Notas iniciais
Olá gente bonita, puxa, quanto tempo não é? Eu escrevi esse capítulo há um bom tempo, então eu nem me lembro direito de como ele tá. Vou ler enquanto vejo os erros. Obrigado a Nanda por ser tão paciente e calma (sarcasmo). Quando eu comecei a escrever a fic eu tinha vários finais alternativos que poderiam ser usados por conta de coisas que eu tinha escrito antes, e só estava pensando qual se encaixaria melhor. Pelo jeito era esse, não sei se o último capítulo vai agradar muito, mas nunca se sabe o q pode acontecer de cá pra lá. Eu não vou abandonar a fic se vcs não me abandonarem.

Jack? – Perguntou ele, interrompendo meus pensamentos.

Passei as mãos pelo cabelo e dei uns passos cambaleantes para o lado. Não era justo ele simplesmente vir aqui e me fazer uma proposta dessas, eu não tinha o direito decidir por mim mesmo. As minhas decisões não afetariam apenas o meu futuro, mas o de todos os outros Guardiões.

– Mas, se eu lhe der a minha imortalidade, o que acontecerá com a minha história? – Perguntei meio frustrado e desconfiado do que ele dizia.

– Nada, tudo continuará o mesmo de sempre. Não se preocupe, eu não lhe daria a oportunidade de salvá-la se isso dependesse de apagar o seu passado, ou o seu futuro, como preferir...

Eu não sabia ao certo a razão, mas eu não me sentia confortável com aquela situação. Havia um tom cínico em tudo que estava acontecendo, como se ele quisesse fazer o certo e estivesse disposto a qualquer sacrifício para isso, como se realmente não se importasse com nenhum dos riscos. Como se a minha morte não fosse algo de grande relevância, dependesse apenas das minhas escolhas e ele não tivesse nada a ver com isso.

Engoli em seco, aquela atitude era quase que contrária a que os Guardiões tiveram. Eles foram egoístas, eu sabia disso. Mas eles se importaram em ao menos tentar me impedir, por se preocuparem comigo. Ele depositava uma confiança estranha em mim, não como Sandman fizera, havia certo descaso em suas palavras. Pelo menos era o que eu sentia.

– O que foi? Você não queria ser livre para tomar suas próprias decisões? Não era você que queria decidir o seu certo e errado? – Perguntou ele, como se lesse a minha mente.

Eu sabia que era verdade, mas ouvi-lo falar com toda a sua calma e paciência me tirava do sério.

– Eu pensei que estava disposto a tudo para salvá-la. – Disse ele com um leve toque de uma duvida dolorosa.

– Eu estou! – Disse, exaltando-me mais que o necessário.

Após as minhas palavras berrantes, o silêncio mais uma vez reinou sombrio.

– E-eu... Só não sei o que devo fazer. – Falei com minha voz tremulante.

– Não se preocupe Jack... – As suas palavras soaram compreensivas e piedosas.

Ele não se demorou e prontamente continuou.

– Você sacrificou a sua vida pela sua irmã, agora terá de decidir se quer sacrificar sua eternidade por essa garota. Você pode pensar que eu sou cruel por lhe dar essa escolha tão difícil, mas a verdade é que eu espero muito de você e acredito que fará a coisa certa, precisa apenas seguir o que seu coração diz.

Não respondi, refletindo profundamente sobre o que acontecia. Eu não podia abandonar os Guardiões assim. Eu sentia que com o tempo conseguiria perdoá-los, então não podia simplesmente largar tudo. Mas mesmo soando convicto dentro da minha mente, eu sentia que não estava tão certo assim. Olhei mais uma vez para o rosto de Elsa, ela parecia forte e confiante agora, mas no fundo eu sabia o quanto estava fragilizada e o quanto gritava por ajuda.

Você não vai conseguir sozinha, vai?

– Então, eu não vou mais ver nenhum dos outros Guardiões quando voltar?

– Talvez sim, talvez não. Depende mais de você do que de mim. – Respondeu ele.

Suspirei pesadamente.

– Mas não vou perder meus poderes?

Ele hesitou em responder.

– Não neste momento, mas conforme você envelhecer e os anos passarem, eles se tornarão fracos até se extinguirem completamente...

Olhei para o meu cajado de uma maneira pesarosa. Eu perderia toda aquela parte de mim que eu aprendera a gostar tanto depois de tantos séculos? O Homem na Lua pareceu perceber minhas inquietações e então falou:

– Escute, eu não tenho certeza. Há muito tempo atrás, houve um garoto que teve um contato direto com a magia. O esperado era que ele, com o passar dos anos, esquece-se de todas as figuras mágicas e perdesse as suas habilidades, mas não. Eu não sei como explicar, mas ele continuou possuindo o poder de enxergar a verdade até...

– A sua morte. – Interrompi-o, nervoso e passando a mão pelo pescoço.

– Esse não é o ponto, talvez o mesmo aconteça com você. – Continuou ele, insistente.

