In Front Of Me

1 So far from me....


Notas iniciais
Olá a todos. Diferente das outras escritoras vou falar um pouco sobre essa fic e como ela nasceu. Ela nasceu desse desafio chamado Revival, uma ideia de uma de nós para animar alguns dos escritores antigos do Nyah, muitos que até mesmo já deixaram de publicar por motivos dos mais diversos.
A intensão era ressucitar muitos dos bons escritores que se perderam neste meio tempo e trazer fics com qualidade para divertir a todos.
Uma não saberia o que a outra escreveu e nem os leitores saberiam o nome das autoras, então o objetivo é adivinhar.
O desafio era simples. Não foi exigido casal, genero, classificação ou qualquer elemento, apenas foi dado um tema e cada autora trabalharia ele como bem entendesse e como sua criatividade permitisse.
O tema foi "Bootie Call" ou "Ligação para transar/fazer sexo" e cada autora abordou isso de uma maneira diferente. Tudo fica mais interessante ao ver onde a imaginação de cada uma levou a história com um tema tão simples.
Esta fanfic é o fruto de onde minha imaginação me levou nesse desafio do "Bootie call". Espero que gostem e talves descubram quem sou eu.
Boa leitura

In Front Of Me

so far from me...

Seus olhos se ergueram do livro no qual tentava prestar atenção. Era um dia como qualquer outro. Uma segunda-feira que lhe dava nos nervos, pois sua professora parecia nunca estar satisfeita com nada, sempre passando trabalhos e leituras atrás de trabalhos e leituras.

Não era como se fossem conseguir entrar na Toudai ao saírem daquela escola, por que ela agia como se todos fossem estudantes do último ano, loucos para aprender a matéria e entrar em uma faculdade de renome.

Não que esse fosse o caso daquele pequeno aluno, ele era um dos melhores alunos da escola. O típico nerd que não fazia qualquer questão de esconder isso. Mas ainda assim odiava ter trabalhos e mais trabalhos para fazer quando poderia simplesmente estar em casa, diante de seu computador, assistindo “The walking dead” e falando com seus amigos sobre teorias malucas de como sobreviver ao “Apocalipse Zumbi”.

Seus olhos simplesmente percorreram cada uma das mesas da biblioteca, procurando um provável conhecido, ou simplesmente buscando algo que pudesse lhe distrair. Melhor estudar ali do que tentar estudar em casa. Nunca dava muito certo.

Foi quando seus olhos se prenderam à porta de entrada, aos rapazes que entravam na biblioteca, eles riam e cochichavam entre si como se aquilo fosse o correto a ser feito em uma biblioteca. Eram tão diferentes de si. Eram altos e populares, lindos e invejados, toda a escola morria de amores por cada um deles.

Bufou, soprando a franja para o alto, vendo-a cair novamente sobre seus olhos. Por que os deuses não o tinham feito como eles? Tinha que ser baixinho e dentuço. Completamente invisível.

Acabou se debruçando sobre a mesa, a testa recostando ao livro, os cabelos castanhos se espalhando pela mesa. Kazamasa Kohara era o “líder” do grupo, o presidente do corpo estudantil. Ele tinha um sorriso contagiante e um olhar que parecia despir as pessoas. Sakamoto Takashi era quase seu cachorrinho, sempre atrás dele. Havia se inscrito para o conselho por causa dele (qualquer um que quisesse ver a verdade sabia disso) era o tesoureiro e não ficava atrás em beleza ou simpatia, apesar de dificilmente falar em público. Todos diziam que era fechado demais para isso, mas o terceiro era quem mais lhe chamava a atenção.

Amano Shinji, astro do time de basquete da escola e, como se isso não bastasse, vice-presidente do corpo estudantil. Ele tinha uma aura de poder, não precisava nem mesmo abrir a boca para que lhe notassem. Apenas sua presença era tudo que precisava para que todos os olhares se voltassem para aquele moreno, alto, de pele branca, olhos claros... Shinji ofuscava todos ao redor, enquanto ele mesmo era completamente invisível.

Não tão completamente na verdade...

— Dormindo na biblioteca Pon? Isso não parece coisa sua... — Aquela voz sussurrada e risonha lhe fez lembrar o motivo de não ser completamente invisível.

