In Love With Her
10 Depois da festa
Notas iniciais
de volta com a resposta da Duda!
gente, a música que a Manu cantou no último capítulo pra Duda foi uma amiga minha quem escreveu, a fofa da Silvis Januario, a música desse capítulo, que a Duda canta pra Manu (não devia ter dito antes da hora mais tá ne) é uma parceria que eu fiz também com a Silvis Januario pra escrevr
espero que curtam *-*
MANUELA
-- Du-duda, você está bem? – perguntei já me preocupando. Ela estava encarando o nada havia mais de 5 minutos, sem nada dizer, seus braços ainda me apertando, sem deixar que eu me afastasse.
-- Hã? – perguntou aérea – Tá, tá tudo bem
-- E... E então? – perguntei insegura
-- Então o quê?
-- Você se lembra do que eu perguntei há alguns minutos atrás?
-- Vagamente...
-- Eduarda! O que está acontecendo com você? – perguntei tirando seus braços da minha cintura e me afastando um pouco para olhá-la nos olhos
-- Nada, eu só estou meio... Muito surpresa!
Eu estava suando frio, tremendo igual vara verde. Tinha acabado de pedir a Eduarda em namoro e ela simplesmente resolveu viajar pelo seu mundinho interno.
Tinha me apaixonado por um anjo sim, mas um anjo bem maluquinho por sinal!
Olhei para seu rosto sereno e tranquilo, os olhos brilhando, olhando para cima. Mesmo estando extremamente ansiosa por sua resposta – e admito que com receio também – não pude deixar de admirá-la, contemplar seu belo rosto.
-- Duda...
-- Sim? – ela ainda olhava pra lua, mas virou seu rosto para baixo, prendendo seus olhos que estavam marejados nos meus.
-- Olha, eu sei que foi meio precipitado esse pedido, e eu vou entender se você não quiser aceitar. É só que... Eu não tenho mais forças pra ficar longe de você, e pode parecer louco, mas eu tenho certeza que te amo. Se você aceitar ser a minha garota, meu anjo, se você aceitar ser a minha namorada, eu tenho certeza que a minha felicidade ultrapassará as barreiras do universo e me certificarei que a sua vá ainda mais longe que isso. – coloquei para fora tudo que eu estava sentindo naquele momento e vi um sorriso se formar em sua face
-- Manu posso te pedir uma coisa? – perguntou com um largo sorriso no rosto
-- Claro! O que quiser
-- A gente pode só continuar curtindo essa noite? Eu digo... eu posso te responder amanhã?
-- Eduarda, eu não quero que você se sinta pressionada de forma alguma, pelo contrário, eu quero que você tome o seu tempo e me responda apenas quando tiver certeza. Eu só quero que você saiba que pode demorar um mês ou dez anos, eu ainda vou estar aqui te esperando. – disse sinceramente e ela riu
What the fuck?
-- É sério! Eu só preciso que você espere até amanhã e terá a sua resposta – disse com um ar de divertimento
-- Ah, ok então – respondi sem entendê-la nem um pouco – O que você tinha dito mesmo? Algo sobre continuar curtindo a noite... Esperar até amanhã por uma resposta... Querer ficar mais um pouco aqui, curtindo meus beijos... – mudei rapidamente de assunto fazendo-a rir
-- Não me lembro dessa última parte, mas acho que por mim está tudo bem – disse exibindo seu sorriso brilhante.
Passamos o restante da festa bem juntinhas, aproveitando uma á outra, conversando, rindo como duas bobas, e claro, trocando beijos e carinhos.
-- Hey, as duas pombinhas podem se desgrudar para irmos embora? – perguntou Ana por volta das 4 da manhã – O Math vai nos dar uma carona até lá em casa
-- Vamos? – perguntei levantando da espreguiçadeira onde estava sentada no colo de Duda (sem malícia alguma, deixo claro) e estendendo uma de minhas mãos para ela.
Chegamos á casa de Ana exaustas após passar quase toda a noite acordadas. Subimos direto para seu quarto onde se encontrava a mochila com minhas coisas.
