Imprevisíveis
9 Apenas Amigos
Notas iniciais
Bianca veio para trazer felicidade para a casa de Catarina. A menina lhe mostrou que Repping não poderia se tornar realidade.
Catarina começou a escrever Repping depois que conheceu Lucas. Estava iludida e perdida de amores por ele, mesmo com Pedro ao seu lado lhe dizendo que ele não era um bom garoto. Em resumo era o que ela queria no seu futuro. Engravidou de Lucas. Depois mudou-se de casa para uma República, enquanto a filha ficava sob os cuidados da sua mãe.
Com o nascimento de Bianca, Repping começou a não fazer sentido. Ela tinha o seu próprio carro, saia de casa a hora que queria e não precisava se preocupar com a hora de voltar por causa de uma criança inocente.
Bianca lhe tirou todas as noites de sono que ela pensava que teria durante as férias. A menina chorava muito, pois sua mãe não conseguia produzir leite o suficiente para sua fome incontrolável. A avó de Catarina brincava que ser faminta daquele jeito estava no sangue, pois Catarina era do mesmo jeito. Bianca era na verdade sua prima, filha de seu tio, irmão de sua mãe. Mas este morava na fazenda e não podia deixar a filha crescer no meio do mato e principalmente deixar a mulher parir sem assistência médica, a qual eles tinham condição financeira o suficiente.
As férias de Catarina se resumiram a cuidar da pequena Bianca e velar seu sono mesmo que já tivesse alguém por perto lhe vigiando. Ela tinha um amor inexplicável pela pequena.
JP diz:
finalmente a mamãe resolveu aparecer!
catarina diz:
bobo. como você está?
JP diz:
em são paulo e você
catarina diz:
o que houve com o "não vai sumir"?
JP diz:
deve ter ficado por aí
catarina diz:
quando tu volta?
JP diz:
antes do carnaval, com certeza
catarina diz:
só acho que tu deveria começar a beber menos
JP diz:
mas eu não bebo po! que calúnia. vou te processar!
catarina diz:
auhsuhasuhauhsuuas. bobo
Quando o terceiro semestre começou, em março, Pedro e Paulo eram notícia na sala de aula. Estavam namorando duas melhores amigas e só saiam em grupo, com encontro duplo. Catarina não entendeu o que tinha acontecido. Ele não lhe falara nada a propósito de ter conhecido outra garota a ponto de querer namorá-la, então parou de tentar entender Pedro.
Débora se desculpou pela mancada que tinha feito com Catarina no semestre anterior, enquanto as outras meninas, umas trancaram o curso, e outras passaram para a noite. Catarina a desculpou e lhe apresentou para Isabel, as duas fizeram uma nova amizade. Tudo estava começando muito bem em 2009 para Catarina, que tinha resolvido esquecer os homens por um tempo e focar apenas nos estudos.
Mas nada que não a permitisse ir a algumas festas de vez em quando e principalmente participar do trote de 2009.1. Foi nesse trote que conheceu outro João, João Victor, que iria se tornar um grande e bom amigo dela. Ele era moreno e tinha sua altura, simpático e extrovertido, falava com todos que conhecia como se fossem amigos desde o berçário. Conheceu também duas amigas de infância de Débora: Gabriela e Maíra, tinham sido vizinhas há muito tempo, mas as duas se mudaram e Débora fora a única que permaneceu na mesma casa após tantos anos. Gabriela era uma garota bonita, que chamava atenção pelos garotos. Assim como também chamou a atenção de Pedro.
– Ah se eu não tivesse namorada... — Pedro suspirou enquanto conversava com Paulo observando Catarina e Gabriela no Bambu.
– Nada que não se possa resolver. — Paulo deu de ombros a lealdade para a namorada.
– Você se vira com a Bruna, mas eu não faria isso nunca com a Milena! — Pedro meneou com a cabeça.
***
– Acho que vou terminar com a Milena. — Pedro e Catarina conversavam durante o intervalo entre uma aula e outra.
– Mas por quê? Vocês estão tão felizes! — Catarina criou uma ponta de esperança.
– Não gosto mais dela. — Pedro pensava em cada palavra a ser dita. — Talvez eu esteja dando um passo maior que meu pé, e nem sei onde vou parar. Mas vou fazer isso por causa de outra garota.
