Impressionando os anjos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Hoje foi tudo bem, só um pouco cansativo
Dia duro no trabalho que acabou comigo
Tô aqui com os pés pra cima pronto pra dormir
A saudade de você é visita frequente
Que nem a sua tia chata que irritava a gente
"ah, saudade da gente. "
Cheguei em casa cansado. Havia sido um caso que durava dias e eu ainda tive que brigar pela jurisdição com a coronel Mann. No entanto, mesmo sendo uma sexta à noite e eu estando morto de cansaço eu não poderia pegar um chinês e vir para casa, tive que passar no supermercado antes.
Guardei os mantimentos na cozinha e me deitei no sofá, suspirei olhando para o teto e peguei a foto em minha carteira. Ela estava em pé, à frente da torre Eiffel, seu cabelo era de um vermelho vivo e longo, seu sorriso estava radiante. Ela era apenas minha Jen.
Tirando isso
Do resto até que eu estou dando conta
A julinha tá banguela e o pedro só apronta
O que faltava do carro eu já quitei a conta
O momento de admirar a foto logo foi interrompido por risadas que vinham em minha direção. Sendo assim, guardei a foto em seu lugar, um bolso escondido em minha carteira. Julia veio correndo dizendo “Papai estou banguela” e mostrando o espaço em que antes havia um dente de leite. “Vejo que a fada do dente vai visitar alguém essa noite” Eu disse e ela sorriu “E como você perdeu esse dente?” Ela fez uma careta “Foi Pedro” Olhei para o meu primogênito que deu de ombros.
Fui então fazer o jantar, enquanto Julia esperava sentada na bancada e Pedro estava entretido com sua bola de baseball. Sorri ao notar os olhos verdes de Julia me observando silenciosamente, ela pode ter herdado meu cabelo castanho, mas os olhos verdes são de Jenny. “O que foi querida?” Ela olhou para Pedro e depois para mim “Nada” Eu ergui a sobrancelha ao ver o seu olho esquerdo se contrair, igual ao dela.
“O que você aprontou Pedro?” Eu perguntei ao menino ruivo ardiloso “Nada” Ele disse inocentemente. “Ele acertou uma bola na janela da senhora Ryan” Ele fuzilou Julia com seus olhos azuis, se Jenny estivesse aqui ela diria que o olhar dele é exatamente como o meu. “De novo Pedro?” Ele me lançou um sorriso amarelo, mas jamais pronunciou um me desculpe. Provavelmente ele deve ter notado o fato de quanto a doutora Samantha Ryan parece ‘preocupada’ comigo.
Ah! falando nisso
Terminei o livro que você pediu pra eu ler
E só na página 70 entendi você
Naquela parte onde diz que
"o amor é fogo que arde sem se ver"
Após colocar as crianças na cama, vou para o quarto em que deveria ser o meu. Destranco a porta e entro. Observo todo o local, não tive coragem de mover nada, tudo está igual ao dia em que ela se foi.
Ainda há um par de saltos do seu lado da cama, o seu criado mudo ainda está com alguns livros em cima, todos os seus produtos de beleza estão em sua penteadeira, no banheiro sua escova de dentes ainda está lá, ao lado da minha.
Pego o seu lenço favorito, ele ainda mantem o cheiro dela, as vezes é como se eu a estivesse perdendo aos poucos. O medo de esquece-la é constante.
Como é que tá ai?
De você faz tempo que não ouço nada
Fala um pouco sua voz tá tão calada
Sei que agora deve estar
Impressionando os anjos
Com sua risada
Era Paris, caminhávamos pelas ruas da cidade do amor. Ela exibia um sorriso apaixonado, as vezes eu me perguntava se era real ou era apenas parte do disfarce. Mas então houve Marseille e eu percebi que não era apenas trabalho. Semanas se seguiram desde aquela noite no sótão e as vezes tudo parecia um sonho, mas como qualquer sonho uma hora é preciso acordar. Em uma certa manhã, após terminarmos nossa última missão eu acordei e ela não estava lá, seria o dia em que iriamos embora, mas por que ela ir para o avião sem me avisar? Corri para o avião, mas lá só encontrei o casaco que havia dado a ela com uma carta no bolso. Era uma despedida.