-- Onde eu vou dormir? – perguntei sonolenta e Ana apontou para a própria cama onde podia-se ver uma segunda cama bem abaixo como uma gaveta
-- Bom, eu só vou arrumar a cama de baixo pra você e a Duda pode dormir comigo como sempre fazemos, tudo bem pra vocês? – perguntou Ana arqueando uma sobrancelha
Duda apenas deu de ombros, parecia estar mais dormindo que acordada.
-- Por mim tudo bem – eu senti um pouco de ciúmes dela dormir com a Duda, mas logo passou quando me lembrei que elas eram como irmãs
-- Ana me dá alguma coisa pra vestir? – perguntou Duda enquanto eu me esgueirava para o banheiro com meu pijama
Rapidamente retirei minha maquiagem e vesti uma camiseta larga e uns shorts confortáveis que costumava usar para dormir.
Voltei ao quarto e Duda vestia apenas uma regata amarelo desbotado e calcinha. Tive que me forçar a manter a boca fechada para não ensopar o chão de baba. Aquelas pernas longas e bem definidas pela constante prática de exercícios me deixaram com os pensamentos enevoados. Notando minha observação, Duda logo deu um jeito de se enfiar entre as cobertas, um tanto envergonhada. Ana e eu trocamos olhares e caímos na gargalhada fazendo Duda esconder a cabeça também.
Logo já estávamos todas prontas para dormir. Deitei-me na cama auxiliar e desejei boa noite para as garotas, logo já estava caindo em um sono profundo e cheio de sonhos felizes pelos acontecimentos da noite.
Acordei com a barulho da porta do banheiro batendo. Olhei ao meu redor e nem sinal de Duda ou Ana. Uma delas provavelmente estava dentro do banheiro, a outra eu já não sabia.
Levantei, dobrei as cobertas e arrumei as camas. Troquei de roupa e fui andando pelo quarto de Ana, observando sua enorme coleção de revistas de moda e fofoca.
Parei de frente a um mural onde havia fotos de várias pessoas, Rafa, Lucas, Gustavo, o atual namorado de Ana. Reconheci também algumas pessoas que estudavam conosco. Mas, o que mais tinha ali, eram fotos de Ana e Eduarda juntas. Elas estavam sempre rindo da cara uma da outra e fazendo caretas.
Sorri ao ver uma fotografia em que as duas estavam sentadas em um desses parquinhos, não aparentavam ter mais que 6 anos. Duda estava com o rosto todo coberto de sorvete de chocolate com uma carinha de brava muito fofa enquanto Ana, com os cabelos loiros em pequenos cachinhos, segurava uma casquinha com os resquícios do que sobrou do sorvete, sorrindo como quem havia aprontado.
-- A Duda sofria comigo nessa época, admito que, apesar de ser quase dois anos mais nova, eu era terrível – Ana se aproximou olhando a foto – Eu me lembro bem do dia que essa foto foi tirada
-- Sério? A Duda parece um pouco mais velha, mas você tinha o quê, uns 6 anos?
-- Isso mesmo – disse Ana com um sorriso um pouco triste – Minha mãe me passou o maior sermão por ter esfregado o sorvete na cara da Duda porque nós tínhamos brigado, porém não antes de bater a foto, ela não podia perder a oportunidade de registrar tudo que acontecia.
-- Onde está sua mãe? Ela não mora com você e seu pai? – perguntei um pouco receosa e me arrependi quando ela deixou cair uma lágrima que logo foi enxugada
-- Ela... ela... sofreu um acidente de carro nesse mesmo dia... Duda e eu tínhamos pedido para ficar um pouco mais com meu pai na casa dos meus tios, mas ela teve que ir embora mais cedo por conta do trabalho... um caminhoneiro bêbado veio pela contramão, ela não teve tempo de desviar... o carro dela teve perda total, e minha mãe... não resistiu e faleceu antes de chegar ao hospital
-- Eu sinto muito Ana, eu não sabia disso, não deveria ter perguntado de qualquer forma – disse abraçando-a
-- Não, está tudo bem, eu só tenho boas lembranças dela, e espero um dia me tornar uma pessoa tão maravilhosa quanto ela foi – disse enxugando as lágrimas e indo até a cômoda para pegar um porta-retrato que repousava sobre ela
-- Ela era linda! E você se parece muito com ela – eu disse ao observar a mulher elegante, de longos cabelos lisos e loiros, olhos extremamente verdes e um sorriso radiante – Deve sentir muito a falta dela né?