– Que garota? — Ela fingiu não saber nada.
– Aquela tua amiga, a Gabriela.
Catarina riu.
– Como tu me disse uma vez... Paixões acabam. — Pôs a mão no ombro do amigo.
– Quem disse que é paixão? Eu realmente estou gostando dela. Ela é meiga, educada e acima de tudo é linda! — Ele olhava abobalhado pro nada, como se a visse em sua frente.
– É paixão! — Catarina afirmou para si o que era óbvio.
Catarina ajudou o rapaz a se aproximar de Gabriela, lhes apresentou e com a ajud de Débora fez com que os dois se conhecessem mais. Gabriela era uma menina tímida com garotos, por isso era difícil ver os dois conversando sozinhos, uma das duas sempre estava por perto para a conversa fluir.
No fim das contas Catarina e Pedro viraram melhores amigos. Ele passou a frequentar a casa dela para estudar ou apenas para ficar sem fazer nada. A mãe de Catarina tratava o garoto como filho e sabia que não acontecia nada além de amizade entre os dois. Sempre que Pedro ia a casa de Catarina, Bianca não estava, fazendo com que o encontro dos dois sempre fora adiado. Ele lhe chamava de A Famosa Bianca.
Além disso, Catarina finalmente se desvinculou do grupo das meninas. Não suportava todas elas falando de garotos, garotos e mais garotos. Se afastar fora a melhor solução achada. Preferia ter as garotas por perto, do que brigar novamente com elas por um motivo bobo. Algumas, inclusive, desconfiaram da heterossexualidade dela. Mas não tinha nada em relação a esse pensamento.
Catarina se sentia bem entre os garotos. Eles falavam de algumas garotas, e Catarina inclusive dava dicas a eles. Mas, principalmente, eles falavam a todo momento de futebol, a segunda maior paixão da vida de Catarina, depois da sua mãe. Ela saia com eles praticamente todo final de semana para assistir as partidas do Brasileirão, mesmo que o seu time não jogasse no jogo que estavam assistindo. Ela sabia tudo, possibilidades de cair para a segundona, probabilidades de ganhar o campeonato, pontos que faltavam. Sabia inclusive o que era um impedimento, mesmo sem nunca ninguém ter lhe ensinado.
Durante o ponche dos calouros da turma de Gabriela Pedro pediu ajuda para Catarina. Já estavam em meados de setembro.
– Pergunta pra ela, por favor! — Ele implorava.
– Pepeu... — Ela o encarava séria.
– Cat...
– Tudo bem! Mas se acalma aí. — Ela suspirou e foi atrás de Gabriela. — Gabi! — gritou o nome da garota que conversava com alguns calouros.
– Oi minha linda! — Gabriela sempre fora a pessoa mais carinhosa do mundo.
– Gabi, por favor. O garoto não larga do meu pé! — Catarina insistia.
– Pedro? — Ela perguntou olhando pra ele que observava a conversa das duas.
– Quem mais seria? — Catarina foi irônica.
– Tudo bem. Acho que está mais do que na hora.
– Ele pode vim aqui? — Catarina vibrou de felicidade.
– Sim. — Gabriela retribuiu o sorriso bobo da amiga.
Pedro e Gabriela passaram um tempo juntos. Coisa de um mês, praticamente. Mas foi um mês intenso, principalmente para Catarina que estava em cima do muro, mas agia em favor do melhor amigo apaixonado.
– Porra, Catarina! Eu pedi ela em namoro e sabe o que ela disse? NÃO! Ela disse não. Tudo porque estava indo para a fazenda no final da semana e iria ver o filho da puta do ex-namorado. — Pedro conversava ao telefone com Catarina. Estava com raiva e Catarina contava até mil para mandar ele se acalmar. — Ela é uma falsa! Disse que gostava de mim e agora tá correndo pros braços desse viado na primeira oportunidade que aparece.
– Ei. Calma! Quando vocês ficaram tu sabia da existência dele. Tu sabia que ela tinha um ex-namorado.
– Mas nunca imaginei que eles voltariam! — Ele lhe cortou.
– Calma... Vai lá, levanta a cabeça e vamos sair.
– Não quero! — Disse como uma criança mimada e orgulhosa.
– Quem perguntou se tu quer? Se veste que eu estou passando aí agora!
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