Improvável
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estava deitado ali na sua cama, pensando em como aquilo podia ter chegado aquele ponto... Ele não tem a mínima idéia de quando isso começou, sabe apenas que quando deu por si estava se importando demais.
Se importando de um jeito diferente de se importar.
Afinal, nunca no mundo pensou que um dia ia admitir isso pra si mesmo, mesmo por que isso era, na sua cabeça, um cúmulo estar acontecendo. Justo com ele, ele que tinha uma reputação a zelar, ele que era conhecido como um dos maiorais da escola...
Está certo que, após sua entrada para o Glee Club fez com que sua popularidade caísse muitos pontos, mas mesmo assim ainda era um cara intimidador, jogador do time de futebol do Mckinley High. Qual é, ele ainda era o Puckerman!
Mas agora... Agora a situação era diferente. E ele estava definitivamente ferrado por aquilo. E se alguém descobrisse? Não, isso não poderia ocorrer de forma alguma... Seria humilhante demais se alguém se quer suspeitasse disso...
Ele não poderia deixar que ninguém desconfiasse de algo tão degradante como isso era. Precisava fazer algo para impedir que o povo do colégio achasse algo que o denunciasse.
Mas aí vem a sua mente:
- Como é que eu vou fazer isso? Se eu mal posso esperar pra estar naquele clubinho idiota... Fico contando as horas pra ouvir aquela voz suave... Eu mesmo já me peguei sorrindo só de ouvir “Defying Gravity” naquela voz...
É, ele estava MUITO ferrado. Dormiu pensando numa forma de fazer com que aquilo parasse, mas sabia que não havia jeito de parar. Estava apaixonado.
***
Acordar no dia seguinte era igualmente frustrante. Era quinta-feira pela manhã e o mal-humor era visível assim que ele saia do quarto pra ir tomar banho.
Quando Puck chegava à porta do banheiro e se deparava com a mesma trancada pelo lado de dentro, a primeira coisa que fazia era dar dois murrões e gritar:
- Quer andar logo com essa porra desse banho!
- Já vai, seu grosso! – sua irmãzinha respondeu de dentro do banheiro pra cinco minutos depois sair de lá olhando torto pra seu irmão mais velho – Taí, NOAH!
- Eu já disse que é PUCK! – corrigiu o maior, já que ele não gostava muito do seu primeiro nome, preferia o apelido que tinham lhe dado.
Puckssauro, ou simplesmente Puck.
Seu mal-humor matinal já tinha virado rotina de uns tempos pra cá, e acordar com a pá virada era sinal de que alguma coisa nada boa estava acontecendo. Mas a maior dificuldade de entender Puck era justamente fazê-lo se abrir com alguém, por que se tinha uma coisa que ele quase nunca fazia era desabafar com uma pessoa. Não, ele é orgulhoso demais pra isso.
Entrou no banheiro e começou a tomar seu banho, a água escorria pelo seu corpo esculpido, sua pele levemente morena, contrastando com seus olhos verdes. Sentia a água bater em seu couro cabeludo, outrora onde jazia um corte estilo moicano, mas que agora estava totalmente sem cabelos, mas de maneira alguma tirando seu charme másculo e viril, tinha efeito justamente contrário.
Enquanto fazia o sabonete deslizar por sua pele, veio a sua mente um flash de seu sonho da noite anterior, não seria nada caso este sonho não fosse o mesmo há duas semanas e em adição ao fato de com quem era aquele sonho tão perturbador. Mais perturbador ainda era saber que no seu sonho ele se sentia bem, sentia que queria aquilo com todas as suas forças.
Assim que seu raciocínio voltou a funcionar, imediatamente desligou o aquecedor do chuveiro e permitiu que a água gelada caísse sobre seu corpo afim de lhe devolver a sanidade.
Se arrumou, desceu a escada correndo e passou pela cozinha. Seu humor ainda não tinha melhorado muito, mas já não carregava a expressão carrancuda no rosto, ficando apenas sério.
Ao adentrar na cozinha, sua mãe estava terminando de preparar o café da manhã. Não que o café da sua mãe fosse ruim, mas ele preferia comer algo pelo caminho, mesmo por que sua mãe andava fazendo muitas perguntas sobre o que o estava incomodando, mas ele respondia sempre da mesma forma.
- Bom dia, Noah... – sua mãe era a única que podia chamá-lo pelo primeiro nome, afinal, era sua mãe – Dormiu bem?
- Dormir bem é um luxo... – respondeu enviesado como sempre era toda manhã.
- Meu filho... – começou a mãe, mas foi interrompida.
- Não começa com ‘meu filho’ hoje não, eu já disse que estou bem e eu não quero a sua ajuda! – falou Puck sem nem olhar nos olhos da mãe. Ele sabia que essa coisa de mãe era complicada, parecia que ela adivinhava toda vez que ele estava com algum problema, por que sempre vinha com aquele “meu filho” em um tom de perguntando se algo estava errado.
Sem nem ao menos esperar mais, Puck saiu de casa indo pra escola, parando numa lanchonete qualquer pra comer algo antes de ir pra aula.
***
Na escola, ainda no estacionamento, ele parou em frente à lata de lixo na qual ele é acostumado a jogar os perdedores da escola, ele dizia que era pra “manter a ordem” da hierarquia ali na instituição. Mas nem da vez em que ele mesmo foi jogado ali dentro fez com que ele parasse com esse mal costume, afinal, ele só tinha sido jogado lá, por que sua popularidade estava em baixa, mas logo a recuperou assim que começou a sair com Mercedes, pois a mesma estava com a popularidade alta por ter entrado no Cheerios. Assim que começou com essa farsa de namoro, pensou que nada poderia ficar pior, mas foi apenas mais um engano de sua fútil vida de farra e garotas. Teve que terminar com a morena depois do episódio de ciúmes de Santana e elas duas quase se atracando depois de um dueto em que falavam estar disputando um homem, e esse homem era ele.
Perto dali se aproximaram alguns dos caras do time de futebol, ladeando um outro rapaz franzino de olhos muito azuis.
***
Ser jogado na lata de lixo quase todos os dias pelos caras do futebol já era algo quase rotineiro. Kurt já estava se acostumando aquele tipo de humilhação.
A única coisa que ele pedia era pra poder tirar seus casacos de grife caríssimos. Ele poderia suportar ser atirado na lixeira todos os dias, mas danificar uma peça de seu fabuloso guarda-roupas era algo inconcebível.
Sendo assim, neste dia não estava sendo diferente, ele tinha acabado de chegar à escola, estacionara seu carro (que seu pai lhe devolveu algum tempo depois do Glee club do Mckinley High ter sido eliminado na etapa regional do campeonato de corais). Assim que acionou o sistema de alarme, e deu alguns passos para longe do veículo, viu um grupo de garotos grandes e fortes lhe cercar. Todos eles com jaquetas do time de futebol da escola, rindo de maneira sádica e cruel.
Assim que eles se aproximaram, Kurt já sabia o que eles queriam, logo apenas assentiu com a cabeça e caminhou com eles na direção da lixeira.
Ao irem se aproximando da lixeira, ele pôde ver que havia alguém ali perto, encarando a lata como se estivesse se lembrando de algo.
Esse alguém era uma pessoa alta e musculosa, olhos verdes e que antes usara um corte moicano, mas que havia se desfeito do penteado e adotado um corte careca.
- E aí, cara? – perguntou um dos brutamontes, Dave Karofski.
- OK... – respondeu ele meio sem vontade – O que vocês vão fazer? – perguntou em seguida ao notar Kurt ali no meio deles.
- O de sempre... – ele acenou com a cabeça para o menor – Quer fazer as honras? – sorriu ainda sádico.
Puck olhou para o garoto baixo e sentiu que borboletas estavam jogando futebol dentro do seu estômago e tinham acabado de fazer um gol. Ele olhou de volta pro outro.
- Por que...
- Por que o quê? Hein, Puck... – riu Z ali do lado – Você agora está defendendo esses perdedores?
- Não é isso... – quis se explicar e involuntariamente lembrou de Finn da vez em que eles tinham trancado Artie num dos banheiros químicos do campo de futebol da escola e se sentiu do mesmo jeito, ouviu Finn falando dentro de sua cabeça que preferia ser um perdedor.
- Posso apenas tirar meu casaco? – interrompeu Kurt – Ele é um Armani... – Jogou seu material para um dos caras ali o ladeando e começou a tirar seu casaco caro.
- Caras... – Puck chamou – Por que vocês não o deixam ir só... Dessa vez? – foi um pedido, no qual ele teve que escolher bem as palavras e falsear bastante seu tom de voz.
- Por que, meu? Você quer ficar no lugar dele? Se for assim, nós fazemos a troca...
Kurt arregalou os olhos e parou de tirar seu casaco em total descrença. Era mesmo possível, Puckssauro estar o defendendo? Era mesmo algo inimaginável, ter a remota possibilidade de existir alguém que não fosse egoísta, machista, mulherengo, safado e que só pensava em sexo ali dentro daquele corpo?
- Não! – Puck respondeu rápido demais, fazendo com que a esperança de Kurt murchasse e crescesse dentro dele raiva.
- Pensei que não... – riu Karofski.
Todos riram alto e Kurt falou num tom frio:
- Podem, por favor, acabar com isso logo de uma vez? A aula já vai começar e eu tenho que ir ao banheiro após isso pra me limpar, já que alguém aqui não tem coragem pra nada... – essa última parte foi dita olhando nos olhos de Puck.
O mal-humor de Puck voltou.
- Joguem logo esse viadinho no lixo! – foi o único som que saiu daquela boca carnuda, seu tom era de desprezo, diferente do tom que Kurt havia detectado uns segundos atrás.
Assim que Kurt tirou seu casaco, os jogadores o ergueram do chão e o jogaram naquela lata cheia de lixo.
***
Puck estava com muita raiva!
Como é que aquele boiolinha de um figa questiona sua coragem assim? Depois de ele ter tentado ajudá-lo... É, ele mereceu que os caras o jogassem na lata de lixo.
Logo após os caras se afastarem da lata, Puck se aproximou dela e olhou aquele garoto baixo e magricela lá dentro, teve vontade de tirá-lo dali, mas se orgulho falou mais alto e a única coisa que conseguiu falar foi:
- Bem feito! – e seu olhar era cortante, mas com uma certa mágoa quase imperceptível.
- Você não é como Finn... – Kurt rebateu, nem encarando o moreno, lembrando do único cara que já havia tratado-o de certa forma bem ali dentro daquela escola.
Puck sentiu o sangue ferver e subir à cabeça, pois mencionar o nome de Finn numa situação dessas era insuportável.
- Pois então peça ajuda ao Finn... – virou de costas para a lata e se afastou, com passos firmes, que mostravam o quanto ele estava irritado.
Finn... Esse nome estava começando a irritar... Tudo estava envolto nele...
Por que?
Puck simplesmente não etendia... Parecia que tudo o que Puck queria e almejava, Finn chegava lá primeiro e tomava dele antes dele alcançar...
Quando foi a Quinn, ela engravidou dele, mas preferiu dizer que o filho era de quem? Do Finn. Quando tentou ter algo com Rachel, em quem ela ficava pensando enquanto se beijavam? No Finn. Quando ele contou pra Mercedes que ele era o pai do filho da Quinn, o que ela fez? Disse pra deixar Quinn e Finn em paz, pois eles já estavam muito machucados. E agora? Agora simplesmente a outra pessoa pela qual ele estava apaixonado (por mais que não quisesse admitir, mas sim, estava apaixonado) tinha um tombo por quem? Pelo FINN!!! FINN!!! FINN!!! FINN!!!
FINN!!!!!!!!!!!!!
Quando é que esse cara ia deixar sua vida em paz? Quando ia parar de se meter no que ele não era chamado?
Puck sentia que se Finn aparecesse na sua frente agora, ele poderia perder o controle e esmurrar aquela cara de palerma dele até não poder mais.
