Imprevistos
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Enquanto nosso casal saia do motel pra vir pra casa, dois amigos deles saiam do prédio onde eles moravam.
O namorado da vítima do caso de Greg e Nick, coincidentemente mora no mesmo prédio onde Grissom mora com Sara.
_Aí, Nick ... será que o chefe está aí? Quem sabe ele não conhece o cara que viemos falar, mas não encontramos. Nós podíamos subir de novo e bater lá no apartamento do Grissom.
Nesse instante o porteiro que passava pelos dois que vinham pelo hall do prédio em direção a saída, parou ao ouvi-los pronunciarem o nome do supervisor.
_Me desculpem, mas o doutor Grissom não se encontra no apartamento dele. Ele saiu muitas horas atrás com a namorada dele. — contou o porteiro.
Greg e Nick se entreolharam espantados quando aquele homem disse que o chefe deles havia saído com a namorada.
_Namorada??
_Sim!
_Olha ...Tem certeza disso, senhor? Não está enganado? Não é de outro Grissom que está falando, não? — Greg questionou completamente descrente do que acabara de ouvir.
Como assim Grissom tinha uma namorada?
_Pois é, porque o Grissom que conhecemos e que é nosso chefe, não tem namorada nenhuma, e pra ser franco... acho que ele nem sabe como agir com uma. — Nick comentou com um meio sorriso.
Não conseguia imaginar seu chefe do jeito que era sendo romântico e carinhoso com uma mulher. Ele parecia ser tão ... estranho!
_Tenho certeza absoluta até porque, nesse edifício só tem um morador com esse nome.
Os dois peritos que estavam surpresos com aquela 'descoberta' ficaram mais surpresos ainda, quando o porteiro lhes disse que a namorada do supervisor mora com ele e isso, faz uns três meses.
_Cara, eu não fazia ideia que ele sequer tinha uma namorada, quanto mais que ele morasse com ela. — murmurou Nick
_Nem eu! ... Por que será que ele esconde isso? Será que é porque ela é feia? — Greg brincou.
_Ah, posso lhes garantir que isso ela não é. A namorada do doutor Grissom é uma moça muito bonita, além de simpática e educada. — contou o porteiro.
_Por acaso o senhor sabe o nome dela?- a curiosidade de Greg foi tamanha que ele não resistiu em perguntar aquilo, só pra vê se eles conheciam essa mulher que conseguiu a façanha de conquistar um cara estranho como o chefe deles.
_Sei sim ... ela tem o mesmo nome da minha filha ... Sara!
_Sara?? — Nick e Greg perguntaram juntos.
Uma pergunta ocorreu simultaneamente na cabeça de Greg e Nick, e ao mesmo tempo.
Seria essa Sara, a mesma Sara que eles conhecem e que trabalha com eles?
Eles tiveram a confirmação disso segundos depois.
_Sim, Sara. Ela é uma morena, cabelos castanhos, alta e magra, muito bonita. Eu disse certa vez ao doutor Grissom que ele tinha ganho na loteria com uma namorada tão bonita como aquela.
Greg e Nick nem ouviram o final da frase do porteiro, pois estavam em choque com a descoberta. Associando o nome a descrição dada pelo porteiro, os dois peritos chegaram a conclusão de que a Sara em questão era mesmo a colega de trabalho deles.
Sara, a quem eles conhecem a anos, namorava e morava com o chefe deles?
Sinistro ... maluco e totalmente ... estranho!
Os dois peritos se despediram do porteiro ainda impactados com a descoberta.
Dentro do carro eles tentavam assimilar e digerir aquilo.
_Caraca ... o Gris com a Sara... quem ia imaginar!
_Era por isso que ele ficava me fuzilando com o olhar quando eu ficava abraçando a Sara e dando beijos na bochecha dela.
_Pois é ... e também está explicado o motivo de vários casos de decomposição irem pra você, Greg. Vingança do Grissom por você ficar brincando com a mulher dele. — Nick brincou.
_Exatamente!
_Olha eu acho que essa descoberta deve ficar só entre nós. Não vamos contar isso a ninguém, ouviu Greg?
_Nem ao Warrick?
_Nem a ele. Isso vai ficar entre nós dois cara.Entendeu?
_Certo!
_Bico fechando e selado? — Nick passou dois dedos sobre os lábios como que se passasse um zíper neles e depois estendeu a mão ao companheiro de trabalho.
_Bico fechado e selado ... bem selado! — Greg imitou o gesto do amigo e em seguida apertou a mão dele.
Logo depois desse 'acordo' que os dois fizeram, Nick deu partida no carro e eles seguiram pra voltar ao laboratório. Quando o carro que os levava dobrou a esquina mais adiante, o táxi que trazia Grissom e Sara dobrou a outra esquina que ficava ao lado do prédio.
