Impulsos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Mais tarde naquele dia quando eu falei para Abe que ficaria com a criança ele riu. Mas quando percebeu que eu estava falando sério parou e ficou serio de um jeito que eu nunca vi antes.
Ele disse que era mais uma das minhas atitudes impulsivas e que eu não sabia o que era ser mãe. Foi a minha vez de rir e logo depois argumentar que eu não poderia deixar aquela criança pelo mundo. Ele suspirou derrotado e murmurou um “não será fácil”.
— Já sabe um nome para ela? – Ele perguntou depois de eu o levar para ver a neta dele no berçário. Ele murmurou um “bem vinda a família” e eu me emocionei. Ela era a minha filha. Sim. Minha. Eu a criaria com se ela tivesse saído de meu ventre.
— Lyanna. O nome dela será Lyanna. – Falei olhando para a minha menininha.
— Lyanna Mazur. – Abe disse parecendo se alegrar com o nome. – Um nome forte. Assim como a mãe dela.
— Lyanna Hathaway Mazur. Ela terá os meus dois sobrenomes Abe. – Abe pareceu orgulhoso com o que eu disse e se virou para mim.
— Tem certeza que vai fazer isso Rose? Você só tem dezenove anos. – Eu suspirei. Eu sei que só tenho dezenove anos, mas estou disposta a amar aquela criaturinha mais do que tudo.
— Mamãe também só tinha dezenove anos quando engravidou de mim Abe.
— E veja o que lhe aconteceu. – Ele disse e eu me virei para ele.
— Eu não sou Janine Hathaway, Abe. – Disse irritada com aquele assunto e ele deu o assunto por encerrado e voltamos a observar a minha filha.
Dois dias depois saí do hospital com Lyanna Hathaway Mazur nos meus braços. Quando a peguei nos braços pela primeira vez tive medo de derruba-la, mas logo ela se aconchegou nos meus braços e eu só pude fita-la com amor.
Foi fácil ficar com ela já que eu tinha dito que Juliet era minha irmã, e digamos que Abe era um homem de certa influência. O mesmo já tinha se mostrado um avô babão comprando o berço mais caro e bonito da loja e o colocando no meu quarto.
Eu preferi que Lyanna só tivesse um quarto para ela quando estivesse maior, pois eu queria estar bem perto da minha filha em todos os momentos. A primeira noite com ela foi difícil. No meio da madrugada Lyanna me acordou aos berros e eu não sabia o que fazer. Não sabia se ela estava com fome ou com dor. Não sabia o que fazer.
Eu a peguei nos braços e comecei a tenta-la fazer voltar a dormir, mas parecia que ela só fazia chorar e berrar ainda mais. Abe apareceu na porta do meu quarto minutos depois me encarando com sono.
— Eu não sei o que fazer Abe. Ela não para de chorar. – Abe pareceu estar se divertindo com o meu desespero e se aproximou de mim.
— Ela deve estar com fome Rose. Vai lá embaixo e prepare o leite dela, eu fico com a minha netinha. – Eu assenti e a entreguei a Abe. Corri para a cozinha e comecei a preparar o leite que o médico me receitara. Lyanna era alérgica a leite materno e o único leite que ela conseguiu tomar foi um leite em pó que fazia esse papel de leite materno. Nossa. Nunca falei tanto a palavra leite em uma frase só.
O cheiro era horrível devo admitir, me fazia ter enjoo só de sentir o cheiro. Preparei o leite e coloquei na mamadeira e a mergulhei em água gelada para fazê-la esfriar mais rápido. Assim que coloquei um pouco do leite na minha mão e constatei que estava frio o bastante corri de volta para o meu quarto, onde Lyanna ainda chorava nos braços de Abe.
Entreguei a mamadeira nas mãos de Abe que colocou para minha doce Lyanna beber. Minha menina sugava ao leite com força e eu senti pena dela. Ela estava com fome mesmo. Quando ela terminou a mamadeira Abe começou a nina-la e balançar de um lado para o outro bem gentilmente. Bateu nas costas dela até ouvi-la soltar um arroto e depois a colocou de volta no berço.
Eu olhei aquela cena com certa admiração e surpresa. Nunca pensei que Abe tinha jeito com bebê.
— Como sabe dessas coisas? – Não consegui me conter e perguntei.
— O quê?
— Você parecia saber o que fazer com ela.
— Porque eu sei Rose.
— Como? Como você sabe de tudo isso?
— Eu cuidei de você um certo tempo Rose. Depois a sua mãe te mandou para a Academia, mas eu nunca deixei de cuidar de você. – Sorri com suas palavras e ele se aproximou da porta já a abrindo para sair.
— Abe? – Ele se virou para mim antes de sair e eu sorri sem mostrar nos dentes.
— Sim?
— Obrigada por estar aqui comigo baba. – Ele sorriu e posso dizer que se emocionou com a primeira vez que eu o chamei de pai.
— Sempre estarei aqui kiz. – E saiu me deixando no meio do quarto com uma sensação boa no coração.
Um ano depois...