— Não estou dormindo... Pon... — Ele riu baixinho, olhando para o lado, vendo o rapaz loiro de cabelos repicados, rosto delicado, mas aquele ar masculino e sereno, sentar-se ao seu lado. Kouyou era lindo...

— Sabe que não gosto quando me chama assim Hiroto. — Ele disse rindo, acariciando aos cabelos do menor. Algumas vezes não entendia como Kouyou não se importava em ser seu amigo.

Conheciam-se desde sempre. Kouyou, ou Uruha como se auto-intitulava em uma demonstração do como não era nem um pouco modesto, era o filho caçula da melhor amiga de sua mãe, fora o primeiro amigo que Hiroto tivera na vida. O amigo mais velho que lhe levava de cavalinho para ver o hanabi. Que lhe protegera ao entrar na escola. Ninguém nunca tinha mexido com ele ao entrar na escola, nunca sofrera por ser Kouhai, pois Kouyou não permitira.

Ele era um dos populares, mesmo que dissesse que não. Mesmo que tivesse se negado a entrar para o corpo estudantil. Era ele quem brigava com Shinji em todos os treinos. Shinji era o astro, mas Kouyou era o capitão.

Tinha certeza que todos se perguntavam o que Takashima-senpai fazia sempre ao lado daquele garoto estranho e nerd de óculos fundo de garrafa e com cara de roedor silvestre. E no momento em que seus olhos se voltaram para os “três príncipes” teve certeza que Amano-senpai só o notou por causa dele.

Se Kouyou não estivesse ao seu lado, rindo para ele, tinha a mais absoluta certeza que Shinji não teria lhe olhado, ou até mesmo rido para si e, por um momento pareceu que tudo havia parado. Amano-senpai havia realmente lhe lançado um sorriso antes de voltar a caminhar ao lado dos amigos?

Um estalar de dedos bem diante de seus olhos lhe fez despertar, olhando para o amigo ao seu lado, notando o ar sério dele, o olhar de canto para Shinji. Aquele olhar que, em Kouyou, muitas vezes lhe dava arrepios de medo.

— Hiroto... Você não está realmente pensando que ele pode querer alguma coisa com você, não é? — Aquela pergunta súbita lhe fez engolir em seco. Sabia que não era exatamente uma pessoa desejada ou sensual, mas por que ele lhe falaria aquilo daquela maneira? Era quase raiva que sentia na voz do amigo.

— Por que ele não poderia querer algo comigo Kouyou? — Nem mesmo notou como, mas quando viu aquela resposta já havia deixado seus lábios. Era como se Hiroto se sentisse indignado pelo amigo dizer uma coisa daquelas. — Não posso despertar o interesse de ninguém? Sou tão ridiculamente feio assim?

— Pon, não é isso... — Kouyou disse espalmando a mão na testa, coçando levemente a cabeça. — Você não me entendeu... É que ele é o Shinji... O Tora... Hiroto... — A mão do amigo tocou a sua, fazendo com que os olhos do mais novo recaíssem sobre os dedos longos do loiro. — Ele não presta Pon, é só isso... — Antes que meneasse a cabeça, suspirando pesadamente. — Prometa que não vai se envolver com ele, por favor. Ele só vai te machucar...

E diante das palavras de Kouyou Hiroto apenas respirou profundamente, meneando a cabeça e recolhendo a mão, a expressão fechada antes de recolher o livro que estava sobre a mesa, pegando a bolsa do encosto da cadeira e se erguendo ao dizer.

— Eu sei me cuidar...

Queria tanto acreditar que sim... Queria tanto acreditar que não precisava ouvir Kouyou. Shinji era tudo que sempre quis. Ele fazia seu sangue gelar, a respiração se prendia como se fosse proibido respirar enquanto olhasse para aquele moreno. Por que ele não podia, pelo menos uma vez na vida, olhar para Hiroto? Se importar com ele.

Kouyou era um bom amigo, mas conseguia ser egoísta demais. Tinha quem quisesse aos seus pés, negava a todos como se aquilo provasse que era superior, quase um deus da beleza. Quando Hiroto lhe perguntava o porquê, ele sempre respondia que aquelas pessoas não eram interessantes.

Ele também tinha o direito, não? Mesmo que fosse ridículo pensar que Amano-senpai se interessaria por ele, por que não podia sonhar? Claro que ele tinha pessoas mais atraentes, mais sensuais, mais dignas dele, mas tinha o direito.

