Notas iniciais
Boa Leitura

“—Sonho contigo todas as noites—Disse entrelaçando os nossos dedos, fazendo um carinho especial na fita de cetim amarela que estava amarrada no meu anelar.

— Isso é um fato ou um desejo? —Questiono enquanto foco nas flores que eu lhe trouxe, tentando espantar as lágrimas.

— Hoje é um fato, mas quando tudo acabar, será meu único desejo.”

Presente

—Sasuke!!—Acordo assustada, já soluçando por causa do sonho.—Que merda!!—Em um acesso de raiva jogo tudo que tinha em cima da cômoda(Um copo com água, abajur e um livro de autoajuda qualquer) no chão e levanto às pressas pro banheiro, ignorando a dor nos pés causada pelo caco de vidro.

Fazia um mês ou dois que eu tinha deixado de ter esses pesadelos. Era tudo tão real que eu não dormia, somente pra evita-los.

—Porque essa porcaria tá acontecendo de novo? —Pergunto a mim mesma, enquanto abro o remédio e o engulo ao seco.

Ouço um som de sino, e de repente um vulto preto peludo sobe na minha pia me fazendo carinho, sentindo toda dor que ainda sinto.

—Eu sei Salém...Eu sei.

Passado

—Qual o problema em ter um filho? —Sasori questiona enquanto enxuga os pratos que eu por acaso estou lavando.

Voltamos juntos pra casa do trabalho, que apesar de estranho, era a coisa mais difícil de se acontecer já que nossos horários nunca batiam. Com a preguiça de fazer janta, acabamos por comprar comida chinesa e desde de que sentamos pra jantar ele fala nesse assunto.

—Adota um cachorro Sasori—Reviro os olhos.

—Mas amor não podemos adotar um cachorro, a gente passa muito tempo fora de casa.

—É exatamente por isso que não podemos ter um filho—Faço uma expressão de vitória, enquanto entrego o ultimo prato pra ele enxugar e vou em direção ao quarto.

—Claro que se a gente tiver um filho a gente fica mais tempo em casa né Sakura—Sasori veio atrás.

—Oh Sasori, você terminou de enxugar aquele prato? —Deito na cama, e ele deita ao meu lado.

—Eu sei que você também quer—Diz enquanto me abraça e cheira meu pescoço, me provocando—Mas sabe qual a melhor parte sobre ter filho? —Sobe a mão lentamente sobre a minha coxa.

—Sim? —Sussurro-me entregando as caricias

—É fazer o filho.

—*-

—Olha Sakura, eu sei que teu humor em 100% do dia é resumido nessa sua cara de bunda, mas qual o problema dessa vez? —Ino e sua delicadeza.

Estávamos no refeitório do hospital, como extrapolei em consultas hoje perdi boa parte do horário de almoço e não daria tempo ir em algum outro lugar pra almoçar, com sorte Ino, que é enfermeira daqui, veio me fazer companhia

—Sasori quer ter um filho—Respondo mexendo com uma colherzinha no mousse de maracujá

—Ué, vocês são casados já a um tempinho, tem casa própria, emprego estável...Qual o problema?

—Eu não sei. Simplesmente não quero—Ino me encara com seus olhos azuis confusos

—Mas porquê?

—Ino, olha pra mim—Abro os braços—Você acha que eu tenho cara de ser mãe?

—Amiga você é pediatra —Aponta pra mim e termina de tomar o seu suco de laranja

—Ino, é diferente, não são meus filhos, são pacientes. É algo imparcial sabe?

—Eu sei que você está inventando desculpas. Sakura, seja sincera—Ela se inclina e segura em minhas mãos—Você não quer ter um filho ou não quer ter um filho com o Sasori?

Eu queria?

Sasori era bonito, simpático, educado, inteligente, divertido e além de tudo era o meu marido, então porque essa dúvida?

—Esquece isso, temos que trabalhar—Digo tirando minhas mãos sob as suas.

—Ok ok, mudo de assunto—Se deu por vencida—Mas hein, soube que você fugiu ontem da palestra. Ainda é aquele medo?

—Ah Ino, tchau—Levanto da cadeira e vou em direção ao meu consultório, ignorando os protestos de Ino

Sasori é meu melhor amigo, é uma das poucas pessoas que consegue me tirar sorrisos bobos com suas piadas mais bobas ainda, mas, por apesar de mais estranho que seja já que somos casados, nunca tinha imaginado essa de filhos. Amo ele demais, mas não acho que o amo o suficiente pra ser ligado eternamente em laço sanguíneo.

Entro no meu consultório e ligo o computador. Enquanto o espero a máquina ganhar vida, vejo a ficha dos nomes dos pacientes de hoje, até que ouço a porta bater.

Confiro a hora, falta 20 minutos pra próxima consulta, somente.

Estranhamente, a porta abre devagarinho, até que alguém coloca a cabeça dentro do consultório.

—Mas o que...- Sasuke?