Nas minhas primeiras semanas como mãe de Lyanna eu não tinha ideia do que fazer. Não sabia nem menos trocar uma fralda. Graças a Deus Abe me ajudou em cada coisa e hoje Lyanna recebe somente meus cuidados. Mas é claro que Abe não deixou de ser um avô babão.
O aniversário de um ano da minha menina seria hoje e é claro que ele quis fazer uma festança. E quando eu digo festança é uma festança mesmo. Baba convidou todos os guardiões dele e amigos que eu não tinha nem ideia de quem era. Minha cozinheira – que virou minha e de Lyanna – também estaria presente, já que virou uma grande amiga minha.
Não sabia se minha mãe viria. Ela disse que estava muito ocupada na Corte, mas que tentaria vir. E falando nela, quando eu contei que Lyanna era minha filha ela foi a loucura. Disse que era uma atitude impulsiva e irresponsável que colocaria a minha vida de guardiã em segundo plano. E é claro que eu me irritei e joguei na cara dela que não seria como ela e abandonaria minha filha em uma Academia para nunca saber da mãe dela. Em contrapartida ela jogou na minha cara que Lyanna não era realmente minha filha.
Não preciso nem dizer que nós duas brigamos não é? Ela gritou comigo pelo telefone e eu também gritei coisas que me arrependo. Ela me disse que isso não ia longe e que algum dia eu viraria uma prostituta de sangue pela minha irresponsabilidade. Desliguei o telefone na cara dela e não falei com ela por meses. Até ela aparecer na porta da casa de Abe.
Naquele dia eu estava em êxtase porque Lyanna no auge dos seus oito meses já dava seus primeiros passinhos e começou a falar “mamãe”. Estávamos na sala com Abe e eu fazia Lyanna tentar caminhar de Abe até mim. Ela tinha dito “mamãe" de um jeito totalmente desengonçado e fofo quando ela veio de Abe até mim e eu a abracei. Eu estava totalmente feliz. A campainha tocou e a peguei nos braços e atendi a porta. E era Janine.
Ela olhou para Lyanna como se tivesse visto um fantasma, mas logo se recompôs perguntando se podia entrar. Eu abri ainda a porta e ela entrou. Abe não pareceu surpreso com a visita dela, então eu logo deduzi que tinha sido ele a convidar/trazer Janine até aqui. Eu pedi pra Abe levar Lyanna até a cozinha e dar de comer a ela para eu e Janine conversamos, ele logo levou minha princesinha e eu fiquei sozinha com minha mãe.
Ela ficou um longo tempo em silêncio sem saber o que falar e eu culpei o orgulho dela. Mas depois que ela começou a falar eu senti que cada palavra que ela dizia era sincera. Ela disse que tinha medo que eu fosse me transformar em outra versão dela, que se arrependia de tudo o que me fez passar. Mas como ela mesma tinha falado tudo era passado. No final de tudo estávamos bem e perguntei se ela não queria conhecer a neta dela.
Quando chegamos na cozinha peguei Lyanna nos braços e coloquei nos braços da minha mãe. No inicio ela não sabia como reagir ou aconchegar Lyanna em seus braços, mas depois ela já estava brincando com ela. É, mais uma pessoa enfeitiçada por Lyanna.
Lyanna tinha um encanto que fazia todos gostarem dela. Minha menininha era bem quieta na maioria da vez com estranhos, mas quando sentia que estava à vontade ela se soltava. As gargalhadas constantes da minha bebê não eram raras e todos se encantavam com ela. Até mesmo os frios e controlados guardiões se derretiam na presença dela. Não é a toa que Janine Hathaway virou uma coisa que eu nunca imaginei. Uma avó babona. Igualzinha a Abe. Ela não mimava Lyanna com presentes constantes, mas era só as duas se encontrarem que faziam a festa.
Em mais uma tentativa de falar informações sobre a Corte, minha mãe me revelou que era a mais nova guardiã do garoto tocha e eu a desejei sorte com aquilo. Ela também me contou que Adrian voltou para a Corte com sua mais nova namorada Sydney Sage. O carinha estava com uma alquimista! Deve ter sido a fofoca do momento ein. E então minha mãe fez menção de falar sobre Dimitri ou Lissa. Eu logo a cortei. Eu estava começando minha vida novamente. Sem a sombra daqueles dois. Por mais que toda vez que eu olhasse pros olhos de Lyanna eu lembrasse de Dimitri, não era uma coisa ruim. Eu sentia amor pela minha filha como nunca antes.
A festa que Abe fez para Lyanna estava maravilhosa. Eu estava preocupada se todos estavam bem e Abe me disse que eu parecia uma verdadeira mãe daquele jeito. Não pude deixar de sorrir com aquilo. Ah como eu estava feliz. Na última vez que vi Lyana ela estava nos braços de Pavel que brincava muito com a minha filha.
Estava indo até a cozinha pegar mais aperitivos quando ouvi a campainha tocar. Deixei a bandeja me cima da mesa e fui atender a porta. Quando abri a porta vi minha mãe de cara feia. E logo atrás dela estava Christian.
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