Estava no estatuto do nerd o direito de se iludir que um dia “alguém popular e absurdamente lindo” poderia se interessar por ele.

Riu sem gosto algum ao pensar naquilo, entrando na escola, procuraria uma sala vazia para estudar. Era o melhor que tinha a fazer, com toda certeza.

*0*

Que horas seriam? Hiroto nem mesmo havia notado o tempo passar. Até tentara continuar estudando. Havia encontrado uma sala vazia, completamente isolada, quase ao lado da sala de música e tinha se entocado lá, mas não tinha mais cabeça para porcarias de escolas literárias. Foi por isso que acabou retirando da bolsa seu PSP, sentando no chão, embaixo da janela, jogando até não ter qualquer ideia de que horas seriam.

Somente quando a bateria do seu videogame apitou fraca é que se deu conta que devia ter passado tempo demais ali. Sua mãe devia estar maluca de preocupação. Tinha desligado o celular quando entrou na biblioteca e se esquecera de religar.

Antes que pudesse se erguer e buscar sua bolsa para guardar o jogo, seus olhos se arregalaram e quase saltou no lugar com o susto da porta sendo aberta. Do moreno alto de olhos claros aparecendo pela porta, os olhos correndo pela sala antes de pararem sobre o garoto. Aquele mesmo sorriso tomando conta de seus lábios antes que a voz grossa e mansa dissesse:

— Esqueci meu livro de física aqui mais cedo... — Caminhando até a carteira ao lado de Hiroto, erguendo a tampa para pegar um livro que logo foi mostrado ao menor. — Tenho prova amanhã... — E Hiroto riu diante do jeito dele, observando enquanto o moreno se ajoelhava diante de si, sentando-se bem à sua frente. — O que está fazendo sozinho nessa sala? Não estava com o Kouyou ainda mais cedo? — A voz soara suave, mas o pequeno tom de rivalidade ao falar o nome do loiro não havia passado despercebido pelo pequeno.

— Estava. Não estou mais. — Hiroto respondeu sem muito humor. Não queria falar que havia se irritado com ele porque Kouyou se achava um deus da beleza e fizera questão de deixar bem claro que Hiroto não era nada bonito. Que alguém popular não poderia se interessar por ele.

E novamente aquele sorriso, mas ele se alargava, quase como o sorriso de um gato malicioso antes que Shinji abraçasse a um de seus próprios joelhos, meneando um sim com a cabeça.

— Ele sabe ser bem irritante não? — Perguntou sorrindo, lhe olhando de uma maneira estranha. Parecia gentil, mas não tinha certeza daquilo. Era estranho, mas se sentia acuado, como um rato diante de um gato, prestes a ser devorado e aquela sensação lhe dava um imenso frio na barriga. — Se acha melhor que todo mundo. — Riu. — Uruha... Beleza... Conheço pessoas mais bonitas que ele. — Shinji disse lhe olhando nos olhos. Aqueles olhos claros e estranhos, quase como se pudessem ver dentro de sua alma.

Hiroto apenas concordou, dando de ombros. Realmente, Kouyou era irritante naquele ponto. Parecia sempre se achar melhor que os outros. Se achar o mais bonito, o mais inteligente...

— É como ele é... — Hiroto disse baixinho, meneando a cabeça antes que um suspiro deixasse seus lábios. — Desde sempre... Ele é uma boa pessoa, mas irrita às vezes.

— Te garanto uma coisa. — O moreno disse sorrindo, se aproximando um pouco, ficando de joelhos diante de Hiroto, dizendo baixinho. — Você é mais bonito que ele. — Antes que os lábios dele se colassem aos do menor.

Por um momento Hiroto arregalou os olhos, não esperava por aquilo, mas logo os fechou, apenas aproveitando o contato. Sempre havia imaginado como seria sentir o sabor dos lábios dele. Não importava se aquilo parecia bom demais para ser verdade, ou se algo lhe dizia que tudo estava falso demais.

A voz de Kouyou dizendo que não deveria se envolver com ele soava distante em sua mente, chata como o zunido de um mosquito que queria veementemente ignorar mas não conseguia. Sempre, desde que vira Amano-senpai pela primeira vez desejara aquilo, desejara ser notado por ele e agora parecia real.

