In Case
8 Capítulo 7
Notas iniciais
In Case — Capítulo 7
Casamento.
C a s a m e n t o.
Ele disse casamento?
O subconsciente de Violetta gritava de todas as formas, tipos e gêneros possíveis. Seu estomago revirava como máquina de levar, seus olhos se arregalaram em uma completa incredulidade e seus ouvidos formigaram, com receio de ouvir mais alguma coisa insana do moreno.
— Vo... — começou, sentindo sua garganta se contrair. — Você — respirou fundo, tentando completar sua frase com clareza. — Você está maluco? — gritou. Seu tom era de preocupação e medo, pois a única resposta adequada para aquele pedido inesperado, é que León está completamente maluco.
— Talvez — encurvou os lábios, humoradamente.
Vendo o susto nos olhos castanhos, ele apenas foi capaz de inspirar o ar profundamente, enquanto desenlaçava suas mãos.
— Você pode pensar que estou brincando, mas não estou — disse León, dando um passo para trás e bagunçando as madeixas de seu cabelo. — Eu quero mesmo que você se case comigo — afirmou, buscando o seu jeito mais maduro e sensato.
— É, você está completamente maluco — riu incrédula ainda sem acreditar nas palavras do moreno. — Casar? Nós dois? Eu e você? De onde tirou isso, Vargas? — ela fazia o máximo para não gritar novamente.
Isso é de mais até para ele. Não a cabimento nisso, nesse pedido. Ela sabia que mesmo sendo León Vargas, tem algo de errado nisso. Pelo poucos dias de convivência ela já sabia que ele não é uma pessoa romântica, ou se quer capaz de gostar.
Ele nunca pediria em casamento uma garota assim. A não ser se tivesse algo por trás disso.
— Violetta — ele suspirou. — Você tem os seus problemas, eu tenho os meus. O negocio é que eu preciso me casar e você precisa de dinheiro...
Ela o interrompeu.
— E você está sugerindo que eu me case por dinheiro? — perguntou incrédula.
— Claro — afirmou obvio. — Ou você pretende se casar por amor? — ironicamente ele perguntou, mas ela não disse nada. — Você vai querer se casar comigo ou não? — inqueriu já impaciente.
— Não mesmo — soltou uma breve e baixa gargalhada. — León, volte para o seu pai e vai brincar de viver — deu um passo a frente, o fitando atentamente — Você tem tudo o que quer em suas mãos, não sabe o que é problemas de verdade... A vida é muito mais do que dinheiro.
— Diz isso a você — irritado, ele retrucou. — Eu quero o meu dinheiro. Quero o comando da empresa da minha família. E você precisa de ajuda — ergueu as mãos para cima e a cada novo fato levantava um dedo. Violetta apenas revirou os olhos. — Não seja idiota, por favor...
— Então eu serei inteligente se me casar com você? — soltou uma risada incrédula e nervosa. — León, eu aconselho você a ir ver um medico, porque a cada nova coisa que você diz, com mais medo eu fico …
— Droga, Violetta, você não está entendendo nada — ele já começava a ficar nervoso e impaciente.
— Não estou mesmo.
— Preste atenção! — pediu, juntando todas as suas forças para se manter calmo. — O meu pai só ira me deixar ser presidente da empresa se eu tiver uma família. Ele quer que eu me case — disse entre dentes. — Passei os últimos dias tentando encontrar uma garota que me interessasse e que estivesse disposta a cometer qualquer loucura — mordeu o lábio inferior, desfilando os olhos sobre ela. — E, olha só, encontrei você — apontou o dedo para ela, sorrindo sínico.
— Não é só porque eu tenho alguns problemas que eu irei me vender — mostrou-se ofendida. — Não pretendo me relacionar tão cedo — ergueu os ombros, firme em sua decisão.
— Eu não quero me relacionar com você, apenas quero te colocar uma aliança e ser feliz com toda a minha fortuna — sorriu mais abertamente.
