Impossivel
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Como falei anteriormente eu fiz uma pesquisa um pouco porca para escrever essa história.
Boa leitura à todos.
Aquele era um dia sombrio e cercado de neblina. O vento parecia uivar nas janelas e o os ossos das pessoas que se encontravam no local pareciam tremer, só não era possível determinar se de frio ou medo.
Ana Paula deu mais uma olhada pela sala. Não era o tipo de coisa com que trabalhava, afinal não era uma detetive, apenas uma antropóloga e pouco entendia de assassinatos, mas por algum motivo havia ido parar ali, naquela sala, com um corpo semi-morto e muito pálido no chão. Uma leve pulsação dava a entender que estava com a vida por um fio, mas a mulher ousava dizer que estava mais para lá do que para cá.
— Ainda não entendi porque me trouxe aqui, José? — perguntou encarando o homem que parecia estranhamente calmo no meio daquela situação.
Médicos andavam para cima e para baixo, tomando todas as precauções para mantê-la viva, mas pareciam muito incertos do que fazer de verdade.
— Acredito que já tenha reparado na estranheza desse caso — respondeu o homem, os braços apoiados de forma displicente sobre o batente da janela — A trouxe porque acredito que este seja o trabalho para uma antropóloga como você, que gosta desses casos difíceis, que muitos acham impossíveis.
— Isso é um assassinato José, não um fóssil de ossos humanos da época dos dinossauros. — respondeu, sentindo uma pontada de desespero crescer em seu peito.
— Você já achou algo assim? Como explica? — perguntou o homem, sempre tivera um certo faro jornalístico e sabia fazer as perguntas certas.
— Óbvio que não — respondeu — Mas seria mais fácil que isso.
— Eu confio em você, Paula! — respondeu ele, se afastando — Não há alguém nesse mundo mais capaz de descobrir que tipo de cultura faria algo assim.
~~x~~
Quando estava em sua casa, ela acabou pensando sobre o caso. Montando em sua mente o cenário que havia encontrado naquela sala.
Um rosto pálido era muito comum, quase todos os cadáveres possuíam uma palidez descomunal, a grande diferença nesse caso era a falta de sangue na cena e como não parecia ter havia qualquer violência ou bagunça no local, quase como se a moça morresse dormindo.
Não fosse por duas pequenas marcas em seu pescoço, duas marcas tão pequenas que mal poderiam ser vistas, pintadas de vermelho junto à jugular.
Ana parou em frente a uma cristaleira, um caveira de grandes incisivos era o objeto em exposição. Sempre tivera um carinho muito grande pela história dos vampiros, eles eram estranhamente sensuais, mas principalmente violentos e discretos, nunca faziam bagunça nas cenas de seus crimes.
Ela continuou a encarar os ossos pálidos, aquele havia sido um caso difícil. Muitos acreditavam que fosse um vampiro, mas mesmo que seus sonhos desejassem isso, Ana não poderia apostar nisso, no fim era apenas um pobre com os dentes de porcelana, moldados para parecerem presas.
A mulher deixou que a mente vagasse, buscando alguma resposta sensata.
— José?! — perguntou assim que o som da conexão dos telefones se silenciou.
— Eu — respondeu o homem, tinha a voz sonolenta e parecia ansioso para desligar.
— É a Ana Paula — respondeu — Eu aceito o caso.
~~x~~
Os dias de análise foram muito duros de se fazer, ela já havia estado em um grupo de antropologia forense, mas nunca imaginou que ela conduziria toda a pesquisa de um assassinato.
Como imaginava não havia sinais de uma cultura diferente, fosse na cena do crime no corpo. Ao que tudo indicava poderia ser apenas o sinal de um inseto como aranha ou mesmo uma cobra, não fosse a total ausência de reações de veneno, mesmo os exames de DNA deram uma quantidade nula de veneno.
Ela estava prestes a desistir do caso, não seria a primeira vez que desistiria de algo. Chegou em casa, pegou uma taça de vinho e atirou-se na poltrona em frente a cristaleira, aquele era o seu lugar favorito para pensar, adorava olhar todas as coisas que havia conseguido, a fazia acreditar que tudo era possível.
Olhou para o lado, havia ainda um coisa que faltava analisar: Os diários da vítima.
