Império de Paz

5 IV. Sábios, guerreiros, fazendeiros e diplomatas


— E por causa da falta de chuvas foi ordenado a construção de novos canais para as plantações. E temos um pequeno problema no leste do domínio imperial a resolver, um pequeno grupo de desordeiros.- Sophia já estava ouvindo a muito tempo, e ela poderia dizer que em vinte anos aconteciam mais desastres do que coisas boa.

– Eu agradeço imperatriz, foi... esclarecedora essa conversa.- Mesmo que ainda houvesse pontos que Sophia ainda tinha dúvidas, como por exemplo o motivo de o império não ter tantos laços econômicos com o ocidente quanto deveria, isso iria em todo caso apenas beneficiar o império, mas Sophia também sabia a resposta: o nosso povo não confia no ocidente.– São apenas esses os relatórios?

– Sim, são. Apesar de termos parado de receber dos quatro reinos os relatórios que eles deveriam enviar.- Isso era no mínimo interessante, e no máximo suspeito. E a imperatriz percebeu.– Um ano depois da morte de seu pai, eles simplesmente pararam de chegar.

– Não se poderia perdir eles?

– Eu fiz isso, mas mesmo assim não chegaram.

– Não se poderia simplesmente mandar alguém pegar?- Em Livônia seria desse modo, a hesitação em entregar documentos para o estado significava esconder algo.– Você é a regente afinal.

– Teoricamente o imperador pode sim fazer isso, mas não seria muito aceitável, seria visto como uma violação.- Claro, tinha também essa questão, o alto poder dos quatro reis.– E também, sou apenas a regente e o regente não tem todos os poderes imperiais.

Isso era estranho, parar de enviar relatórios e mesmo quando solicitados eles não eram enviados. Mas novamente a imperatriz percebeu a preocupação de Sophia.

– Não se preocupe. Os quatro reinos estão em propriedade e paz, se houvesse algo realmente preocupante já teria sido revelado.

De certa forma a imperatriz viúva estava certa. Sophia vivei por muito tempo na Europa, um continente onde a conspiração e a guerra sempre estavam a espreita. Não havia paz na Europa, mas o Império Heisei não era a Europa. Mas que a situação era estranha, não se poderia negar.

– Não estou preocupada, apenas curiosa.- A imperatriz Teimei apenas sorriu e se levantou. Era o que parecia a hora do almoço, com a corte imperial.

Era impressionante como a imperatriz Teimei era uma mulher com abnegação e censo de dever. Todas as vezes em que Sophia estava com ela ou a via, ela parecia cansada e triste. Mas ela continuava a cumprir seu dever, e a ser dedicada com isso.

Primeiro Sophia sentia pena por ela, mas junto com a pena tinha um pouco de admiração. Sophia estava ali a menos de um dia e a imperatriz viúva já a disse tudo que precisava saber. A abnegação dela a fazia também deixar o poder passar adiante.

E certamente que a imperatriz viúva estava sempre pronta para cumprir seu dever. Enquanto a imperatriz viúva a levava para a sala de jantar do palácio, um homem com armadura a alcançou e lhe disse algo baixinho.

– Sophia creio que terei que lhe deixar sozinha. Há um problema que tenho que resolver.‐ Havia muitos problemas então nesse império.– Não se preocupe não é nada a se preocupar. Já lhe foi apresentado Hidetada Takauji, o chefe da guarda imperial?

– A seu dispor alteza.- Sophia não tinha no momento muito o que pensar dele, mas era algo bem irônico que no império de paz, houvesse soldados.– Eu servi a seu pai e seu avô muito lealmente, e também desejo fazer o mesmo com minha senhora.

– Eu espero que assim aconteça. O senhor é um Hidetada então?

– Sim minha senhora. O clã Hidetada e o Reino Nishi sempre deu os melhores guerreiros ao imperador.- Realmente, era muito irônico o império de paz ter guerreiros.

No final, a imperatriz Teimei deixou que o chefe da guarda acompanhace Sophia para a sala de jantar. Isso também era uma oportunidade para Sophia.

