Notas iniciais
Eu disse que só postaria hoje se fossem bonzinhos, mas eu não posso fazer isso com vocês, afinal eu já os fiz esperar tanto! Isso aqui é uma postagem programada, então ainda não vi os comentários (pq eles ainda não existem).

Olhei triunfante a minha frente, aquele novo surto de autoconfiança total me enchera de um júbilo indescritível. Olhei para minhas mãos, eu podia sentir. Sentir aquilo que fora tirado de mim há tanto tempo, o poder de fazer o que eu quisesse, o poder de destruir quem eu quisesse. E no momento em que eu coloquei meus pés na praça do castelo, eu pude sentir todo esse controle mais forte do que nunca. Eu vi todas aquelas pessoas, todas tolamente sendo controladas pela minha influência aterradora. Eu me juntei às sombras, olhando todos com certo divertimento e escárnio.

Almas tão fracas, cabe somente a mim lhes libertar deste sofrimento, não é? Não há razão para lutarem, apenas se entreguem a derrota fracassada a qual estão acostumados.

Levantei meu rosto para o céu, eu podia a ver a grande nevasca que a minha garotinha criara se preparando para tomar toda a cidade.

Já está acontecendo.

O rosto dos camponeses era um misto de medo e confusão. Eles olhavam desnorteados a neve branca e a baía congelada. Murmuravam palavras desencorajadoras entre si. Alguns, em voz baixa, falavam sobre a maldição que a rainha lançara sobre todos, ou que ela era uma bruxa perigosa que precisava ser detida. Imaginava que naquele momento ela deveria estar longe, fugindo do seu próprio reino.

Ela já se foi tão cedo, justo quando a festa iria começar.

Lancei um sorriso para os habitantes daquela terra, eu precisava de uma alma atormentada para criar verdadeiras tragédias físicas. Não poderia ir suficientemente longe com meus planos se meus jogos fossem apenas mentais, eu precisava de alguém forte e influente. A primeira pessoa que veio na minha mente foi a princesa mais nova, se eu a controlasse não haveria mais pessoas para defender a rainha. No entanto me lembrei que, por alguma inconveniente razão, a minha influência não a afetava. Ela era a única naquele patético reino que não se rendia a mim.

Massageei as têmporas por um minuto, tentando me lembrar quem fora meu lacaio da primeira vez. Uma luz acendeu-se na minha mente. A resposta era óbvia, eu apenas precisava achar aquele príncipe fútil. Com um movimento da minha mão, formas de sombras animalescas cresceram sobre a parede.

– Achem o príncipe Hans imediatamente e voltem. Vocês têm um minuto.

Com sons que pareciam grunhidos de animais e gritos distantes eles se foram. Correndo pelas sombras de cada canto, indo de uma ponta a outra do castelo em míseros segundos. O barulho que faziam, quando ouvido pelos humanos, jamais era esquecido. Sons grotescos que enchiam qualquer tolo de um pavor excruciante que perdurava na memória para sempre. Não demorou e eles voltaram com a localização certa do príncipe. Sorri para as formas nas paredes, parabenizando-as.

Desmaterializei meu corpo em sombras, desaparecendo daquele lugar e surgindo novamente em um dos quartos do castelo. Nele eu podia ver o príncipe incomodado indo de um lado ao outro. Ele parecia confuso e nervoso. Passava constantemente as mãos pelo cabelo ou pelo pescoço. Dei um sorriso de lado diante da sua inquietação.

– E agora? O que eu faço? Ela está apaixonada por mim, é claro... Mas...

Ele deu um suspiro e sentou-se em uma das poltronas atrás de si. Ele escondeu o rosto entre as mãos, depois ficou olhando para a frente por um tempo. Tão contemplativo e sereno que qualquer outro não ousaria interrompê-lo.

– Agora eu posso finalmente... Destruir a rainha e tomar o reino... – Ele dizia isso com pouca convicção, e temi que ele mudasse de ideia.

Dei um passo para frente.

– Não deveria falar essas coisas em voz alta, o que seria de você caso descobrissem o seu teatrinho?

Ele se virou na minha direção, assustado. Ele percorreu os olhos pela escuridão, tentando ver de onde vinha aquela voz macabra.

– Quem esta aí?

Mal ele disse essas palavras e já havia se levantando e desembainhado sua espada. Apontando a lâmina brilhante na direção do escuro.

–Calma, eu sou aquele que o persegue nos sonhos e que enche a sua mente com os pesadelos mais dolorosos.

Ele franziu a sobrancelha e sua postura continuou tensa. Não relaxou um músculo enquanto procurava sem sucesso o seu interlocutor. Dei mais um passo a frente, sendo banhado pela pouca luz que havia na sala. Os olhos do rapaz se encheram de surpresa ao analisar a minha figura negra e tétrica.

– O que diabos é você?

