Imprevisível
1 Primeiro Contato
Notas iniciais
Capítulo 1
Primeiro Contato
Parecia que tudo naquele lugar conseguia se tornar desagradável pra mim. O chão era pura lama, uma multidão enlouquecida, o ar era extremamente nojento, com uma mistura horrorosa de suor, fumaça e óleo. As vozes de todos tinham se transformado em zumbidos altos, pessoas começavam a emburrar uns aos outros feitos animais era quase impossível conversar em meio tanto barulho. Passei sufocada e exprimida em meio a multidão atrás da minha melhor amiga.
— Tente não se perder da gente! — Ino gritou para mim.
Seu rosto mal dava para ser visto por causa da fraca iluminação.
— Acho melhor se segurarem! Vai ficar pior daqui a pouco! — Sai avisou em um berro.
Ino segurou o braço dele e depois o meu, enquanto Sai nos leva em meio aquela multidão.
Um som agudo de um microfone cortou o ar repleto de fumaça. O ruído quase me deixou surda. Fiquei cassando em meio à multidão de onde vinha o barulho. Um homem estava em pé sobre uma cadeira de metal, com um rolo de dinheiro em uma das mãos e o microfone mais uma bandeira na outra.
— Sejam bem-vindos! Meu nome é Naruto. Sou eu que faço as regras e convoco as corridas. As apostas terminam assim que os oponentes estiverem na linha de chegada. Nada de tentar sabotar os carros, nem ajudar, nem mudar a aposta no meio da disputa, muito menos se jogar na frente dos carros. Se quebrarem essas regras, vocês serão atropelados, esmagados e jogados em uma caçamba de lixo sem nenhum dinheiro e isso vale pra vocês também, meninas. Então, não por favor NÃO pulem na pista!
Sai balançou a cabeça.
— Larga de ser chato, Naruto! — ele gritou para o mestre de cerimônias.
Meu coração batia estava quase saltando pela boca. Com um suéter azul claro e com o cabelo preso em coque, me senti uma velha. Eu havia prometido a Ino que conseguiria lidar com o que quer que aconteça com a gente, mas, acabei vacilando, senti uma necessidade urgente de agarrar seu braço magro com ambas as mãos. Ela era meu único porto seguro, mas estar em um beco com mais ou menos cinquenta universitários bêbados, sedentos por disputas de racha e dinheiro... Bem, eu não estava exatamente confiante quanto às nossas chances de sair dali ilesas.
Depois que Ino começou a namorar com Sai no ano passado, com frequência ela o acompanhava às corridas secretas que aconteciam em diferentes becos da Florida. Cada evento era realizado em um local diferente, que permanecia secreto até exatamente 1 semana antes.
Como eu frequentava tipos de “diversões” bem mais comportadas, fiquei surpresa ao tomar conhecimento do submundo da Florida; mas Sai já conhecia esse mundo bem antes mesmo de ter se juntado a ele. Sasuke, colega de sala dele, participou da sua primeira disputa há três anos. Como veterano, os rumores diziam que ele era o competidor mais veloz que Naruto tinha visto nos quatro anos desde que criou as disputas. Quando começou a faculdade, Sasuke era imbatível. Sozinho, ele pagava o aluguel do seu apartamento e as contas com o que ganhavam nas corridas, fácil, fácil.
Naruto levou o microfone à boca de novo, e os gritos e movimentos aumentaram.
— Nesta noite temos um novo desafiante! O corredor e campeão da faculdade Sunagakura, Gaara no Sabaku!
Seguiram-se aplausos e gritos da torcida. A multidão se partiu como o mar Vermelho quando Gaara entrou com sua Ferrari vermelha. Formou-se uma montanha atrás das grades de proteção, e a galera assobiava, vaiava e zombava do competidor. Ele deu umas aceleradas no carro; o rosto estava sério e um tanto sanguinário. A multidão se aquietou. Levantei as mãos depressa para tampar os ouvidos quando a música começou a tocar, altíssima, nos grandes alto-falantes do outro lado do beco.
— Nosso próximo competidor vocês já sabem quem é, mas, como eu não estou nem ai, vou apresentar o cara mesmo assim! Tremam nas bases, rapazes e meninas! Com vocês, Sasuke Uchiha!
Houve uma explosão de sons quando Sasuke apareceu do lado do Gaara, com sua Ferrari preta, despreocupado e confiante. Foi acelerando o motor a medida que as meninas gritavam seu nome, como se fosse o Deus delas. Com os músculos dos braços firmes sob o volante, acenou com a cabeça para Gaara. Sasuke se inclinou para fora da janela e sussurrou algo pra ele, que fez um grande esforço para manter a expressão seria. Seu carro estava do lado do de Sasuke, pronto para largada. Os encaravam a pista. Na realidade era a rua mesmo. A expressão de Gaara era determinada; Sasuke sorria, pois parecia achar graça.