Como se estivesse em um sonho – ou em um terrível pesadelo – Violetta tombou suas pálpebras fortemente, as abrindo em seguida. Sentiu-se decepcionada ao ver o homem descarado a sua frente, com as sobrancelhas erguidas, esperando uma fala dita por ela.
Devia sentir-se ofendida com as palavras dele? Afinal, León estava alegando que a mesma é interesseira o bastante para se casar por dinheiro. Contudo, é um tanto grosseiro e errado de sua parte pensar isso sobre alguém que ele mal conhece.
Vendo a inquietação da moça, León resolveu, mais uma vez, se pronunciar.
— Eu vou ser mais claro, okay? — afirmou e mesmo contra gosto, ela assentiu. — Se você aceitar se casar comigo, prometo que será uma relação de fachada. Eu não toco em você... — afirmou, tombando a cabeça e se corrigindo segundos depois: — Claro que, se você me pedir eu farei com maior prazer — sorriu de forma maliciosa, mas ao ver a expressão da morena, se encolheu. — Enfim... Você poderá ajudar sua família, comprar tudo o que quer e não precisará trabalhar feito uma condenada — jogou as mãos para o alto, como se tudo o que ele dissesse fosse a melhor coisa do mundo.
De alguma forma, para Violetta, é.
— León... — inspirou o ar profundamente, o soltando com violência. — Não. Não, León. Isso é loucura! — passou as mãos nas madeixas, sentindo-se encurralada no meio daquilo tudo.
— Eu sei que é — se aproximou mais dela — Porém, é a única solução rápida que vejo para nós dois — desviou o olhar, voltando a fita-la segundos depois. — Juro a você que também não quero me casar. Mas não tem o que fazer mais.
— Olha, sinto muito, mas eu não...
Ele a interrompeu.
— Faz assim... — roubando a atenção dela, ele começou. — Pense um pouco a respeito e me dá sua resposta, okay?
— Tá! Tudo bem — meio incerta, ela disse. — Agora me dê licença que eu preciso ir — se despediu, virando de costas e rumando para o seu destino.
X X
No hospital, Violetta conversava com a mãe. Depois da conversa com León as coisas pareceram não fazer mais sentido. Afinal, não é todo dia que você é pedida em casamento por um cara que conhece a menos de uma semana. É estranho e sem sentido.
É totalmente maluco.
— … e eu não sei o que fazer — confessou, já no fim dessa louca história.
— Ual! — com dificuldade, sua mãe exclamou. — Isso tudo aconteceu em quatro dias? — ainda surpresa, perguntou.
— Sim — suspirou, sentindo ganas de chorar por conta da confusão que havia se metido. — É tudo tão surreal. Não acredito que ele tenha mesmo me pedido em casamento — suspirou, passando as mãos pelo seu rosto. — Obvio que eu não irei aceitar, mas...
— Mas? — dando a voz a curiosidade, sua mãe ergueu as duas sobrancelhas.
— Mas eu fico imaginando se eu disser sim... — confessou, sentindo-se estupida por suas palavras. — O papai precisa de tratamento para voltar a se movimentar. Ele precisará de remédios e cuidados — só com o pensamento, uma lagrima solitária escapou de seus olhos. — Você também precisa ficar de repouso por um tempo e o Fede está perdido nesses acontecimentos.
— Minha querida — sentiu as mãos da mais velha acariciar seu rosto. — Meu coração doí em apenas imaginar como nossa família entrou na ruina — disse cabisbaixa. — O seu pai está sofrendo, eu estou sofrendo, você está sofrendo. Todavia eu percebi enquanto ficava deitada aqui, nessa cama — deu duas batidas no leito. — que não é certo você sempre tomar as nossas dores.
— Como assim, mãe? — já com os olhos marejados, Violetta indagou.
— Eu estou bem — afirmou. — Irei cuidar do seu pai e dar a ele todo apoio que necessita. Federico irá continuar estudando e fazendo o que gosta. E você — sorriu abatida. — Você, minha filha, irá voltar para Buenos Aires e viver sua vida.