“Ele é o Tora... O tigre... Hiroto... Prometa que vai tomar cuidado”

Aquelas palavras se repetiam em sua mente, mas pareciam tão sem sentido diante daquele beijo quente e gostoso. Do hálito do mais velho, das mãos dele lhe puxando pela cintura.

— Amano... Amano-senpai... Eu... Eu acho melhor... Melhor ir... — Tentou falar, resistir no momento em que os lábios do maior desceram de seus lábios para seu pescoço, mas aquilo era bom demais.

Era bom demais para ser verdade... Ele o queria... Ele tinha lhe notado.

Não conseguira resistir àqueles toques. Não conseguia simplesmente afastá-lo de si, por mais que sua consciência (que estranhamente tinha a voz de Kouyou) gritasse que não. Que aquilo estava errado... Estava errado, mas era o que queria. Tinha desejado tanto aquilo...

*0*

Seus olhos estavam pesados, nem mesmo conseguia manter a atenção presa ao que o professor dizia. Física era sua matéria favorita, mas estava exausto e dolorido. Não tinha exatamente uma posição para se sentar sobre aquela cadeira dura.

Isso sem contar sua consciência lhe acusando que havia errado. Dizendo que tinha feito a maior besteira do mundo ao aceitar os toques de Shinji, ao transar com ele na sala do terceiro ano. Mas isso nem era o que mais lhe incomodava. Sabia o quando Kouyou e Shinji se odiavam e quase podia antever o olhar decepcionado de Kouyou ao saber daquilo. Ele talvez pensasse naquilo como uma traição.

Hiroto sabia muito bem o potencial dramático dele. Sabia que ele ficaria dias sem lhe olhar. Que se sentiria ofendido por ter “se vendido para o inimigo”. Era adolescente, que droga! Seus hormônios estavam explodindo por todos os poros e Shinji era... Era tudo que sempre quis. Era demais para seu caminhão com certeza.

Suspirou, recostando a cabeça para trás, sentindo alivio ao ouvir o som do sinal que indicava o final da aula. Finalmente poderia simplesmente se deixar dormir sobre a carteira naquele intervalo em que todos iriam para o pátio. Que o intervalo se explodisse, precisava dormir. Mas dormir no intervalo seria um prêmio bom demais para ele. Dizem que os piores círculos do inferno são reservados aos que se vendem e se calam nos tempos de crise.

Antes mesmo que sua cabeça pousasse sobre o livro um furacão loiro irrompeu sala a dentro, parando diante de si, apoiando as mãos sobre o tampo da mesa, o corpo se inclinando para frente antes que a voz de Kouyou soasse quase desesperada.

— Diz que não fez! Diz que não fez isso Pon...

E diante das palavras sem qualquer nexo, Hiroto apenas voltou os olhos para o amigo, recostando a bochecha na pagina 57 do livro, os olhos pesados tentando se fixar aos de Kouyou.

— Fiz o que Kouyou?

— Transou com ele! — Ele falou quase raivoso. Hiroto engoliu em seco... Com certeza eles deveriam ter discutido e de alguma forma Shinji falara para Kouyou. Deveria se sentir irritado com ele por isso, mas não conseguia sentir nada mais que sono. — Ele falou pra mim... Droga Hiroto! Diz, por favor, que de todas as pessoas com quem você podia ter transado nesse colégio, você não transou com o Tora.

— Ok... Então eu não transei com ele... Está satisfeito? — Perguntou impaciente, bocejando, se movendo sobre a cadeira em busca de uma posição mais confortável.

— Hiroto...

— E se eu tiver Kouyou? — Hiroto disse baixo, sentia-se machucado sempre que Kouyou tomava uma atitude daquelas. Sempre que Uruha agia como se fosse seu dono. — Só porque você e ele vivem se engalfinhando não quer dizer que eu tenha que odiar ele como você odeia...

E diante das palavras do menor Kouyou rodou os olhos, mas em sua expressão a magoa parecia ser o que mais marcara.

Ele estava magoado porque Hiroto tinha transado com Shinji? Será que ele era tão egoísta ao ponto de achar que porque ele odiava ao moreno Hiroto também deveria odiar.

