In Gloria Mori: Chamas Negras
4 Capitulo 4/1 – Arco 1 - Libertação do demônio.
— Levante! Seu saco de estrume! — Berrou o guarda arremessando uma bandeja sobre a grande porta de ferro.
O preso se levantou com alguma dificuldade, suas mãos estavam presas dentro de duas enormes manoplas de ferro, impedindo o movimento delas e também colocando um sobre peso o fazendo andar curvado. As pernas seguiam presas por correntes, e uma enorme esfera de pedra lhe fazia usar uma imensa força para movê-la. Sua cabeça e face eram cobertas por uma espécie de mascara de ferro o deixando completamente cego e mudo, por dentro desta.
— Cho! Acho que deveria tomar mais cuidado, com o modo trata este detento! Até parece que não o conhece! — Advertiu outro guarda.
— Silencio Gath! Mesmo que um dia ele tenha sido alguém, agora não passa de mais um inseto nesta masmorra.
Os guardas continuaram discutindo sobre o assunto enquanto ouviram alguns barulhos vindos do final do corredor.
— Mas que merda de barulho é esse? — Questionou Cho.
— E-Eu não sei Cho. Será que seria u-uma r-rebelião? — Gath perguntou gaguejando.
— Acho bom que não seja! Não estou nem um pouco feliz hoje! — Pegou seu grande machado e caminhou até o corredor.
Enquanto Cho ia até o corredor ver o que estava ocorrendo, Gath abria a cela do prisioneiro mascarado o levando até o refeitório, sentado sobre uma espécie de cadeira com rodas.
— Deve ser complicado para você. — Disse ao prisioneiro sentando sobre a mesa e abrindo uma espécie de chapa de metal, liberando-lhe a boca.
— Frère... —Respondeu o prisioneiro, enquanto abria um sorriso malicioso.
— O que disse?
— Frère...
— Ei Cho! Venha aqui! O prisioneiro da cela 0 se chama Frère?
— Frère...
— Qual o problema Cho! Cadê você?
Em questão de segundos após concluir sua frase, o corpo grande e forte de Cho fora arremessando pela parede destruindo algumas mesas, cadeiras e tombando a cadeira do prisioneiro.
— Frère...
— Mas o que foi isso!
Cho levantou-se com dificuldade dos escombros, se apoiando sobre o machado enquanto tossia um pouco de sangue.
— Gath! Esses homens... São ex-membros... Da Oracion... — Cho concluiu com dificuldade, pausando entre as palavras e derramando sangue por dentre os lábios.
— Membros da Oracion!?M-Mas o que eles fazem aqui?
Antes que pudesse concluir, os rebeldes apareceram. Um enorme homem, cuja altura se aproximava dos três metros, coberto de armaduras pesadas e grosseiras. Tendo como cinto uma coleção de crânios humanos ainda em decomposição. Sua barba era longa, e com algumas manchas em tom mais claro, mostrando sua idade já avançada. Ele carregava consigo uma enorme maça com detalhes em bronze e que aparentava um tremendo peso. O outro rebelde era baixo e possuía pouco mais que um metro e meio, seus cabelos eram longos e ele era extremamente magro. Usava roupas de seda em tom roxo e branco, seu rosto coberto por cicatrizes tinha consigo um sorriso maníaco marcado em sua face, o que deixava sua figura ainda mais atormentadora.
— Me Loose! Puis-je vous aider! —O prisioneiro gritou, se debatendo no chão em busca de atenção.
— Ele esta dizendo algo! — Gath, tentou chamar atenção de Cho, porém naquele momento ela já estava correndo em direção aos rebeldes, tentando fazer com que os dois recuassem. O que para a comparação de forças era quase impossível.
O grande rebelde segurou sua maça com a mão direita a erguendo do chão, e fazendo um enorme golpe. Embora Cho não fosse muito poderoso em combate ainda era um grande soldado, deu um grito de raiva e então se abaixou sentindo o vento da maça passar sobre seus cabelos longos e ondulados.
— Cho! —Gritou para seu companheiro preocupado.
—Estou bem! —Levantou-se do chão, dando um leve sorriso como sinal de que estava bem.
Gath por um momento ficou feliz ao ver que seu amigo ainda estava bem, e que nem mesmo dois membros da Oracion poderiam pará-lo.