E adivinhem quem foi que tocou no ombro de Puck assim que ele entrou no prédio da escola? Sim, Finn.
- E aí, bro? – Finn chegou de bom humor e todo sorridente.
- E aí o que? – Puck perguntou de atravessado, sem olhar para Finn, tirando a mão do outro do seu ombro com certa força, se controlando pra não começar a sessão esmurro ali mesmo.
- Hey! – falou o mais alto – Alguém não dormiu bem essa noite... – caçoou.
- E eu ficaria longe se não quisesse levar um soco no meio da cara... – respondeu emburrado.
Finn o olhou, não acreditando que seu melhor amigo estava dizendo mesmo aquilo... E pra ele!
- O que aconteceu, cara?
- Nada! Não aconteceu NADA! E fica longe de mim! – respondeu o careca e saiu andando pelo corredor apressado, se controlando pra não voltar lá e cair em cima do maior.
Finn apenas o olhou meio assustado pensando que devia ter algo errado ali, como se ele tivesse culpa de alguma coisa.
Puck foi direto pro banheiro, entrou numa das cabines e começou a contar de um a cem, foi interrompido por alguém que entrou no banheiro.
***
Kurt, por fim saiu do lixo e rumou para o banheiro.
Ao chegar lá, começou seu ritual de limpeza pós-lixo.
Após terminar de se limpar, foi se olhar no espelho, e encarando seu reflexo, começou a pensar em Puck.
Lembrou-se do olhar que ele tinha quando foi vê-lo dentro da lata de lixo, e pôde pensar que, além de raiva, Puck tinha no olhar algo que ele nunca tinha visto ali. Era o mesmo sentimento que uma vez viu no olhar de Finn, quando ele foi obrigado a jogar raspadinha na cara de Kurt pelos caras do futebol. Naquele momento, ele pôde ver nos olhos do maior que ele não conseguiria fazer aquilo, então Kurt tomou a decisão de fazer aquilo por ele, então pegou de suas mãos o copo cheio da bebida gelada e jogou na própria cara, assustando Finn, e logo o mandando embora.
Foi esse olhar que viu, de certa forma tímida na face de Puck, mas foi algo tão discreto, que chegou a conclusão de que era apenas sua imaginação.
- Imagina só... Puckssauro me defendendo dos caras do futebol... HAHAHAHA... – mas era uma risada sem graça, sem vontade – Ele não é igual à você Finn...
Kurt terminou seu ritual e saiu do banheiro indo direto pra sala.
***
Puck ficou com mais raiva ainda após ouvir aquela sentença na voz de Kurt novamente. Por que ele tinha que ser comparado ao Finn?
Quinn tinha dito a mesma coisa... Ele era um perdedor, o Finn não... Por isso ela não tinha ficado com ele, mesmo depois de ele ter dito que gostava ainda mais dela depois que sua filha nasceu, e mesmo assim ela entregou a criança para adoção.
Puck saiu do banheiro decidido.
Foi em direção à sua aula.
***
Aquele dia era dia de ensaio do Glee club, e ali iria começar a mostrar pra todos que ele era melhor que o Finn.
Ao entrar na sala do Glee, a primeira imagem que ele vê é Quinn, Mercedes, Rachel, Tina, Artie, Kurt e Finn já ensaiando True Colors, era uma música que eles já tinham cantado, mas que era sempre bom treiná-la.
Ele viu os companheiros ali se divertindo, todos cantando e sorrindo.
O Sorriso de Kurt era o mais contagiante, Puck sorriu só de vê-lo ali, cantando com toda aquela alegria que ele tinha. Mas seu sorriso logo murchou ao ver Kurt olhando Finn de um jeito nada convencional... Ele conheceria aquele olhar em qualquer lugar, já que vivia recebendo aqueles olhares de várias garotas da escola, sempre que queriam se divertir um pouco.
Ele entrou na sala e nem se incomodou em se juntar aos colegas, sentou-se ali, apenas olhando com indiferença enquanto os outros continuavam a cantar.
Após terminarem de cantar, Finn virou-se para sentar numa cadeira e percebeu que Puck estava lá, encarando o chão agora, com uma cara de que tinha vontade de quebrar aquela sala inteira num segundo. Resolveu tentar novamente uma aproximação do amigo.
- Tá mais calmo agora? – perguntou sentando-se ao lado do moreno.
- Eu já disse pra você não me... – quando levantou o olhar, percebeu que Kurt se aproximava e lembrou-se que tinha que fazê-lo perceber que era muito melhor do que o menor o imaginava – Na verdade, eu estou bem sim, cara... Foi mal por ter falado daquele jeito com você... – mudou seu tom totalmente e olhou para o que se aproximava – Estamos bem? – perguntou e esticou a mão para que Finn a apertasse.
- Estamos sim, afinal, somos melhores amigos... – Finn sorriu e apertou a mão de Puck – Mas... Me diz aí, o que foi que aconteceu pra você ter chegado de mau-humor hoje?
- É que... – ele exitou e resolveu contar uma meia verdade – Foi uma situação que aconteceu hoje logo que eu cheguei, sabe... Lá no estacionamento... – olhou pra Kurt que estava agora ao lado de Finn.
- Que pena, né? – Kurt tinha ácido na voz – Faltou um pouco de coragem ali... – provocou e já conseguia ver o moreno avançar em cima dele e colocá-lo de ponta-cabeça no vaso sanitário no banheiro mais próximo.
E realmente Puck teve essa vontade, mas aí se lembrou de que tinha que agüentar muita coisa até provar para aquele garoto a sua frente que ele era diferente.
Então, resolveu apenas engolir a vontade ensandecida de socar aquele rostinho bonito e em vez disso, saiu da sala do clube.
Antes de sair, esbarrou em Mercedes que ia entrando novamente com um copo de raspadinha nas mãos, assim, derrubando toda a bebida da morena no chão.
- Hey! Olha por onde anda! – reclamou ela.
- Desculpe, Mercedes... – Puck disse, olhou pra ela e logo depois saiu.
Mercedes percebeu algo diferente dentro dos olhos do jogador, ele tinha algo como mágoa ali. Ela ficou olhando pras costas dele, se perguntando se deveria ir atrás dele ou deixá-lo ir. Pensou apenas uns cinco segundos e escolheu a primeira opção, mas ele estava andando rápido demais e logo ela o perdeu de vista.
***
Puck entrou no vestiário da escola, perto do campo de futebol, foi na direção dos armários e se aproximou do seu, abriu-o e viu ali dentro o anuário do ano anterior, pegou-o e foi direto na página do Glee club, no fundo estavam Finn, Quinn, Matt, Puck, Mike, Kurt e na frente estavam Rachel, Mercedes, Artie (com a plaquinha escrita Glee Club 2009), Tina, Santana e Britanny.
Puck ficou olhando a foto que eles tiraram no fim do ano, focou sua atenção em Kurt e sua pose, seu sorriso, seu olhar...
- Você sente algo por ele, não é? – Puck ouviu detrás de si e involuntariamente fechou o anuário com força, virando pra encarar Mercedes.
- O que você está fazendo aqui? – perguntou ele tentando falar com indiferença na voz.
- Bom, eu vim por que quando você esbarrou em mim lá na porta da sala do Glee e derrubou minha raspadinha, percebi nos seus olhos uma certa mágoa e quis vir falar com você... Agora eu entendo...
- Entende o que, hein? Você não entende nada! E que história é essa de sentir algo por alguém... Isso é... É coisa da sua cabeça... – ele falava de maneira entrecortada.
- Eu vi, Puck... – ela falou de maneira calma – Eu vi como você olhava pro Kurt nessa foto do anuário... – ela pegou o livro e abriu-o na página da foto do Glee – Eu vi um brilho nos seus olhos enquanto você olhava pra ele aqui...
- Você não viu nada! – Puck pegou o livro das mãos dela – A sua gordura já deve ter afetado seu cérebro isso sim...
Mercedes suspirou, mas continuou firme.
- Você pode falar o que você quiser, mas não pode negar isso... Você sente algo pelo Kurt e tem medo de admitir...
Ao ouvir aquilo, Puck se descontrolou momentaneamente e agarrou a morena pelos braços e a encostou no armário com certa força, fazendo-a gemer com a dor do impacto.
- Ninguém pode saber disso, entendeu bem... – ele falava tão perto dela que ela conseguia sentir o ar quente que saia de sua boca.
- Então você admite que sente algo por ele? – mesmo numa situação desfavorável ela ainda era firme nas suas ações.
Puck esmurrou a porta do armário ao lado do rosto dela, fazendo a garota cerrar os olhos com força, mas ao abri-los novamente, viu lágrimas nos olhos de Puck. E não só lágrimas, ele soluçava também. Ela, sem perceber, levantou uma de suas mãos e acariciou o rosto do rapaz, numa tentativa de confortá-lo.
- Não se preocupe, Puck – seu tom era terno e acalentador – eu não vou contar pra ninguém... Mas você precisa colocar isso pra fora...
- Não! – ele disse muito rápido.
- Eu não estou falando pra você sair por aí contando pra todo mundo, mas pelo menos precisa falar sobre isso com alguém – ela aconselhou-o – e saiba que eu sempre estarei aqui... – ela abraçou-o, ficando na ponta dos pés e ele deixou-se abraçar, pois só Deus sabia como ele precisava daquele abraço.
Depois de um tempo, Puck falou ainda com o rosto na curva do pescoço de Mercedes:
- Eu dei tanto na cara assim?
- Na verdade, não... – respondeu ela e ele se soltou um pouco para olhá-la com uma cara de questionamento – Eu soube que tinha algo errado, por que quando você e eu nos esbarramos, você me disse: “Desculpe, Mercedes...” e eu fiquei admirada e quando olhei, vi seus olhos com mágoa e resolvi vir aqui – ela sorriu e ele a acompanhou – Bem, na verdade, você andou muito rápido e eu te perdi de vista, mas não é muito difícil pensar que um jogador de futebol venha pro vestiário pra se acalmar... – mais sorrisos.
***
Ainda na sala do Glee, Kurt não entendeu muito o que se passou mais cedo, Puck saindo daquele jeito da sala foi muito estranho, e ele não era o único a estranhar a atitude do garoto judeu.
- Kurt, você sabe o que deu no Puck? – Finn perguntou – Quando eu cheguei ele estava com um mal-humor horrível, mas quando ele chegou parecia que estava melhor. Ele até me pediu desculpas, claro que do jeito dele, por ter falado daquele jeito comigo, mas daí ele simplesmente sai daqui como se tivesse algo aqui que ele não suportasse.
- Talvez ele esteja provando do mesmo veneno... – alfinetou Kurt. Finn o olhou com uma interrogação no olhar, mas deixou passar.
- Não sei, mas que ele ta estranho esses dias ele ta...
- Quem está estranho? – Rachel chegou perto dos garotos.
- O Puck... – o maior respondeu.
- Noah... O que ele tem? – ela pareceu levemente interessada.
- Não sabemos – Kurt disse em resposta, mas com um tom indiferente.
- Eu acho que ele ta chateado com alguma coisa – Finn completou – De manhã cedo ele tava todo mal-humorado, daí de repente ele melhorou e do nada sai do ensaio assim, sem mais nem menos...
- Estranho... – disse a morena – Talvez ele esteja com problemas financeiros...
- Eu acho que não é dinheiro o problema... Afinal, ele trabalha limpando piscinas, ou seja, sempre tem trabalho pra ele aqui...
- Ou talvez ele tenha levado um fora bem dado... – Kurt novamente indiferente.
Sr. Schue chegou logo em seguida com mais uma “missão” pra eles em mãos, mas antes que ele pudesse lhes dizer o que queria que eles fizessem naquela semana, olhou ao redor e viu que ali faltavam pessoas.
