos ao carro de Math, e ele destrancou as portas para entrarmos.
—- Não me olhe assim, estou apenas cumprindo ordens – disse Matheus ligando o carro
—- Lucas?
—- Não se preocupe, confie em mim, tudo bem?
—- Eu confio, mas não estou entendendo nada
—- Não é para entender, meu bem. Agora vamos nos divertir, porque essa sua carinha precisa melhorar pra hoje à noite – disse e ligou o som do carro do namorado lhe sorrindo
—- O que tem hoje à noite, Lu? – perguntei curiosa
—- Nada! Às vezes, eu falo demais, mas pelo menos já te dei o álibi pra dormir fora
Um álibi? Será que não vou dormir na casa dele?
Eu já ia perguntar por que precisaria de um álibi, mas Matheus começou a falar:
—- Manu, acho que depois é melhor você explicar para a sua mãe que o Lucas não é seu namorado, porque a cara de alegria dela ao deixar você passar o fim de semana na casa dele... Eu podia jurar que vi as engrenagens se mexendo na cabeça dela, formando a frase: “Minha filha vai ter um fim de semana regado a sexo com um garoto”
—- Eca! – Lucas e eu dissemos ao mesmo tempo e começamos a rir
Fomos para um shopping e, depois de andar um pouco, olhando algumas vitrines, conversando e rindo, nos dirigimos à praça de alimentação, pois Math queixava-se por não termos almoçado ainda.
Paramos no Mc Donald’s e fizemos os pedidos.
—- Aproveita seu hambúrguer, você não vai comer de novo tão cedo – avisou-me Lucas – A nossa agenda para esta tarde está cheia.
Assim que terminamos de comer, Matheus despediu-se, dizendo que voltaria mais tarde para nos buscar.
Fomos a algumas lojas, onde perdi as contas de quantas roupas Lucas me fez experimentar, e acabamos comprando algumas por insistência dele.
Eu realmente estava me divertindo com o jeito dele para coisas femininas. Ele nunca me passara a sensação de entender tanto sobre mulheres e seus gostos. Em sua discrição, quase não se notava que ele era gay, pelo menos não quando não deixava o seu lado mais sensível e delicado aflorar, e aquela tarde foi a primeira vez que eu vi aquele seu lado.
Estávamos no caixa quando o celular de Lucas tocou, e ele logo atendeu:
—- Alô... No shopping... É claro que sim, eu te avisei que levaria no horário combinado... Você não delimitou lugares... Tá bom, eu vou ver o que faço... Não... Não se preocupe... apenas espere alguns minutos... Tenho, eu me vou certificar disso... Ain, também te amo, viu, grossa – terminou ironicamente, desligou o celular guardando-o no bolso e me olhou.
—- Suponho que eu não precise saber, não é?
—- Exatamente – riu – Vamos, você precisa ficar linda, se bem que você já é de qualquer forma, mas vamos mesmo assim – disse puxando-me rua afora
Paramos em um salão de beleza a alguns quarteirões do shopping, onde ele cumprimentou algumas pessoas e conversou um pouco com elas, gesticulando bastante e me indicando, às vezes, com as mãos.
—- Manu, vem aqui, eu quero que você conheça minha prima – chamou, e eu fui até onde ele estava – Paulinha, essa aqui é a Manu — disse para uma garota muito bonita, de uns 25 anos.
—- Prazer, Paula – apresentou-se – Então é você que eu tenho que deixar linda? – perguntou.
—- Eu... não sei – respondi, sem realmente saber.
—- Eu tenho que resolver algumas coisas – falou Lucas – Volto logo e não se preocupe, está em boas mãos – sorriu me dando um beijo na bochecha e saindo logo em seguida.
Depois do que pareceram dias no salão, eu estava de cabelo arrumado, sobrancelhas e unhas feitas. Me olhei no espelho e gostei do que vi, eu realmente estava bonita, só não sabia ainda para quê.
Logo Lucas retornou, sorriu imensamente ao me ver.
—- Tá linda, Manu!
—- Obrigada – disse um pouco envergonhada.