-- Um pouco, mas meu pai tem se esforçado muito nesses anos para garantir que eu seja feliz, e eu de fato sou! Além do mais, eu tenho uma segunda mãe
-- Seu pai se casou de novo? – perguntei
-- Não, ao contrário de mim, acho que ele nunca superou a morte dela.
-- Quem é a sua segunda mãe então? – perguntei novamente, curiosa
-- A Duda – respondeu simplesmente, me fazendo gargalhar
-- A Duda? Uma mãe? Eu acho que ela ainda tem a idade daquela foto! Sempre achei que fosse você quem cuidasse dela
-- Sim, você tem razão em partes, ela é uma criança grande, mas sempre cuidou de mim desde o acidente, como uma irmã mais velha, ás vezes quase como uma mãe, aliás, sabia que ela fez uma promessa? – neguei com a cabeça e ela continuou – Quando recebi a notícia, ainda estávamos na casa dos meus tios, eu chorei muito e me tranquei no quarto não deixando que ninguém entrasse. Todos tentaram me convencer a abrir a porta, mas, ironicamente, a única que conseguiu foi a Duda, com quem eu ainda estava brigada. Mesmo eu tendo esfregado aquele sorvete no rosto dela, a Eduarda foi lá conversar comigo, e depois de me acalmar, prometeu que eu não precisaria me preocupar que ela sempre estaria comigo, que cuidaria de mim sempre que eu precisasse, ela prometeu que eu nunca estaria sozinha. E até hoje, quase 10 anos depois, ela nunca descumpriu essa promessa.
Eu fiquei admirada com a atitude da Duda, ela tinha apenas 8 anos na época da morte da mãe de Ana e já se mostrava como um anjo para a amiga.
A cada descoberta que fazia sobre aquela garota, eu me apaixonava mais por ela, se é que era possível
-- Falando em Duda, onde ela está? – perguntei
-- Teve que ir embora, parece que o pai dela pediu pra ela fazer alguma coisa em casa – Ana me mostrava o bilhete que estava sobre o criado
“Bom dia meninas, se é que vcs vão acordar tão cedo né kkk
Desculpem mas meu pai me ligou e pediu pra eu ir embora
Não chorem porque eu não fiquei! Eu volto logo, prometo!
E Manu, já tenho a sua resposta, mas quero falar pessoalmente
Bjos, Duda”
-- De que resposta a Duda tá falando? – perguntou Ana, me deixando vermelha
-- Nada de importante – tentei desconversar
-- Não me enrola Manuela! Eu sei que aí tem coisa
-- E-eu... pedi a Eduarda em namoro – respondi sem olhá-la
-- Eu não acredito! Mas já? Você não perde tempo hein garota! – riu – E aquela vaca nem me falou nada! – fingiu indignação
EDUARDA
Apesar de ter ido dormir extremamente tarde, programei meu celular para despertar bem cedo, tinha várias coisas para fazer. Sobressaltei-me com ele vibrando e logo dei um jeito de desligar o alarme antes que aquele som barulhento começasse, acordando Ana e Manu.
Levantei-me cuidadosamente, fui ao banheiro fazer minha higiene matinal e voltei para me trocar. Terminei de me vestir, peguei o restante das minhas coisas e rabisquei um bilhete deixando no criado de Ana. Abaixei-me, deixei um beijo na testa de Manuela e fui para minha casa.