- Onde estão Mercedes e Noah? – ele perguntou olhando para os outros, especialmente Finn.
- Não sabemos Sr. Schue... Talvez ele e aquela gorda estejam... – começou a falar Santana, mas foi interrompida pelos dois sujeitos de seu comentário entrando na sala de braços dados e rindo um pro outro.
Assim que entraram pararam de repente, pois todos ali estavam encarando-os como se eles fossem dois alienígenas.
- O quê que ta acontecendo? – perguntou Puck.
- Alguém morreu? – perguntou Mercedes tentando fazer o clima ali ficar menos estranho.
- Não, não... – Sr. Schue quis não deixar transparecer sobre o que eles estavam falando, mas só fazendo os outros dois ficarem ainda mais confusos.
Mercedes e Puck se olharam e arquearam as sobrancelhas, mas nem quiseram insistir em saber o que tinha acontecido ali dentro da sala antes de eles entrarem, mas tiveram certeza de que era algo sobre eles.
O restante do ensaio foi bem produtivo, eles pegaram uma música que ainda não haviam ensaiado ainda (I turn to you da Christina Aguilera), mas que ficou bem legal e todos gostaram.
***
Kurt ficou estático ao ver Mercedes entrar naquela sala de braços dados com Puck, e ainda por cima sorrindo!
Era demais, o que ela pensava que estava fazendo? Se ele tinha se aproximado dela só podia ser pra usá-la novamente, como ele fez da última vez. Por isso, resolveu ir tirar satisfações com a amiga após o ensaio.
Durante todo o ensaio, Puck ficou muito próximo de Mercedes, eles trocavam olhares como se tivessem se comunicando numa conversa silenciosa, olhares cúmplices de alguma coisa, e isso apenas deixou o rapaz de olhos azuis ainda mais encafifado com aquela situação.
O ensaio terminou, Puck e Mercedes conversavam alegremente em duas cadeiras ao fundo da sala. Kurt se aproximou deles, percebendo que o clima ali entre eles mudou ao perceberem o garoto chegando perto, ficando ligeiramente mais tenso.
- Olá – falou Kurt de maneira indiferente, nem dando atenção ao moreno.
- Hey, Kurt! – cumprimentou Mercedes animada.
- Hey, cara... – Puck falou tímido, porém firme.
- Ahn... Eu... – Kurt se dirigiu para o jogador – Posso pegar a Mercedes emprestada uns instantes? – ele disse em tom frio e com um olhar cortante.
- Isso eu acho melhor você perguntar pra ela, não é? – quis gracejar Puck, mas recebeu um olhar de desprezo do menor que o deixou sem mais ações.
Mercedes percebeu o comportamento estranho de Kurt.
- Kurt... – ela pediu a atenção dele – Você está bem?
- Melhor impossível... – sorriu ele satírico – Posso falar com você um momento? – ele se dirigiu para Puck – Em particular...
- OK... Já estou saindo... – o maior se levantou e foi se afastando dos dois, mas virou para a morena – Mercedes, ainda está de pé amanhã lá em casa pra nós ensaiarmos aquela música?
- Sim, claro! – ela respondeu com um sorriso. E assim o jogador virou-se e foi embora.
Kurt sentiu indignação ao ver aquilo.
- OMG! – ele olhou descrente para a amiga – O que foi isso?
- Isso o quê? – ela perguntou em confusão.
- Você, agora, está trabalhando com ELE? – falou apontando com o polegar para as costas do moreno que estava na porta da sala – OK, o que mais? Está ensaiando com ele, andando de braços dados com ele, deve ter ido procurá-lo quando ele saiu daqui da primeira vez e ele estava saindo e vocês se esbarraram, está toda sorrisos com ele, trocando olhares... O que mais?
Mercedes olhou para o amigo com as sobrancelhas arqueadas em surpresa, mas era uma surpresa nada boa.
- E se estiver? E daí? – ela desafiou Kurt.
- E daí? E DAÍ? – Kurt soltou uma risada sem humor algum – Mercedes... – ele sentou-se de frente para a amiga e segurou suas mãos – Querida... Você está caindo na dele novamente... Você sabe que ele não quer nada com você a não ser te usar... – ele tentava por algum juízo na cabeça da morena – Ele não gosta de você... Você sabe disso... Será igual da outra vez...
Mercedes riu, mas riu com vontade, soltou suas mãos das do amigo e levantou-se da cadeira onde estava, ficando em pé, sem conseguir parar de rir.
- Kurt... – ela voltou a se sentar, colocando suas mãos no ombro dele, fazendo-o olhar para ela – Eu não estou caindo em nada, ele não está me usando e definitivamente eu sei que ele não quer nem nunca quis nada comigo desde a primeira vez... – ela queria fazê-lo entender – Acredite você ou não, não é por esse motivo que eu saí atrás dele hoje, sim, eu saí atrás dele, e não é por que ele deu em cima de mim antes que eu vou ficar sem falar com ele pra sempre... Nós estamos no mesmo time, lembra? Nós fazemos parte do Glee club! – e ao dizer isso ela se levantou novamente e saiu da sala, deixando Kurt sozinho ali, sem nem saber o que fazer ou dizer.
***
Puck estava ali perto, na máquina de raspadinha quando viu Mercedes pelo corredor, andando meio apressada e com uma fisionomia séria, resolveu ir até ela.
- Mercedes... – chamou-a, mas ela não virou nem parou – Mercedes! – chamou mais alto e aí a garota parou, mas não se virou para encará-lo, Puck chegou perto – Eu queria... Queria saber se... – Puck começou, mas parou ao ver o olhar dela, era indiferente – O que aconteceu?
- Puck, me diz... – ela começou ainda bem séria – Isso que está acontecendo, não é só mais uma brincadeira sua não? Por que se for, eu juro que...
Mas não foi lhe permitido concluir a frase, pois Puck a interrompeu.
- Como é que é? – ele falou num tom de incredulidade – Você acha que tudo aquilo foi encenação? Acha que eu faria uma coisa dessas? – ele percebeu que ela tinha um olhar de “Se eu acho? Tenho certeza” – OK, eu sei que eu fiz muita merda ano passado, sei que usei você pra recuperar minha popularidade, mas isso... – ele apontou pro próprio peito – Acha que mesmo eu brincaria com uma coisa dessas? – ele tinha uma expressão séria, mas tinha uma ponta de mágoa no olhar – Está bem, eu sei que eu não fiz por merecer sua confiança, eu mereço isso... – ele abaixou a cabeça e ia saindo dali, resignado a não ter ninguém com quem pudesse desabafar.
- Puck... – ela segurou no seu braço, impedindo-o de sair dali – Desculpe... Eu sei que isso que eu fiz agora foi chato, mas você mesmo admitiu que não fez por onde as pessoas terem confiança em você... – ela fez ele a encarar – Poxa! Eu acabei de discutir com meu melhor amigo... Acha que eu queria fazer isso?
Puck a olhou com tristeza e confusão.
- Você? Discutiu com o Kurt?
- Sim, e adivinhe por quem?
- Por mim? Mas... Como assim?
- Ele pensa que você quer me usar de novo...
- Não... – ele disse tentando não acreditar no que ouvia.
- Sim... – ela reafirmou sua sentença anterior – Vai dar trabalho, esse negócio de você “conquistar” ele... – ela disse baixinho e sorriu.
Puck riu também, e deu um beijo na testa dela, a abraçando em seguida.
- Hmmm... Vejo que temos mais um casal bizarro na escola... – Santana passou pelos dois com Britanny ao seu lado, ambas com uniformes das líderes de torcida.
- Oh... Está com ciuminhos de novo, Santana? Ou é só dor de cotovelo mesmo? Por ter perdido o Puck? – caçoou a morena.
- Olha como você fala comigo! – Santana andou ameaçadoramente na direção de Mercedes, mas foi parada por Puck.
- Olha você como fala! – ele se meteu entre as duas – Vá embora, Santana... Pegue a sua amiguinha Britanny e dêem o fora daqui...
Ela o fuzilou com o olhar, ela apenas se virou, chamou a loira e foram embora, não sem antes dar uma última olhada feia pros dois.
***
Ao ver a cena de ciúmes de Santana, Kurt teve ainda mais certeza de que algo estava muito errado ali, por isso ele foi ao encontro de Santana e Britanny, parando-as no meio do corredor.
- Santana! – chamou a morena – Santana! – ela finalmente virou-se pra ele.
- O que você quer, Kurt?
- Eu quero propor um acordo...
Ela olhou-o com desdém.
- Eu sei que você vai se interessar... Tem haver com separar Mercedes e Puck...
O interesse no acordo foi imediato, afinal, ela faria qualquer coisa pra ter o SEU homem de transa devolta.
- Fale...
- Bem, eu também não quero eles dois juntos, por isso estou disposto a fazer de tudo pra separá-los... – explicou ele – E tem que ser de forma bem tensa, pra que não exista a menor e mais remota possibilidade de eles voltarem a sequer se falar novamente...
- Aceito! – ela nem esperou ele falar como seria o plano e já havia aceitado.
Ele explicou que o plano seria executado na próxima apresentação do Glee no auditório da escola, na sexta-feira, mas que tinha que ser tudo ajeitado nos mínimos detalhes.
- É, não há como falhar... – Santana riu e ela e Kurt se deram as mãos, como que selando o pacto.
***
O restante do dia passou de forma bem tranqüila. Logo estavam guardando seus materiais para enfim voltarem pra casa após mais um dia cansativo de aulas.
Kurt se dirigiu para seu armário, estava colocando a combinação do cadeado da porta quando sentiu alguém se aproximar e parar às suas costas.
Ele congelou, sentia que era mais um dos jogadores do futebol que vinha lhe jogar raspadinha na cara, mas virou-se bem devagar, logo vendo uma mão grande segurando um copo de meio litro cheio de raspadinha de uva, resignou-se a virar-se de vez e tomar logo o “trote” e depois ir se limpar.
- Espero que você goste de uva... – ouviu uma voz grossa e conhecida.
Olhou pro rosto de quem estava ali atrás de si e viu ninguém menos que Puck!
- O que está acontecendo?
- É que eu soube que você e a Mercedes meio que discutiram por minha causa... – Puck parecia sem graça – Então... Eu resolvi consertar as coisas... Ou pelo menos tentar...
Kurt o olhava sem acreditar numa palavra que saía daquela boca carnuda e bem desenhada, observou então o modo como os lábios do moreno se moviam quando ele falava, mas recuperou novamente a razão e voltou a olhá-lo com indiferença.
- E por que eu aceitaria isso de você?
- Não precisa aceitar... – explicou Puck – Eu só queria um motivo pra iniciar uma conversa... – o jogador abaixou a cabeça – Eu não queria que você e a Mercedes tivessem brigado... Eu sei que vocês são muito amigos, por isso eu não quero que isso aconteça...
- OK, onde está a câmera? – Kurt começou a olhar pra todos os lados.
- Que câmera? – Puck perguntou confuso.
- Isso é uma pegadinha, não é?
- Peraí? Pegadinha? Claro que não! – falou indignado.
- Aham... E você acha que eu vou acreditar nisso?
- Bem, pelo menos eu não achei que você fosse desacreditar tão fácil... – o moreno pegou a raspadinha e tomou um pouco – Mas, deixa pra lá... Eu sei que eu mereci isso também... Mas... Acredite, eu não quero nada de mal pra Mercedes... Meu lance com ela é outro, totalmente diferente da outra vez...
- Não me faça mais perder meu tempo... – Kurt disse, Puck apenas assentiu e se retirou com apenas um baixo “está bem...”, mas o menor sentia que algo ali estava diferente, o modo como Puck falou parecia ser como ser ele estivesse falando a verdade, mas resolveu ignorar e voltar sua atenção para o armário.
Abriu-o e viu ali em cima de suas coisas um bilhete cuidadosamente dobrado, pegou-o e abriu, mas não pôde reconhecer a caligrafia, pois ele estava digitado, mas era bem claro no que dizia.
