Improvável?!
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Esse um pouco maior.
As marcas do cinto doeram durante todo o banho. Principalmente na hora de se enxugar. E por isso ele decidiu que ficaria apenas de cueca, as roupas provavelmente fariam a dor aumentar. Saiu do banheiro, colocou o celular pra carregar e foi usar o computador velho que era da sua mãe.
Uma coisa curiosa a respeito de "anti-sociais" é que eles têm pelo menos 1 perfil em alguma rede social. E foi justo isso que o garoto com marcas vermelhas por todo o corpo foi fazer, abrir seu perfil no Facebook. Assim que abriu, viu que tinha um pedido de amizade. Pensou que seria mais alguma pessoa que ele conheceu em algum jogo, ou que gostou do que ele havia postado na sua página na rede social. Mas assim que clicou percebeu que era um nome conhecido, Guilherme, a foto não era dele, era do Dumbledore, um personagem de Harry Potter, mas Andrew sabia que era o mesmo Guilherme que conhecera hoje. Por algum motivo ainda ficou receoso de adicioná-lo, mas aceitou. Assim que ele foi pra sua lista do chat, Andrew clicou no seu nome, a janela de bate papo abriu, esperou um pouco olhando e viu a mensagem que dizia que o novato estava digitando. A mensagem apareceu várias vezes, mas parecia que ele nunca enviava o que escrevia.
Andrew estava dolorido e cansado, então colocou Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban para reproduzir no Pc e se deitou na cama para assistir, como estava um tanto frio, pegou um cobertor. Os filmes e livros de Harry Potter sempre passaram lições valiosas a Andrew, porém ele nunca tivera oportunidade de usar esses "conceitos". Lições baseadas em amizade, coisa que ele não conhecia muito bem.
Assistiu o fime durante um tempo e acabou cochilando. Quando acordou, foi parar o filme que já estava bem avançado. Clicou no navegador e viu que tinha uma mensagem não lida. A mensagem era do novato, Guilherme, dizia extamente o seguinte: "Oi, desculpa incomodar novamente. Só queria agradecer por ter me ajudado hoje." A mensagem obviamente não foi visualizada e depois de 10 minutos outra foi mandada. "Mais uma vez me desculpe, eu não queria te atrapalhar novamente."
Andrew viu as mensagens e digitou o que lhe veio a mente, mesmo sabendo que ele não aparecia mais online, "Por favor, pare com essa mania irritante de pedir desculpas. Isso estressa e pelo o que sei, você não fez nada de errado."
Enviou a mensagem e voltou para ver o filme. Depois de uns 30 segundos ouviu um barulho, o alarme do chat. Ele já tinha esquecido de como era o som, quase nunca conversava com alguém. Teve uma supresa ao ver que era o novato que estava escrevendo, pensou que ele estivesse offline .
"Tudo Bem... Ia pedir desculpas mais uma vez, mas desisti. Acontece que não sou muito bom em conversas. Só conversava com meu irmão... E ele morreu"
"Apenas relaxe, só sei como me comportar, e ainda bem pouco, por aqui, onde eu posso dizer praticamente tudo o que quiser, sem ter medo de ser... reprimido." "Reprimido...?"
"Sim."
"Preciso ir dormir. Até amanhã"
"Até"
A janela do chat mais uma vez ficou offline, o Guilherme realmente havia saído desta vez, foi quando passou um pensamento pela cabeça de Andrew, "Acho que não". Ele se referia a última frase, eles não se veriam amanhã. Seu corpo ainda doia e apresentava várias marcas.
Já se passava das 22:30 quando decidiu ir dormir, vestiu uma camiseta e uma bermuda velha que não machucava as marcas e foi.
***
Na manhã seguinte acordou no mesmo horário de sempre pra ir pro colégio, porém como se lembrou que não iria pra escola, continuou dormindo, ou ao menos tentou. -Muleque, levanta dessa cama. To indo procurar emprego, já liguei pra sua escola dizendo que não vai hoje. Então quero que deixe essa casa uma maravilha pra quando eu voltar.
-Tudo bem. -Falou sem um pingo de ânimo. Se levantou e fez o procedimento padrão de cada dia, só que hoje não vestiu o uniforme, ele não iria pra escola. Tudo por culpa do pai. Não parara pra pensar sobre o que realmente havia acontecido. Mas sabia que a culpa era do pai. Não podia ser dele, afinal aquela foi a primeira vez em muitos anos que ele havia demorado pra chegar em casa, e do mais, seu pai só usou aquilo como desculpa, Pedro iria bater no garoto pra descontar a raiva de qualquer maneira mesmo.