Sua alegria durou pouco. O rebelde maior virou-se para o lado perdendo um pouco do equilíbrio, porém o menor correu em sua direção a toda velocidade.
Gath ainda tentou dar um grito para avisar seu companheiro, mas já era tarde. A cabeça de Cho caiu como uma fruta que já passou do ponto cai de uma velha arvore. O corte do rebelde foi diretamente no centro de seu pescoço, o corte profundo da lamina, fez com que o sangue de seu amigo esguichasse em seu rosto e corpo, deixando-o banhado no liquido quente e pútrido da morte.
Gath travou o grito na garganta e então caiu de joelhos sobre o sangue dando um grito de puro horror, enquanto ainda olhava para os olhos entre abertos de seu companheiro.
— Não importa quanto tempo passe. Os gritos de horror são a melhor parte! —Guma riu enquanto arrastava o corpo de Cho pelo chão do refeitório.
— Acho que já perdemos tempo de mais! Leve Daimon daqui eu termino com o outro soldado!
Ao ouvir o dialogo Gath engoliu seco, correndo até o prisioneiro e levantando com alguma dificuldade a cadeira de ferro. Após conseguir levantá-lo, começou a correr pelos corredores, sendo perseguido pelo rebelde menor, Zim.
— Acha mesmo que pode correr de mim? — Gritou, arremessando uma das espadas em Gath cortando-lhe fora uma das pernas, pela altura do joelho.
Gath gritou de dor, mas não tinha tempo para sofrer ou se lamentar. Colocou o que sobrará da perna e o resto do corpo sobre as costas da cadeira, e com um ultimo impulso empurrou a cadeira a toda velocidade, atravessando o corredor em poucos segundos.
Ainda tentou pegar a chave correta para liberar o prisioneiro, mas teve seu braço cortado por outra lamina, que ainda chegará a perfurar seu peito no percurso.
Após cair no chão, todo coberto com o sangue de seu companheiro assim como o seu próprio, a falta do braço e da perna já não eram seus maiores problemas.
‘’— Ei, seu molenga! Está na sua vez de jogar!’’
A voz de seu amigo ainda habitava sua mente, agora já quase vazia, as tardes jogando os dias de conversa. Os dois haviam sido criados como órfãos, e tinham apenas um ao outro, e agora já não tinha mais nada.
Com o ultimo fôlego que lhe restará colocou o que sobrará de sua perna sobre o pequeno muro de concreto enquanto terminava de girar a chave, liberando as correntes que prendiam as mãos do prisioneiro. Abrindo um leve sorriso por dentre os lábios cobertos de sangue e balbuciando:
— Por favor... Vingue-o...
Seu corpo parou de responder e assim caiu para o chão, deixando todos seus contos, jogos, piadas e sonhos para trás. A silueta de Zim ainda foi vista por seus olhos já escurecendo sua visão, só teve tempo para levantar sua mão esquerda e mandar do fundo de seu coração.
— Vá pro inferno!
Vendo o brilho e a silueta de seu antigo companheiro vindo para lhe buscar em seu leito de morte.
Zim parou e encarou o corpo do antigo soldado por um tempo, então se abaixou e deu uma mordida em seu pescoço, com toda sua força lhe arrancando um pedaço e o engolindo junto com um gole farto no sangue de Gath.
— Ce est dégoûtant! — O prisioneiro respondeu ao que virá enojado com a cena.
— D-Daimon! Eu não sabia que você tinha se soltado!
— L'homme me lâcha. Où est mon frère?
— S-Seu irmão? — Zim respondeu nervoso enquanto caminhava lentamente para trás.
— Où allez-vous? Où est mon frère? — Daimon ergueu o tom de voz parecendo estar mais irritado, segurando Zim pela gola da camisa.
— Acalme-se Daimon. Eu irei chamá-lo, tudo bem?
— Est-il ici? Mon frère?
— Sim! Mas é claro que sim! Vou chamá-lo espere aqui!
Daimon se sentou sobre a mesa e pegou sua antiga mascara na mão, girando-a e a encarando com ar serio. Zim por sua vez pegou uma de suas espadas do chão e com um sorriso começou a se afastar, indo até onde Guma ainda estava encontrando um local para encaixar a nova cabeça junto ao cinturão.