Alguns minutos depois e o casal já entrava no prédio. Quando estavam diante do elevador eles ouviram o porteiro chamar e fazer sinal para Grissom vir até ele.
_Acho que ele quer falar com você, Gil. Vai lá, mas antes me dê a chave do apartamento, porque eu vou subir logo.
Ele fez o que ela pediu e depois seguiu de volta a portaria pra falar com o homem que lhe chamara.
_Algum problema?
_Não, não, doutor. É que ainda agora esteve uns dois rapazes aqui, acho que eles eram da polícia porque vieram falar com um morador, depois, quando eles já iam embora eu passei por eles e os ouvi falarem no seu nome e dizerem que iriam subir pra falar com o senhor. No mesmo instante eu disse a eles que o senhor não estava, pois tinha saído com sua namorada.
_Você disse que acha que eles eram da polícia?
_Exato.
_E quem eram esses ''rapazes''? Não deixaram nome?
_Não, senhor! ... Mas acho que trabalham com o senhor, pois um deles se referiu ao senhor em determinado momento, como chefe.
Grissom gelou com isso. Chefe?? Só havia três sujeitos que lhe chamavam assim.
_Como eram esses dois rapazes? — o supervisor questionou, torcendo pra que não fosse nem dos seus garotos e nem que seu porteiro tenha dito o nome de sua namorada a esses dois rapazes.
O porteiro descreveu perfeitamente Greg e Nick pra desespero total de Grissom.
_Me diga uma coisa, por acaso disse como era o nome da minha namorada e como ela era?
''Diga que não, pelo amor de Deus!!''
_Sim !!
Pronto!! Mais duas pessoas já sabiam sobre eles.
O que era segredo estava sendo descoberto rapidamente e ''sem querer''.
_Não era pra dizer, não é doutor Grissom? — o porteiro notou que tinha feito besteira contando aquilo.
_Tudo bem. Talvez tenha sido melhor, eles saberem logo disso.
...
Ele bateu na porta do apartamento e enquanto esperava Sara vir atender, pensava em como contaria a ela que mais gente já havia descoberto sobre eles. Mesmo sendo pego no susto por isso, Grissom acho que foi até bom que tenham descoberto sobre eles, porque ele já estava cansado de esconder isso de tudo e todos, principalmente dos amigos que eram sua família, fazia isso mais por sua namorada que receava abrir a relação deles aos outros.
A verdade é que de uns meses pra cá mais precisamente, desde que Sara passou a morar com ele, que Grissom sentia mesmo vontade de contar pra quem quer que fosse que ele e Sara estavam juntos, que viviam juntos. Não queria mais esconder o que tinham como se isso fosse errado, como se fosse um ''pecado'', coisa que não era.
Nenhum deles escolheu isso. Nenhum deles escolheu se apaixonar um pelo outro. O coração de cada um foi quem escolheu isso. O coração de cada se apaixonou um pelo outro e quando isso acontece não tem como fugir. Se bem que o de Grissom tentou, mas não conseguiu.
Já dizia o sábio: ''Ninguém manda no coração.''
Não se determina e nem se impõe a ele que não ame ou deixe de amar alguém, porque simplesmente existem regras que vão contra a relação que pode haver entre os ''donos'' dos corações apaixonados, apenas se ama e nada mais ... Apenas se vive aquele sentimento e nada mais!
_Gil??
Ele se assustou com o chamado mais alto dela. Havia se perdido nos pensamentos que nem tinha se dado conta de que Sara já havia aberto a porta há tempos e que esse, era o terceiro chamado dela.
_O que o porteiro queria e por que está com essa cara? — ela o indagou logo depois de fechar a porta.
Ele a levou até o sofá e então lhe contou.
...
Catherine chegou pra autopsia da vitima do serial killer dos motéis, estampando um pequeno sorriso pela descoberta de muitos minutos atrás. Ainda não conseguia esquecer o susto que levou ao ver o amigo aparecer após a porta do quarto do motel ser aberta. Tinha certeza que não tiraria aquilo tão cedo de sua mente.
_Aconteceu alguma coisa Catherine? Você me parece contente! — Doutor Robbins que estava com David ao seu lado, não resistiu em lançar aquela pergunta a loira, vendo o sorriso que ela trazia nos lábios ao entrar ali.
_Realmente aconteceu uma coisa. Um fato engraçado, diria hilário, mas infelizmente eu não posso compartilha-lo com vocês porque é algo que diz respeito a alguém que não está aqui, então ... Sinto muito!