Engoli em seco. Eu sabia que aquela era uma possibilidade improvável. Mas ver a rainha fazia surgir em meu peito uma dúvida excruciante, como eu poderia rejeitá-la?

– É parecido com o dilema que os Guardiões ficaram, não é? Eu tenho de me sacrificar pelo bem-estar de apenas uma criança entre todas as outras. Maldita ironia cruel.

– E qual é a sua resposta?

Tencionei meus músculos e apertei meu cajado com força. Fechei os olhos e passei todas as imagens dos meus amigos pela minha mente. A última coisa que eu fizera foi gritar com eles e lhes acusar as falhas, e agora eu talvez não tivesse mais chance de reparar isso. Dei um sorriso triste, eu sabia que com o tempo eles entenderiam a minha decisão. Mas eu sabia também que não estava me doando apenas pelo que era certo, eu estava me sacrificando por ela. E por sua segurança, eu faria tudo isso de bom-grado.

– Eu aceito. Faça-me mortal. – Disse com determinação na minha voz.

Não houve resposta, tudo se manteve no silêncio incomodo que tanto me irritava. Fiquei esperando que uma mudança drástica acontecesse. Que eu fosse levantado do chão por mãos invisíveis ou que todo o meu corpo se banhasse em luz, mas tudo se manteve inalterado. Tudo ainda parecia tomado por aquela estranha ruptura no tempo, onde o vazio e o silêncio eram minhas únicas companhias. Olhei ao redor confuso, imaginado se eu não havia feito algo de errado e o Homem na Lua havia mudado de ideia.

– O quê?... – Comecei minha frase, mas não tive a chance de terminar.

Tudo, como em um simplório estalar de dedos, voltou a sua normalidade. Eu ouvi o barulho distante dos pássaros e o uivo dos ventos. E na minha frente eu vi a rainha de gelo arregalar seus olhos e dar um passo para trás com um grito contido em seus lábios. Demorei um segundo para raciocinar o que estava acontecendo e continuei parado, apenas olhando-a.

– Quem é você?! – Gritou ela, inteiramente surpresa.

Pisquei, confuso. Então percebi o que estava acontecendo diante de mim. Fiquei encarando os seus olhos e como eles giravam confusos sobre mim. Mesmo que ela estivesse assustada e nervosa, eu ainda senti uma alegria esplêndida e incredível por ver o reconhecimento naquelas janelas azuis e brilhantes. Ajoelhei-me no chão, em um misto de incredulidade estonteante e um contentamento íntegro. As emoções que me arremetiam eram tão confusas e tão inabaláveis que eu não soube responder as suas ações. Apenas coloquei minhas mãos na cabeça e ri. Dei uma risada intensa e gritante, ri como se todas as dores da minha alma tivessem repentinamente desaparecido. Como se eu pudesse conquistar todo o mundo com a minha felicidade. A rainha apenas se mostrou ainda mais confusa diante do que eu fazia, mas eu não prestei atenção as suas reações de tão perdido que estava em meu júbilo.

– Depois de tanto tempo... Eu acreditei a minha vida toda que não seria visto, e quando fui... Não, não se compara a isso. – Terminei com frases confusas, assim como os meus pensamentos.

Ela deu um passo para trás.

– Diga-me agora quem você é! – Insistiu ela, tornando-se mais evasiva.

Levantei-me em um pulo e cheguei bem perto de seu rosto. Ela se afastou incisivamente, claramente desconfortável e nervosa.

– Quem eu sou? Eu não sei mais... – Fiz uma pequena pausa.

– Só sei que eu vim de muito longe por você. No início eu sabia a razão, mas quanto mais eu me evolvo nesta estória, mais confuso eu me sinto. – Disse por fim.

Ela levantou uma sobrancelha, e sua expressão continuou austera.

– Eu não estou entendo sua conversa desconexa, mas eu exijo que saia. Não é seguro.

Dei mais uma risada divertida, era claro que a rainha se irritava com a minha falta de atenção.

– Se você não sair por bem, eu serei obrigada...

– Você não sabe o quanto eu queria ouvi-la falar isso. – A interrompi, sem dar a menor atenção as suas ameaças.

Ela fraquejou por um momento, vi a incerteza brilhar em seus olhos por um breve segundo. Mas ela não permaneceu assim por muito tempo, quase no mesmo instante já estava com sua postura severa de volta.

– Por favor, apenas vá. Eu não quero machucá-lo. – Disse Elsa.

– Me machucar? – Disse meio incrédulo.

Dei um sorriso de canto. A jovem rainha ainda estava se preocupando se machucaria alguém. Dei uns passos desatentos para trás, dando de ombros e agindo como se aquilo tudo não tivesse uma grande importância.

–Você realmente quer que eu vá? – Respondi em uma voz que deixava aparentemente claro que eu faria o que ela pedisse.

– Por favor. Não fique brincando, vá embora! – Respondeu ela ao mesmo tempo preocupada e impaciente.

