Imprevisível.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“vamos, vamos! Mais uma frase e esse texto fica perfeito.“ As pessoas pensam que escrever sobre sentimentos é fácil, mas não, não é. Aqui estou eu, escrevendo mais um texto para tentar aliviar esse sentimento de frustração. Meus pensamentos continuavam flutuando, como se estivesse fugindo de mim. Tirando toda minha concentração. Mas eu havia prometido que postaria isso hoje no meu tumblr, o único lugar onde eu realmente não tinha medo de me expressar.
– Filha,vem jantar. –A minha mãe batia na porta. – você não come nada desde manhã.
–não estou com fome – ouvi ela abrir a porta.
– Olha Samanta, precisamos conversar.
–Não precisamos não. – revirei os olhos, pois já sabia exatamente o que ela iria falar. Ela se sentou na ponta da minha cama, respirou fundo e falou:
– Precisamos sim, eu sei que você não aceita o que aconteceu. Mas não estava dando certo, do que adiantaria se eu e seu pai continuássemos juntos e brigando? Faria bem para você ou para mim? Tente entender minha filha, só quero seu bem. – Para vocês que não conhecem, essa é a minha mãe, a Rachel, e ela não vai sair do meu quarto ate que eu vá comer.
–Tudo bem mãe, eu já entendi isso.
–Então porque não sai mais desse quarto? Porque não quer come mais? Você se quer abriu a janela hoje, só fica no computador. Por favor Samanta, eu sei que é normal você gostar de ficar aqui, mas três dias? Só saindo para tomar banho? Isso não esta certo. -Vamos fazer um acordo tá? Eu saio para comer e você me deixa eu ficar aqui – eu olhei pra ela séria, eu estava fazendo um acordo de “negócios”. Ela respirou fundo, e olhou mais ainda severamente pra mim
– está tudo bem, já é um começo. Te espero na sala em 5 minutos. – ela avisou e saiu do quarto. Fechei notebook e desci pra ver a gororoba que ia engolir hoje à noite.Não que ela não cozinhasse bem, mas depois da separação as coisas andavam meio incertas por aqui.
Abri a porta do quarto e me arrastei até a sala de estar. A mesa estava toda posta, parecia até um jantar de família. Mas minha família é incompleta, meu pai não estava ali.
O jantar logo se arrastou, não trocamos nenhuma palavra. Não conseguia ler os pensamentos dela, mas, pelos seus olhos, ela estava triste. Terminei meu jantar e me levantei pra colocar meu prato na cozinha e minha mãe pediu pra eu sentar um pouco no sofá com ela.
– Você quer que eu lave a louça hoje? – perguntei pra ela, dando um olhar de hostilidade. Sabia que ela esta tão triste e magoada quanto eu. Ela negou com a cabeça.
– filha, próximo final de semana, você vai passar na casa do seu pai, tá? Ele está com saudades.. quer te ver..
– eu sei.. Não quer deixar de fazer parte da minha vida.
– Samanta, olha pra mim e me promete – virei pra olhá-la e vi seus olhos tristes e suplicantes me encarando – promete que nunca vai deixar sua velha mãe? – Meus olhos começaram a arder, a abracei e ficamos ali por um tempo. Eu nunca a deixaria, não importa o que ela fizesse, sempre seria a minha velha e cuidadosa mãe.
Dormi com o rosto no computador, devia estar com as marcas das teclas em meu rosto. Levantei e fui até o banheiro, fiz minha higiene matinal e parei pra me olhar no espelho. Meus grandes olhos castanhos estavam rodeados de sombra preta, eu tenho que aprender a não passar mais a madrugada naquele computador. E me veio à lembrança dos textos que escrevi e nossa, realmente, as pessoas gostam do que eu faço.Voltei ao quarto e sentei na minha cama, respirei fundo. Onde minha vida iria para? Ate semana passada estava tudo normal, foi so eu sai de férias para perceber....minhas vida não estava tão bem quanto eu imaginava. Como se frustações amorosas não fossem o bastante, amor não correspondido também não era nada fácil. Meus pais decidiram se separar. Apesar de parecer um problema comum, não era nada fácil. Eu já andava meio para baixo, por causa de garotos e autoestima, tinha acabado de levar um belo fora....e com essa agora. Tudo que passava na minha mente eram flash backs de brigas dos dois, com tudo que eu passei essa semana antes de entra as férias na escola, de toda a vergonha.