Várias coisas se passavam pela minha mente enquanto observava as ruas passarem rápidas pela janela do ônibus. Eu me apaixonando loucamente por uma garota... Meu medo de acabar não sendo aceita pela minha família por isso... Eu e Manuela dançando coladas, numa sincronia que me espantava... O beijo que tomei a iniciativa, o meu primeiro beijo... Aquele momento em que, segundo Rafael, estávamos quase nos “comendo” na pista de dança... Declarações... Outro beijo... Pedido de namoro... Mas acima de tudo, eu pensava no dia de hoje, quando responderia ao pedido de Manuela.
-- Já em casa filha? – perguntou meu pai quando entrei na cozinha onde ele tomava café – Devia ter me ligado pra eu ir busca-la
-- Bom dia pai! Não se preocupe, a casa do tio Jorge não é tão longe assim – respondi dando-lhe um beijo na bochecha e me sentando para comer algo
-- Que milagre você acordar tão cedo em pleno domingo. Sua mãe e sua irmã ainda nem acordaram
-- Você viu que dia lindo tá fazendo lá fora? Seria um desperdício dormir até tarde!
-- Parece que alguém acordou de bom humor! Pelo visto a noite de garotas foi ótima – disse meu pai, sem saber o quanto a minha noite tinha sido realmente maravilhosa
-- Sim, sim, a noite foi ótima! Eu só vim em casa arrumar algumas coisas, tudo bem se eu sair de novo? – perguntei
-- Olha só, mal saiu das fraldas e acha que porque fez 17 anos, pode passar a noite toda fora, chegar em casa de manhã e já ir saindo de novo? – meu pai disse em um tom sério, mas seu sorriso de deboche me disse que ele brincava
-- Pai! Você sabe que eu estava com a Ana – disse, em partes era verdade já que eu realmente estava com a Ana, ele só não precisava saber que não era na casa dela – Posso sair?
-- Pode sim, só não chega tarde porque você tem aula amanhã – era por isso que eu amava meu pai
-- Claro, valeu pai – disse dando-lhe outro beijo na bochecha e indo para meu quarto
***
-- Alô? – disse uma loira irritada do outro lado da linha
-- Ana, tudo bem?
-- Tudo, eu só acabei de descobrir que a minha melhor amiga anda escondendo coisas de mim – ai, quanto drama!
-- Desculpa não ter contado sobre o pedido ok? Mas eu estava com tanto sono ontem e hoje ainda tive que sair cedo
-- Sei...
-- Loira, você sabe que eu te amo não sabe?
-- E o que “todo” esse amor vai me custar?
-- Nadinha! Mas você bem que podia me fazer um favor né?
-- Sabia! Desembucha logo Duda – pude ouvir a risada de Manu perto dela
-- Eu só quero que você peça pra Manu vestir algo confortável, daqui a meia hora eu tô passando aí pra sair com ela, só isso. Não vai doer falar isso com ela, vai?
-- Não, não vai doer! Mas eu pensei que nós iríamos curtir a piscina do Rafa hoje!
-- Ana, talvez eu passe lá no Rafa mais tarde, mas eu preciso resolver umas coisas com a Manu primeiro.
-- Tá vendo? Depois vai falar que eu não tenho razão pra desconfiar que você tá escondendo o jogo! Que coisas você tem que resolver que eu não posso saber? – perguntou novamente irritada
-- Se você não se lembra, eu tenho um pedido de namoro pra responder
-- Ah, é mesmo, e qual vai ser a resposta?
-- É surpresa! Eu até te contaria se não soubesse que no momento que você desligar o telefone a Manu vai te espremer até você falar pra ela. Olha só, eu tenho que desligar, você faz o que te pedi?
-- Claro né amiga!
-- Viu? É por isso que eu te amo! Beijos e até mais
-- Beijos e amanhã você não me escapa de contar algumas coisas! – disse rindo e logo desligou
Pouco mais de meia hora depois eu estava batendo o interfone da casa de Ana.