—Oi—Um sorrisão—Que bom que é você, imaginei que desculpa eu...

—O que você tá fazendo aqui? Tá me perseguindo? —Era só o que me faltava

Levantei da cadeira e me dirigi até a porta, a abrindo de uma vez.

Sasuke estava bem simples, jeans, blusa vermelha do Flash e All Star.

—Me perdoe se passei essa impressão milady—Ele faz uma reverência. Reverência—Mas não, eu tava sentado no início do corredor e vi uma coisa pequena rosa entrando aqui, imaginei que era você e vim ver. Como não te confudem com as crianças daqui? —Questiona brincalhão, entrando no consultório.

—Eu tenho 1,64, tô no meu tamanho ideal, você que é alto. —Digo enquanto fecho a porta.

—Talvez você esteja no seu tamanho ideal pra terra do Oompa Loompas. —Ele fala baixo, mas não baixo o suficiente—Que bom que vi você antes de segunda, ainda faltava três dias, mas eu já tava ansioso. Minhas mãos ainda tão suadas, quer ver? —Estende as mãos, que eu suavemente abaixo com as pontas dos dedos.

—Quem disse que eu ia me encontrar com você na segunda-feira? —Cruzo os braços, enquanto ele senta no pequeno sofá.

—O destino me disse—Exibiu outro sorrisão, mas esse, dessa vez, me causou um arrepio estranho.

—Hum...O que você está fazendo aqui mesmo? —Ignoro e sento na cadeira, cruzando os braços abaixo do busto

—Minha princesa veio pra uma consulta. Espirros e tosses há uma semana—Agora ele falou mais sério, enquanto conferia a hora no relógio de pulso.

—Aprontou antes da hora e já tem uma filha Sasuke? —Dou um sorriso de canto, debochado.

—Que privilégio você lembrar meu nome, Sakura—Sasuke dá outro sorriso aberto, mas também debochado—Parti seu coração com essa informação?

—A função básica do meu coração é bombear sangue garoto—Digo fechando a cara e cruzando os braços. Minha reação o faz soltar uma gargalhada e dessa vez eu sinto meu coração errar uma batida

Que porra é essa?

—É somente minha sobrinha pirulito. Meu irmão fez a burrada que aliais, é a burrada mais fofa da minha família. Não marco a próxima consulta dela contigo porque aí você vai querer fazer da parte da família por causa dela aí vai me esquecer.

—Garoto você não se acha convencido?

—Não sou convencido, sou otimista—Diz já se levantando e se dirigindo a minha direção.

—Ah deu pra notar—Me levanto também e caminho até sua frente, ficando ridiculamente menor que ele —Meu turno vai já começar, imagino que a consulta da sua sobrinha também. Qual é o médico dela?

—É a doutora Mei—Ele diz suavemente, olhando novamente para o relógio—Ela está em boas mãos Doutora Haruno? —Um sorriso de canto aparece no seu rosto.

—Ela está em ótimas mãos, qualquer coisa pode vim falar comigo também, sou pediatra. —Ele confirma com a cabeça, fixando seus olhos nos meus. Não conseguia desviar a atenção.

Ele segurou em minhas mãos e fez um carinho suave em meus dedos, uma coisa simples que fez meu braço arrepiar inteiro.

—Então deixa eu ir porque as mãos do meu irmão não são tão boas assim pra ficar a sós com minha sobrinha—Ele diz quebrando o contato visual e olhando minhas mãos—Suas mãos são tão pequenas, e macias, nunca pegou numa enxada pra capinar algum quintal.

—Aí que você se engana meu caro Sasuke, essas mãozinhas já até ordenharam vaca—Digo puxando as mãos e me afastando um pouco. Ele dá outra gargalhada com minha afirmação

—Que rolê aleatório viu senhorita Haruno. Mais algum superpoder que eu deva saber? —Pergunta enquanto se dirige pra porta.

—Meus castelos de areia são magníficos, e aprendo um idioma mais rápido que uma receita nova- Repondo sorrindo.

—Cuidado Haruno, tio Ben diz que com grandes poderes vem grandes responsabilidades—Sasuke sai do consultório, mas continua virado pra mim.

—Ah claro, eu vou invadir a casa branca falando em Hebraico dizendo que sou a nova senhora dos mundos pedindo o controle da maior bomba nuclear—Digo me encostando na porta.

—Você vai precisar mais do que uma maldição pra fazer isso pirulito.

—Idiota.

—Sou um idiota lindão, admite—Ele pisca e me dá língua—Mas hein, você vai dá pra esse idiota a sua presença na segunda? Te pago um sorvete—Diz dando um sorriso aberto

—Sasuke eu não sei se isso é certo.

—Só um sorvete, gosto da tua presença, nada mais. — Diz sincero.

É só um sorvete Sakura, que mal tem certo?

—Tudo bem Sasuke, eu vou.

—Vou contar as horas

Inconscientemente, também contaria.

Notas finais
O próximo já ta quase pronto.Até lá.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.