Duas semanas se passaram desde que eu havia deixado Paris sozinho, quando ouço alguém bater em minha porta. Fui abri-la imediatamente dispensar o vendedor que provavelmente tentaria me fazer comprar alguma coisa, afinal todos que me conhecem sabem que não tranco a porta. No entanto quando abri a porta, não era um vendedor a minha frente, mas sim uma ruiva de olhos verdes, a mesma que havia me deixado em Paris por uma promoção. “O que você está fazendo aqui?” Eu perguntei com raiva. “Aceitar aquela promoção foi um erro” Ela disse e isso foi o mais perto que eu chegaria de ouvir um pedido de desculpas dela. “Eu não posso ficar longe de você, ainda mais agora” Ela disse e eu franzi o cenho não entendendo onde ela queria chegar “Eu estou grávida Jethro” Havia lagrimas em seus olhos e minha primeira reação foi abraça-la fortemente. Foi então que ela desabou a chorar “Malditos hormônios” Ouvi ela resmungar, “O que fazemos agora?” Perguntei a ela. “Morrow relutantemente me deu uma própria equipe aqui. E quem sabe possamos morar juntos?
Pedro deu o seu primeiro passo, ela estava a sua frente de joelhos com um brinquedo e eu segurando a câmera, quando ele chegou até ela, ela o pegou e sorriu para a foto. Após eu tirar a foto eu ri dela tentando se levantar “Precisa de ajuda Shepard?” Ela rolou os olhos “Só mais dois meses” e colocou a mão sobre sua barriga de vinte e nove semanas. Quando ela estava já em pé e com Pedro em sua cintura eu tirei outra foto, ela ergueu a sobrancelha “Pensando em mudar de carreira Jethro?”
Era domingo de manhã, e eu estava fazendo panquecas Pedro estava no chão brincando com alguns carrinhos, e Jenny tentava fazer Julia comer a comida de bebê. “Isso parece horrível Jen” ela finalmente conseguiu colocar a colher cheia na boca de Julia “Não é horrível Jethro” Foi ela terminar de falar e Julia cuspiu tudo nela. “Não é horrível, ela só não gosta” Eu disse e Jenny me olhava brava. “Ela definitivamente é sua filha” Ambos sorrimos.
Estávamos nós quatro em um piquenique no quintal, observávamos a interação entre nossos dois filhos, quando ela me beijou “Uau, e qual o motivo disso?” Perguntei e ela riu “Eu amo você” “Eu também te amo Jen”.
Era uma tarde fria de novembro, Julia e Pedro tinham saído com Tony e Ziva, já que hoje era folga da nossa equipe. Quando a campainha tocou e eu fui ver quem era, para minha surpresa era Fornell. “Tobias?” Era definitivamente estranho uma visita dele a essa hora, sem termos nenhum caso “Posso entrar?” Ele perguntou, dei de ombros e abri espaço para que ele entrasse. Ele se sentou no sofá e eu sentei a sua frente, algo definitivamente estava errado. “O que aconteceu Fornell?” Ele me olhou culpado “Olha Gibbs eu tentei, realmente tentei, mas aconteceu muito rápido?” “O que diabos aconteceu Tobias?” Eu perguntei com uma sensação estranha no estômago. “O NCIS e o FBI acabaram se esbarrando em um caso de tráfico de armas, entramos em confronto com os traficantes e Shepard... ela foi baleada” Ele me olhou culpado e nesse momento eu estava em choque “Eu tentei estancar o sangue, mas quando os paramédicos chegaram era tarde demais, eu sinto muito Jethro” Eu me levantei “Você está mentindo Tobias, ela não pode...” Com lagrimas em meus olhos, em frente ao meu amigo/inimigo eu pronunciei “Ela não pode ter morrido” mas o olhar de Tobias não era brincalhão, era culpa, tristeza e compaixão “Eu sinto muito Gibbs”
Fala alto ai de cima que eu preciso ouvir
Como é que tá ai?
Impressionando os anjos — Gustavo Mioto
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