-- Quem é? – a voz mais chata do mundo perguntou
-- Sou eu, Ana – disse e logo o portão foi destrancado
Entrei e encontrei ambas sentadas na varanda, conversando. Beijei-as rapidamente na bochecha e as cumprimentei. Tudo bem que eu queria beijar Manu como se deve, mas era tímida demais pra fazer isso na frente de Ana e além do mais, um beijo só a faria acreditar que o pedido estava aceito.
-- Você vai pra casa do Rafa? – perguntei a Ana
-- Claro, primeiro que não vou ficar sozinha aqui e segundo que eu tô precisando pegar uma cor e esse sol tá convidativo demais!
-- Você com certeza precisa de uma cor. É tão branca que chega a ser quase transparente! – brinquei e ela me deu língua – Você vai de ônibus?
-- Não, o Math vai passar aqui pra me pegar já que é caminho dele
-- Daqui a pouco o Matheus vira nosso motorista particular! – ri – Bem, nesse caso, vamos Manu?
-- Claro – disse levantando-se e reparei em sua roupa. Uma camiseta do batman, shorts jeans e tênis Vans – Essa roupa está boa? Se quiser eu posso trocar, a Ana disse que você não especificou o lugar pra onde vamos então –
-- Tá perfeita! – disse interrompendo-a – Olha pra mim – disse apontando minha roupa semelhante á dela: camiseta escrito “keep calm and rock on”, bermuda jeans pouco acima do joelho e tênis all-star. Manu observou como eu estava vestida e seu olhar parou em meu ombro
-- Você toca violão? – perguntou
-- Só um pouco — respondi
-- E muito mal – completou Ana e nesse instante escutamos a buzina de Math
Cumprimentamos Matheus e logo que Ana entrou no carro, Manu e eu fomos andando em direção ao ponto de ônibus
-- Pra onde vamos? – perguntou
-- Quando chegarmos você saberá – respondi implicante
-- Você é muito chata! – reclamou
-- Eu sei! Brincadeira, mas é surpresa o lugar que vamos!
Cerca de uma depois, depois de subirmos a serra literalmente, descíamos do ônibus na porta de um parque.
-- Que lugar longe! Parque das Mangabeiras? – perguntou lendo uma placa
-- Sim, eu sei que você não conhece quase nada de BH, e pensei que você gostaria de conhecer um dos meus lugares preferidos de passeio – disse puxando-a para dentro do parque
-- Acho que você acertou na escolha, mal entrei e já estou achando lindo! – respondeu quando paramos perto de uma espécie de lago onde haviam vários peixes – Adoro natureza! – disse vendo as árvores em todas as direções que olhava
-- Eu também, vamos, isso daqui é enorme e quero parar em um lugar para comermos porque já passou da hora do almoço – disse esfregando a barriga em brincadeira
Como era de costume, o parque estava bem cheio, mas sua extensão permitia que pudéssemos encontrar algum lugar onde não tivesse tanta gente. Andei um pouco pelas árvores até encontrar uma espécie de clareira, onde não havia mais ninguém. Tirei a minha mochila das costas e a abri tirando uma toalha daquelas de pique nique e forrando o chão coberto de folhas e em seguida espalhando alguns salgadinhos, refrigerantes e biscoitos sobre ela.
-- O banquete está servido! – brinquei me sentando e fazendo sinal para Manuela fazer o mesmo
-- Doritos? Você chama isso de banquete?
-- Sim, o melhor salgadinho do mundo, com Coca-cola então fica perfeito
-- Você não tem jeito Duda, aposto que se deixar come só porcarias – riu e sentou-se ao meu lado já se servindo
Comemos enquanto conversávamos sobre várias coisas do nosso dia-a-dia, sobre o que eu conhecia do parque e queria mostra-la e várias outras coisas. Durante grande parte do tempo, eu percebia que Manu me olhava com certa expectativa. Ela estava ansiosa pela minha resposta, mas não tocava no assunto, provavelmente, por não querer me pressionar quanto a isso. Eu, por outro lado, estava tão ansiosa quanto ela, mas esperava pelo momento certo, só havia um problema: quando seria o momento certo?