Mas não adiantava se lamentar, ele já havia apanhado e isso não diminuiria nada. Então resolveu ir fazer o que o pai pediu. Tomou café e organizou a casa. Tudo antes das 10 da manhã. Fez o almoço, comeu e resolveu tomar banho. Todas as atividades realizadas até agora, inclusive o banho foi acompanhada de música. A música é um instrumento importante quando não se quer pensar. Nem sabia exatamente o motivo, porém não queria pensar.
"-Eu deveria ligar pra ele?"
"-Pra quê? Provavelmente ele vai achar que você está aprontando alguma. Deveria ir lavar o que sujou no almoço."
Isso era uma das coisas mais comuns se tratando dele, conversas "sozinho", não era sozinho pois ele conversava e a "pessoas" tinha opiniões que divergiam das suas. Porém não era acompanhado, nem mesmo de um amigo imaginário. Era uma conversa com ele mesmo, como se tivesse dois "Andrews" dentro dele. Ele não era doido, sabia disso. Todas as pessoas faziam isso. Muitas vezes só não contam pros outros.
"-Por que eu tive que arrumar logo ontem pra não voltar no horário? Por que tanta coisa nova aconteceu ontem? Por que o futuro parece não ser mais como era antigamente?"
"-Nossa! Você faz perguntas demais sabia? Já chega de ficar se preocupando com isso. Vai viver sua vida."
"-As vezes eu esqueço que talvez sejamos os mesmos. Você sabe muito bem que to vivendo a minha vida. Assim é a minha vida, desse jeito."
"-Pois eu acho que deveria tentar fazer outras coisas, pode ser bom pra você."
"-Bom para o quê? Minha vida se baseia no que vivo atualmente. Pensar. Talvez eu me torne um pensador famoso quando morrer."
"-E enquanto vive vai fazer...?"
Essa foi, na opinião dele uma conversa inútil. Não havia nada que poderia ser aproveitado daquele diálogo. Nada!
***
-Ah! Cuidou bem da casa hoje né? Não foi inventar de sair hoje não?
-Não. -Como sempre falou olhando pro chão.
-Olha como homem muleque! Me encara. Do que tem medo? Meus olhos não ... -Seja lá o que ia dizer, não terminou. Andrew ficou muito curioso pra saber o motivo da frase não ter sido terminada. E não ousaria perguntar, então simplesmente ficou em silêncio.
-Tem comida pronta? To com uma fome danada. Procurar trabalho cansa. Mas tá quase certo. Acho que consegui um.
-Tem sim senhor. Conseguiu?
-Creio que sim. Acho que finalmente vou ser caminhoneiro.
-Parabéns. -Disse, se virou e foi pro quarto. Não queria ficar na companhia do seu pai. Não mais que o necessário.
"Hora de fingir que tenho vida social. Ao menos virtualmente eu tenho uma. Ou quase."
"Por que não apareceu na escola hoje?"
Foi a mensagem que recebeu do Guilherme assim que entrou.
"Tive febre. Acho que amanhã vou."
Era mentira é claro, mas talvez seria verdade a parte de que ele iria. Por mais que tivesse adiantado em termos de conteúdo, ele não gostava de perder aula.
"Que bom..." A mensagem de que o novato estava digitando apareceu e então ele esperou a mensagem chegar, porém, estava demorando. Como se ele tivesse exitante em enviar, ou reescrevendo a mensagem. Depois de alguns segundos de olhos fixos na janela do chat, a mensagem parou de aparecer e ele recebeu "Você fez falta".
"Fiz O.o?"
"Sim, você é a única pessoa que consegui conversar naquele lugar. As outras pessoas parecem tão... Abertas e hostis."
"Teve algum trabalho ou tarefa importante?" Ele queria sim mudar de assunto, não queria entrar nesse tipo de conversa.
"Não, e acho que você já estudou esses conteúdos né?"
"... Sim! Como sabe?"
"Vi no seu caderno. Uma hora em que você se abaixou, eu vi que têm vários exercícios respondidos. Então deduzi isso."
"Bem..., observador. Eu faço isso sempre, os outros alunos demoram demais pra pegar os conteúdos e eu adianto."
"Você é um gênio sabia?"
"Não mesmo, sou bem simples e inútil. Nunca fiz nada de surpreendente."
"Você se subestima, acho que você é mais do que os olhos podem ver"
Notas finais
Bem, esse é o capítulo 4... Logo logo as coisas começam a melhor para eles.
Fale com o autor