Ela não ia revelar aquilo, pois além de ser algo particular sobre a vida intima de seu amigo, ele ainda tinha lhe pedido que não fizesse isso e ela o respeitava o suficiente pra acatar um pedido dele.
Enquanto isso em outra sala do laboratório Greg e Nick trabalhavam em seu caso e em meio ao trabalho eles não deixavam de pensar na ''descoberta do século''. Vire e mexe os dois trocavam um olhar e caiam na risada com aquilo.
Quando eles iam imaginar uma coisa daquelas!
O turno tanto pra Catherine quanto para Nick e Greg, não foi o mesmo naquela noite, por mais que os três tentassem não pensar em Grissom e Sara, eles acabavam pensando e se divertindo com aquilo.
...
_Isso só pode ser brincadeira com a gente! — Sara exclamou assim que Grissom acabou de lhe contar sobre o que o porteiro havia lhe dito.
_Com certeza com tudo o que o porteiro disse, aqueles dois já chegaram a conclusão que você é a minha namorada.
_Também o que esse porteiro tinha que dizer isso? Me diz o que ele tem que ficar contando aos outros sobre a vida particular dos moradores? — ela se irritou.
_Calma, Sara!
_Me acalmar? Primeiro foi a Catherine e o Jim que descobriram sobre a gente e de um jeito bem constrangedor, agora Nick e Greg também descobrem por intermédio do porteiro, só falta o Warrick descobrir de um jeito 'diferente' também.
_Por que não contamos logo pra ele?
_Contar?
_É ... Olha, a maioria já sabe mesmo, pra que continuar escondendo? Vamos contar logo, reunirmos todos e confirmarmos o que a maioria deles já sabem, além de compartilhar com o Warrick sobre a gente. Não tem mais porque escondermos algo que eles já sabem.
_Tenho medo de que isso chegue aos ouvidos do Ecklei e você sabe tão bem quanto eu, o que vai acontecer.
Mudanças!
E ela receava isso. Não queria ficar longe dele e tampouco dos amigos que com quem já trabalhava a anos.
_Uma hora ele vai ter que saber, Sara.
_Eu sei, mas
_Olha ... — ele a interrompeu segurando em uma de sua mãos. _... Não estou dizendo pra 'abrirmos o jogo' pra ele agora, mas sim aos nossos amigos. Tenho certeza que se pedirmos discrição da partes deles, eles nos atenderam. Porém isso não pode durar por muito tempo. Eu não tenho medo dele.
_Eu também não, Gil. Mas tenho medo do que ele possa fazer contra você ou contra mim.
_Pois ele que se atreva a fazer algo contra você que ele vai se ver comigo. A mim ele pode fazer o que bem quiser, mas a você eu não vou permitir.
Ela esboçou um pequeno e tímido sorriso por sua palavras.
_Vai me defender desse vilão malvado, meu super-herói? — mesmo aflita com aquela situação ela não resistiu em fazer essa brincadeira com o namorado.
Entrando na brincadeira dela, ele respondeu:
_Com certeza, minha donzela em defesa! — beijou sua mão que ainda era segura pela dele.
Sara sorriu mais largamente enquanto encarava com doçura o homem a sua frente.
Ele era uma pessoa incrível e especial, não media esforços pra protegê-la, mimá-la e fazer tudo por ela.
Se houver outra vida como dizem por aí, seu amor por ele se estenderia pra essa outra vida e outra, outra ...
Toda a luta, o sofrimento e tristeza que viveu no tempo em que ele se recusava a dar uma chance a eles por medo, agora vinha sendo muito bem recompensado ao longo desses um ano e meio que estavam juntos, através de momentos como esses em que ele demonstrava o quão carinhoso, protetor e amoroso era com ela.
_Eu te amo, sabia? — ela tocou seu rosto com a outra mão livre. _E sim, vamos abrir o jogo logo.
_Pode ser amanhã?
Ele queria o quanto antes resolver aquilo.
_Huhum!
...
''Infelizmente não foi dessa vez que a polícia de Las Vegas conseguiu descobrir quem é o serial killer dos motéis. Torcemos pra que logo eles consigam descobrir e pegar esse assassino.''
A repórter do jornal da manhã informava na TV.
_Cadê o controle dessa televisão? — Grissom perguntou erguendo-se um pouco da cama onde ainda estava deitado com Sara ao seu lado.
Por ainda ser cedo os dois ainda se encontravam deitados.
_Não sei. Acho que vi embaixo do seu travesseiro. Por que?
Ele passou a mão por baixo do travesseiro e achou o que procurava. Logo depois respondeu a pergunta de Sara:
_Porque vou trocar de canal. Não quero ouvir falar na palavra motel pelos próximos ... seis anos!
FIM? Bem que poderia ser, mas ainda não é!
Temos mais um capítulo...
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