— Guma! —Zim gritou ao encontrá-lo.
— O que foi? Pra que tanto desespero?
— É ele! Ele estava aqui! E agora está solto! —Respondeu se apoiando sobre o muro, falava pausadamente respirando com dificuldade.
— Ele? De quem está falando Zim?
Antes que Zim pudesse se explicar, barulhos de correntes sendo arrastadas começaram a ser ouvidos. As correntes vinham devagar pelo corredor enquanto o som dos passos se aproximava lentamente.
— Ele! Ele está aqui!
— Se acalme Zim! Você é um Oracion! Não importa quem seja naquele corredor ele não pode nos vencer, não sozinho!
— Guma! Você não entende! Ele é um...
Sua fala foi cessada por uma corrente que fora jogada em seu pescoço, enrolando-se e fazendo com que fosse puxado até o outro lado da sala.
Guma arregalou os olhos e pegou seu machado indo em direção ao amigo que ainda estava se debatendo enquanto tentava se livrar das correntes.
— Gu... Ma...! — Zim balbuciou com dificuldade. — Saia... Daqui...
Guma deu dois passos para trás, acabou pisando sobre o que sobrará do corpo de Cho. Após ter um breve desequilíbrio, as luminárias da masmorra começaram a se quebrar deixando apenas uma no corredor. Ele arregalou seus olhos e apertou forte o machado e então voltou a ouvir o mesmo som de correntes, porém desta vez arrastando lentamente o corpo de seu amigo pelo corredor.
— Quem é você!? — Gritou assustado.
O corpo de Zim fora arremessado em sua direção, explodindo na parede ao seu lado deixando apenas uma espécie de pasta vermelha, feita do que um dia eram órgãos e ossos.
Guma caiu sentado sobre o solo, olhando com horror aquela cena horrenda e soltando um grito de pavor jamais ouvido da boca de um executor.
Daimon recolheu as correntes então correu em direção a Guma, lhe dando um soco na boca do estomago e o deixando encostado na parede com um fixo olhar de pânico.
— ‘’Les cris d'horreur sont la meilleure partie.’’ Que dire? Non?
Guma esticou seu braço direito tentando alcançar a ponta de seu machado, mas sem sucesso voltou os olhos para os olhos fundos e frios de Daimon.
— Se il vous plaît ne soyez pas comme votre ami. Ne mentez pas à moi. Où est mon frère?
— Por favor! Eu lhe imploro Daimon! Deixe-me ir...
— Où est mon frère! Fuck! — Daimon naquele momento já sem paciência encostou sua testa em Guma, gritando enquanto o enforcava com as próprias mãos.
— Eu juro que não sei! Eu juro!
— Bien.Vous trouverez pour moi!
— T-Tudo bem!
Após concordar em encontrar o irmão de Daimon, Guma se reergueu limpando o sangue do rosto com as costas da mão. Foi até seu machado pegando-o do chão e então por fim parou em frente ao corpo de seu companheiro. Restava pouco de seu corpo e pela primeira vez Guma sentia tristeza, aquele nó na garganta que tantas vezes já havia feito outros sentirem, agora o fazia como vitima.
— Guma! Une dernière chose!
Guma secou os olhos e passou as mãos molhadas e sujas de sangue na barba virando-se para Daimon.
— Sim, Daimon.
— Vous êtes un homme mort. Si vous voulez simplement demanders tout simplement...
Guma engoliu seco e então abriu os braços largando seu enorme machado e fechando os olhos.
— Nous sommes la mort. Nous vivons nos vies comme moissonneurs jusqu'à ce que le jour vient nous payons pour ce que nous avons fait. par la main d'un autre moissonne. Ainsi, lorsque le cycle se répète. plusieurs fois.
Guma deu um leve sorriso enquanto se lembrava do rosto sorridente de seu companheiro, a vida deles nunca havia sido fácil.
‘’ — Guma! Vamos brincar hoje?
— Acho que não vamos poder Zim.’’
