Imprevisíveis
14 A Volta do Amor
Notas iniciais
Pedro gargalhava dentro do carro em direção a sua casa, com Catarina dirigindo.
– Para de rir! — Ela gritou e bateu em sua perna.
– Fala sério que tu estás com ciúmes de mim com a Maria? Catarina, pô, nós dois somos amigos!
– Não posso sentir ciúmes de ti por isso? — Ela estava com muita raiva.
– Pode... Mas é sem sentido!
– Cala a boca ou eu te deixo no meio do caminho. — Ela evitou olhar pra ele, mas falou cada palavra calmamente.
Imediatamente ele se calou e assim ficaram até chegarem a casa dele.
– Quer almoçar? — Pedro perguntou-lhe, com a intenção de quebrar o clima.
– Não. — Ela foi seca e direta.
Antes de sair do carro ele lhe beijou a bochecha. Catarina deu a partida e foi pra casa xingando até o vento que lhe bagunçava os cabelos. Não conseguia entendê-lo, como em quase um mês eles estavam um amor juntos, ele morria de declarações para ela, dizia-lhe que nunca queria perder sua amizade, inclusive prometeram que nunca iriam abandonar um ao outro. Mais uma vez a história de anos atrás se repetia: estavam brincando de montanha russa, num momento estão felizes e juntos, noutro, Pedro resolve desistir de tudo e lhe magoa.
Com o passar dos dias, Maria começou a ser uma garota insuportável, grudenta e sem conteúdo, eram palavras ditas pelo próprio Pedro a Catarina em uma das milhares de conversas via MSN que tinham. Sim, a raiva de Catarina durava poucos dias ou apenas horas, depois estavam juntos novamente, um zoando o outro, trocando carinhos e apegados.
Em maio, todos os meninos fizeram uma surpresa para Catarina, na própria faculdade, pois, mesmo convidando as meninas para participarem, nenhuma delas quiseram, inclusive houve quem criticasse a atitude deles.
– Vocês só estão fazendo isso porque ela paga boquete para todos vocês.
– Além de vocês só saberem a matéria porque ela ensina.
– É, depois ela paga com boquete.
– São todos interesseiros!
Então, para confrontá-las, todos os amigos de Catarina apareceram de surpresa na aula, com chapeuzinhos de festa e balões. Era Pedro quem segurava o bolo.
– O que é isso? Catarina perguntou um tanto abobalhada.
– Fala sério que você não sabe o que é isso sua sonsa... — Uma das meninas disse baixo, mas Catarina resolveu ignorá-la.
Então todos cantaram parabéns para ela, inclusive as meninas que foram coagidas a não participarem da surpresa. O professor que estava em sala quis matá-los, mas desistiu após receber o primeiro pedaço de bolo por condolências.
Catarina, menina educada que era, ofereceu bolo para todos, até para aquela que lhe chamou de sonsa. Estava num patamar a cima daquelas meninas que um dia lhes chamaram de amiga, mas que no momento apenas a chicoteavam pelas costas.
Após o bolo acabar, Pedro ajudou-lhe a limpar as coisas para o professor finalmente iniciar sua aula. Saíram os dois para o corredor com a bandeja suja com restos de brigadeiro do bolo de chocolate.
– Modesta a parte, fui eu quem tive a ideia! — Pedro disse enquanto comia o excesso de bolo que ficara na bandeja.
– Fala sério, pô, não tinha porque se dar esse trabalho todo! — Catarina estava sem graça.
– Claro que tinha! Tu me disse que nunca teve festa surpresa... Além do mais, tu fez vinte anos, temos que comemorar!
– Mas eu tinha te falado do jantar lá em casa, com a minha família.
– Com a tua família de sangue. Com essa daqui, da faculdade, que sempre está contigo, não!
Catarina o abraçou.
– Obrigada, Pê. Muito obrigada mesmo.
– Você é muito importante para mim, Cá... Não sabes o quanto. — Ele retribuiu o abraço e assim ficaram.
– Não quanto você é pra mim.
Estávamos próximos, ligados por algo superior que o físico, sentiam a respiração um do outro. Seus olhos se cruzaram, pareciam conversar apenas por olhares. Se entendiam, se completavam, faziam bem um ao outro.
– Licença. — Um aluno apareceu no corredor e tirou-lhes do transe. Estavam em frente a porta do banheiro, impedindo a passagem do rapaz.
– Pois não. Catarina se desvencilhou dos braços do amigo.
– Bom, vou levar isso para o carro. — Pedro pegou a bandeja e subiu para o estacionamento, enquanto Catarina voltava para a sala.
O resto da manhã correu naturalmente, principalmente entre os dois. A cena na porta do banheiro parecia nunca ter ocorrido. Por sorte ou azar de Catarina, Pedro tinha ido de carro à faculdade, então não ficaram mais sozinhos.
No fim da tarde, Catarina recorreu a Fernanda, sua amiga de longe, mas que sempre estava por perto.
"Candy, você não sabe o que aconteceu hoje!"
Trocavam mensagem via celular.
"Não sei enquanto você não me contar, né?"
"Calma, que a historia é longa!"
"Estou em casa, liga o msn!"
Catarina imediatamente ligou o computador e conectou-se ao MSN.
Candy Vondy diz:
conta tudooooo
Catarina B. diz:
ele fez uma surpresa pra mim hoje!!!
ele e todos os meninos apareceram de supresa
a mãe dele fez o bolo
mas ele jurou de pé juntos que foi ele
DUVIDO
Candy Vondy diz:
além de louco ele faz bolo?
Catarina B. diz:
isso não importa
o que importa é que quase nos beijamos!!!
Candy Vondy diz:
:O
pq quase?
Catarina B. diz:
pq um louco chegou e nos tirou do nosso próprio transe
mas só por isso
Candy Vondy diz:
mas vocês não vão pra casa juntos?
Catarina B. diz:
justo hoje ele foi de carro
por causa do bolo
:'(
Candy Vondy diz:
naum meta os pés pelas mãos
vai dar tudo certo
você vai ver
Fale com o autor