– Eu soube que o festival de ontem foi muito agitado e grande. Certamente seus homens tiveram muito trabalho em manter a ordem.

– Sim eles tiveram. Mas não houve muitos incidentes.

– Então houveram incidentes.- Estranhamente ele agora não parecia confortável, falar disso o estava incomodando?

– Um homem louco, causou uma pequena comoção, dizendo que a senhora não era digna de ser imperatriz.- Então o homem falou coisa horríveis e várias difamações sobre Sophia, se poderia até imaginar.– Mas foi facilmente controlado. Ele recebeu a punição merecida.

Sophia imaginava que eram chicotadas, talvez quinze ou vinte. Ele foi desrespeitoso afinal, mas não foi traição para merecer a morte.

– Eu agradeço.

O chefe da guarda não respondeu, mas Sophia logo chegou na sala de jantar. E ele se despediu, Sophia tinha a sensação que ainda se veria muito esse homem.

Mas no momento o almoço era mais importante. Mas quando Sophia entrou na sala, quase ela teve desejo de perder o apetite. A sala estava cheia do nobres, os alimentos era diferentes do costume, mas isso não era o problema. Mas sim quem estava nos quatro lugares mais perto dela.

O protocolo dizia a Sophia que ela deveria conversar primeiro com os dois mais próximos dela, e depois com os próximos. Mas esses no caso eram os ilustres, os pretendentes de Sophia.

E os dois primeiros eram o ilustre lascivo e o ilustre arrogante. Mas pelo menos não era o ilustre que parecia sempre estar com raiva, que ao ver Sophia, não mostrou a melhor das expressões, isso era muito estranho. Mas Sophia deveria cumprir seu dever e suportar a presença deles.

Sophia foi então ao seu lugar, um grupo de musicistas então começou a tocar e todos esperaram Sophia começar a comer. O primeiro prato eram verduras, algo nada incomum, então foi fácil iniciar, e todos a seguiram.

Nos primeiros pratos foi fácil, assim como foi fácil suportar os ilustres, eles estavam calados afinal. Mas a medida que ficava mais difícil comer, eles começaram a falar também.

– Sua Alteza está gostando da refeição?- O lascivo foi o primeiro a falar, e a resposta parecia ser muito importante para ele.

– Estou aproveitando muito. É algo diferente é... emocionante.- Não seria a palavra que Sophia realmente usaria para descrever. Mas era a única que sua consciência a deixava usar.

– É uma honra a senhora pensar assim, mas até mesmo uma ofensa vinda da senhora seria uma honra prazerosa.- Sophia novamente não sabia o que dizer, que tipo de flerte era esse?

– Alteza, Takeda diz isso apenas porque esses alimentos vieram do Reino Kita.- Agora foi a vez do arrogante também entra na conversa, Sophia quase não tinha coragem para um, dois era horrível.– Mas esse é o maior orgulho dos Takeda, alimentar todo o império, ser nosso celeiro, não é mesmo Yasu?

Sophia agora estava se lembrando do nome deles, o lascivo Yasu, e o arrogante Yasuhito. Eram nomes muito iguais. Mas voltando, Sophia pode perceber que isso não acabaria bem.

– Como o Reino Kita seria o celeiro do império?- Era na verdade uma boa pergunta, Sophia na verdade nunca soube muito dos reinos.– Estou curiosa na verdade. Poderia me dizer ilustre Yasuhito?

Talvez tenha sido um erro perdi isso. O rosto do ilustre se iluminou, era seu momento de mostrar sua sabedoria. E os outros se azedaram, mas poderia ser também a comida.

– Certamente poderia senhora. Os Tomohito sempre estiveram afinal muito perto do imperador, a imperatriz Teimei é um exemplo disso.– Ela era uma Tomohito?– Nossos reinos são divisões organizadas e competentes, que geralmente não precisavam um do outro para depender, geralmente claro. Existem exceções.

Ele deixou bem claro que exceções existiam. E isso azedou mais ainda os outros três.