—- Vou só ali falar com a Paulinha, e poderemos ir, tá bom?
—- Tudo bem.
Ele despediu-se da prima, e saímos do salão, encontrando Math nos esperando do lado de fora, encostado ao carro.
—- Nossa, que gata, Manu! Se eu não estivesse namorando, te pegava fácil, fácil – falou o mais velho, fazendo minhas bochechas ficarem um pouco rosadas
—- Obrigada, Math, eu acho – sorri olhando para cima e só então notei que já era noite.
—- Vamos? – chamou Lucas
Entramos no carro e fomos para a casa de Lucas, onde eles me mandaram tomar banho e usar o vestido que tinha comprado naquela tarde, Matheus deu o toque final, me maquiando.
—- Perfeita, só falta uma coisa – disse Math, olhando para os meus pés – Cadê seus sapatos? – perguntou-me.
—- Aqui – falou Lucas, trazendo um par de sandálias pretas com saltos.
—- Não me diga que são suas – falei rindo.
—- Não, engraçadinha, são da Paula, ela disse que não se incomoda de você usar.
—- Tem certeza?
—- Coloca logo essas sandálias, porque já estamos atrasados! – reclamou.
—- Falando nisso, para onde vamos?
—- Nós não, você vai... Math vai apenas ser a sua carona – respondeu.
—- Carona para onde, Lucas?
—- Deixa de ser chata, garota! Quando chegar você vai saber!
Ficamos em silêncio o caminho todo, o que não foi muito tempo, já que Math parecia ir em direção à minha casa, e da casa do Lucas até lá era bem perto.
—- Vocês estão me levando para casa?
—- Não – respondeu Lucas bem na hora que eu percebi que tínhamos passado da minha rua. Eu conhecia muito bem o caminho que estávamos tomando
—- Lucas, por favor, não faz isso. Me leva de volta, Math, eu não quero falar com a Duda hoje, amanhã nós conversamos. Juro que não estou mais brava com ela, mas não tem clima pra gente se falar hoje.
—- Nada disso, mocinha, você vai falar com ela, sim, e eu acho muito bom você não estar mais brava, assim aproveita mais a sua noite – Lucas riu quando o carro parou de frente para o portão de Eduarda.
Math buzinou, e, assim que eu saí do carro a contragosto, Lucas apenas me deu um beijinho na bochecha, entrou rapidamente, e eles saíram.
Mirei o portão por dois segundos e decidi que iria embora antes que Duda viesse abri-lo.
O Lucas tem cada ideia!
Dei as costas para o portão e, antes que pudesse dar o primeiro passo, ouvi meu nome ser chamado:
—- Manuela – eu conhecia aquela voz, não tinha como confundi-la, mesmo no meio de uma multidão, a voz de Duda se destacaria dentre todas as outras.
Virei-me e me deparei com uma garota linda, em um vestido preto, curto e justo, acompanhado por saltos não muito altos. Tinha uma única rosa vermelha na mão esquerda, que ela girava distraidamente.
Era a primeira vez que eu via a Duda de vestido e não pude deixar de admirá-la. Olhei-a de cima a baixo, demorando despropositadamente no generoso decote em V e nas pernas descobertas até pouco acima da metade das coxas que me fizeram engolir seco.
—- Du-Duda – foi tudo o que eu consegui colocar para fora, hipnotizada por aqueles olhos escuros e esquecendo-me completamente que não queria falar com ela naquela noite.
Ela andou até onde eu estava com um sorriso brilhante, que logo deu lugar a uma expressão de culpa.
—- Er... Primeiro, não me mate! Segundo, eu não esqueci do nosso aniversário de namoro. E terceiro, mas não menos importante: cê tá linda! – falou, me entregando a rosa, e não pude deixar de sorrir e ficar corada com a última parte.
Fiquei ali olhando para ela, sem dizer nada.
—- Suponho que eu tenha algumas explicações a dar – continuou – Mas eu não quero ser vítima de crime passional no meio da rua, então... Será que cê pode entrar para eu me explicar?
Fale com o autor