“A verdade está mais próxima do que você imagina.
Quando você menos esperar, receberá a maior surpresa de sua vida...
E, acredite, ela será mais real e espantosa ainda, mas também poderá ser muito alegre e prazerosa...
Apenas acredite no improvável!”
E assim o bilhete terminou, deixando Kurt totalmente confuso. Guardou-o novamente no armário e foi embora.
***
Por que conversar com Kurt parecia ser tão difícil.
Quando ele não gostava era tão mais fácil, pois ele só se aproximava do menor pra jogar raspadinha na cara dele ou jogar ele dentro da lata de lixo.
Mas agora ele não conseguia nem sequer chegar perto dele e falar um simples oi sem travar um pouco a frase no meio, ou então manter as pernas firmes no chão para não cair.
Isso era frustrante!
E pra completar, ele tentara conversar com ele sobre a Mercedes e ele simplesmente o ignorara. Tá certo, ele sabe que mereceu isso mais do que qualquer outra coisa, sua reputação era contra ele nisso...
Puck saiu andando pelo corredor e foi pro vestiário.
Entrou ainda meio sentido com o que Kurt disse pra ele a pouco, mas como não era de chorar pelos cantos por qualquer coisa, sua forma de extravasar era socar a primeira coisa que aparecia na sua frente, e quando entrou no vestiário e o viu sem ninguém, reparou no amassado que deixara na porta de seu locker quando dera um soco ali pra não acertar Mercedes e lembrou-se do saco de areia que tinha ali próximo e resolveu que ele seria um bom “desestressante”.
Já estava socando e chutando o saco de areia a um bom tempo quando escutou a porta do vestiário abrir e em seguida fechar, mas continuou o que fazia sem dar atenção. Escutou passos se aproximando, mas manteve sua mente focada no que fazia.
- Me disseram que você abaixou a cabeça pro Kurt hoje... – a voz inconfundível de Mercedes ecoou pelo local.
Puck parou o que fazia e encarou a morena.
- As pessoas falam muito sabia, e muitas coisas são mentiras... – respirou fundo – Mas devo confessar que nesse caso é verdade, sim... – ele riu.
Ela riu de volta.
- Mesmo? E por que disso?
- Por que eu fui falar com ele, sobre vocês terem discutido por minha causa, sabe... Dizer que eu não queria que isso acontecesse... Mas... – ele sentou-se num banquinho ali perto – Não deu muito certo...
- E por que não? – ela olhou-o com uma interrogação.
- Ele não acreditou em mim... Ele ainda acha que eu estou usando você... Sabe... Como da outra vez... – ele fechou os olhos e abaixou a cabeça.
- Esse Kurt... – ela se aproximou do jogador – Ele ainda não percebeu... – colocou a mão no ombro do maior.
- E ele ficou bem chateado... Irônico... Mas... Quer saber? – Puck a encarou – Eu mereci isso... Depois de tudo que eu fiz ano passado... Depois de tantas raspadinhas na cara, jogadas no lixo... Eu consigo entender ele... – ele baixou a cabeça novamente e encarou suas próprias mãos – Eu só queria que ele me visse... Eu só queria provar pra ele que eu sou tão bom quanto ele acha que o Finn é... E...
- Peraí... – Mercedes o interrompeu – Você quer provar pra ele que você é tão bom ou melhor que o Finn? – ela perguntou incrédula.
- Sim... Afinal, ele ainda é apaixonado por aquele girafão...
- Puck... Escuta... – a morena se agachou na frente dele e o segurou pelos ombros – Se você tentar ser melhor que os outros, não vai adiantar nada, isso não fará ele gostar mais ou menos de você. Bem, talvez menos... – ela pensou um pouco – Mas o que importa é que não vai te ajudar em nada!
- Então?
- Você só tem que aceitar quem você é, mostrar quem realmente você é e tentar ser o melhor que você pode ser, só assim você vai conseguir algo... Você não tem que se medir pelos outros, meça-se por si mesmo! – ela disse olhando bem dentro dos olhos do moreno.
Ele sorriu pra ela e a abraçou. Ao fazer isso, ele teve a impressão de ter sentido um flash nos olhos, mas pensou ter sido apenas impressão sua e ignorou.
***
No dia seguinte, sexta-feira, Puck já tomara sua decisão, ele mostraria a Kurt que ele estava tentando ser o melhor, não melhor que Finn, mas o melhor que ele mesmo queria ser.
Chegou cedo na escola e ficou no estacionamento, olhando pro lado em que os carros entravam no estacionamento, para avistar o carro no menor assim que ele estivesse procurando vaga pra estacionar.
Ele viu os caras do futebol passarem ladeando alguém e pensou ser Kurt, mas quando se aproximou viu que era um dos nerds da escola, Jacob, e pensou que não se importaria com ele, mas depois repensou melhor e, afinal, se queria realmente mostrar que era melhor do que antes, essa era sua prova inicial.
- Hey, caras! – chamou seus companheiros de futebol – O que vocês vão fazer?
- O de sempre, bro... – ele apontou Jacob com a cabeça.
- Será que poderíamos conversar antes disso?
- Conversar o quê? Você quer fazer as honras?
Puck pensou um pouco e sorriu com o que estava prestes a dizer, mal acreditando nisso.
- Bem... – ele começou – Na verdade, rapazes... Eu... Queria que vocês deixassem ele ir... – pediu.
- Deixar ele ir? – o loiro alto ficou estático e só conseguiu dizer isso, pois o tom de voz de Puck era de exigência e não um pedido.
- Como assim deixar ele ir? – perguntou um moreno forte – Cara... Você tem noção do que você acabou de falar? – ele apontou o dedo para a própria cabeça em sinal de que Puck tinha perdido totalmente a noção da razão.
- Por incrível que pareça, garotos... Sim, eu tenho exatamente plena consciência do que estou falando... E não, eu não fiquei louco se é isso que vocês querem saber – ele finalizou seguro.
- E você sabe a exigência que fazemos pra deixar ele ir, não é? – o loiro falou novamente.
- Sim, eu sei... E eu, de bom grado, aceito ficar no lugar do Jacob – Puck disse encarando e firmando o olhar do outro jogador.
Jacob não conseguiu acreditar no que seus olhos e seus ouvidos presenciavam. Era uma cena única e improvável de acontecer, Puckssauro, o jogador-garanhão da escola estava se dispondo a ficar em seu lugar pra ser jogado no lixo. Era demais pra se assilimar. Tanto que Jacob ficou sem saber o que fazer, ou melhor, nem lembrava como era respirar, até que Puck tocou em seu ombro.
- Hey, Jacob... – ele chamou o nerd, que acordou de seus pensamentos – Pode ir pra sua sala... – Puck sorriu para o garoto que olhou-o ainda com cara de espanto.
O nerd afastou-se do grupo ainda fitando tal acontecimento, apenas virando-se quando já estava a uns dez metros de distância e correu pra dentro da escola.
Puck virou-se para os jogadores e eles o encaravam com indiferença, mas ele já esperava isso do grupo.
- Bem... – Puck disse – Podem fazer! – e abriu os braços para permitir que os outros o pegassem.
- Façam – disse o loiro que comandava.
- Mas... – um dos jogadores menores quis questionar, mas foi interrompido pelo maior.
- Mas nada... – ele intimidou o outro e em seguida olhou na direção de Puck – Ele fez a escolha dele e sabia das conseqüências... Agora, façam!
Sem escolha, os outros jogadores suspenderem Puck do chão e o atiraram no latão de lixo, que por azar estava cheio de coisas mal cheirosas, mas Puck não se importou com isso. Ele achava que ser jogado ali seria pior do que da outra vez, mas diferentemente da outra vez, agora ele sentia-se aliviado e não humilhado ou envergonhado. Na verdade, sentia-se orgulhoso de si mesmo, sentia-se mais homem.
A uma certa distância dali, Kurt observou tudo em completa e total descrença do que havia acabado de presenciar: Puck ficando no lugar de Jacob pra não deixar que o último fosse jogado na lata de lixo. E percebeu que não foi algo planejado, ele realmente não queria que o outro fosse jogado, posto que aceitou as condições. Mas aí pensou no dia anterior e em como ele não foi capaz de aceitar ficar no lugar dele e voltou a ficar indiferente, mas algo dentro dele havia mudado.
***
Jacob correu pra dentro da escola, seus óculos escorregando pela ponte do nariz tamanha era a pressa dele querer chegar até onde Rachel estava, correu direto para a sala do Glee club.
Ao chegar na porta, Jacob avistou a garota ali dentro ensaiando a música I turn to you da Christina Aguilera, com o Finn, era uma música que eles estavam trabalhando em grupo, mas como eles eram as vozes principais do grupo, eles ensaiavam mais que os outros.
- Rachel! – Jacob chamou a morena entrando de supetão na sala, estava arfando e suado, parecia que tinha corrido uma maratona e seus olhos estavam arregalados como se tivesse visto um fantasma.
Rachel virou-se para encará-lo e quando viu o estado do nerd parou de cantar e foi até ele com Finn em seu encalço.
- O que foi, Jacob? Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou preocupada.
- Não... – ele disse mas se corrigiu ao ver os olhares de confusão dos dois cantores – Quer dizer... Não comigo... Mas ia acontecer... – ele falava entrecortado e rápido – Os jogadores... Eles iam me jogar no lixo de novo... Mas aí... – ele arregalou ainda mais os olhos e sentou-se numa cadeira oferecida por Finn – Aí... – ele mal conseguia falar.
- Hey, cara... – Finn falou – Acalme-se... Respire fundo... Você está nos deixando assustados...
- É que... É que... OPuckseofereceupraserjogadonolixonomeulugar – ele disse só de uma vez, fazendo com que os outros dois não entendessem.
- Jacob... – Rachel chamou-o – OK... Vamos lá... Nós entendemos que os jogadores do time de futebol iam te jogar no lixo, mas aí... – ela fez sinal para que o garoto continuasse daquele ponto em diante.
- O... Puck... Se... Ofereceu... Para... Ser... Jogado... No... Lixo... No... Meu... Lugar... – Jacob disse lenta e pausadamente para que ambos entendessem o que ele queria dizer desde que chegara ali naquela sala.
Finn e Rachel se entreolharam com sobrancelhas arqueadas e olhos arregalados, olharam novamente para o nerd para ter certeza de que ele dissera aquilo mesmo.
- Eu falei a verdade... – disse ele levantando as mãos em sinal de rendimento.
Os outros dois ficaram de boca aberta.
- Quando foi isso, Jacob? – perguntaram os dois em uníssono.
- Agora pouco lá no estacionamento...
Nem deixaram o garoto terminar a frase e saíram em disparada na direção do estacionamento.
Ao chegarem no local, perto da lata de lixo, viram Puck ainda retirando restos de lixo de dentro da jaqueta e jogando-o de volta no lixo, se aproximaram, mas o cheiro era muito forte e resolveram manter certa distância.
- Cara... – Finn falou – Você ta fedendo... – tampou o nariz.
- E você acha que eu não sei disso? – falou sério e depois deu um leve sorriso.
- Mas... Noah... – falou Rachel também mantendo distância e tapando o nariz – Por que você fez isso? Por que ficou no lugar do Jacob? – ela queria uma explicação do jogador.
- Por que... – ele pensou um instante – Eu cansei disso tudo... Agora, se me dão licença, vou tomar outro banho antes de entrar na sala... – e caminhou em direção ao campo, onde havia banheiros e vestiário.
Finn e Rachel ficaram novamente estáticos que nem sabiam o que falar ou fazer, apenas ficaram olhando Puck se distanciar deles.
***
Não foi nada difícil... Na verdade foi até reconfortante e corajoso.
Ele sabia ter feito a coisa certa. Sem ter que explicar por quês ou comos... Apenas teve certeza de que o que fez era o que devia ser feito há muito tempo...
