Improvável
1 Capítulo 1
Notas iniciais
-Você pegou o cartão?- Pergunta minha mãe pela segunda vez.
-Sim mãe, Você sabe que eu nunca o tiro da mochila a não ser que o papai tenha pegado.
-eu sei filha só pergunto por prevenção, não quero que você se atrase pra sua faculdade meu amor- minha mãe diz fazendo uma careta engraçada.
— Sei que você não quer eu me atrase mãe mas também não precisa fazer essa pergunta a cada dois segundos- respondo.
— Que mal humor todo é esse? Se eu não tivesse te visto comendo agora pouco, diria que você está com fome- responde minha mãe em um tom brincalhão.
— Hahaha muito engraçadinha dona Adélia. Preciso ir agora mãe , senão você já sabe, vou acabar me atrasando- me despeço da minha mãe a abraçando e beijando.
— Presta atenção ao atravessar as ruas hein filha, toma cuidado- diz minha mãe toda preocupada.
— Pode deixar mãe, nunca dou bobeira quando estou andando na rua. Se alguém vim pra cima, eu pego e jogo meu spray de pimentas nos olhos- digo brincando.
— Ai ai só você mesmo Lise- diz minha mãe rindo e balançando a cabeça.
— Te amo mãe, estou indo agora, tchau.
— Tchau, boa aula. Também te amo.
Saio da minha casa e sigo até a estação de trem. Mas antes que eu chegue até lá avisto um carro andando lentamente atrás de mim, fico um pouco apreensiva até que eu consiga vê quem é que estava dentro do carro, minha expressão relaxa. O garoto do banco do passageiro e seu pai estavam rindo da expressão assustada que fiz, antes de perceber que eram eles.
— oi Lia. Tudo bem?- Disse Andreas o pai do garoto com uma expressão engraçada.
— Lise- o corrijo.
— Oh me desculpe, você se chama Lise?
— Anelise, Lise é meu apelido- o explico com uma expressão simpática.
— Me desculpe, me enganei, para mim seu nome tinha algo a ver com Lia.
— Sem problemas, acontece- digo.
— e então tudo bem?- Retorna a pergunta.
— Comigo está tudo okay, e com o senhor?
— Estou bem também, estou voltando do centro, tinha ido resolver algumas pendências. E você para onde vai?
— Estou indo para estação, a duas semanas atrás comecei minha faculdade, e agora tenho que correr para pegar o trem todos os dias.
— Que legal, menina!! Está vendo só Julian ela não é igual você, ela estuda- o garoto desfaz sua expressão sorridente e fuzila o pai com os olhos, olho para os dois constrangida. E adivinhem quem vai chegar atrasada na escola hoje... EU.
— Que faculdade você está cursando?- Andreas, retoma a conversa.
— Bem, estou cursando TI (tecnologia da informação), sempre foi meu maior sonho cursar essa faculdade, estou adorando a experiência e ainda conseguir cair na sala do meu melhor amigo- acabo me empolgando e falo demais.
— Boa escolha nosso país valoriza muito a tecnologia, você terá um grande sucesso profissional menina, consigo prever isso, você parece ser dedicada- diz Andreas.
— Obrigada senhor me sinto lisonjeada pelas suas palavras- dou um breve sorriso. – e me desculpe mas eu preciso ir agora- Falo sem graça.
— Certo, já tomei muito do seu tempo por hoje- ri fraco- Boa aula menina, aproveite sua faculdade. Bis später.
— Bis später, rapazes- digo aos dois.
— Bis später- diz Julian sorrindo novamente ao se pronunciar pela primeira vez, dou um leve sorriso de volta e aceno para os dois.
Depois de toda essa conversa que eu tive na rua com praticamente dois estranhos familiares, sigo meu caminho. Andreas e Julian são pai e filho, os conheço recentemente. Minha tia Emma está noiva de Andreas sendo assim agora ele se tornou praticamente da família mas eu ainda não o conheço bem, ele é pai de dois filho, Julian e Hugo o caçula, o vi apenas uma vez em um jantar de família.
Chego na estação e pago minha passagem e entro esperando que o trem chegue, às vezes demora um pouco.
Uma moça adulta de uns 25 anos senta ao meu lado e me olha, me sinto um pouco desconfortável com os olhares dados por ela. Aperto minhas mãos suadas, e sinto meu nervosismo aumentando. Pego meu celular do bolso da calça e começo a mexer em uma tentativa falha de disfarçar minha ansiedade social. O trem finalmente chega e eu entro procurando um lugar mais afastado para se sentar.
Olho o telão que sinaliza todas as estações, preciso passar 7 delas para chegar ao meu destino. Finalmente chego e desço na estação, passo a catraca, atravesso as ruas. Tenho que andar um trecho para chegar a faculdade.
Não acredito que seja assim tão longe mas gostaria que fosse mais perto, é a única faculdade mais próxima da minha casa. A educação profissional é de extrema importância mas é tão difícil, se locomover todos os dias de tão longe e ainda ter uma rotina puxada.
Finalmente chego no campus e vou caminhando até a entrada da faculdade, passo pelos corredores e finalmente chego na sala. Ainda está vazia.
Tiro meus materiais da mochila, e fico aguardando escrevendo poemas nas notas do meu celular, até que os outros entrem e assim se inicie a aula.
O primeiro a entrar na sala é um garoto alto de cabelos loiros e olhos azuis, não me lembro de já o ter visto antes. Ele me diz boa noite com uma expressão simpática e logo se senta em seu lugar. O garoto se sentou na fileira ao lado da minha carteira, logo retirando um livro da mochila.
Fico ansiosa para que as pessoas entrem o mais rápido possível na sala para que a aula se inicie. Entediada, largo meu celular na mesa e me viro para minha mochila pendurada na cadeira, e retiro um livro qualquer do Stephen King apenas para passar o tempo mais rápido, quando o garoto resolve tentar uma conversa comigo.
— Hallo- diz o garoto.
— Hallo- digo um pouco nervosa.
— Como você se chama?- Pergunta.
— Me chamo Anelise, e você?- Devolvo a pergunta.
— Me chamo, Matthias- responde com um sorriso, seguido de um silêncio constrangedor.
— ah Matthias... é um Bonito nome, Matthias- digo gaguejando um pouco em uma tentativa de quebrar o silêncio constrangedor que instalou-se.
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