Imprevisível
4 Sem Home Run
Notas iniciais
Capitulo 4
Sem Home Run
— Bom, acho melhor eu voltar pra minha sala — Falei virando de costas para Sasuke.
Fiquei para esperando alguma palavra mais nada.
— Tchau — Disse tentando ser educada.
Peguei minha mochila e fui andando normalmente, mais me enrijeci quando senti alguém segurando meu braço. Virei-me vendo Sasuke me encarando com um sorriso de canto.
— Onde pensa que vai? — Perguntou ele.
— Pra aula, pra onde mais eu iria — Falei arqueando uma sobrancelha.
Ele bufou.
— Não estou falando de agora, quero saber mais tarde onde você vai?
— Pra cama — Falei sem pensar.
Ele riu baixo.
— A é? Isso parece interessante — Falou com tom malicioso.
Corei.
— Não e isso que você esta pensando — Tentei consertar.
Ele revirou os olhos.
— E claro que não. Sei que você não e dessas — Ele soltou meu braço.
Dei um meio sorriso.
— Mas enfim... Tem algo pra fazer hoje a noite?
— Não — Respondi.
— Esta a fim de sair? — Perguntou.
— Pra que? Pro seu irmão passar mal e você ir pro hospital de novo e me largar com cara de idiota — “Ufa finalmente desabafei”.
— Se espera que eu te peça desculpa pode esquecer.
— Não quero sua desculpas mesmo — Dei de ombros.
— Hum, vai querer sair ou não?
— Vou, me pegue as setes lá em casa — Dei as costas e fui andando de cabeça erguida, igualzinha uma patricinha.
Quando minha fixa caiu olhei pra trás e vi Sasuke rindo. Corei quando ele me jogou uma piscadela.
***
A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi pedir a Tayuya que inventasse uma desculpa pros nossos pais.
— O que espera que eu diga? — Tayuya perguntou.
— Diga que fui à biblioteca — Falei terminando de me enxugar.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Olha só a toda certinha da família saindo com o maior pegador da faculdade — Ela riu baixo.
— Quem disse que ele e o maior pegador da faculdade? — Perguntei.
— O Ita-kun — Disse ela suspirando.
— Quem?
— O irmão dele sua burra — Ela me jogou uma almofada.
Comecei a rir.
— Me deixa adivinhar, você ta gostando dele!? — Brinquei.
— To, e dai? — “Obs. Por essa eu não esperava”.
— Nada.
A ignorei e fui me vestir.
Vesti calça jeans rasgada e uma regata preta pondo a jaqueta branca de Tayuya por cima. Peguei meu par de al star preto. Sacudi meu cabelo molhado fazendo com que ficasse um pouco rebelde. Passei uma leve camada de rímel azul e um gloss incolor. Me olhei no espelho vendo que epla primeira vez em séculos eu estava bonita.
— Pra que isso tudo — Ouvi a voz de Tayuya meio rouca.
— Sei lá — Falei a verdade.
Peguei me celular e pus no bolso, logo em seguida ouvi a campainha tocar.
— Deve ser ele — Disse Tayuya indo pro banheiro — Tchau.
— Tchau — Respondi Indo até a portaria do prédio.
Sasuke havia estacionado seu Hummer preto por trás das arvores que ficam na frente do prédio. Entrei no carro normalmente. Sasuke estava impecável. Trajava uma camisa preta de mangas compridas e um jeans surrado. Seja aonde for que nos vamos não e nada muito especial. Não falamos nada durante a viagem só ouvimos musicas. De rock. Ele parou o carro em frente a um certo tipo de bar. Chamava Akatsuki.
Descemos do carro ainda em silêncio.
Quando chegamos à frente da fila, o caixa fixou os olhos em mim e depois em Sasuke, uma e outra vez, como se tentasse encontrar uma conexão.
— Perdeu alguma coisa? — Disse Sasuke, e lançou dois bilhetes de entrada sobre a mesa.
O caixa me encarou por um tempo. Ele percebeu que eu não conseguia parar de olhar para suas tatuagens nos braços. Ele moveu um charuto para o outro lado da sua boca e disse: — Algum problema?
— Não, gostei das tatuagens — Falei. Ele me mostrou os dentes afiados como os de um tubarão.
— Eu acho que ele não gostou de mim — Sussurrei só pra Sasuke ouvir.
— Pois e né, ele também não gosta de mim — Sasuke riu baixo.
Eu senti uma vontade inquietante de correr na direção do Hummer e sair rapidamente do estacionamento.
— Aqui é seguro? — Eu perguntei.
— Não, e se não quiser morrer não saia de perto de mim.
Meu queixo quase caiu.