Dei de ombros parecendo derrotado, depois dei mais uns passos para trás. A postura de Elsa se manteve rígida.

– Se é o que realmente quer.

Não lhe dei tempo de resposta, me joguei da sua rebuscada sacada de gelo e me deixei ser levado brevemente pela gravidade, apenas pude ouvir um grito surpreso da rainha. Escondi-me dos olhos atentos de Elsa e subi lentamente e furtivamente até a sacada mais uma vez, ficando as suas costas enquanto ela corria para olhar, desesperada, o lugar por onde eu caíra.

–Não, não. O que ele fez? – Perguntou ela, surpresa e desolada.

Ela continuou encarando ao longe, talvez esperando que houvesse um sinal de que eu ainda estava bem, apesar de saber que era algo improvável.

– Ei, não precisa se preocupar, não foi nada, faço isso o tempo todo.

Ela se virou instantaneamente na minha direção, com um arfar audível em seus lábios. A confusão que ficou estampada no seu rosto foi tanta que não pude deixar de rir.

– Ah, isso sempre funciona.

Ela não se moveu, a sua respiração era acelerada e ela apertava o peito em desespero.

– O-o quê você acabou de fazer?

Dei mais uma risada sincera, dando um passo na sua direção.

– Bom, não é só você que possuiu certos talentos.

Eu terminei de falar e girei minhas mãos, criando flocos de neve aleatórios e brilhantes. O rosto da rainha encheu-se de uma admiração cheia de surpresa.

– Mas digamos que os meus são bem parecidos com os seus. – Disse, aparentemente, sem um grande interesse naquela conversa, escondendo muito bem meu entusiasmo interno.

–Mas como? – Perguntou ela.

Dei de ombros.

– Destino, acaso, chame como quiser.

Ela abraçou o próprio corpo, inconsolável. Eu podia ver nos seus olhos o quanto ela estava confusa com toda aquela situação, dei um passo na sua direção, mas ela se afastou instintivamente.

– Você não precisa ter medo, não pode me machucar.

Seus olhos eram um misto de incredulidade e um pavor inexplicável.

– Não, por favor, afaste-se. – Clamou ela.

Olhei para ela, confuso. Pensei que uma vez que eu mostrasse que era como ela, Elsa entenderia que não poderia fazer mal a mim.

– Quanto tempo você passou sem poder tocar ninguém de verdade? Não precisa ficar assustada, não vai acontecer nada comigo. – Disse, tentando colocar certa firmeza em minha voz.

Corri na sua direção, sem dar chance de uma retaliação. Segurei sua mão entre meus dedos e a levantei na altura dos nossos olhos. Elsa reagiu lentamente, mas quando percebeu o que eu fazia assustou-se e tentou desvencilhar-se de minha mão.

– Pare! Você não me machuca. – Gritei decidido — Eu sou como você. Os meus poderes de gelo permitem que eu lhe toque, mas não são eles que me fazem entender como você se sente. Toda a minha eternidade eu passei sozinho, eu não podia conversar com ninguém, não podia tocar ninguém. Eu sei o quanto a solidão é dolorosa! – Eu parecia convincente, mas no fundo eu temia pelo nervosismo que me apossava.

Seus dedos tremiam penosamente. Juntei minhas duas mãos sobre a sua, tentando lhe passar a confiança que ela tanto precisava. Ela olhava para a própria mão, assustada e temendo que algo acontecesse. Ela parecia cheia de contradições, mas aos poucos, ao ver meu olhar determinado, foi se acalmando.

– Eu estou confusa. Eu ainda não sei quem você é.

Lancei um leve sorriso para ela, que não foi retribuído.

– Meu nome é Jack Frost, e eu sou um Guardião, ou pelo menos eu era. – Falei com certo desanimo na voz.

Ela não entendeu o que eu quis dizer, o que era compreensível.

– O que eu vou lhe contar agora vai parecer absurdo, mas pense, existe magia em você, porque duvidaria das possibilidades do mundo?

Ela olhou para mim sem parecer estar muito convencida, então voltou seus olhos, constrangida, para nossas mãos, que permaneciam unidas. Ela pareceu desconfortável e novamente tentou soltar-se de mim. Segurei sua mão com mais firmeza, mas tendo certeza de não machucá-la.

– Solte-me. – Exigiu ela.

– Não! Pare de agir como se não quisesse a presença dos outros, você precisa disso mais, até mesmo, do que eu.

Ela franziu as sobrancelhas, não parecendo estar muito satisfeita.

– Como sabe tanto sobre mim? – Perguntou ela, desconfiada.

Suspirei fundo, novamente eu teria de contar toda a estória do que me trouxera aqui, mas sentia que não seria tão fácil quanto foi com Anna.

– Tente manter a mente aberta.

Notas finais
Eu sei que esse homem da lua está meio diferente do livro, mas tecnicamente, essa fic tá na categoria de filme? Né? Ai me desculpem se tiver algum erro, podem me avisar. E espero que gostem.