– Interessante, continue.- Na verdade Sophia esperava que ele fizesse isso sem ela perdir.

– Mas por fazermos parte de um império, cada um de nós tem algo em que se sobressai. O Reino Nishi nos dá armas, ferramentas e guerreiros, são nossa força bruta; o Reino Minami é um centro artístico e intelectual, é de lá que os melhores poetas e filósofos saem, deve ser por isso que são tão arrogantes.‐ Sophia pode ouvir um pequeno "ele deveria olhar para si mesmo", assim como pode sentir Toyotomi com muita raiva.– Meu Reino Azuma é o mais influente e rico dos quatro, é de onde saem os melhores estadistas e diplomatas. E tem o Reino Kita, predominantemente rural, sem grande riqueza, poder, influência, e como já disse, nosso celeiro.

Mesmo a forma como ele disse isso ter sido muito ofensiva, Sophia pode entender sobre os quatro reinos e suas particularidades. Mas isso certamente não agradou todos.

– Como você ousa falar assim do Reino Kita? Acho que seu pai ficaria muito irritado se eu ordenasse que não fosse mais comercializado alimentos com o Reino Azuma.

– O Reino Azuma pode muito bem se cuidar. Conseguimos nos alimentar muito bem a trezentos anos atrás.- Todos pararam para observar agora, sempre que se mencionava o período antes do império se dava muita atenção.

– E como vão conseguir? Não é seu território uma terra quase infértil e perto de áreas desérticas? E duvido também que o império dos orientais ainda tenha desejo de comercializar com vocês.- Yasu deveria estar falando do Império Otomano.

Mas isso já estava a passar dos limites. Yasu parecia muito alterado, e Yasuhito prestes a também brigar.

– Ilustres eu peço que se acalmem.- Eles ainda não obedeceram.– Se sentem agora! É uma horrível tristeza para minha pessoa que meus ilustres não se comportem bem e que qualquer ofensa os faça brigar. Não é assim que devem se comportar.

– Senhora...

– Não ilustre Yasu nada de desculpas.- Agora as palavras de Sophia finalmente estavam sendo ouvidas.– Meus ilustres, todos os quatro reinos são preciosos e importantes para nosso império, e cada um deles tem sua importância. Não caiam na ilusão de se achar mais importante, porque não existe o mais importante, sem um de vocês, não existiriamos, precisamos de tudo, dos sábios para nos instruir, dos diplomatas para manter a paz, dos agricultores para nos alimentar e dos guerreiros para manter a ordem.

Isso foi o suficiente e todos pareciam satisfeitos, e Sophia estava satisfeita, seu tutor de diplomacia estaria muito orgulhoso se a visse. Mas Sophia fez também o máximo para agradar Toyotomi em suas palavras, se um dia ele fosse rei, era melhor ele não a assustar.

– A senhora está certa príncesa. E eu peço que me perdoe.- Yasu foi o único que respondeu, e fez isso sendo galante, pegando a mão de Sophia pedindo perdão e logo a beijando.– Tentarei não a decepcionar. E ser seu bom servo.

Sophia estaria comovida com isso, se não fosse pelo fato de mais de homens do que ela poderia contar, já terem pegado sua mão e feito o mesmo, sem claro a sedução na voz, e a tentativa de soar romântico.

Depois desse "pequeno" inconveniente nada mais aconteceu. E todos continuaram ocupados com seus pratos, e nem mesmo o arrogante Yasuhito disse uma palavra, nem o lascivo Yasu, talvez esse estivesse pensando em novas formas de encanto. Mas por fim o almoço acabou.

E por mais que Sophia desejasse sair dessa sala, ir para seus aposentos e fazer algo que lhe lembrasse de casa. Ela tinha que resolver a questão do casamento, e Sophia decidiu que isso não se resolvia em um único dia.

– Ilustre Daiki poderia me acompanhar depois de almoço por uma volta pelos jardins.- E era isso que Sophia faria, os conheceria melhor e depois iria escolher, começando pelo mais calmo deles.