‘’As coisas parecem estar mais difíceis esse ano. Na comemoração do sol meus pais disseram que não vão poder participar, estão sem dinheiro. Não fiquei triste por não poder partilhar os presentes e as comidas, mas sim por ver que meus pais não podiam fazer aquilo que mais queriam. Vê-los cabisbaixos sempre me deixa triste. ’’
‘’Zim e eu encontramos um trabalho para que possamos ajudar nossas famílias, temos que matar algumas pessoas, mas infelizmente precisamos salvar as nossas. ’’
‘’Não consigo dormir mais durante a noite, são tantos pensamentos, lembranças. A morte dos meus pais... Sinto que ela retirou toda a esperança e compaixão em meu coração. Sei que agora a única coisa que me resta é continuar minha vida como ceifador e disso não vejo mais volta. Zim prometo que sempre estaremos juntos... Não importa o que aconteça... Sempre... ’’
Guma fechou os olhos lentamente derramando algumas lagrimas e então sentiu a lamina se aproximar de sua garganta. O aço frio e com sabor de morte finalmente lhe daria um pouco de paz, o gosto de ferro se misturou ao sangue em sua garganta e em poucos segundos o que sobrará de um grande guerreiro fora apenas uma lembrança.
Castelo de Marco ~~ Agry ~~ Sudeste
— Temos que ir até o quarto para encontrar nosso grupo se esqueceram?
— Não Yori. Nós não esquecemos, mas precisava mesmo nos acordar a essa hora da madrugada? — Rocka respondeu enquanto colocava o travesseiro contra a luz do sol.
— Ei, Blink! Acorde!
— Vá para o inferno. — Blink não era muito amigável pela manhã.
Após alguns momentos de manha da parte de Rocka e Blink, finalmente ficaram de pé. O momento para colocarem uma roupa, geralmente seria demorado, mas como naquele dia haviam acordado cedo, Blink apenas vestiu suas roupas de qualquer jeito e vestiu as botas deixando a tinta em seus olhos toda borrada lhe deixando semelhante a um urso panda. Enquanto seu cabelo emaranhado lhe parecia uma fusão entre panda e ouriço.
— Gostei do cabelo. — Rocka comentou ironicamente.
— Morra. — Blink respondeu se escorando em uma das paredes.
— Bom, Segundo o que a carta diz nosso quarto está a dois corredores daqui. — Yori analisou o cartão, enquanto coçava a parte de trás da cabeça.
— Omega, não é? Achei um nome até que bem legal. Não acha Blink? — Rocka insistiu em puxar assunto.
O silencio pairou no local, sendo interrompido por um roncar de Blink que já dormia há tempos enquanto esperava que seus companheiros tomassem uma decisão.
Yori sem querer perder tempo, puxou Blink para cima dos ombros e o carregando até a porta do quarto onde o encontro fora marcado.
— Deixe que eu bato! — Rocka correu na frente dando três fortes batidas na porta.
Nenhum movimento foi ouvido e nada de diferente aconteceu, Yori olhou para os olhos de Rocka que esperava ansiosamente a recepção de alguém.
— Não acha melhor bater de novo?
— Ah! Sim! Tem razão! — Respondeu a ele entusiasmado enquanto passava a camisa branca na lente dos óculos.
A porta rangeu de cima a baixo, então um enorme homem surgiu. O guerreiro aparentava cerca de 2,10 de altura e mais se assemelhava a uma montanha do que a um humano. Os músculos eram trincados e sua barba, longa ia até próximo de seu peito.
Seu cabelo era raspado muito baixo, mas com um pequeno escalpo no topo.
— Sim?
O corpo de Rocka se estremeceu por completo, lhe fazendo dar apenas um sorriso sem graça e andando lentamente para trás de Yori.
— Aqui é o ponto de encontro da Omega. Estou certo?
— Então nós somos a equipe Omega? — Analisou os três de cima a baixo, enquanto alisava as tranças da barba.
— Um grupo de quatro homens? — Rocka deu um passo à frente enquanto ajeitava os óculos acima do nariz.
— Entrem! Conversemos aqui dentro. — O grande guerreiro insistiu abrindo a porta.
— Meu nome é Tork. Sou um antigo homem do mar. Fui pego pela guarda e então jogado em uma masmorra, como um animal eu passei seis anos. Então Marco me buscou e me trouxe para cá, a alguns dias ele começou a dizer algo sobre um teste, e agora se quisermos continuar vivos temos que ganhar duelos. Aqueles que já possuíam um Arkro ou Syurga continuaram, enquanto aqueles que não possuíam receberam um. Tudo em pró do espetáculo.