Foi pensando nisso que Puck foi andando até o campo, para usar os banheiros e tomar um banho antes da aula, afinal, ter feito uma boa ação tinha seu preço, e o preço foi ficar fedendo a lixo. Mas ele não se arrependia nem um pouco...
Entrou no banheiro e foi direto pro chuveiro, ligou-o e a água quente bateu em sua pele, levando embora todo aquele fedor, juntamente com o sabonete que deixava sua pele perfumada novamente. Apenas ficou lembrando da cara dos caras do futebol e riu com vontade.
Mal ele sabia que estava sendo observado ali dentro. Apenas soube que não se encontrava só quando ao sair do banheiro e ir para o vestiário, ainda enrolado numa toalha, se deparou com Santana, ali no banco, enfrente ao seu armário, com o uniforme do Cheerios, esperando (ao que parecia) por ele.
- Santana... – espantou-se – O que você está fazendo aqui?
- Não é óbvio? – ela perguntou levemente irritada – Fiquei sabendo que você foi jogado no lixo pra defender o Jacob... O que te deu?
Ele novamente respirou fundo e sentou-se para responder a pergunta da morena, mas foi surpreendido por ela, que aproveitou o vacilo dele e sentou no seu colo, com uma perna de cada lado da cintura dele.
- O que você está fazendo... – ele ia perguntar, mas ela foi mais rápida e roubou um beijo do moreno, e nessa hora, novamente Puck viu um clarão e pensou ser um flash, empurrou a garota pra longe e disse:
- Você tá louca? – reclamou ele passando a mão na boca – Você pensa que ta fazendo o quê?
- Ora, você nunca reclamou... – ela fez beicinho.
- É... Mas agora é diferente, eu não posso mais fazer isso... – ele abaixou a cabeça.
- Oh, Meu Deus! – a outra reclamou – Você... Você está... Apaixonado? – ela perguntou descrente.
- É... Eu tô! – ele disse e pegando-a pelo braço e retirando-a de dentro do vestiário.
- Só pode ser aquela gorda! – ela falou com desdém.
- Mercedes? Não, não é ela... E mesmo que fosse, ela ainda seria melhor que você... – ele disse olhando nos olhos da líder de torcida parando perto da porta do vestiário.
***
Santana estava no corredor da escola irritadíssima com o fora que acabara de levar do jogador lá no vestiário, mesmo por que ele nunca recusara nada dela antes, então a vadia por quem ele deveria estar enrabichado deveria ser melhor do que ela esperava.
Foi andando em passos acelerados na direção da sala do Glee club, onde havia marcado de se encontrar com Kurt depois da tentativa frustrada de seduzir Puck no vestiário.
O garoto já se encontrava no local, sentado numa das cadeiras do fundo da sala, lendo uma revista qualquer, balançando o pé de forma ritmada, denotando que estava impaciente. A garota entrou na sala e se dirigiu ao outro.
- Estou profundamente irritada! – ela disse bufando.
- Não se preocupe, querida... – o garoto baixinho disse – Logo, logo você terá o seu jogador na palma de sua mão... Conseguiu mais alguma coisa?
- Não... Ele está irredutível! Só consegui beijar ele e... Peraí... Como assim se eu consegui MAIS alguma coisa? Você estava nos espionando?
Ele riu com gosto.
- Mas claro, querida, e eu perguntei se você tinha conseguido mais alguma coisa só por perguntar, pois o que temos já é mais do que suficiente pra fazer com que Mercedes chute Puck da vida dela pra sempre... – ele riu novamente – E esse é o meu objetivo... – ele beliscou de leve a bochecha da garota e foi sentar-se nas cadeiras da frente, esperando pelos outros companheiros do coral e ao chegar perto da cadeira, virou-se para Santana e disse – Isso vai ser perfeito!
O restante do coral chegou quase todo ao mesmo tempo, com exceção de Puck, que chegou dez minutos atrasado, acompanhado de Mercedes.
Sr. Schue pediu silêncio e esperou que todos se sentassem e ficassem quietos, para começar a falar.
- Então, pessoal... – ele começou – Mais um ano que começou e eu quero que saibam o quanto estou ansioso por isso – ele sorriu para seus alunos do clube – E eu estou mais ansioso ainda com a primeira apresentação de vocês deste ano para a escola... – ele olhou para o alto, como se visse uma luz invisível que estava acima deles – Eu sinto, gente, que este ano... Este ano nos promete muitas coisas boas... – ele suspirou – E esta apresentação deve abrir este leque de boas novas... E, esta semana, eu não dei nenhuma missão pra vocês, caso tenham percebido... – ele olhou nos olhos de cada um ali dentro da sala – Justamente por que eu queria que vocês tivessem a iniciativa de, por vocês mesmos, começarem um trabalho. Solos, duetos... Como quisessem. E espero não ter me decepcionado...
Todos ali na sala sorriram para o professor que tinha mudado suas vidas. Mudado pra melhor!
As apresentações começaram por solos. Rachel cantou “The Climb” (que não tinha conseguido anteriormente por causa de uma laringite), Mark fez uma versão de “Hallelujah” do Bom Jovi, Tina cantou sua versão de “You Learn” da Alanis Morissete e Santana interpretou uma versão dela de “Gypsy” da Shakira. Por fim os duetos foram cantando suas músicas escolhidas: Finn e Quinn cantaram uma versão bem interessante de “When the Stars go Blue” do The Corrs com o Bonno Vox, Matt e Britanny com sua versão de “Love the Way You Lie” do Eminem com Rihanna, Kurt e Artie foram uma parceria um tanto quanto inusitada, pois tinham estilos completamente diferentes, mas ainda assim fizeram bem ao interpretar um mash-up de violão e voz de duas músicas também totalmente diferentes, mas que chamou bastante o interesse de todos, “Adrienne” do The Calling e “Tears and Rain” do James Blunt.
Enfim chegou a hora do último dueto do ensaio, Mercedes e Puck (também uma parceria nada convencional) se dirigiram a frente de todos do clube para mostrarem o que tinham ensaiado essa semana, o que também deixou todos ansiosos era que eles não contavam o que estavam ensaiando, e parecia que eles estavam tão seguros de si, sem medo ou nervosismo, Puck pegou o violão e se posicionou.
***
Flashback
- Venha até a minha casa, eu acho que eu sei como posso ajudar você, Puck... – ela deu um tapinha no ombro do jogador.
- Me ajudar? Ajudar Mercedes... – ele riu sem humor algum – Eu não posso ser ajudado... Eu só posso ficar mais ferrado ainda... Não dá... – ele abaixou a cabeça em resignação.
- Hey! – ela chamou-o fazendo com que ele a olhasse – Eu disse que ia te ajudar, não disse... Isso continua de pé, mesmo que você não queira – ela disse decidida. Ele apenas sorriu pra ela em aceitação – Vá lá em casa depois da aula hoje – foi o que ela disse para depois sair do vestiário.
***
Depois da aula, Puck rumou para a casa da morena. A casa dela era longe da escola. Ao chegar, viu uma casa bonita e bem feita, diferente da sua, ela era grande. Se dirigiu até a soleira da porta e quando ia bater alguém abriu a mesma, fazendo com que ele tomasse um susto.
- Wow! – ele disse em espanto.
- Pensei que você não fosse bater... OK, eu vi você parado aí na frente encarando a casa e pensei que ia ter que te chamar aí fora pra você entrar... – ela riu – Quase acertei... – riu de novo.
- Gracinha... – ele disse mas seu tom era de gracejo também.
Ela convidou-o a entrar e foram para uma sala em que havia um piano de cauda, parecia novinho em folha, lustroso.
- Era do meu irmão... – ela disse em relação ao piano – Antes de ele ir pra faculdade... Acho que podemos usá-lo.
Sentaram-se em frente do instrumento.
- Você disse que sabia como me ajudar... Você vai tocar piano pra mim?
- HAHA... Muito engraçado... – ela foi satírica – Eu sei que pra você é muito difícil aceitar isso de você ser... Gay... – ela falou com muita calma – Mas... Eu acho que se trabalharmos juntos nessa música pra apresentar na sexta, talvez você se sinta melhor... E... – ela acrescentou – Você vai cantar ela comigo, mas você cantará pra ele... – ela olhou bem no fundo dos olhos do rapaz a sua frente.
- Você... Você ficou maluca? De jeito nenhum eu vou fazer isso! E na frente de todo mundo? – ele levantou-se e começou a andar de um lado pro outro da sala – Era isso? Essa era a sua idéia genial? Eu dizer que sou gay e que to afim do Kurt na frente de todos? Se for isso, eu acho que já vou embora – e dizendo isso ele pegou sua mochila e ia em direção à saída.
- NOAH! – ele ouviu chamarem seu nome e virou-se instintivamente – Ou você volta aqui e ensaia essa música ou eu espalho isso pra escola inteira! – Mercedes ameaçou-o, não que ela fosse cumprir, mas ameaçar não custa nada se aquilo fizesse com que ele voltasse. E deu certo.
- Você não faria isso, não é? – ele perguntou bem baixinho.
- Você sabe que não... – ela pegou o queixo dele e virou afim de poder ver seus orbes verdes – Puck... Eu só estou dizendo que pra você fazer com que uma pessoa perceba você, que é isso que eu sei que você quer que o Kurt faça, perceber você, você tem primeiro que aceitar o que você é... Se você não aceitar... Então quem vai? – ela ainda olhava fundo nos olhos do garoto.
- Você tem razão... – ele se acalmou – Eu preciso fazer isso...
- É assim que se fala! – Mercedes sorriu – Vamos começar a ensaiar? – ela sugeriu e ele concordou com um sorriso e um aceno de cabeça.
Ensaiaram até a noite, e quando já estava bem tarde eles resolveram que o dueto estava bom e que estaria ótimo no dia seguinte para apresentar pros colegas de coral e, se possível, pra escola inteira, embora Puck tivesse resolvido que seria melhor usar um violão em vez do piano, pois ele mesmo poderia tocá-lo.
Fim do flashback
***
Puck começou a tocar os primeiros acordes no violão e era um som bastante agradável. Não era bem o estilo dele, mas ficou ótimo, especialmente quando ele começou a cantar.
Whenever I'm weary
[Qualquer hora que estou cansado]
From the battles
[Das batalhas]
That rage in my head
[Que enfurecem minha cabeça]
You make sense of madness
[Você fez senso de loucura]
When my sanity
[Quando minha sanidade]
Hangs by a thread
[Estava por um fio]
A primeira estrofe foi a mais impactante, pois ouvir Puck cantando uma música country romântica era algo bem improvável, mas apesar do impacto, todos ali gostaram da música.
Mercedes entrou como uma segunda voz a partir da segunda estrofe. E encarou o moreno de olhos verdes e fez que sim com um aceno de cabeça.
E foi o que Puck fez, aumentou o tom de sua voz no refrão e dirigiu seu olhar, aquele olhar que só quem ama possui, um olhar puro e inocente, cheio de sentimento e entrega.
I lose my way
[Eu perdi minha direção]
But still you seem to understand
[Mas você ainda parece entender]
Now and forever
[Agora e para sempre]
I will be your man
[Eu serei o seu homem]
E ele dirigiu seu olhar para aquela pessoa pequena e frágil, aquela pessoa que ele não queria machucar jamais, e não se perdoava pelas vezes em que o tinha feito se sentir mal. E esperava que ele entendesse tudo... Tudo o que estava sentindo naquele momento...
Mercedes foi até ele e pousou sua mão no ombro do jogador, passando-lhe segurança, para que ele continuasse daquele jeito.
Sometimes I just hold you
[Às vezes eu te abraço]
Too caught up in me to see
[E também chego a ver que]
I'm holding a fortune
[Eu possuo uma riqueza]
That heaven has given to me
[Que o céu deu para mim]
Todos ali estavam admirados com a performance deles, inclusive Kurt e Santana, pois ambos não esperavam algo assim.
