Império Solar
1 Traidores
Notas iniciais
O sol estava negro sob o céu, como se sua energia tivesse cessado, os cristais solares que iluminavam as ruas e palácios da Capital estavam apagados e frios, as ruas da capital que costumava estar lotada de todo tipo de pessoas.
Ele estava na forma de um Leão da campina e andava pelas ruas sem rumo, observando tudo. As casas estavam aos pedaços e seus cacos estavam espalhados pelas avenidas, longe dali dava para se observar a torre do templo da luz em chamas, a torre ruía à medida que as chamas a consumiam e assim o Leão continuava seu caminho em meio a desolação.
Ele havia chegado no palácio da alvorada, uma enorme construção feita de mármore branco, ele havia sido construído por Azahor, o arquiteto, o mesmo que havia construído a ponte do céu e o templo da luz, um antigo governante do Império. O palácio tinha cinco torres que ardiam em chamas, seus muros estavam destruídos e os jardins do pátio de entrada haviam virado cinzas, mas mesmo assim o Leão continuou seu caminho por entre os pátios até chegar aos portões arrombados da entrada principal do palácio, os corredores ali dentro estavam escuros e os fantasmas dos reis, imperadores e servos que ali morreram ou que deram suas vidas pelo reino uivavam para o Leão em uma canção triste e macabra que ecoava pelos corredores, enfim ele chegou a sala do trono, as portas duplas de carvalho estavam entalhadas com um sol gigante, elas se abriam lentamente com um ruído estridente e lá estava naquela sala oval gigante o trono do sol, um artefato antigo, remanescente da Era das Conquistas quando Azurza ergueu o Império a partir do nada, ele era um grande mago e um receptáculo do Deus do Sol e criou o Trono da luz de uma estrela que caiu na terra, o metal branco reluzia e no topo do trono estava uma pedra amarela que iluminava toda a sala como se tivesse um sol ali, a Joia da Luz, mas agora o trono já não brilhava e a pedra estava sem brilho e no trono jazia a capa do imperador rasgada e mutilada por inúmeras garras e a croa de ouro estava partida em vários pedaços como se várias pessoas tivessem lutado por ela e a quebrado.
O Leão se viu olhando pelo horizonte pelas enormes janelas que ficam atrás do trono e dão a visão para a ponte do Céu, mas a grande ponte estava ruindo pedra por pedra e mais a sul da ponte estava a ilha de fogo, a antiga morada dos dragões mas parecia que o fogo dos vulcões eu habitavam a ilha carmesim haviam cessado, o reino que brilhava havia apagado. A imagem tremeluziu e se desfez em escuridão.
O garoto acordou com o coração acelerado, sua testa brilhava na luz amarela pálida que emanava dos cristais encrustados nas paredes do quarto, o garoto estava assustado, era a segunda semana em que ele tinha esse sonho, sua mãe um dia disse que o seu tataravô, o primeiro Imperador, Azurza tinha sonhos proféticos e que isso estava no seu sangue junto com todas as dadivas de Ishtar, o Deus do Sol, mas sua mãe estava morta e seu pai estava na guerra do leste, comandando as legiões contra os selvagens.
A Luz do reino um dia será você
O garoto se esforçava para esquecer do sonho e de sua posição naquele reino, ele era o Príncipe e Herdeiro do trono e isso o fazia tremer, seu pai estava em uma guerra e ele deveria aprender a como governar o reino e seus poderes... a cada dia o faziam ficar mais assustado.
Ele estalou os dedos e a luz que vinha dos cristais ficou mais intensa, o suficiente para iluminar o quarto com uma luz que parecia a do sol da manhã, o garoto tinha cabelos loiro pálido, os cabelos eram um pouco longos chegando no pescoço e lisos. Seus olhos eram amarelados como o sol e podia se ver um leve brilho neles e seu rosto era bonito e forte, como um príncipe e um pouco bronzeado. Ele estava apenas com uma pequena calça de algodão que cobria apenas sua intimidade, seu corpo era forte e com alguns músculos devido aos treinamentos.
As criadas haviam limpado o cômodo e deixado as vestes do príncipe em cima da mesa do quarto, ao lado das vestes estava seu sabre de batalha, uma lamina dourada que reluziu ao ser tirada da bainha.
Ele havia desferido um arco no ar com a espada quando pensou ter ouvido alguém bater na porta do quarto.
Ele embainhou a espada cheio de culpa, pois ele não podia brincar com a lamina fora da sala de treino – Então parou onde estava, ouvindo com atenção. As grandes árvores do pátio se agitavam com a forte brisa, o céu estava sem nenhuma nuvem, azul e as cortinas da janela se ondulavam diante do vento, mas tirando isso tudo estava silencioso, seus pais estavam no extremo leste em uma missão diplomática com os selvagens e os criados não ousariam perturbar o príncipe.
Ele voltou a desembainhar a lamina e treinar ali, ele tinha aulas de esgrima desde os seis anos e ele tinha uma certa superioridade sobre qualquer oponente, seus olhos eram atentos e podiam ver detalhes e coisas escondidas e captar informações em pouco tempo e ele era ágil como um falcão. Ele fazia cortes rápidos no ar e seus pés dançavam como se estivesse enfrentando um formidável guerreiro, à medida que ele ia dando estocadas mais fortes e arcos mais longos seus olhos ganhavam um brilho mais forte e a lamina deixava um rastro amarelado de energia no ar que aos poucos desaparecia. Ele havia praticado o controle de seu “En” ou energia e como controla-lo para ele se expandir em uma lamina, aquela lamina era feita de Aço solar, um ótimo condutor de magia e havia sido um presente do rei, imperador ou como ele o chamava: Pai.