Não conseguia entender por que tanta mágoa, assim como não conseguia pensar em um motivo para Shinji falar sobre isso com Kouyou, mas com certeza metade da culpa devia ser do amigo. Ele nunca ficava quieto. Eles se odiavam e faziam questão de deixar isso claro, provocando, jogando coisas na cara um do outro. Saindo no braço no meio do treino.

Já tinha perdido a conta das vezes que fora até a detenção só para fazer companhia para seu melhor amigo briguento.

— Hiroto... Você não entende?

— Não entendo Kou... Você não me explica então eu não entendo porra... — Disse irritado, se levantando da mesa, mesmo que o corpo doesse com o movimento brusco. Não iria conseguir dormir ali, com a cena que Kouyou estava fazendo. — Não entendo nada! — Começando a caminhar em direção à porta, olhando de relance para trás antes de atender ao celular que sentia vibrar em seu bolso. — Moshi-moshi...

“— Por que não me encontra no terraço da escola Hiro-kun? Estou te esperando...” — A voz de Shinji ecoara do outro lado da linha. Totalmente convidativa, lhe fazendo sorrir.

— Hai... — Antes de desligar e sair da sala sem nem mesmo olhar para trás. Sem notar o rosto dolorido do amigo, ou os dedos dele que tocavam seu livro.

Hiroto não entendia...

*0*

Aquilo parecia ter se tornado um hábito. Todos os dias ele lhe ligava e parecia acertar sempre os momentos em que estava com Kouyou.

A cada novo dia Kouyou parecia ficar mais distante. Estava perdendo seu melhor amigo e nem mesmo sabia o que fazer para tê-lo de volta. Era como se o fato de estar com Shinji fosse uma afronta pessoal.

Droga... Ele nunca entenderia? Ele nunca lhe acharia bom o bastante para ter alguém pra si? Já fazia quanto tempo? Duas semanas? Duas semanas que estava saindo com ele e não conseguia conversar direito com Kouyou.

Sentia falta de ficar até tarde ao telefone simplesmente falando besteira. Ou de rir após um filme, jogando pipoca um no outro. Das disputas no videogame e da capacidade que Kouyou tinha de ser leso. De não entender as piadas e rir minutos depois.

Não era do tipo romântico. Não queria que Shinji lhe assumisse como namorado nem nada, mas queria que seu melhor amigo lhe apoiasse.

Estava parado diante daquela mesa. A mesma mesa em que sempre ficava quando ia estudar na biblioteca, estava tão distraído que nem viu ele se aproximar e saltou de susto quando sentiu sua mão em seu pulso, lhe puxando para fora da cadeira.

Seu peito tinha se acelerado e ainda tentava se acalmar, mesmo após ter reconhecido ao amigo, mas antes que pudesse perguntar o que ele pretendia, Kouyou simplesmente disse:

— Não fala nada e me segue.

— Mas minhas coisas...

— Você pega depois, nada some da biblioteca... Vem logo antes que seja tarde. — Céus! O que podia ser tão importante para que ele lhe fizesse sair correndo da biblioteca daquele jeito?

Não conseguiu nem mesmo protestar, pois logo era arrastado pelos jardins, sendo puxado para dentro do ginásio, parando diante do vestiário apenas para ver Kouyou fazer um sinal para que não fizesse qualquer barulho.

O loiro lhe puxara lentamente para dentro do vestiário, entreabrindo a porta que dava para os chuveiros e fazendo um sinal para que Hiroto espiasse e, ao fazê-lo seus olhos se arregalaram, os lábios se abriram em concha, uma vontade de chorar começara a tomar conta de seu peito.

Aquele de baixo do chuveiro era Shinji, era Tora e ele estava transando com outro? Com um dos caras do time de basquete.

Os dedos de Hiroto cobriram seus lábios. Ele...

— Aquele é Shiroyama, eles estão juntos tem mais de um ano... — Kouyou sussurrou ao ouvido do menor, lhe puxando para recostar a cabeça ao seu peito, apertando-o em seu abraço.

Como ele podia? Como tinha sido idiota o bastante para cair naquilo? Para acreditar que Amano-senpai iria realmente se interessar por ele. Era tão patético, tão risível que se deixou ser guiado sem qualquer resistência por Kouyou para fora dali, até a sala que o clube de mangá utilizava nas reuniões todas as quartas.

Logo estava sentado em uma cadeira qualquer, apertando a camisa de Kouyou, molhando ela de lágrimas.