Finn logo conseguiu interpretar parte dos sentimentos do outro jogador, pois estava na cara que Puck estava apaixonado por alguém, já Rachel ficou confusa e ao mesmo tempo, admirada, Quinn achava a coisa mais estranha que já tinha visto, mas não podia negar que estava ótimo.
Sr. Schue estava realmente impressionado com a balada, pois parecia que, especialmente Puck, passava uma mensagem de amor.
I'll try to show you
[Eu tento lhe mostrar]
In each and every way I can
[Com cada e de todas as maneiras]
Now and forever
[Agora e para sempre]
I will be your man
[Eu serei o seu homem]
Britanny seguiu o olhar de Puck e percebeu que o jogador olhava na direção de Kurt quase com idolatria e virou-se na direção de Mike e disse:
- Ele está cantando isso pro Kurt.
Mike fitou-a com incredulidade.
- Você ficou louca, bateu com a cabeça ou o que?
- Eu não, mas ele só olha pro Kurt, começou até a chegar cedo pras aulas, não aterrorizou mais ninguém na escola... Ao contrário, ele se deixou jogar na lixeira no lugar do Jacob...
- Como é que é? Ele ficou no lugar do Jacob pra ser jogado na lixeira?
- Aham... – rebateu Britanny olhando a apresentação dos dois colegas.
Rachel sentiu uma pontinha de inveja, mas estava gostando do que ouvia, apenas querendo saber para quem era aquela música.
Cantar essa música ali, pra pessoa que ele estava apaixonado o fazia se sentir bem. E torcia para que Kurt conseguisse entender que era pra ele que Puck cantava.
Now I can rest my worries and always be sure
[Agora eu consigo aliviar minhas aflições e sempre ter certeza]
That I won't be alone anymore
[Que eu não ficarei mais sozinho]
If I'd only known you were there all the time
[Se eu soubesse que você estaria lá o tempo todo]
All this time
[Todo esse tempo]
Kurt conseguia sentir o olhar de Puck, aquele olhar que ele esperava tanto receber de alguém, mas que até então não recebera.
Mas de maneira alguma conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Sua mente não processava a informação de que Noah Puckerman estava apaixonado, quanto mais apaixonado por ele...
Until the day the ocean
[Até o dia em que o oceano]
Doesn’t touch the sand
[não toque mais a areia]
Now and forever
[Agora e para sempre]
I Will be your man
[Eu serei o seu homem]
Now and forever
[Agora e para sempre]
I will be your man…
[Eu serei o seu homem…]
Assim que os dedos de Puck dedilharam o último acorde da música, todos aplaudiram, especialmente Finn, Sr. Schue, Britanny e Rachel. Todos ali tinham admiração nos olhos, todos estavam em êxtase por aquela apresentação.
- Muito bem, cara! – falou Finn indo cumprimentar Puck.
- Realmente tenho que admitir que essa canção foi a melhor apresentada hoje – falou Rachel, e isso vindo dela era alguma coisa, já que ela era sempre tão egoísta.
- Foi ótimo! Bravo! – Sr. Schue disse e apertou a mão de Puck e abraçou Mercedes – Gente, vocês foram demais! E eu quero que vocês apresentem essa canção na sexta-feira pra escola...
- Pode contar com isso, Sr. Schue! – Mercedes confirmou, olhou para Puck e viu desespero no olhar do moreno, por isso foi até ele e disse em seu ouvido – Não se preocupe, Puck, você vai se sair melhor na sexta do que hoje...
E parece que isso realmente acalmou o jogador que quando virou-se para ver Kurt não encontrou o menor ali, apenas o assento vazio, ficou levemente triste.
***
Kurt sentia aquele olhar de Puck na sua direção, mas aquilo não podia ser possível, Noah Puckerman flertando com ele? Não, era inviável a simples possibilidade disso... Era muito improvável...
IMPROVÁVEL...
Esta palavra lhe retornou a mente assim que ele pensou nela... E ela não lhe era de todo estranha, ele já tinha lido-a em outro momento...
Pensou por um instante e lembrou de um bilhete deixado dentro do seu armário, um bilhete digitado. E assim que lembrou do bilhete, ele foi procurá-lo, achando-o no meio dos seus materiais. Pegou-o e leu novamente:
“A verdade está mais próxima do que você imagina.
Quando você menos esperar, receberá a maior surpresa de sua vida...
E, acredite, ela será mais real e espantosa ainda, mas também poderá ser muito alegre e prazerosa...
Apenas acredite no improvável!”
Lá estava ela... IMPROVÁVEL... Após ler o tal bilhete pelo menos mais umas quinze vezes, ele começou a pensar realmente na possibilidade de Puck estar apaixonado por ele... Mas aí vinha em sua cabeça:
“Será mesmo que ele está apaixonado por mim? Ou é apenas mais uma de suas brincadeiras sem graça?”
Até ele chegar à conclusão de que tudo não deveria passar de uma das graças de Puck. Mas o que mais estava estranho nisso tudo era que Mercedes estava sendo levada nessa historinha... Ele precisava fazer algo para afastar esses dois de uma vez por todas! Pegou o celular e ligou para Santana.
- Santana? Kurt... Isso, vamos executar o plano na sexta, durante a apresentaçãozinha deles... Isso... Conto com você para ajeitar o projetor de imagens... Certo! Tchau! – e desligou o aparelho. Ele precisava fazer isso... Para o bem de Mercedes.
***
O restante das aulas foram o de sempre, foram muito chatas.
Na saída, Puck estava saindo do colégio quando viu Karofski atormentando alguém, ameaçando jogar raspadinha, mas não jogava e não deixava a pessoa fugir.
De longe não conseguia ver quem era, então resolveu se aproximar. E chegando lá, viu que o maior atormentava Tina, falava coisas horríveis sobre como ele deveria visitar um cirurgião plástico para abrir mais os olhos...
Aquilo enfureceu Puck de tal forma que nem ele mesmo soube como foi que conseguiu pegar Karofski pelo colarinho da jaqueta e jogar longe da garota, derramando toda a bebida em cima dele mesmo.
-Aprenda a respeitar os outros... – falou olhando para ele de cima, com ar de nojo, em seguida virando-se para Tina – Você está bem? Ele te machucou?
Ela também estarrecida com o que ocorrera, apenas balançou a cabeça dizendo que não estava machucada.
- Ótimo, agora vá pra casa, Tina... – e fez um afago na cabeça dela e sorriu.
- O... Obri... Gado... – foi o que ela conseguiu balbuciar antes de arregalar os olhos.
Puck entendeu o que estava acontecendo e virou-se mas não foi rápido o suficiente, pois sentiu o peso do punho de Dave em seu rosto, logo depois sentindo gosto de sangue em sua boca. Mas isso não o intimidou, ele cuspiu o sangue, passou a mão na boca para limpar e disse:
- Você bate como uma mulherzinha... – e riu, para logo em seguida desferir um soco no abdome de Dave, tirando-lhe o ar e fazendo com que ele caísse no chão, sem forças – É assim que um homem bate! – e dizendo isso foi se retirando do local antes que algum professor aparecesse, mas parou reparando que Tina ainda estava ali – Ei, Tina! Vamos embora... Eu te deixo em casa...
A garota de traços orientais seguiu-o, mas não disse mais nada. Ficaram em silêncio a caminhada toda. Tina até tentava começar um diálogo, mas toda vez que abria a boca para falar algo, não saia som algum.
Ao chegar em casa, Puck ficou na soleira da casa, observando a garota, já ela ficou parada, olhando para a porta.
- Você não vai entrar? – perguntou o moreno.
- Ah! Sim, t-t-tenho q-q-que p-p-pegar as chaves... – e começou a revirar a bolsa, tirando dela um molho de chaves, do qual pegou uma chave para abrir a porta da casa – V-v-você... – ela engoliu em seco – G-g-gostaria d-de entrar p-para t-t-tomar algo?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Puck riu, mas foi um sorriso tímido e feliz.
- Não precisa, japinha – ele olhou-a e sorriu novamente e virou-se para ir embora – É melhor eu ir agora... – ele disse se afastando, mas parou quando sentiu braços em volta de seu corpo – O que você está fazendo? – ele perguntou ainda sorrindo.
- Obrigada... Por... M-m-m-me def-f-f-fender d-d-do Karof-f-f-f-ski...
- Eu não fiz nada, japinha... Só fiz o que achei que era certo... – e virou-se pra ela.
- V-v-v-você m-m-m-m-mudou, P-p-p-puck... E e-e-e-eu gost-t-t-to d-d-d-desse nov-v-v-vo v-v-v-você...- e falando isso ela beijou-lhe a bochecha soltou-o e foi em direção à casa, mas chegando na porta, antes de entrar ela virou-se pra ele – O am-m-mor é uma das m-m-melhores coisas q-q-que o ser humano tem, P-p-puck, e seja lá por quem v-v-você está ap-p-paixonado, vá em frente... Essa p-p-pessoa vai te fazer uma p-p-pessoa m-m-m-melhor, ou melhor, j-j-j-já está fazendo de v-v-você uma p-p-pessoa melhor... – e entrou na casa, deixando Puck ali na calçada, pensando.
E pensando no que Tina tinha lhe dito, ele voltou pra casa.
***
A sexta-feira chegou e o Glee Club estava se preparando para fazer as apresentações, e a parceria Puck-Merdeces (Pucedes, como alguns os começaram a chamar) seria o encerramento, ambos estavam nervosos. Mercedes por causa da apresentação em si e Puck por causa do que tudo aquilo representava.
Tiveram os momentos das apresentações coletivas, em que todos os membros do Glee Club estavam presentes, onde eles apresentaram “I Turn to you” e “Bad Day”, depois houveram as apresentações em solos e por fim as duplas.
Quanto mais se aproximava o fim das apresentações, mais Puck ficava nervoso. Ele começou a suar frio e a ficar pálido e Mercedes percebendo o desespero dele levou-lhe um copo de água com açúcar.
- Toma, grandão... Você vai melhorar... — ele pegou o copo e bebeu de um gole só – Nossa! Deixe o copo pelo menos... HAHAHAHAHA – ela gracejou e fez com que ele risse um pouco.
- Obrigado... – ele disse e parou – Mercedes... Eu... Eu não sei se... – foi interrompido por ela.
- Pode ir parando, grandão... Você vai subir naquele palco comigo e vai cantar aquela música, nem que eu tenha que te amarrar lá! – ela falou firme e direta, mas seu olhar se aclamou – Você vai se sair bem, você vai ver... – ela beijou o rosto dele.
Puck parou e lembrou de quando foi deixar Tina em casa, lembrou-se do que ela disse, que a pessoa por quem ele estava apaixonado já estava fazendo dele uma pessoa melhor. E ele se acalmou e na hora da apresentação ele já estava bem melhor.
Na hora em que anunciaram seu nome e o de Mercedes um frio percorreu sua espinha, mas ele seguiu em frente e foi para o palco.
***
Nos bastidores, Kurt e Santana se encontraram.
- Tudo pronto? – perguntou o garoto.
- Pode ter certeza... – ela riu sádica – é só você me dizer quando dar o sinal que a projeção de tudo vai ser jogada no palco.
- Perfeito!
E após isso foram se posicionar para executar o plano.
Puck começou a dedilhar os primeiros acordes da música e todos ali na platéia acharam aquela batida country muito estranha, mas assim que ele começou a cantar acharam que foi muito bem escolhida a música. E quando Mercedes entrou como segunda voz no refrão, todos acharam excelente, aplaudiram.
Mas no refrão, enquanto todos aproveitavam a música, Kurt deu o sinal para Santana, e esta fiz um positivo com o polegar e um projetor acima da platéia começou a funcionar e várias imagens começaram a passar ali.