Bem, se não houvesse o momento apropriado, eu suponho que teria que cria-lo não é mesmo?
Olhei para o meu violão encostado á árvore ao meu lado e tirei-o da capa
-- Que tal um pouco de música? – perguntei
MANUELA
Duda pegou o violão e, após eu concordar, começou a tocar algumas músicas enquanto cantava e eu acompanhava-a. Ao contrário do que Ana havia dito, Eduarda era ótima com o violão, não errava nenhuma nota e tocava com uma suavidade impressionante. Cantava bem também, sua voz mudava de acordo com a canção tornando sua entonação perfeita para qualquer música e fazendo-a tocante.
-- Toca Ana Carolina? – pedi depois de um tempo me deliciando com sua voz ao cantar algumas canções de Legião Urbana, Charlie Brown Jr, Capital Inicial, etc.
-- Claro, qual você quer?
-- Eu canto e você me acompanha ok? – perguntei e limpei a garganta quando ela balançou a cabeça afirmativamente
Eu quero te roubar pra mim
Eu que não sei pedir nada
Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino
Agora não vou mais mudar
Minha procura por si só
Já era o que eu queria achar
Quando você chamar meu nome
Eu que também não sei aonde estou
Pra mim que tudo era saudade
Agora seja lá o que for
Nessa hora, Duda, que já me acompanhava com o violão mas permanecia calada, resolveu cantar, e olhando nos olhos uma da outra, entoamos o refrão juntas.
Eu só quero saber em qual rua
Minha vida vai encostar na tua
Eu só quero saber em qual rua
Minha vida vai encostar na tua
Eu estava para começar a cantar o final da música, quando Duda parou de tocar de repente e me olhou.
-- O que foi?
-- Você está roubando o meu brilho como cantora! — sorriu
-- Desculpe – disse divertida
-- Desculpo nada, você vai ficar aí quietinha, sem soltar um pio, enquanto EU canto! – disse com uma falsa cara de brava – Ontem você me fez uma linda surpresa com aquela música, agora é a minha vez
-- Mas...
-- Calada! – colocou o dedo indicador sobre meus lábios por alguns segundos – Apenas ouça, é importante que você entenda a letra, pois é tudo que eu quero te dizer – dessa vez, ela estava séria, intensa.
Acenei com a cabeça e ela voltou-se para o instrumento em suas mãos, começando uma melodia que eu me esforçava para reconhecer, mas não conseguia, então, quando ela começou a cantar, constatei que não conhecia aquela música.
Olhei teus olhos e me vi encontrar
Imensidão dos céus, azul do mar
Sua simplicidade me ganhou
Teu jeito, menina, me encantou
Emoções e sentimentos inéditos pra mim
Você chegou, me mudou, me conquistou
Não sei por que e não sei dizer
Me apaixonei, me encontrei em ti
Fico olhando para o nada
Perdida em pensamentos
Nada mais faz sentido
Tudo luta contra o vento
Uma explosão de sentimentos
Tão confuso para mim
E eu pensei que era errado
Ficar pensando em ti
Mas você veio pra ficar
E é difícil de negar
A saudade, a paixão
Que atravessou meu coração
Entre palavras e pedidos
Os seus gestos eu deliro
Tô aqui pra te dizer
Menina, só quero você
Desde o momento que li aquele bilhete no quarto da Ana, eu não me aguentava de ansiedade e aflição para conversar com a Duda, mas não tive coragem para tocar no assunto. E agora ela me vem com essa música!
-- Isso... é um sim? – perguntei incrédula
-- Não – meu coração gelou.
A garota tinha sérios problemas, se a resposta era não, porque ela cantou a música dizendo que a letra era tudo que ela queria dizer?
Nem notei que Duda tinha deixado o violão de lado e estava tão perto de mim.