— Desculpe Tork. Parece que sabe bastante sobre o que esta acontecendo, correto?
— Sei o suficiente, garoto! —Tork, lhe deu um tapa nas costas.
— Sabe por que nossa equipe contém apenas, quatro membros? — Yori perguntou enquanto colocava Blink sobre a cama, ainda roncando.
— Cada um passa por um teste! Lembra-se de sua ultima missão antes da masmorra? Aquilo nunca daria certo, foi feito para não dar.
— O que? Do que esta falando? — Yori franziu a testa dando alguns passos à frente.
— Calma garoto! Isso já é passado. Todos aqui estavam no meio de algum assalto, roubos ou algo semelhante, quando de repente inúmeros soldados apareceram. Todos lutaram e assim houve um numero de ganhos. Provavelmente seremos separados amanhã, e assim passaremos por três meses de treinamento, afastados de nossos companheiros. Quando terminarmos receberá um numero, numero equivalente a nossa colocação em relação aos outros.
— Entendo. Isso parece um problema para mim. — Rocka abaixou a cabeça sentando na cama.
— Conheço suas habilidades, moleque. Sei que é a cabeça de seu trio, mas não fique mal por isso os maiores guerreiros tem a mente, e não a força bruta. — Tork, sorriu dando uma piscadela para Rocka que sorriu tentando parecer mais encorajado.
— Mas, não precisam se preocupar com isto! Esta equipe é apenas algo de momento, logo todos nós seremos separados e mandados para lugares diferentes para treinar. Não é permitido que nós nos ajudemos, por tanto seremos separados. — Continuou Tork.
— Não sei se isso seria uma boa coisa. Não estamos acostumados com isso sempre completamos um ao outro.
Blink se espreguiçou e olhou em volta sem entender como tinha ido parar ali.
— Porque eu estou no quarto desse cara?
— Blink, esse é o Tork. Nosso novo companheiro. — Rocka respondeu ainda contrariado com a idéia de se separarem.
— Ai meu Deus o que vocês fizeram comigo?! — Blink recolheu as pernas na cama, enquanto encarava os fortes braços de Tork.
— Pare de palhaçada, Blink. — Yori interrompeu a brincadeira.
— Chato como sempre. — Blink bufou voltando a almofada.
A grande porta de madeira rangeu, abrindo lentamente enquanto um soldado com armadura simples, porém imponente começou a falar.
— Senhor Rocka?
— Sim. Sou eu.
— O duque Marco deseja falar com o senhor, neste instante.
Rocka não sabia o que responder, olhou para Yori e então para Blink voltando ao cochilo e por fim para seu novo companheiro: Tork. Após alguns segundos exitando Tork concordou com a cabeça para que ele fosse ao encontro do duque, e assim ele foi.
Os corvos sobrevoam os restos de carne, no que sobrará de um cavalo na beira da estrada. O calor é escaldante e faz com que o bar naquela região seja muito freqüentado por viajantes e mercenários. Lugar afastado em uma espécie de deserto, pouco se vê devido à serragem e areia no ar. Um homem se aproxima do bar, ele usa um pano sobre a cabeça para lhe proteger do sol e areia. O mesmo continua enrolado em seu pescoço e cobrindo suas vestes maltrapilhas. Ele se aproxima do bar e desce lentamente de seu cavalo, dando uma pequena batida com as botas de couro negro no chão, acariciando seu cavalo.
Sobe um pouco o pano para que cubra metade de seu rosto, deixando apenas os olhos negros e profundos à vista.
Chegando próximo ás portas de madeira, ele as empurra fazendo o barulho das dobradiças enferrujadas tomarem conta de todo o salão. Todos olham em sua direção e o encaram por alguns segundos, aproximando-se do balcão ele observa que todos os bancos estão ocupados, menos um que esta servindo de apoio para a perna de um grande homem com visual viking.
— Com licença, poderia retirar a perna? — Diz ele calmamente enquanto segura seu pano em frente ao rosto.