Puck e Mercedes pararam a música e ficaram observando aquilo, sem acreditar que estava realmente acontecendo.
Várias fotos de Puck com outras garotas, inclusive Mercedes e Santana...
Texto com mensagens tipo:
“Você acha que este cara quer algo com você?
Não se engane, você é apenas mais uma na sua coleção...”
Após isso, duas imagens vieram, uma de Mercedes abraçando Puck no vestiário e ao lado dela uma de Santana dando uns amassos sentada no colo de Puck.
A escola inteira estava vendo aquilo... E todos começaram a fazer chacotas.
- Êêêêê, Puck! Pegando até a gordinha no vestiário! – brincou Karofski.
- Tá desesperado, hein... – falou Z.
Todos estavam rindo dele... Todos estavam tirando sarro dele... Ele olhou para Mercedes e ela estava tão pasma quanto ele próprio e sem reação alguma.
Esta olhou de volta para ele e moveu os lábios sem emitir som algum, mas ele conseguiu ler o que ela dizia.
- Mas quem é que... – e em seguida seu olhar foi parar em Santana do lado das cortinas rindo com toda a cena – Você, sua... – e foi atrás da morena.
Puck observou tudo ali como se fosse um pesadelo e logo acordaria.
Mas para seu horror, o pesadelo era bem real e ele sentiu um olhar de zomba lhe atingir e virou-se naquela direção. Para sua surpresa, viu ninguém menos que Kurt lhe dirigindo aquele olhar, e sem se conter ele foi em sua direção.
Kurt sabia que ele não lhe faria nada, como ele realmente não fazia idéia, mas ele sabia.
Puck ficou frente-a-frente com ele e apenas perguntou:
- Por quê?
- Por que, Puck, você já fez muita gente sofrer com tudo o que você já fez e agora é a sua vez de sentir o gostinho de como é estar do outro lado. – seu olhar agora era cortante.
Puck apenas ficou parado, olhando para aquele garoto magro, baixo, de olhos azuis, para então perceber uma coisa...
-Foi você? Você que fez tudo isso? – ele não conseguia acreditar.
- HAHAHA! – ouviu o menor soltar uma risada sádica – Por mais que eu goste disso, mas eu tenho que admitir, eu não fiz tudo sozinho... Se bem que convencer a Santana a me ajudar não foi difícil, sabia? Mas a idéia original foi minha, disso tenha certeza.
- Mas por quê? – o outro ainda se perguntava.
- Por quê? Você me pergunta ainda? Será que eu querer proteger minha amiga de você usá-la de novo para depois descartá-la não é um bom motivo? Ou você já se esqueceu do ano passado? Por que eu não! – Kurt apontou o dedo na cara de Puck – Eu NÂO! E por mais que você queira me fazer acreditar que você está apaixonado por mim ou pela Mercedes e que isso é real, saiba que eu não caio nessa! – recuou dois passos – Acho que é só... – e virou-se para ir embora, mas sentiu uma mão lhe segurar pelo ombro e o que aconteceu a seguir foi muita coisa para o cérebro de Kurt processar.
Kurt foi imprensado contra a parede lateral do palco, sentiu um perfume forte lhe entrar pelas narinas e um corpo maior que o seu lhe espremer na parede, e quando olhou naquele rosto, viu olhos verdes vermelhos de lágrimas e uma boca carnuda lhe falando bem perto do rosto e seu hálito era quente e doce.
- É isso? É isso que foi tudo pra você? Uma brincadeira de mal gosto? – Puck estava chorando – Então deixe-me terminar minha brincadeira... – e dizendo isso, levantou o rosto do menor e selou seus lábios nos dele e sentiu como se uma descarga elétrica passasse pelo seu corpo. Não resistiu e passou a língua nos lábio de Kurt e este cedeu passagem, foi então que adentrou sua língua na boca do outro, e tocou a dele, explorou aquela boca como se ela fosse feita de doce, e seu gosto era inexplicavelmente diferente, não no sentido ruim, no melhor sentido que se pode ter. Então, apenas separou suas bocas e seus corpos, interrompendo aquela ligação sem a menor vontade de fazê-lo, mas era necessário.
Ele ainda tinha lágrima nos olhos, mas antes do outro conseguir falar algo ou fazer alguma coisa, ele virou-se e foi embora.
***
Kurt deslizou da parede para o chão e ficou ali sentado sem saber o que fazer nem dizer. Naquele momento, apenas naqueles breves segundos em que estiveram ligados, somente com isso, o garoto magro e olhos azuis pôde perceber o que acabara de fazer e uma lágrima escorreu pela sua face, solitária.
Levantou-se, sem saber ao certo quanto tempo passou ali sentado, e foi procurar o maior, aquele moreno de olhos verdes, mas este já havia sumido de vista. Então tentou ir procurando em todos os lugares, mas não o encontrava. De repente quando vira a curva do corredor que dava para a saída da escola, deu um encontrão em alguém e foi ao chão.
- Ai! – Cuidad... Kurt! – Mercedes o ajudou a levantar – Tudo bem com você?
- Não, Mercedes... Não está nada bem... – ele queria sair dali e voltar a procurar Puck – Você viu o Puck? – ela talvez tivesse visto.
- Bem, na verdade – ela começou – eu vi, mas ele estava correndo, eu o chamei mas ele não me ouviu e... – ela fez cara de desentendida – Peraí... O que você quer com ele?
- Mercedes... Eu... Eu fiz a maior burrada da minha vida... – e agora, somente agora, ele desatou a chorar – Fui eu! Fui eu, Mercedes! — e abraçou a amiga.
- Foi você? – ela ainda sem entender – Foi você o quê, Kurt?
- Fui eu que fiz tudo isso!
- Isso o qu... – mas de repente ela teve um estalo – Não me diga que você... E a Santana... Eu não acredito... Kurt! – ela soltou-se dele e o fez olhar pra ela – Por que você fez isso? Será que você não entendeu?
- Tarde demais, Mercedes... Tarde demais... – ele chorava e soluçava – Eu nunca imaginei que... Que eu pudesse fazer uma coisa dessas, mas... Eu pensei que ele só queria... Eu pensei que ele estava... – e desatou a chorar novamente.
- Kurt... Depois de tudo que eu disse pra você... Depois do bilhete que eu deixei no seu armário... Sim, fui eu que digitei o bilhete... Caramba, Kurt... Eu pensei que você fosse mais esperto...
- Mercedes... Agora é muito tarde... Ele deve estar me odiando por isso...
- Hey! Hey!!! – ela o sacudiu – Ele está apaixonado por você, talvez magoado também, mas ainda sim apaixonado... E eu sie que ele vai te perdoar, mas você tem que ser rápido... Vai logo, ele foi naquela direção! – e ela empurrou-o para ir naquele sentido, mas quando ele deu o primeiro passo, ouviu uma buzina, uma frenada, uma batida, gritos e todos correndo.
Seu coração parou um segundo, seus olhos arregalaram, seu sangue gelou e foi em disparada à confusão.
Quando atravessou a porta, viu um aglomerado de pessoas em volta de um carro e alguém jogado no chão. Correu até eles e sentiu seu estômago pesar.
Ali, a sua frente estava quem ele tanto procurara, estirado no chão, ensangüentado e desmaiado. Pessoas gritando e outros tentando manter a calma.
- Já chamaram uma ambulância – Kurt ouviu alguém perguntar.
- Já sim, eles disseram que chegam em dois minutos – alguém respondeu.
Então o som começou a ficar abafado em seus ouvidos, a visão começou a ficar escura e seu raciocínio ficou lento... Sentiu uma vertigem, tentou se segurar em alguém, mas não conseguiu, foi caindo para trás, já podia sentir o seu corpo bater no chão duro e frio, mas sentiu alguém lhe segurar firme e forte e dizer:
- Calma, Kurt, eu te peguei... – era uma voz conhecida mas não conseguiu identificar, pois logo em seguida desmaiou.
***
Acordou num ambiente estranho, com apitos e pessoas passando pra lá e pra cá, sentiu uma fisgada na têmpora e então fechou novamente os olhos e levou as mãos à cabeça, sentiu que havia algo em seu braço, olhou e constatou que era uma extensão com soro. Estava num hospital.
Foi quando entendeu onde estava que veio a sua mente as lembranças da última coisa que lhe aconteceu e abriu seus olhos mais ainda e tentou se sentar, mas foi impedido.
- Calma aí, Kurt, você ainda não está bem... Não totalmente... – era a voz de Rachel, ela tentava segurá-lo na maca – Gente! Ele acordou!
Logo seu quarto foi invadido por seis pessoas, seis amigos: Mercedes, Artie, Finn, Mark, Mike e Tina. Todos queriam saber como ele estava, mas ele pouco ligava pra como ele estava, ele queria saber como Puck estava, e antes que todos começassem a fazer perguntas, ele falou alto e claro:
- Eu estou bem, ficarei melhor ainda, mas bem mesmo eu só vou ficar se algum de vocês me disser como está o... – uma lágrima se formou – Puck.
Todos ali se entreolharam em silêncio, sem saber como que dizer aquilo.
- Eu não acredito que... – Kurt levou a não a boca, pronto para entra em um acesso de loucura caso o pior houvesse acontecido.
- Não! – Mercedes disse – Não aconteceu isso que você está pensando... Embora...
- Embora o que Mercedes? Hã? – ele estava desesperado e falando alto.
- Kurt, se acalma... – pediu a morena – E vê se fala mais baixo... O Puck não morreu! Mas a gente não sabe como te dizer isso... É que... A batida foi feia, ele quebrou uma perna, cinco costelas, uma delas perfurou o pulmão e ele bateu com a cabeça forte... Não vou mentir pra você, Kurt, mas o estado dele é crítico... – todos continuavam em silêncio – Eles está na cirurgia agora, muito delicada... E existem boas chances de sucesso... – era óbvio que ela estava tentando ser otimista, mas assim como existiam chances de sucesso, existiam chances de... Não, era melhor não pensar nisso.
- Eu quero vê-lo! – disse Kurt tentado mais uma vez sair da cama, mas dessa vez foi Finn quem o segurou ali – Me larga, Finn!
- Não! Eu não te segurei pra você não cair no chão lá na frente da escola e agora eu não vou te deixar cair aqui pelo chão do hospital – ele falou firme – Como a Mercedes já falou, ele está em cirurgia com boas chances de sucesso, agora o que nós podemos fazer é rezar e esperar – nessa hora Finn já não estava mais empurrando Kurt de volta para a cama, mas sim apenas segurando-o pelos ombros.
Quando o médico passou ele avaliou Kurt e disse que não havia problema com ele e que ele já podia ir pra casa.
- Eu não saio daqui sem o Puck! – ele foi firma em sua decisão.
- T-t-tem certeza, K-k-k-kurt? – Tina perguntou.
- Tenho sim, Tina...
- Kurt, cara... Vamos pra casa, lá você descansa e amanhã eu te trago bem cedo aqui pro hospital...
- Finn, por mais que eu admire sua atitude de preocupação e agradeça suas boas intenções, eu vou ficar, afinal eu sou a causa disso tudo, a culpa é minha... Eu devo isso a ele – e abaixou a cabeça e mais lágrimas rolaram pela sua face.
Mercedes o abraçou junto com Tina e Finn, mas os outros ficaram meio sem entender nada, até que Rachel resolveu perguntar:
- Ah... Pessoal, o que ta acontecendo? Por que você disse que é a causa e o culpa do de tudo isso, Kurt?
Os três que abraçaram o garoto se viraram, se olharam e resolveram contar tudo, já que não adiantava mais.
- Pessoal, é o seguinte... – começou Mercedes – lembra que vocês estavam achando estranho eu estar andando com o Puck?
Todos acenaram a cabeça em acordo.
- Bom, eu comecei a andar com ele, por que ele se abriu comigo...
- Peraí! Ele se abriu com você? Como assim? – quis saber Rachel.