Uma lágrima caiu do meu olho e senti minhas vistas novamente se enchendo de palavras, peguei meu violão. Apesar de não ter uma voz bonita, eu sei compor.. aprendi com meu pai. Ele é um grande cantor amador. Ele sempre havia sido tão calmo e gentil, não acreditara nas coisas que eu presenciei ele fazendo. Ao pegar o violão me lembrei de quando ele me ensinou a tocar também.
Dedilhei algumas notas e deixei meu coração e minha mente me guiar, logo veio às palavras, que passei pro papel:
“Eu venho perambulando por aí
Sempre menosprezando tudo o que eu vejo
Caras pintadas, Constroem lugares que não alcanço
Você sabe que eu poderia usar alguém
Você sabe que eu poderia usar alguém
Alguém como você, e tudo o que você sabe, e como você fala
Inúmeros amantes escondidos na rua
Você sabe que eu poderia usar alguém
Você sabe que eu poderia usar alguém
Alguém como você
Pela noite, enquanto você vive, eu estou dormindo
Guerras que dão formas ao poeta e à batida
Espero que isso faça você reparar
Espero que isso faça você reparar
Alguém como eu
Alguém como eu
Alguém como eu, alguém
Estou pronta, estou pronta, estou pronta, estou pronta
Alguém como você, alguém
Alguém como você, alguém
Alguém como você, alguém
Eu venho perambulando por aí sempre menosprezando tudo o que eu vejo”
( use somebody – kings of Leon: tradução)
A Musica misturava tudo que eu estava sentindo, eu realmente andava menosprezando tudo..e via as pessoas construindo muros, me afastando de uma realidade onde eu não alcançava mais, eu queria alguém. E Eu queria que alguém me quisesse.....não tinha mais um nome na minha mente, ou melhor, eu o bloqueava, depois da humilhação que ele me fez passar. Mas eu me sentia só travando uma guerra,guerra que havia me dado um dom poético, mas machucava muito meu coração, essa era a hora onde eu precisava de alguém ao meu lado. Levantei-me e fui tomar café, havia prometido a minha mãe isso, foi algo rápido. Deixei a mesa posta, e algumas coisas feitas. Voltei para o quarto, pretendia mostra a musica para as meninas do meu tumblr e tirar um longo cochilo, me sentia exausta. Entrei no quarto e percebi que estava morrendo de calor, puxei a toalha e resolvi tomar um banho demorado de cabeça e tudo. Sair e me senti nova em folha, me bati com minha mãe no corredor.
–Bom dia
–Bom dia minha filha.
–Já tomei café, e deixe para você ali na mesa. – ela se aproximou e deu um beijo na minha testa.
–Obrigada. – ela se afastou, depois de escolher uma roupa fresca, me sentei em frente ao notebook e postei a musica, então me levantei e fui procurar meu caderno, eu me lembrava de ter rabiscado alguns textos lá.
Avistei uma pilha de livros no canto do quarto, sentei ali e comecei organizar. Eu era uma grande fã de livros de romance. Havia tantos, fui separando os melhores para reler ao longo das férias. Afinal não faria mais nada de importante nelas. Voltei ao notebook e atualizei minha pagina. Espera um minuto. EU.NAO.ACREDITO.NISSO. Tinha umas 132 ask’s! ERA ISSO MESMO? Abri ansiosamente a pagina, tudo bem que eu tinha muitos seguidores, mas nunca tive tantas ask’s de vez. Bem imagina que minha surpresa foi bem maior quando abri e lá só havia elogios e incentivos sobre a musica, algumas diziam:
“Hey Sam, parabéns, quando se torna uma cantora me avise”
“Ei garota, porque não canta logo?”
Eu logo respondi que não tinha voz para isso, então me deram uma ideia, eu poderia vender essa musica, eles ate me passaram um blog de um produtor musical famoso, ele havia acabado de lançar um grupo e poderia se interessar. Não custava tentar né? Bem, fui atrás da sorte, preenchi o formulário, escrevi um texto sendo breve e deixando contato. Resolvi ver um pouco de TV. Sentei na sala e comecei a assistir “Thor” mais cai no sono.
– Samanta? Samanta!