Neles haviam diversas informações que se não eram importantes para o caso, ao menos curiosas eram. Naquelas páginas se encontravam alguns detalhes sobre os últimos dias de vida daquela garota, textos sobre seus anseios e medos, sobre seus estudos na área de biotecnologia e sobre suas desavenças na família. Estava tudo ali, uma centena de pistas promissores e por um minuto Ana se sentiu péssima por não ter pensado neles em primeiro lugar.
Por volta de pouco mais de um mês ela havia conseguido um espaço em uma concorrida empresa da área e começara a trabalhar em um projeto no qual não colocava qualquer referência, segundo ela: algo que seria perigoso escrever sobre.
Ao avançar alguns dias, Ana percebeu que toda a paixão e alegria relativa ao trabalho se transformou em medo e não havia realmente um motivo claro, apenas algumas informações sobre ameaças e uma sensação de perseguição.
No mesmo instante ela agarrou o celular e discou o nome da empresa. Buscava avidamente por um número no qual pudesse obter um número de telefone e quando o achou não hesitou em ligar para o local e marcar um horário para falar com o responsável pela empresa. Não tinha expectativas de descobrir quem havia sido o chefe da vítima ou qual era o projeto em que trabalhava.
~~x~~
Chegou cedo, quase meia hora antes do combinado e não teve que esperar muito. Não foi difícil se infiltrar, sabia com o que teria que entrar em contado, por tanto se passou por uma estudante de biomedicina em busca de um estágio e o resto foi mais fácil do que imaginou.
O tour propriamente dito durou pouco tempo. Ele a levou por todos os setor, sempre buscando descobrir seus interesses e como havia descoberto a abertura recente de uma vaga. Ela apenas comentou que uma amiga que trabalhava ali havia lhe avisado da morte de uma moça.
— Sim, sim. Gisele — respondeu ele, parando em frente a uma janela. Lá dentro várias pessoas trabalhavam em algo pequeno. — Foi uma verdadeira pena a morte dela.
— E o que fazem aqui? — perguntou um pouco hesitante.
— É um projeto, nem mesmo nós temos muitos detalhes, mas aparentemente se trata de um mecanismo para a aplicação de vacinas e injeções em áreas de risco.
O resto do passeio deixou que a mente se fixasse naquele pequeno cômodo, como o chefe parecia muito concentrado em seu pequeno objeto, a testa semi-enrugada de preocupação, o rosto muito pálido, os olhos muito negros. Ela não sabia quem ele era, mas se o instinto estivesse certo, aquele era o homem dos diários de Gisele.
~~x~~
As pesquisas duraram algumas semanas. Muitos já começavam a perder as esperanças e outros já haviam perdido há tempos, mas para o leitor que ainda não está ciente do que houve nestes tempos eu darei um breve resumo. Ana descobriu o nome do rapaz que era o chefe de Gisele no laboratório e isso tornou muito mais fácil decifrar o enigma que cercava a morte da jovem. Ela pediu ajuda e José armou toda a cena e então foi feito.
O homem não suspeitou quando ela o confrontou em seu ambiente de trabalho. Ele claramente não esperava encontrar ela lá, muito menos com um suspeito papel pardo sob o braço, ela não esperou para atirar a bomba que fora levar, tirando as fotos da jovem Gisele de dentro do embrulho e as espalhando sobre a mesa. Ela havia fechado a porta e desligado a força. A única luz que invadia a sala era a luz pálida do sol que refletia nas paredes brancas.
— Conhece Gisele, não? — perguntou antes de tirar as imagens copiadas do telefone do rapaz — Você era obcecado por ela. — ele parecia em choque, observando as fotos sobre a mesa — Você usou um de seus pequenos roubos cheios de belladona. Você a envenenou e matou.
— Eu a amava — ele respondeu pegando as fotos borradas e pixelizadas, características do uso excessivo de zoom.
— Mas ela nunca quis nada com você — ele respondeu.
— Eu só não queria que ela estivesse com outro.
— E agora irá apodrecer na cadeia — o olhar dele voltou a uma astúcia que havia sido deixada de lado.
— Você não tem provas.
— Eu não preciso. — Aquelas palavras foram o sinal para que a equipe de polícia invadisse o local e em poucos minutos o homem estava preso.
~~x~~
— Eu sabia que você conseguia — José falou enquanto observavam a remoção do assassino.
— Qualquer um conseguiria, não era um plano elaborado.
— Mas você precisava disso — ele respondeu a envolvendo e apoiando a cabeça dela em seus ombros — Eu sei das suas crises. — Foram segundos em que apenas ficariam ali, antes que ele se virasse — Vamos, eu te pago o almoço.
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