- Essa parte deixa pra depois, Rachel, o que interessa é que ele descobriu uma coisa que ele lutou muito contra antes de admitir... – ela explicou, Mike logo entendeu – Eu falei que ia ajudá-lo e por isso estávamos tão próximos essa semana...
- Continuo sem entender... – Rachel disse.
- Então... Você não reparou como ele estava se comportando de um jeito diferente essa semana? Não reparou nas coisas que ele deixou de fazer?
- Hã... Não, o que? – ainda sem entender nada, Rachel pensava.
- Você não reparou que ele estava tentando prestar atenção nas aulas? Que ele começou a chegar cedo, que ele não estava mais matando aula por aí, que ele não tinha mais jogado raspadinha nem zoado outras pessoas? E o mais interessante... Você não soube que ele se deixou ser jogado no lixo no lugar do Jacob?
- Ah!!! Isso sim, eu fiquei sabendo... Mas o que tem haver com o Kurt?
- Rachel... – foi Finn quem começou a falar agora – O Puck tava meio estranho a semana inteira e eu, como sendo melhor amigo dele, consegui entender em parte... Mas eu só fui perceber mesmo no dia em que ele e a Mercedes cantaram pra gente lá no Glee Club, lembra? Qual foi a música que eles cantaram?
- “Now and Forever” de Richard Marx – respondeu Kurt olhando para o lado de for a da janela do hospital, triste.
- Exato, Kurt... – continuou Finn – Então eu percebi que ele estava apaixonado...
- Isso eu também já desconfiava – Rachel disse.
- P-p-p-pois é... – Tina tomou a palavra agora – E outro d-dia, o Karofski est-t-tava me imp-p-portunando e ele m-m-me aju-d-d-dou, d-derrub-b-bou o D-dave no chão e f-f-f-f-falou pra eu ir em-m-m-mbora, mas aí o K-k-k-karofski levantou e d-d-deu um soco no r-r-r-rosto dele e o P-p-p-puck deu o-o-o-outro no e-e-e-estômag-g-g-go d-d-dele e d-d-dep-p-pois ele m-m-me lev-v-vou em c-c-casa... A-a-a-a-aí eu p-p-p-percebi que t-t-t-tinha alg-g-g-go de e-e-e-est-t-tranho com e-e-ele... Q-q-q-que ele e-e-e-est-t-tava a-a-a-apaix-x-x-xonado...
- Tá, gente, mas por quem é que ele está apaixonado? E o que isso tem haver com o Kurt ser o culpado diss... – Rachel não conseguiu terminar de falar pois uma ficha tinha caído em sua cabeça e seus olhos queriam saltar das órbitas – Não...
- Sim, Rachel... – Finn disse.
- Mas... Como? Quando? – Rachel estava totalmente avoada.
- Bom, eu percebi ele bem diferente faz umas duas semanas... – falou Mike – Mas eu não sabia que era isso...
- Eu também – concordou Matt.
- Isso não ajuda em nada! – falou Kurt interrompendo a conversa – Isso não vai trazer o Puck de volta! – e começou a andar de um lado pro outro parou e disse – eu vou lá pra porta do centro-cirúrgico – e saiu do quarto.
Os outros ficaram olhando estáticos e resolveram acompanhá-lo, saindo todos e desocupando o quarto.
Chegando à entrada do centro-cirúrgico, eles pararam, uns sentaram nas cadeiras, outros no chão, Kurt ficou sentado no chão, perto da porta, para quando o médico aparecesse lá, ele pudesse perguntar sobre o moreno.
***
Esperaram cerca de quatro horas quando o médico saiu de lá de dentro, Kurt pulou e logo foi perguntando:
- Como ele está doutor? Ele está bem? Ele vai se recuperar não vai? – ele estava todo afobado.
- Calma, filho, calma... Se você está falando do rapaz do acidente de carro, ele ainda resiste, ainda está em cirurgia, mas resiste e bem, digo eu – o médico sorriu – e ele tem ótimas chances de sair daqui muito bem, ele é um lutador, sabe... O acidente foi feio, ele teve traumatismo crânio-encefálico, fraturas múltiplas e perfuração do pulmão... Isso foi bem complicado, mas conseguimos estabilizá-lo para a cirurgia. Estamos fazendo o nosso papel aqui, filho, mas receio que muito do sucesso dependa dele lutar para viver... – e dizendo isso, o médico saiu, para depois voltar para dentro do centro-cirúrgico.
***
Foram mais três horas de espera ali, quando a luz que indicava cirurgia acontecendo se apagou e eles abriram as portas para passar com uma maca cheia de aparelhos pendurados, diversos fios ligados a aparelhos e soros.
Kurt olhou para a pessoa na maca e vê-lo ali foi um alívio, mas o médico colocou a mão em seu ombro e disse:
- Filho, nós fizemos tudo ao nosso alcance, agora só depende dele...
- Como assim? – Kurt quis saber – Ele não está bem? Ele não está vivo?
- Sim, sim, filho, ele está vivo e a cirurgia foi um sucesso... Mas mesmo assim, a recuperação dele vai depender do quanto ele consegue lutar... Ele está em coma, e por isso não irá acordar por enquanto, como é o normal... – depois de coma Kurt não conseguia ouvir mais nada, apenas se encostou à parede e deslizou ao chão e novamente lágrimas vieram aos seus olhos.
- Kurt, calma... Vai dar tudo certo... – falou Finn sério, mas era apenas para manter a pose e tentar fazer com que Kurt não ficasse pior, mas ele também tinha lágrimas nos olhos – Ele é forte... Qual é, cara... Ele é o Puckssauro! – Finn forçou um sorriso.
- Pessoal, se vocês quiserem, podem ir pra casa, mas eu vou ficar aqui até ele acordar... – Kurt se acalmou.
- Filho... – o médico disse – Eu acharia melhor você ir em casa e dormir um pouco, volte amanhã...
- Não doutor... Se eu for pra casa, aí é que eu não vou conseguir dormir mesmo... Prefiro ficar...
- Então... – Finn disse – Eu fico com você... Agora eu acho que o restante de nós deve voltar pra casa, se ficarmos todos aqui, com certeza causaremos algum tipo de confusão...
Todos se despediram de Kurt e Finn e foram embora. Depois Kurt se voltou para o médico:
- Doutor, será que eu poderia vê-lo?
- Claro que sim, mas só cinco minutos e apenas você, sim?
- Certo! – concordaram juntos Finn e Kurt.
O médico levou-os para o CTI, onde Puck se encontrava sendo cuidado, vários aparelhos monitorando seus sinais vitais e uma cânula em suas narinas, controlando sua respiração.
Ao ver a cena, Kurt mais uma vez derramou lágrimas, mas em vez de chorar descontroladamente, ele engoliu em seco e pediu para o médico deixá-lo entrar, Finn teria que se contentar em vê-lo apenas pelo vidro.
Kurt entrou naquele ambiente frio e cheio de “pis” para todos os lados dos aparelhos que monitoravam Puck e os demais pacientes, já tornando o ambiente mais tenso, mas seguiu em frente, tentando manter a calma, mesmo que seu rosto denunciasse o que realmente estava sentindo naquele momento. Ele chegou perto da cama de Puck e segurou sua mão, com delicadeza e calma.
Ver o jogador naquela situação era algo que ele jamais imaginara, especialmente pelo motivo que o fizera parar ali naquela maca... Tudo isso fez ele se sentir mais culpado ainda, mas pensar nisso não ajudaria em nada Puck voltar à consciência. Então resolveu conversar com ele.
- Hey, grandão... – começou – Soube que você se saiu bem na cirurgia... Espero que você volte logo pra gente, sabe? Todos do Glee Club estão esperando você acordar para farrear mais um pouco – e apontou para a janela de vidro, onde Finn estava encostado para vê-lo – Viu só? O Finn está ansioso para a sua volta... – e soltou um sorriso – Volte logo, está bem? Nós... Digo... EU preciso de você aqui... – acariciou a face do moreno deitado – Eu preciso tanto de você... Me perdoe, Puck, por tudo o que eu fiz... Eu fui um idiota e egoísta, pensei apenas em mim, quando você era quem mais sofria com tudo isso... – novamente lágrimas – Eu sei... Eu não tinha o direito de ter feito o que eu fiz... Mas perceber que essa foi de longe a coisa mais burra que eu já fiz em toda a minha vida foi realmente o que eu precisava para... Para aceitar que eu também estava começando a gostar de você... Eu... Eu apenas não queria admitir isso... Eu senti seu olhar, eu percebi os sinais... E devia ter imaginado que você deveria apenas estar apavorado com toda essa nova situação... Que você me amava... – suspirou — Espero que... Quando você acordar... Você possa um dia me perdoar pelo que eu fiz... Por que eu... Realmente... Sinto muito... – e dizendo estas últimas palavras, Kurt se inclinou e beijou a fronte de Puck, deixando uma de suas lágrimas cair no rosto do maior, e para sua surpresa...
- Acho bom mesmo ser verdade tudo o que você acabou de dizer... – ouviu-se uma voz rouca e ainda meio grogue da cirurgia, mas conseguiu apertar de leve a mão do menor.
Kurt se surpreendeu com o que ouviu... Puck ali, falando com ele...
- Puck! – Kurt voltou a chorar, mas dessa vez estava feliz com o fato do moreno estar consciente – Você voltou! – e acariciou mais uma vez o rosto do maior.
- Claro que eu voltei, seu bobo... – gemeu um pouco ao tentar se mover, mas foi impedido por Kurt – Eu, de alguma forma estava aqui, ouvindo tudo o que você dizia – respirou fundo com dificuldade — mas não estava conseguindo abrir os olhos nem responder – mais uma inspiração profunda e um gemido — mas quando você falou em se algum dia eu poderia perdoar você, eu tive de fazer um esforço maior para... – outro gemido – Para te dizer que... Que não há o que perdoar... Eu ainda te amo do mesmo jeito... Mesmo que seja a coisa mais improvável que tenha me acontecido este ano... Eu te amo Kurt Hummel... E nada pode mudar isso...
Kurt se inclinou novamente, beijou os lábios de Puck e mais lágrimas vieram aos seus olhos, mas desta vez de felicidade, pois Puck tinha lhe dito o que esperara tanto para ouvir... Aquelas três palavrinhas mágicas... E isso o fazia se sentir nas nuvens como nenhum casaco Armani conseguia...
Ao olhar para a janela, viu Finn ao telefone, ligando para todos do Glee Club voltarem ao hospital, pois Noah havia recobrado a consciência. E logo que se voltou para Puck, o médico entrou e disse que seu tempo havia acabado e que teria que se retirar. Kurt saiu, muito a contra-gosto de Puck, mas ele prometeu voltar no dia seguinte, e no outro, e no outro, até ele sair do CTI, e depois, ia dormir com ele no quarto do hospital até que ele recebesse alta para ir para casa, e então iria visitá-lo em casa todos os dias, ia cuidar dele, até ele se recuperar totalmente, para que juntos pudessem recomeçar do zero.
***
E assim aconteceu, foram três longos meses até Puck poder sair do hospital e ir pra casa, e mesmo assim ainda em cadeira de rodas e muletas, pois teria ainda que esperar mais dois meses para retirar o gesso e refazer a avaliação da fratura da perna. Mas isso não era problema, pois agora, o que ele mais queria era poder voltar à escola, agora com seu namorado Kurt.
Talvez levasse raspadinhas na cara por estar namorando outro garoto, mas isso pouco lhe importava, pois o pior já tinha passado, e agüentar bulling dos outros seria fácil, pois agora ele tinha um apoio e uma razão para não ligar para esse tipo de coisa... E essa razão era sem dúvida alguma a mais IMPROVÁVEL de todas elas...
FIM
Notas finais
Bom, eu já vou nessa!
Byebye!!!!!!!!!!!!!!!! =^.^=/
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