Os Competidores aceleraram seus motores, e Naruto jogou a bandeira dando inicio a corrida. Gaara assumiu a liderança por um tempo mais logo Sasuke o ultrapassou. Fiquei na ponta dos pés quando perdi a linha de visão, apoiando-me em quem quer que fosse para conseguir enxergar melhor o que estava acontecendo. Consegui ver alguns centímetros acima. Cotovelos golpeavam as laterais do meu corpo e ombros esbarravam em mim, fazendo com que eu ricocheteasse de um lado para o outro. Quando consegui ver o topo do carro do Gaara e do Sasuke, eles já estavam bem longe.
Quando enfim cheguei lá na frente, Gaara tinha passado de raspão no carro de Sasuke ele acelerou mais jogando seu carro pra cima dele com intenção de tira-lo da pista. Antes que ele pudesse fazer o que queria Sasuke jogou seu carro pra cima do dele.
Senti cinco dedos se afundarem em meu braço e virei à cabeça para ver quem era.
— O que você está fazendo aqui? — disse Sai.
— Tentando ver! — gritei em resposta.
E então me virei bem a tempo de ver Gaara ensanguentado com o carro em capotado e Sasuke na linha de chegada são e salvo.
Naruto jogou outra bandeira, e a multidão explodiu. O dinheiro mudou de mãos novamente, e as expressões se dividiam entre orgulhosos e desapontados.
Fui empurrada com todo aquele movimento de gente indo e vindo. Ino gritou meu nome de algum lugar lá atrás, mas eu estava puta da vida pela trilha marrom de lama no meu suéter.
Um pesado par tênis preto parou diante de mim, desviando minha atenção para o chão. Meus olhos foram se voltando para cima: jeans preto, músculos abdominais bem definidos apertados pela camiseta branca debaixo da jaqueta de couro preta, um rosto perfeito estampado com um sorriso travesso e, finalmente, um par de olhos puxados ônix. Fui empurrada, mas Sasuke me segurou pelo braço antes que eu caísse.
— Ei! Cuidado! — ele franziu a testa, empurrando qualquer um que chegasse perto de mim.
A expressão brincalhona sumiu quando ele viu minha blusa. Limpando meu rosto também sujo com o polegar, ele me disse:
— Parece que você anda meio sem sorte, Rosinha.
Antes que eu pudesse responder, Naruto deu uns tapinhas na nuca de Sasuke.
— Vamos lá, Sasuke! Tem uma galera esperando por você!
Os olhos dele não se desviaram dos meus.
— Uma pena ter manchado seu suéter. Fica bonito em você...
No instante seguinte, ele foi engolido pelos fãs, desaparecendo em meio a multidão.
— No que você estava pensando, sua testuda? — gritou Ino, me puxando pelo braço.
— Vim até aqui para ver uma corrida! — respondi, sorrindo.
— Você nem devia estar aqui, Sakura — disse Sai em tom de bronca.
— Muito menos a Ino! — retruquei.
— Mas ela não tenta pular dentro da pista! — disse ele, ainda em tom bravo. — Vamos!
Ino sorriu para mim e em seguida mostrou língua.
— Você é um pé no saco, Sakura, mas mesmo assim eu te adoro! — Ela apertou minha bochecha.
Ino me acompanhou até em casa no meu quarto, e olhou com desprezo para minha irmã. Imediatamente tirei o suéter e o joguei no cesto de roupa suja.
— Que nojo! Por onde você andou? — Tayuya perguntou, sem sair da cama.
Olhei para Ino, que deu de ombros.
— Escorreguei. Sabia que eu sou desastrada?
Tayuya ajeitou o cabelo e balançou a cabeça em afirmação.
— Já vou indo — Ino disse, dando uma piscadela para mim e fechando a porta depois de sair. Nem um minuto tinha se passado e ouvi o som indicando uma mensagem de texto no meu celular. Como de costume, era Ino me enviando uma mensagem segundos depois de nos despedirmos.
“Vou ficar com o Sai, te vejo amanhã princesa da pista”.
Dei uma espiada em Tayuya, que me olhava como se eu fosse dizer pra ela onde eu estava.
— Não fui em nenhum lugar que VOCÊ já não tenha ido — falei.
Tayuya esfregou os olhos com as mãos e depois baixou o olhar para a bagunça de livros do meu lado do quarto.
— Acho que vou tomar um banho — falei, pegando minha toalha.
— Foi ver um racha? — ela perguntou, sem emoção alguma na voz e mantendo a cabeça baixa.
— Fui, e daí?
— Legal — ela deu de ombros. — Boa noite.
— Boa noite — fechei a porta do quarto deixando ela dormir.
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