— Eu sou tão imbecil... Tão burro Kou... Como eu pude achar que ele realmente tinha olhado pra mim? — O garoto perguntou em meio a soluços, escondendo o rosto na curva do pescoço do amigo. — Olha pra mim... Eu realmente... Eu realmente consegui achar que era bonito o bastante pra ele...?

E as palavras de Hiroto pareciam lhe cortar o peito como uma navalha.

Os dedos longos de Kouyou apenas acariciavam aos cabelos castanhos com carinho antes que a voz calma e gentil de Uruha dissesse:

— Ele queria me atingir... O Shinji não presta Pon...

— Te atingir Kou? Te atingir como? Falando “olha... eu estou catando seu melhor amigo e você não pode fazer nada”? Não faz sentido...

E Kouyou sorriu manso, quase dolorido, meneando a cabeça antes de afastá-lo, olhando em seus olhos vermelhos e redondos, suspirando ao dizer.

— Você não entende mesmo... E depois eu que sou lerdo... — Sorrindo de canto antes de aproximar seu rosto do de Hiroto, os lábios tocando levemente os dele, um toque sutil, gentil, doce... Um selar de lábios curto e carinhoso antes que dissesse. — Era mas algo como “eu estou pegando o cara que você ama e você não pode fazer nada...” — Disse sorrindo diante do olhar arregalado, repleto de surpresa do mais novo.

— Vo-voce...?

— Desde que você tinha dez anos... — Kouyou disse sorrindo. — Nunca se perguntou por que ninguém era interessante o bastante? — Disse sorrindo, secando as lágrimas do mais novo com os nós dos dedos. — Ninguém era interessante como você esquilo. Ninguém nunca me fez rir como você. Nunca ninguém me chamou de lesado, lerdo, desligado sem me ofender, só você... Na verdade até acho bonitinho quando faz isso... — Falou rindo sem graça.

— Eu... Você... — Hiroto nem mesmo conseguia completar uma frase. Estava espantado demais. Chocado demais... Kouyou estava se declarando pra ele. — Seu grande imbecil... — Balbuciou sem graça, um tanto contrariado. Um imenso bico tinha se formado em seus lábios no momento em que abaixou a cabeça. — Eu não tinha como saber...

E Kouyou riu, tocando seu queixo, fazendo Hiroto erguer os olhos para si. Tirando os óculos da ponta do nariz pequeno e redondo do menor.

— Precisa trocar o grau dos óculos então, porque até aquele imbecil, panaca, sem caráter do Shinji viu. Eu não consigo disfarçar. — Kouyou disse recostando sua testa à dele, sorrindo fraco ao olhar bem dentro dos olhos negros de Hiroto. Recebendo um empurrão fraco em seu ombro e uma risada ainda chorosa dele.

— Se continuar falando besteiras assim, não vou aceitar namorar você, imbecil... — Hiroto disse rindo.

— Namorar comigo? — O loiro perguntou um pouco espantado, notando o ar quase constrangido do menor.

— Demo... Eu pensei que... Pensei que você gostasse de mim... — Disse afastando-se um pouco, mas logo sendo puxado para perto novamente. Para um beijo súbito, calmo que pouco a pouco se aprofundava até que Kouyou, com uma pequena mordida em seus lábios se afastasse.

— Você vai querer namorar comigo então? — Disse com um sorriso bobo pregado nos lábios.

— Você é mesmo lento Kouyou... — Hiroto riu, tocando aos lábios dele com o polegar, mordendo levemente seu queixo antes de sentir o celular vibrar em seu bolso.

Um suspiro pesado deixou os lábios do pequeno no momento em que tirou o aparelho do bolso, mas nem teve tempo de atender ou desligar, pois logo Kouyou tomara o aparelho das mãos dele, atendendo com uma voz ríspida. Dizendo:

— Porque não liga pro seu namorado e faz sexo por telefone com ele e deixa o meu em paz Shinji... Se não conseguir então vai se foder... — Desligando o telefone e entregando o aparelho para o menor, sorrindo ao se aproximar dele novamente, murmurando. — onde estávamos mesmo? — Para selar seus lábios aos dele.

Aqueles eram os lábios mais doces que Hiroto já tinha provado, estava feliz por serem os lábios de seu melhor amigo... Ou melhor, de seu namorado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!