Dei uma risada seca. Fui andando na sua direção e vi seus músculos se tencionarem em um instintivo desejo de se proteger.

– Não precisa se preocupar, eu te destruiria se eu quisesse. Eu estou aqui porque nós dois ambicionamos a mesma coisa.

A rejeição foi clara em seus olhos, ele não parecia querer colaborar muito comigo.

– O que quer dizer?

Dei de ombros, andando lentamente pela sala.

– Quero dizer que assim como você, eu desejo o poder. Não um poder passageiro, eu quero o controle absoluto.

– E o que isso tem haver comigo? – Perguntou ele em um tom de voz meio arrogante.

Dei apenas uma risada de escárnio e lancei-lhe um olhar zombeteiro.

– Vamos lá, eu sei por que você está aqui. Você quer este reino, não quer?

O príncipe deu um passo para trás, receoso. E temendo as palavras que vinham da minha figura estranha. Dei mais um passo a frente.

– Você quer provar para todos os seus irmãos que não é apenas o caçula tolo, que você não é apenas o irmão mais novo rejeitado que só serve para ser ignorado pela própria família.

Ele se afastou de mim perplexo. Podia ver em seus olhos uma reação tardia a minhas palavras. Ele não sabia qual era a conduta certa para rebater o que eu dizia. Sorri, pois tinha consciência de que a dúvida era o primeiro sinal dos que sucumbiam a mim.

– Como você sabe dessas coisas? – Ele disse com certa determinação, avançado na minha direção com sua espada em punho.

– Eu sei o maior medo das pessoas, e sei que o seu é ser esquecido. Esquecido por sua família, pelo seu reino. Afinal, quem é você de verdade? Um príncipe medíocre que nunca chegará ao trono.

– Cale a boca! – Gritou ele com raiva, avançando na minha direção.

Estendi meu sorriso e desapareci na frente de seus olhos perplexos, surgindo novamente a alguns metros as suas costas.

Sim, sinta raiva, pois as pessoas são motivadas a coisas extraordinárias quando estão cheias de ódio.

– Não se preocupe, não vim aqui para brigar com você. Eu estou aqui para ajudá-lo.

Seu rosto era uma faceta incrédula e surpresa, tanto para o que eu dizia quanto para o que eu acabara de fazer.

– Eu já lhe perguntei, mas repito, o que diabos é você?

Eu analisei demoradamente a pergunta.

– Eu sou seus medos.

Ele pareceu descrente e transtornado.

– Não ouse fazer brincadeiras comigo.

– Ah não Sr. Hans, eu não brinco quando falo isso. Estou certo que já compreendeu o que quero dizer. Eu não sou deste mundo, você, com sua espada brilhante, nada pode fazer contra mim. No entanto posso destruí-lo se eu quiser.

A sua postura rígida se tornou ainda mais e mais tensa diante de minhas ameaçadoras palavras.

– Não ouse... – Começou ele.

– Se eu quiser... – Disse pausadamente, no intuito de mostrar a veracidade naquelas palavras.

– Mas meus poderes não são tão esplendorosos quanto parecem. Eu preciso de alguém para poder ampliar meu domínio no seu mundo.

– O que quer dizer? – Rebateu ele duvidoso, mas eu podia ver o brilho da ambição em seus olhos.

– Eu já tenho lacaios aqui, mas nenhum deles tem a sua importância. Eu preciso de alguém que possa ter uma voz ativa diante do povo.

– O que eu ganho com isso?

– O que você ganha? Você ganha poder, e o tão esperado reconhecimento de sua família.

Ele olhou para o canto, refletindo sobre aquela proposta duvidosa.

– E o que você ganha com isso? – Perguntou ele, enfatizando a palavra “você”.

– Eu? Eu não desejo nada demais, você me ajudará a tomar a rainha, a alma dela me pertence. E eu também quero a destruição de um espírito inconveniente que está atrás dela.

– Ele é como você? – Perguntou ele.

Demorei um segundo antes de responder.

– Não, ele não é como eu. Ele é apenas um verme comparado a mim, o poder dele não é nada.

– Se você é tão poderoso, porque não age sozinho?

Lancei-lhe um olhar de superioridade pretensioso.

– O rei define o final do jogo, mas são os peões que começam a partida.

Ele franziu as sobrancelhas, desgostoso, mas não pareceu que recusaria uma proposta tão razoável.

– Você garante que eu terei o reino?

Um sorriso sínico surgiu em meus lábios.

– Príncipe, eu já fiz isso antes.

Notas finais
É isso aí, eu não sei pq, mas o Breu é o único que eu consigo ouvir falando com a voz do filme. Acho que é pq eu assisto muito em inglês. E eu amo a voz do Breu dublada, quando ele fala na minha cabeça fica tão sensual! Er... Coisa esquisita, desculpem.