— Por que você me trouxe num lugar desses?
Ele me olhou serio, mais depois riu.
— Isso não tem graça.
O lugar lembrava o ambiente de um cassino. As paredes pretas pintadas de cinza escuro. Mesas vermelhas no meio da sala. Mesas de poker espalhadas ao redor dos cantos. Lâmpadas de luz baixa curvando pelo teto. O cheiro dos cigarros congestionando o fluxo aéreo.
Sasuke escolheu a mesa mais distante da entrada. Ele pediu dois refrigerantes os colocando em cima da mesa.
— Eu nunca joguei sinuca — Confessei.
— Escolha um taco — Ele apontou para o aparador de varas embutido na parede. Eu levantei um e trouxe-o para nossa mesa. Sasuke começou a rir.
— O que? — Eu disse.
— Você não pode marcar um Home Run na sinuca.
— Sem Home Run. Entendido. — Falei vendo seu sorriso ficar mais largo.
— Você está segurando o taco como um bastão de beisebol. — Eu olhei para minhas mãos. Ele estava certo. Eu estava segurando-o como um bastão.
— Assim fica mais confortável pra jogar e certar qualquer um que chegue perto de mim. — Falei rindo baixo.
Ele se posiciono atrás de mi, pôs as mãos nos meus quadris e me posicionou na frente da mesa. Deslizou as mãos em volta de mim e tomou o taco de sinuca.
— Assim... — Disse ele, reorganizando a minha mão direita a poucos centímetros. —E... Assim — Continuou, levando a minha mão esquerda em um círculo com o polegar e o indicador. Ele então colocou sua mão esquerda sobre a mesa. Como um tripé. Ele empurrou a ponta do taco de bilhar no meio do círculo e sobre a junta do meu dedo médio. — Dobre sua cintura. — Eu inclinei em direção à mesa de bilhar, com seu hálito aquecendo meu pescoço. Ele puxou para trás o taco de sinuca e levou-o através do círculo.
— Em que acertar? — Perguntou, referindo-se ao triângulo de bolas acomodado no final da mesa. — O rosa parece uma boa escolha.
— Azul é minha cor favorita.
— Então, será a azul. — Sasuke levou o taco para trás e através do círculo, apontando para a bola, praticando. Eu mirei a bola branca para dentro do triângulo mas ela foi parar além da mesa.
— Foi um pouco desviado — Ele disse.
— O que quer apostar? — Perguntei — Cinco dólares?
— Não, prefiro sua jaqueta — Falou ele dando um sorriso.
— Você quer a jaqueta da minha irmã?
— Quero ver você tira-la.
Meu braço se moveu para trás e disparou o taco de sinuca com meus dedos, batendo na bola. Em seguida, atirou a bola para frente, batendo na bola vermelha, destruindo o triângulo, deixando as bolas bagunçadas em todos os sentidos.
— Ok — Falei tirando minha jaqueta.
— Estou chocado — Sasuke examinou minha regata. Seus olhos eram negros como o mar à meia-noite, sua expressão era selvagem. — Não esperava por isso — Disse ele. Em seguida, passou-se à volta da mesa, observando a posição onde as bolas estavam.
— O que você não esperava? — Perguntei.
Ele riu se apoiando no taco.
— Você e diferente das outras garotas.
— Como assim?
— Você e simplesmente... — Ele de uma pausa —... Você.
Passos pesados ecoaram no piso da escada. Um rapaz alto e meio bronzeado, com um cabelo ruivo espetado apareceu com uma substância negra. Olhando primeiro pra Sasuke, em seguida, fixou os olhos em mim.
Um pequeno sorriso apareceu em seu.
— Você não mencionou que ia trazer uma garota tão bonita — Disse ele encarando Sasuke, limpando a boca com as costas de sua mão. Ele falou com um forte sotaque britânico.
— Eu também não mencionei que você é era tão feio — Sasuke retrucou, com um sorriso. O rapaz inclinou-se sobre a mesa de sinuca ao lado de mim e me ofereceu sua mão.
— Meu nome é Jugo, amor. — Eu ofereci minha mão com relutância.
— Sakura.
— Estou interrompendo alguma coisa aqui? — Jugo disse, dividindo o olhar entre mim e Sasuke.
— Sim. — Eu e Sasuke dissemos em sincronismo.
Sasuke inclinou sua cabeça em direção às escadas e ergueu sua mão para mim. — Vamos dar o fora daqui — Ele disse, me levando pra longe de Jugo.
— Aonde vamos? — Eu perguntei, com meu estômago descendo aos joelhos.
— Você vai ver.
Enquanto nós subíamos as escadas, Jugo falou alto para mim. — Boa sorte, querida.
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