Balançando a cabeça em um sinal negativo, Violetta sussurrou:
— Eu não vou voltar.
Ao ouvir a resposta da filha, a figura feminina mais velha simplesmente suspirou.
— E vai ficar fazendo o que aqui? — perguntou, buscando a calma dentro de si.
— Ajudando vocês — afirmou, com a voz fina. — Assim como eu sempre fiz. Não permitirei que passem fome.
— Violetta....
Ela a interrompeu.
— Não discuta comigo, mãe. Por favor — seu tom é de suplica. — Foi um erro ter ido embora. Tenho que aceitar que garotas como eu jamais conseguirão o que quer.
— Como são as garotas como você? — o olhos vermelhos e inchados de Angeles – que poucas horas trás, chorava como uma condenada por conta do marido – se estreitaram, curiosos.
— Fracas — suspirou, fazendo o máximo de força para que as lagrimas presas em seus olhos não saíssem.
Tentativa em vão...
X X
A noite já havia chegada e Violetta não sairá do hospital. Depois da conversa complicada que teve com a mãe, ela tratou de anima-la, dizendo que tudo daria certo e que eles voltariam a ser uma família. E que logo logo German voltaria a andar.
Oh, como ela queria esta certa de suas palavras.
Caminhando pelos corredores gelado daquele lugar, Violetta avistou seu irmão um pouco mais a frente, sentado em uma das cadeiras de plástico, com as mãos sobre o rosto.
— Fede? — sentou-se ao seu lado, tocando-lhe os ombros.
— Oi — tragando a saliva com certa dificuldade, ele murmurou. — O que foi?
— Você está bem?
— Sabe que não — inspirou o ar profundamente, enquanto passava a mão em sua garganta, como se tivesse algo o sufocando. — Não aguento mais isso — confessou sorrateiramente.
— O que? — um tanto quanto confusa, Violetta foi obrigada a indagar.
— Acabei de sair do quarto onde papai está — olhou para frente, com um olhar perdido. — Ele me odeia, Vilu.
Assim que tais palavras foram processadas, ela olhou para o irmão com pena. Os olhos inchados, a expressão triste e melancólica. Coitado.
— Não diga isso, por favor — pediu quase em uma suplica. — Ele está mal, Federico. Não tem nada haver com você.
— Por favor digo eu — serrou as pálpebras com força. — Você mais do que ninguém sabe que é assim desde quando eramos crianças — uma lagrima caiu de seu rosto, seguida por outra, e o outra. — Na verdade, desde que Chris morreu — sussurrou roucamente, em meio a suas lagrimas.
Triste, Violetta acariciou o rosto do italiano, que estava mais pálido do que o normal. Secou as lagrimas dele fazendo o máximo de esforço para prender as suas. O puxou para um abraço, sentindo seu coração se apertar dentro do peito.
— A culpa não é sua, meu irmão — acariciou suas costas, mantendo sua voz firme. — Papai não deveria trata-lo assim — suspirou chateada.
Se ela pudesse pegaria toda a dor de Federico e passava para o seu pequeno corpo. Desde que se entende por gente viu o seu pai maltratar o primogênito de uma nova geração dos Castilho. E sempre viu Fede abaixar a cabeça para ele, sem discutir ou discordar.
Oh, como era triste ver as lagrimas dele presas em olhos repletos de dor e sofrimento.
— Tenho que te contar uma coisa — disse ele, enquanto se afastava e enxugava seu rosto com a palma da mão. — Alguns dias atras, bem antes do acidente, eu recebi uma carta — sorriu sem jeito.
— Uma carta? — ela estava confusa.
— Sim — concordou com um aceno de cabeça. — É de um escritório em Las Vegas... Eles me chamaram para fazer um estagio lá — sorriu ainda mais, com um brilho no olhar. Um brilho bom agora.
— Que bom, Fede — alegrou-se também. — Mas, e a faculdade? — lembrando desse detalhe, ela questinou.
