Era aula de matemática, Lydia se concentrara em realizar os vários cálculos escritos em seu caderno, e obviamente faria isso com a maior facilidade, pois era uma garota esperta e planejada. A ruiva conduzia o lápis pela folha ampla, escrevendo os números que decidira serem os resultados para os problemas. O silêncio tomava conta daquela vasta sala de aula repleta de alunos que Lydia considerava serem péssimos em matemática, o que resultaria nela sendo a única com a nota dez no final da aula. Sorriu com a ideia.

O som estridente do toque de celular de Stiles rasgou o silêncio sem dó nem piedade, fazendo com que Lydia revirasse os olhos. Mas quando o olhou, notou que o garoto parecia surpreso, tão surpreso que atendeu o telefone ali mesmo, na sala de aula. O sinal tocou, todos saíram da sala, incluindo um Stiles devastado após desligar o celular. Lydia o seguiu discretamente.
"O que houve?" Perguntara Malia a namorada do garoto, mas teve como resposta, o silêncio repugnante de Stiles. Ele saiu do local, provavelmente indo embora para sua casa, e a ruiva, com sua curiosidade, não pude evitar de ir atrás dele.
O seguiu até a casa em que ele residia, e bateu na porta duas vezes, antes de empurra-la — pois não estava trancada — e subir as escadas até seu quarto.
Stiles a olhou de canto.

- O que faz aqui? Vá embora, Lydia. — ele pediu de maneira fria. A ruiva não pode deixar de notar que ele enxugara algumas lágrimas teimosas quando a viu.

Lydia se sentou ao seu lado, ignorando seu pedido. Analisou sua expressão triste, as lágrimas que pingoteavam um retrato em seu colo. Um retrato onde habitava uma foto onde um homem segurava um bebê nos braços. Eram ele e o xerife Stilinski, deduziu a ruiva. Mas por quê aquilo estava o perturbando?

- Stiles, pode me contar o que está havendo. Irei ouvir. — declarou ela, segurando com as duas mãos o rosto do garoto, que automaticamente começou a chorar como uma criança.

- É meu pai... Ele... Ele... Morreu. — depois de muito tentar pronunciar tal frase, Stiles conseguiu, em meio a muito soluços. Seu rosto estava repleto de lágrimas quais Lydia tentara enxugar.

- Shh.... Shh.... - a ruiva pousou um dedo sob os lábios do garoto, pedindo para que ele parasse de se torturar dizendo aquilo. Agora ela entendera o porque da ligação na sala de aula. Era um aviso de que seu pai havia morrido. - Eu estou com você... Sempre estarei. Eu prometo.

A ruiva deitou a cabeça de Stiles em seu colo, afagando seus cabelos. Ele chorava como uma criança, uma criança que perdeu o pai. Lydia de imediato se lembrou de quando o seu faleceu, fora o dia mais triste de sua vida. Lembrou-se também da morte de Allisson, sua melhor amiga. Havia perdido muita gente que amava, e entendia o sofrimento de Stiles, era a pior sensação de vazio. Ela cumpriria sua promessa, ficaria com Stiles lhe dando apoio e o ajudando a superar.

A tarde passara voando, anoiteceu e tudo ficou escuro no quarto de Stiles, que adormecera no colo de Lydia. A ruiva o observava atentamente, os olhos do garoto estavam inchados devido ao choro, as bochechas molhadas, o sono o dominando. Lydia o tirou de seu colo, deitando-o na cama sem acorda-lo. Fechou a janela do quarto com cautela, apanhou um cobertor que aparentava ser quente no armário de Stiles e o cobriu dos pés até o pescoço. Ficou ali, parada o observando dormir. A ruiva sorriu, passando a mão novamente nos cabelos do garoto, mas dessa vez, teve sua mão segurada por ele, mesmo dormindo. Lydia iria embora, estava tarde e sua mãe deveria estar preocupada.

- Fique. - pediu Stiles, sonolento. Provavelmente estava dividido entre o sono e o despertar, mas suas palavras eram as mais sinceras. Lydia sorriu, não importava o que sua mãe pensaria, aquele garoto sim importava, e ela não o deixaria.

Deitou-se ao lado daquele que dormia, cobrindo seu corpo. Virou-se para ele analisando-o enquanto dormia, antes de pegar no sono.