Impossivel De Acreditar
1 Capítulo 1
Os dias eram normais ou pelo menos quase na cidade de Itaquá. As pessoas que por ali moravam tinham uma vida um tanto que agitada e fora do comum. Se vestiam de forma estranha, mas para eles a sensação era a de que estavam arrasando sendo que nada daquilo importava. Crescer naquela cidade pacata e sem graça nunca fora o verdadeiro motivo de Wanda. Fizera muitas amizades ao longo de sua vida, mas ao ficar grávida de sua segunda filha tudo parecia ter mudado completamente.
As pessoas se tornaram menos estranhas e rudes com a chegada de Glória e Priscila. As duas irmãs que ainda seriam os motivos de alegria daquela mulher guerreira.
Ao passar dos anos as garotas espalhavam graça e bondade por onde passavam. Todos gostavam delas, mas nada parecia preencher o vazio que tinham em seu coração. Não que as suas idades dissessem que era hora de se entregarem a algum rapaz, mas a história ia além do que se poderia imaginar. Morar numa cidade tão pequena não tinha lá suas vantagens, todos ali se conheciam e o pior de tudo era espalhar o que cada um fazia. A vida ia se ajeitando como podia. Nada mais poderia fugir do controle como antes.
Glória conversava com sua irmã antes de dormir.
— Algo de mágico poderia acontecer na nossa vida. É sempre a mesma coisa, não dá para continuar vivendo dessa forma. — Murmurava Glória entre as almofadas.
— Verdade. Já pensou em como seria a nossa vida caso um dia fossemos morar no exterior. — Disse Priscila sonhadora.
— Seria tão divertido. Ao menos uma vez algo de melhor poderia acontecer. Nossa vida poderia ser como um filme, cheio de aventuras, ação e muito romance.
— Só que você não é muito fã de romance! — Brincava Glória.
Priscila cruzou os braços emburrada.
— Mas é claro que eu gosto de romance. Gosto daquela sensação de ser abraçada por outras pessoas, dos beijos intensos de tirar o folego, de promessas a serem cumpridas.
— Tudo bem! — Glória se deu por vencida — Acho que essa conversa vai ter de ficar para depois, estou cansada e preciso dormir um pouco. Infelizmente a vida de universitária não é nada fácil.
— Ninguém mandou você querer a vida de atriz! — Exclamou Priscila divertida.
— A vida de atriz supre todas as minhas necessidades. Gosto de ser atriz porque eu gosto de viver muitas vidas. Deveria tentar um dia. Faz tão bem a saúde.
— Quando eu estiver louca, quem sabe!
Glória levantou-se do meio das almofadas a qual estava sentada, ajeitou o seu pijama e disfarçadamente pegou uma almofada e tacou em Priscila. Ela ia retribuir, mas acabou desistindo.
— Será que um dia iremos conhecer o big time rush? — Perguntou Priscila tristemente.
— Um dia. — Respondeu Glória esperançosa. — Nada é impossível quando desejamos do fundo do coração. Agora trate de descansar um pouco! Amanhã temos aula e será cansativo demais.
Priscila obedeceu a sua irmã, afinal a mãe delas já deveria estar a muito tempo dormindo. Todos os domingos elas passavam o dia assistindo filmes, comendo porcarias e se divertindo, exceto quando Glória tinha alguma apresentação a ser realizada. Ambas se davam bem com essa rotina maluca e agitada demais. Uma família unida como a delas não se via por todos os lugares. O amor ao próximo as tornavam especiais, gostavam de ajudar as pessoas, de ajudar o mundo.
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Na manhã seguinte Wanda acordou mais cedo do que de costume. Tomou seu banho gelado e logo foi preparar o café da manhã para as suas garotas. Ser mãe solteira tinha as suas vantagens, mas fazia falta a presença de um homem na casa. Wanda cuidava das meninas, mas queria ter alguém para cuidar dela. Não que ela precisava depender de alguém, mas a troca de carinhos era algo que ela ansiava demais. Ver o seu marido partir para ficar com outra não foi nada bom. Durante meses sofreu com a perda, quase chegando ao nível de depressão. Se não fosse pela alegria das meninas, nunca teria se recuperado.
Havia muita coisa confusa e caótica na vida de Priscila e de sua irmã Glória. Eram tão unidas, que muitas vezes diziam que elas só poderiam ser adotadas. Mesmo sendo irmãs um laço mais forte as unia, os sonhos eram quase os mesmos. Uma completava a outra, principalmente nas loucuras. Ninguém conseguia fazer com que a diversão acabasse quando estavam unidas. As amizades na vizinhança eram quase raras, mas isso não as desanimava, pois a imaginação fértil delas valia a pena. Sempre criavam algo para se divertirem. O limite era a criatividade.
Glória era a mais responsável e mais ligada às questões familiares. Gostava da sua faculdade de artes cênicas pela qual sempre tanto batalhou e do seu emprego, que não era nada mais nada menos, do que uma professora de canto. Isso tudo com apenas vinte e dois anos. Sempre buscava algo que completasse a sua vida de atriz. Mesmo com os seus altos e baixos ela buscava ser diferente de tudo e de todos. Sempre queria ajudar aqueles que menos tinham desejando colocar um único sorriso em rostos tristes. Um sonho que fazia parte dela e de algumas pessoas do seu circulo vital. Glória tinha vontade de fazer tantas coisas, mas se sentia impedida de realizar tais ações, mas nunca perderia a esperança. Tudo tem o seu tempo.
— Bom dia mãe! — Cumprimentou Glória ajeitando o seu cabelo.
— Bom dia, meu amor! Cadê a Priscila?
— Dormindo ainda. Já chamei ela umas trinta vezes, mas nada parece acordar aquela louca.
— Foram dormir tarde, não foi? — Perguntou Wanda pousando as mãos em sua cintura.
— Um pouco, mas ela só vai pra escola mais tarde, deixa ela descansar. Agora eu não posso ficar por mais tempo na cama, sentindo aqueles cobertores gostosos quentinhos e macios sob a minha pele.
— Quanto drama! — Ironizou Wanda — Estou achando você um pouco mais magra do que antes. Vai acabar sumindo desse jeito, garota.
— Pois é, minha mãe. Eu bem que queria ter tempo para comer e engordar um pouco, mas a minha agenda anda muito corrida e as aulas da faculdade e do canto estão sugando a minha vida, mas não posso reclamar. Pelo menos ainda passo o fim de semana com a minha família amada.
Glória se aproximou e abraçou fortemente a sua mãe. Uma abraço caloroso e cheio de vontade.
— Sinto saudades do tempo em que você ficava em casa e me fazia rir ainda mais, principalmente quando o seu pai foi embora. Agradeço aos Céus por ter uma filha assim como você.
— Eu é quem agradeço por ter uma mãe maravilhosa. Sempre me apoiando em tudo o que desejo fazer, sempre de bem com a vida. Agora eu preciso ir minha linda, antes que eu acabe chegando atrasada.
— Você não comeu nada, filha.
— Eu como algo o caminho, não se preocupe.
Rapidamente,Glória foi até o seu quarto e pegou a sua mochila e despediu-se de sua mãe. Ao sair de casa estranhou os três caminhões que bloqueavam uma boa parte da rua.Não eram móveis de pessoas comuns, os novos vizinhos possuiam requinte, mas iso não significava nada para Glória. Ignorou o que vira e foi para a faculdade. Aquele dia iria ser cheio de surpresas.
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