O guerreiro cospe no chão e se levanta mostrando toda sua altura perante o andarilho.
— Você não devia estar aqui! Esse bar é apenas para guerreiros! — O homem berra enquanto solta alguns perdigotos em direção ao rosto do rapaz.
— Não quero arrumar confusão com você ou seus homens no final do bar. Quero apenas me sentar e beber uma caneca de vinho.
— Ei, como sabe que são meus homens?
— Isso não importa. — O andarilho virou-se ao dono da taberna lhe pedindo uma caneca de vinho.
— Se quer se sentar, por que não tira minha perna daí você mesmo? — Sorriu o guerreiro dando três tapas fortes no peito e então levantando a caneca de hidromel brindando com seus capangas.
O andarilho encarou a perna do viking por alguns segundos e então ergueu a mão direita, neste momento seus olhos ficaram completamente negros fazendo com que apenas sua pupila se tornasse amarela.
Em apenas alguns milésimos a perna do viking foi jogada ao chão fazendo com que um jato de sangue fosse em direção ao balcão e os outros clientes do bar.
O guerreiro caiu ao chão se contorcendo de dor aos berros enquanto tentava estancar o sangue que saía incansavelmente do ferimento.
— Parece que agora posso me sentar. — O andarinho passou um pedaço de camurça sobre a poça de sangue sobre o banco e se sentou calmamente enquanto os outros continuavam imóveis com a ação.
— O que você fez? — Murmurou o guerreiro.
— Tragam-me a cabeça desse verme! — Ordenou erguendo a espada.
Os capangas do mercenário puxaram suas espadas e armas, correndo em direção ao andarilho que se manteve sentado, dando um farto gole na bebida de cor vermelha que havia pedido.
Um dos capangas já estava ao seu lado quando ele voltou seus olhos negros como à noite sem luar, para ele.
Sem qualquer aviso um deles segurou no pano que lhe cobria e arrancou-o com toda força. Seu rosto foi revelado e assim todos se afastaram com um rosto de puro tormento.
— Ah, para! Vai dizer que assustei vocês apenas com isso? — Sorriu o andarilho ironicamente, olhando para seu reflexo na bebida.
Seu cabelo era totalmente raspado nas laterais, e do topo de sua cabeça subia uma espécie de ‘’Mohawk’’, porém feito com finas tranças como as de autoria élfica. Sua esclera era completamente coberta por uma cor negra amedrontadora, e a pupila amarela lhe fazia despertar receio até no mais corajoso dos homens. Seus dentes eram afiados e pontudos como o de um tubarão ou dentes de sabre. Embora tivesse traços bonitos seu rosto era totalmente coberto de cicatrizes e sua lateral direita por uma imensa tatuagem feita com alguma espécie de ferro quente coberto por tinta negra, era uma espécie de escrita cujos homens não conseguiam entender.
O andarilho se levantou e retirou o que sobrará do pano que antes lhe cobria. Por baixo, havia uma espécie de camisa sem mangas, sua calça era justa e feita de algum material próximo ao couro. Correntes e cintos por toda a parte de sua roupa conseguiam até mesmo desviar a atenção de sua aparência, em seus dedos os anéis se chocavam incessantemente provocando um barulho repetitivo e irritante. As orelhas havia três argolas em cada, sendo parecido com a aparência de um elfo,demônio, ou membro de tribo canibal.
— Vocês são tão inúteis que seus cheiros me fazem enjoar! Curvem-se! Aqueles que desejam viver!
Os guerreiros soltaram suas armas e exitaram a abaixar, entretanto acabaram cedendo. Alguns levantaram suas armas e correram em direção ao andarilho que respondeu girando seu anel ‘’Saturnado’’. Inúmeras laminas se cravaram nos homens enquanto ele mantinha um sorriso satisfeito e doentio.
— O que foi? Já acabou?
— Você... Quem é você? — O guerreiro que teve sua perna amputada tentou se locomover até o banco, apoiando seu peso sobre ele, enquanto perguntava com receio da resposta.
— Quem sou eu? — Abriu um imenso sorriso com seus dentes assustadores.
— Erick Drukmon Haag Basmorro Purmalor Ductho! Mas pode me conhecer pelo meu titulo!
Conheça-me, como : Massacre!
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