Fui pega de surpresa por seus lábios urgentes e doces sobre os meus. Por um momento, não correspondi, mas então a surpresa passou e pude desfrutar do poder daquele beijo. Duda segurava meu rosto entre suas mãos com carinho enquanto nossas línguas lutavam por espaço em nossas bocas. Ficamos naquilo por minutos, ou segundos, ou vários dias ensolarados. Tudo que eu sabia era que não queria me separar dela tão cedo.
Malditos pulmões!
-- Isso... – Duda disse com sua testa encostada á minha -... Foi um sim
-- Sério? T-tem certeza?
-- Como eu nunca tive tanta certeza na minha vida! Mas preciso te avisar que não vai ser fácil
-- Pensei que fosse eu que tivesse que dizer isso, com toda essa coisa de “até ontem eu pensava que era hétero” e tudo o mais.
-- Se suas preocupações são todas acerca disso, fique tranquila, a partir do momento que toquei seus lábios pela primeira vez, eu já sabia o que queria, só foi preciso um pouco de tempo para admitir isso pra mim mesma.
-- Você quis dizer ontem então? De um dia para o outro você conseguiu se resolver?
-- Não, ontem não foi a primeira vez que toquei seus lábios – disse me fazendo lembrar algo – Foi naquele dia do cinema, depois que eu me estabaquei no chão, mesmo que tenha sido apenas um encostar no canto da sua boca, eu senti coisas indescritíveis
-- Mas, se você já conseguiu, em termos, se aceitar, porque acha que namorara comigo não será tarefa fácil?
-- Manu, você não percebeu ainda? – me olhou angustiada
-- O quê?
-- Eu sou como uma criança! Meu primeiro beijo foi ontem á noite, eu não sei nada sobre amor, nunca nem sequer tinha sentido algo por alguém antes de te conhecer. Eu não sei nada sobre relacionamentos! Agora mesmo, eu estou perdida em tudo que está acontecendo. Eu não tenho nenhuma experiência de vida, tudo que eu conheço, gira em torno do que eu leio, do que eu fico sabendo pelos outros. Eu sou egoísta Manuela, agora mesmo você notou quantas vezes eu já usei a palavra “eu”? Você terá que ter muita paciência comigo, e eu tenho tano medo de ferrar com tudo! A única coisa que eu sei é o quanto eu gosto de você, isso ultrapassa as fronteiras da minha compreensão – disse tampando o rosto com as mãos.
-- Ei, Duda, olha pra mim! Ninguém nasce sabendo tudo, nós aprendemos praticando, e errando, e fazendo tudo outra vez até acertar. E no seu espírito, eu concordo que você talvez seja como uma criança, mas por sua alegria, sua disposição e seu bom humor. Sua inocência e pureza nos remetem a isso. Mas por tudo que eu sei, na sua cabeça, na sua mente, de modo algum você é uma criança, quanto mais egoísta. Não Eduarda, seu caráter, modo de agir e pensar e sus atitudes mostram que você é uma MULHER forte e determinada, caso contrário, nós não estaríamos aqui tendo essa conversa. Então por favor, para com isso, você é maravilhosa, sem mais argumentação! – disse sorrindo-lhe
-- Manu, eu não sei nem o que dizer disso tudo, apenas obrigada por suas palavras, elas significam muito para mim. Desculpe meu desabafo, é só que... Eu me sinto tão insegura sobre tudo, o tempo todo.
-- Bom, eu não quero que se sinta mais assim, tenha um pouco mais de confiança em si mesma ok? E mais uma coisa, sinta-se á vontade pra falar tudo que estiver te incomodando. Afinal, é minha função como sua namorada saber o que você sente e pensa, mesmo que sejam asneiras! Você, criança? Acho que virei babá então né? – disse indo e vi ela abrir um sorriso em resposta
-- Namorada... até que isso soa bem – brincou
-- Sim, namorada pra mim soa bem, extremamente bem – disse me aproximando novamente para mais um beijo e novamente o choque elétrico tão conhecido tomou conta de todo o meu corpo em um beijo estonteante – Minha namorada – sussurrei em seu ouvido vendo os pelinhos de sua nuca arrepiarem-se me fazendo abrir um enorme sorriso
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