– hmmm
– Hora do almoço minha filha, levanta daí e vem comer. – era minha mãe, levantei, sentei. Fiquei observando a parede, depois levantei lentamente, fui ate o banheiro, lavei o rosto, penteei os cabeços que tinham formado um bolo e fui para a mesa, o almoço foi rápido e a comida não estava tão mal assim. Sentei no sofá novamente e percebi que voltar a comer tinha me trazido uma enorme necessidade de comer doces.
– Mãe, vou à padaria, quer alguma coisa?
– Não filha, obrigada. – Sai e comecei a andar devagar, a quanto tempo eu não saia de casa? Ate o gramado parecia algo bonito de se ver. Sai observando cada pessoa, cada casal, cada flor.......
– Samanta?- ouvi uma voz conhecida e me virei
– Bruna! – eu disse e sorri, caminhei lentamente enquanto respirava fundo. Vi que com ela havia um grupo de meninas e lá estava o Fernando no meio, o que havia me dado um fora.
– Oi gente – eu disse sorrindo para eles.
– Você sumiu! Não apareceu no encontro que nos marcamos com a galera.
– Desculpa, tive um imprevisto – Ele me olhou como se estivesse desconfiando, ia falar algo, mas Graças a Deus o meu celular começou a tocar. – Me deem licença um minuto.
Ligação ON
– Alo?
– é a Samanta Mellark ?
– Sim sou eu.
– Aqui é Simon Cowell.
– Desculpa, não sei de quem se trata.
– O produtor musical. Vi sua proposta, e gostaria de comprar sua musica senhora Mellark. – fiquei muda, pasma, não poderia acreditar, e tinha sido assim tão rápido? – Alo?
– Estou aqui.
– Então, gostaria de encontrar com você para acertamos os detalhes, e assinarmos o contrato de venda. Podemos nos encontrar amanha?
– Amanha?
– Sim, no meu escritório. Te passo o endereço por email.
– Tudo bem.
– obrigada. Ate amanha.
Ligação off
Continuei parada onde estava com o celular na mão. Aquilo era um sonho? Era verdade mesmo? Ele havia gostado da minha musica? Não, não, eu sou a Samanta, a menina normal, com uma vidinha comum e problemas difíceis, aquela que havia levado um fora e atualmente filha de pais separados.
–Ta tudo bem por ai? – A Sara me perguntou.
–Oi, há desculpa. Ta sim. Me desculpem, mas eu preciso ir, é urgente.
–tudo bem, a gente se vê depois – a Bruna falou.
–Tudo bem, tchau. – eu disse enquanto ia apressadamente para casa. Precisava ir para o meu quarto, assimilar o que aconteceu. E Ligar para a Elisa, minha melhor amiga. Ela havia se mudado para outro lugar, mas eu precisava contar a ela o que havia acontecido. Desde que ela fora eu me sentia muito só, e não falava muito com ela. Havia me afastado dela porque morria de saudades, mas agora, dependendo de quanto dinheiro eu ganhasse, poderia ir visitá-la ne? A Ideia me animou. Entrei em casa e me bati com minha mãe.
–Já voltou?
–Recebi uma ligação.
–De quem?
–De um produtor musica, escrevi uma musica e ele gostou, quer comprá-la.
–Ah minha filha, parabéns. – ela veio me abraçar.
–Obrigada mãe, bem, vou para o meu quarto, tentar falar com a Elisa.
–Tudo bem, manda um beijo para ela.
Me deitei na casa e disquei o numero dela. Primeiro toque...meu coração estava começando a se acelerar....segundo toque....sera que ela iria me atender? Terceiro toque.....
Ligação on
Alo?
–Elisa! Que saudades !
–Samanta? – Ela me perguntou com a voz de assustada.
–Não reconhece mais minha voz não é vaca? – perguntei quase rindo.
–Não acredito! Nossa, pensei que já tinha esquecido de mim, nunca mas me ligou.
–é tou passando por momentos difíceis, meus pais estão se separando e o colégio não vai nada bem.
–Nossa amiga, que pena...- a interrompi não havia ligado para isso.
–Mas aconteceu algo maravilhoso que preciso te contar.
– arrumou namorado?
–Não tão maravilhoso assim – nos rimos.
–O que foi então? Conta logo vaca, ta me matando de curiosidade.
–Eu escrevi uma musica e um produtor esta interessado nela.
–Opaaa, vai virar cantora agora?
–Não, ele quer comprá-la, não quer que eu cante não.
–também, imagina que prejuízo seria? Teria que comprar muitos vidros novos.
– ah sua..- começamos a rir. Como eu sentia falta da minha velha Elisa.