— Não sei. Talvez passe ela para uma de lá... Ou tranque-a por um tempo — deu de ombros. — Vai ser bom pra gente, Vilu.
— Por que pra gente? — inqueriu.
— Por que além do estagio eu terei um bom emprego — disse com um sorriso. — Um amigo meu tem parentes por lá e me arranjou algo bacana — inspirou o ar, sentindo-se mais leve.
— Fede...
Ele a interrompeu.
— Os tios dele são donos de uma pequena pousada, próximo ao centro. Eles irão me dar um quarto se eu os ajudar com algumas coisas... Será ótimo para mim — afirmou, querendo tranquiliza-la.
— Você quer mesmo fazer isso? Quer ir embora? — perguntou o que seu interior ordenava.
Como resposta ela recebeu o silencio. Ambos se olharam e, depois de alguns poucos segundos, Federico soltou uma pequena risada, deixando Violetta confusa.
— Creio que eu também devo pergunta-la isso, não? — arqueando as sobrancelhas, perguntou. — Você quer ficar aqui, Violetta? — disse de uma vez.
Surpresa com a pergunta dele, ela apenas foi capaz de olha-lo surpresa. Realmente não esperava ouvir essa pergunta dele. Agora.
— É o certo a se fazer — disse depois de alguns segundos.
— Então só porque você está abrindo mão dos seus sonhos eu também devo fazer, é isso?
— Não. Não foi isso que eu quis...
Ele a interrompeu.
— Foi sim — disse com convicção. — Eu estou indo para seguir meu caminho, mas também estou indo para que... para que quando eu voltar, nossos pais tenham orgulho de mim — confessou, remexendo em suas mãos. — Se German não conseguir voltar a andar, pelo menos, quem sabe, ele fique feliz quando eu ganhar meu diploma — sorriu encantado. — Quando eu conseguir ser o que ele tanto quer.
— Fede — disse em um suspiro.
Violetta então entendeu o que seu irmão estava dizendo. Ele havia escolhido o caminho que German tanto sonhou para Chris, mas que ele nunca pode terminar.
— Qual é o estagio que você está indo fazer, Fede? — cerrou as pálpebras, já imaginando a resposta.
Alguns segundos se passaram e Violetta foi obrigada a abrir seus olhos, encontrando o dono das madeixas negras com o olhar baixo, temeroso.
— Me responda — pediu em suplica.
— Advocacia — respondeu prontamente. Ao ouvir as palavras, a Castilho sentiu – o restante – de seu coração se espedaçar. — E-eu havia mandado minha inscrição a alguns meses atrás, quando papai jogou na minha cara que eu seria um... péssimo jornalista — contou em um fio de voz. — E ele tem razão.
— Não, não tem — tentou reverter aquela situação.
— Pare — pediu ele. — Eu sou maduro o suficiente para saber que não haverá futuro nessa carreira que eu escolhi... Além do mais, ele e Angie ficaram felizes em dizer por ai que tem um filho advogado.
— Você faria isso por eles? — perguntou incerta.
— A quanto tempo que você não vê um sorriso verdadeiro deles, Vilu? — ela abaixou a cabeça. — Farei qualquer coisa para trazer um pouco de felicidade a nossa família.
As palavras dele foram acertando direto no interior da morena. Ela sentia orgulho dele. Sim, sentia. Pois assim como ela, ele se tornou adulto cedo de mais — até mais cedo do que ela. E ele faria qualquer sacrifício pela família.
Tirando-a de seus pensamentos, Violetta ouviu seu celular pitar. Sacou ele do bolso de sua calça e viu que era uma mensagem de León. Suspirou, antes de abrir.
"Estou voltando para Buenos Aires hoje. Em menos de cinquenta minutos estarei indo para o aeroporto. E então? Se decidiu?
Se estiver disposta a aceitar minha proposta, me encontre na frente da sua casa em vinte minutos. Se não estiver lá, já sei que sua resposta é não."
León.
Fale com o autor