Parecia justo para Eric ter um pouco de paz na esgrima depois dos dias cansativos que passara nas mãos do conselho, ele havia sido nomeado para o conselho dos sete como membro honorário da bancada que ajuda a governar o reino a mando de seus pais, mas era cansativo, papeladas, pessoas, problemas, ele os resolvia de forma inteligente e rápida, mas ninguém aceitava que ele não seguia os métodos comuns – Ele desferiu um golpe na parede em meio a raiva, a parede foi cortada como se fosse um pedaço de carne e praticamente se fincou nela, fumaça saia do corte na parede que agora estava incandescente. O Garoto se afastou assustado junto com sua lamina em punho, ele sempre se assustava com o poder que ele possuía que não se limitava apenas a encantar sua lamina para atravessar matérias como se fossem papel ou enxergar movimentos que ainda vão acontecer ou não se queimar, mas a cada dia seus poderes ficavam mais fortes.
Ele limpou a mente daquelas emoções como os Mestres ensinavam e empunhou mais uma vez a lamina, arrumando sua postura e se preparando para um novo assalto e dessa vez não deixaria seus sentimentos atrapalharem.
“Sentimentos são uma pedra no caminho, mas na medida certa eles trazem a gloria, vitória e o amor” – Lembrou Eric das palavras do Mestre Hagar. A espada se movimentou no ar quando o som soou novamente no corredor: o som de metal batendo o chão, pesadamente e passos vinham do corredor.
Eric rapidamente embainhou a espada justamente no momento em que as portas duplas do quarto e abriram revelando um homem alto de cabelos brancos e longos como os de uma mulher e tão lisos como os do príncipe, ele estava vestido com um manto branco cheio de runas e uma fita dourada de seda estava bordada com diversos símbolos entre eles um grande sol, a fita pendia dos ombros do homem e em sua mão direita pendia um enorme bastão de ouro com um cristal branco na ponta. O Homem era o grande Cardeal Crown, o chefe a da fé de Ishtar, o mensageiro do sol e membro do conselho dos sete.
— Meu príncipe, o que sua mãe diria sobre ficar brincando com seu sabre e principalmente com seus poderes dentro do castelo – Advertiu o cardeal olhando para a grande fenda na parede do quarto. Seu tom de voz era suave e melódico como uma canção de primavera e sua voz fazia qualquer advertência soar como algo que você poderia deixar passar – Talvez devêssemos consertar isso antes deles chegarem.
— Cardeal! – Exclamou o Príncipe, feliz e envergonhado pela desobediência. – Eu iria consertar depois, mas o que o traz aqui? Não tinha afazeres do conselho? – Perguntou o garoto.
— A reunião do conselho de aproxima, vim aqui apenas para convida-lo – Respondeu em seu tom amável – Espero sua presença, sei que são ordens de seus pais, mas caso não queira ir e entenderei.
— Você sabe que não recuso seus convites Crown, além do mais, ordens são ordens.
— Estarei esperando você na sala do conselho. – Disse o Cardeal.
Aquele era um dos homens mais poderosos do reino, ele era mestre em alquimia e herbológia e seus conhecimentos sobre runas antigas era sem igual, diferente de seu pais o poder dele não era herdado e muito menos bruto, era fruto de estudo e um poder intelectual massivo. Isso fazia com que Eric o admirasse e ele sempre escutava os conselhos do Cardeal.
Eric apenas pegou seu manto e o pós, o manto vermelho comas bordas em dourado, apenas para desviar os olhares daqueles que diziam que ele não se vestia devidamente.
[...]
A noite começava a raiar acima do palácio, Ele adorava a brisa noturna porque ela tinha um cheiro diferente, um cheiro de mistério.
Príncipe Eric estava devidamente trajado com uma peça de camisa dourada e uma calça branca com listras douradas ao lado e seu sabre que pendia em sua cintura, ele seguia pelos largos corredores do palácio até a sala do conselho, uma grande sala oval que ficava ao lado da sala do trono e abrigava as reuniões das pessoas mais poderosas depois do imperador.
O Cardeal Crown esperava o garoto na porta da sala do conselho, estava do mesmo jeito em que se encontrava a tarde.
- Príncipe, estávamos esperando por você – Disse o Cardeal. Ele abriu as portas e guiou o príncipe para dentro da sala, mas aquilo não deveria estar ali.
O estomago de Eric deu um nó quando ele viu aquela cena, nas paredes da sala do conselho jaziam os corpos dos outros seis membros, empalados nas paredes por várias lanças e o liquido escarlate pingava dos corpos e formavam grandes poças no chão de mármore da sala.
- Crown! O que está acontecendo aqui? – O Príncipe se virou para encarar o Cardeal, mas se deparou com um grande e brilhante cristal que vinha do cajado do Mago, ele apenas ouviu de relance algumas palavras de poder e tudo se distorceu até ficar negro.
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