–Mas então, e as novidades Sam?
–que nada, tudo na mesma e por ai?
– a eu preciso que você venha aqui!
–preciso que você volte para cá! E a propósito, minha mãe mandou um beijo.
–manda outro para ela e fala que tou com saudades daquele bolo de cenoura – Minha mãe fazia um bolo de cenoura que dava água na boca. Nesse momento ouvi alguém gritando do outro lado da linha “ Elisa, hora do Jogo” – Ei Sam, me desculpa, mas tenho que ir jogar handboll agora, mas prometa que vai passar a me ligar mais ok?
–Ok eu prometo.
–Tou morrendo de saudades...
–Tambem tou.
–Tchau, e se cuida viu?
–Ta bom.
–Ei, lembre-se de que qualquer coisa eu continuo com você viu?
–pode deixar, e bom jogo.
–obrigada, beijo.
Ligação Off
Quase chorei ao desligar, ela havia sido minha grande amiga, minha pequena irmã ( por causa da altura, Elisa era tão baixinha ) . Entrei no tumblr e agradeci as meninas por me incentivarem, chequei meu e-mail anotando a hora e o local da “Reunião” .Escrevi um texto sobre saudades, e fiquei navegando, vendo vídeos e imaginado o que aconteceria daqui para frente. Fui dormi um pouco mais cedo, não por sono, mas por ansiedade, queria logo vender essa musica. Eu ficava pensando se ouviria ele tocar no radio, ou na casa do vizinho... eu imaginava tantas coisas. Peguei um livro da pilha dos quais eu separei e comecei a ler, cai no sono lendo. Não tive sonhos, quase nunca tenho. Acordei cedo, ele havia marcado comigo as 8:00 eram 6 hrs, tomei café, banho e peguei minha bolsa, coloquei dinheiro, documentos e a musica. Escrevi um bilhete para minha mãe e colei na porta do meu quarto. Fui no cartório, registrei a música e em pouco tempo eu havia chegado diante do grande prédio em que se localizava o escrito do senhor Cowell. Respirei fundo e entrei.
–Bom dia, tenho uma reunião marcada com o senhor Simon Cowell. Sou a Samanta Mellark.
–Um instante, por favor. – A Secretaria deveria ter uns 27 anos, estava com o uniforme da firma e um coque, era bonita mas um pouco superficial. – Ah sim Senhora Mellark, ele esta a sua espera. Segundo andar, a terceira porta a esquerda. Quando chegar é só entrar direto.
–Obrigada – sorri e fui pegar o elevador. Enquanto estava no corredor respirava fundo para manter a calma. Parei em frente a porta e girei a maçaneta calmamente.
–Com licença, senhor Cowell?
–Sim. Entre por favor e sente-se Samanta. E a propósito, pode me chamar de Simon. – Ele me parecia um senhor distinto. Olhos firmes, cabelos curtos e pretos, branco, alto e um pouco forte. Me passava confiança.
– Tudo bem, obrigada Simon. – eu sorri e sentei sem graça.
–Então, trouxe seus documentos?
–Sim, estão aqui. – eu disse retirando e entregando a ele. – tudo certo. Aqui esta o contrato – ele me passou alguns papeis. Puxei e li, la informava que a parti do momento em que eu assinasse a musica não me pertenceria mais de certa forma, daria direitos totais para o produtor. Concordava com tudo, não pretendia cantá-la. La informava o valor também, eu iria lucrar 30% do que ele conseguisse com ela, isso me parecia justo. –
–Tudo bem, onde eu assino? – levantei perguntando e ele sorriu.
–Aqui, aqui e aqui. – ele apontou os lugares e eu assinei.
–Bem, darei a meus artistas essa semana e devemos lançá-la logo. Assim que lucrarmos algo 30% será passado para a senhora.
–Certo.
–Devo perguntar você compõe frequentemente?
–Não
–Essa foi a primeira?
–Certamente, nunca tinha feito isso.
–Bem, tem talento, se tiver algo novo me informe por favor. Aqui esta meu cartão, caso tenha novidades.
–Certo, obrigada. – eu sorri e me levantei.
–Eu que agradeço, foi um prazer fazer negocio com a senhora. – ele se levantou e apertou minha mão, sai e aproveitei para dar um volta. Respirar. Estava me dando o direito de liberdade, algo que haviam tirado de mim à muito tempo.
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