Notas iniciais
Continuação de "On the murder Scene." [http://fanfiction.nyah.com.br/viewstory.php?sid=818]. E eles nem são meus sabe. E se fossem, eu estaria fazendo sexo loucamente com eles ^^.
Espreguiçou-se gostosamente na cama, fazendo um leve ronronar com a boca. Suspirou, entediado. Jogou sua mão, que caiu pesadamente sobre o relógio que ficava no criado mudo ao lado da cama.

“Meia noite e doze... Ainda.” Murmurou ele, falando para si. Estava sozinho. Literalmente sozinho. A casa havia ficado silenciosa sem Mikey por lá, Gerard não fazia mais quase nada. Tirando, claro, as varias vezes que ia a sorveteria com esperança de encontrar Frank.

“Frank.” Pensou amargurado. A muito não se viam. Uma escolha tomada por Frank. Gerard não via problema em continuar o vendo. É claro que seria mais que difícil ficar perto dele e não toca-lo, não beija-lo e todas essas coisas que ele só fazia direito com Frank.

Gerard protestou, esperneou, gritou e se descontrolou ao ouvir as dolorosas palavras saindo de sua boca.

“Eu não quero te ver mais. Não é bom ficarmos nos encontrando. Adeus.” Ele se sentiu a menor criatura do mundo.Onde já se viu o homem da sua vida. O homem que ele queria para sempre ao seu lado, o homem que lhe dava calafrios todas as noites, em uma piscada de olhos virar seu irmão? Ele riu ao perceber o quão irônico esse pensamento era. “O homem da sua vida.”

Havia abandonado a carreira de investigador. Depois de ter falhado, depois de ter sido apunhalado pelas costas por seu próprio meio irmão, e por seu companheiro de trabalho, não tinha sido a coisa mais fácil de se superar.

Afastou os irônicos pensamentos sobre sua vida, aconchegando-se novamente na cama fofa. Virou-se, encarando a luz que vinha da janela. O céu estava estrelado. Era estranho. Não se lembrava de uma única noite que passou com Frank que o céu estava tão bonito como o de hoje. Na verdade, estava sempre tão escuro e nebuloso.

Estava com fome. Muita fome. Mas não tinha mais ninguém que fizesse comida para ele. Não tinha muita força para ir até o telefone e pedir uma pizza.Levantou-se, tão rápido e tão subitamente. Teve uma idéia, como naqueles desenhos que do nada surge uma lâmpada a cima da cabeça do personagem. Sorriu, como a muito não sorria.

Resolveu dormir. Usaria muito seu poder de persuasão no dia seguinte e queria estar descansado, e claro, não queria parecer a criatura mais penosa do mundo. Dormiu, sem sonhar, apenas descansando sua mente.

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Esfregou seus olhos calmamente, acostumando-os com a claridade. Os pássaros estavam cantando, um bom sinal a seu ponto de vista. Achou que talvez tudo aquilo não tivesse passado de um sonho. E por que não? Assim, o dia estava lindo. Tinha sol, pássaros. Tudo estava a favor. Por que não um sonho? Poderia até mesmo encontrar Mikey deitado no sofá todo jogado, assistindo o desenho matinal de domingo. Poderia até não existir Frank nenhum.

Foi até o banheiro e se encarou no grande espelho. “Que coisa feia e assustadora você se tornou, huh?” Riu de si, jogando água no rosto pálido. Tirou seu pijama que estava no corpo há dias. O jogou no sexto de roupas sujas, olhando a montanha de roupas que transbordava do sexto. Sentiu que talvez fosse uma ótima hora para chamar uma empregada ou faxineira. Não tinha muita experiência tratando-se de assuntos domésticos. Entrou no chuveiro. Água quente escorria por seu corpo nu. Deixava toda a sua frustração ir junto com a água, uma mania antiga. Sempre depois de um banho, sentia-se novo.

Não comeu. Na verdade não comia muito de uns tempos pra cá. Ele não sabia cozinhar, a única coisa que haviam lhe ensinado era ligar e desligar o microondas.

Saiu de casa, pegando seu quarto e indo em direção ao novo apartamento de seu novo irmão.

Irmão.

Não tinha se acostumado com a idéia. Claro, o que era muito mais que compreensível. Seria estranho se um dia você estivesse fazendo amor com uma pessoa e no outro sua mãe te contasse que ele não passava de seu irmão mais novo.

Mas isso não vinha ao caso no momento. Gerard foi até a sala, onde lá se encontrava sua mãe sentada no sofá vermelho, as pernas cruzadas e encarando fixamente o chão.

- Gerard, você tem uma coletiva de imprensa agora. – ela disse ao perceber a presença dele.

- Por um minuto eu pensei que tudo tinha sido um pesadelo. – disse baixinho, a encarando.

- Eu sei, meu filho. Você não se acostumou com tudo isso ainda, mas com o tempo, você vai entender. Apenas se apresse, estão todos te esperando lá fora.

É claro que ele não ia se acostumar e muito menos entender. Mas de que adiantaria se ele demonstrasse toda a raiva que sentia de sua mãe? Porque afinal, ela havia mentido durante todos esses anos.

Há muito tempo não via tantos repórteres como viu naquele dia. E há muito tempo não era o centro das atenções. Muitos perguntavam na entrevista se ele sabia quem tinha matado Mikey. Ele apenas dava algumas indiretas, como se quisesse que as pessoas pegassem no ar o fato de que ele estava tentando culpar Frank por tudo.

E tinha aqueles que perguntavam como ele ficou sabendo quem tinha matado o presidente sendo que Gerard não tinha falado com Mikey sobre isso. Ele ficava enrolando todas as vezes que lhe perguntavam isso, sem saber a resposta exata para dar.

Ele não podia simplesmente dizer que Frank havia o contado. O garoto já estava sendo procurado demais pelos repórteres. Agora todo mundo sabia que ele era o filho bastardo do presidente, e todo mundo ficou sabendo da herança que ele havia deixado para Frank. Todo esse tempo a primeira dama escondeu o fato de que Frank tinha direito a metade das riquezas que seu pai tinha acumulado.

Mas o que importava para Gerard não era ficar lá sendo o centro das atenções, porque ele nem gostava disso na verdade. Ele sempre foi meio tímido. Tímido não, talvez quieto, ou reservado.

Fato é que ele tinha resolvido ir á casa de Frank. E nada o faria mudar de idéia. A questão era que chegar lá não seria o problema, mas sim, ser recebido. Frank não ia querer recebê-lo, obvio. Mas valia a pena tentar né?

Demorou horas para chegar lá. Estava no fim da tarde onde a cidade toda decidia sair do trabalho e ir para suas respectivas casas ao mesmo tempo. Primeiro ficou preso no transito, e segundo que ficou a maior parte do tempo tentando achar o apartamento que era do outro lado da cidade.

Ah sim, o grande e luxuoso apartamento de Frank. Uma grande mudança para quem morava em um minúsculo apartamento com apenas quatro cômodos. Mas isso não vinha ao caso, não aumentava mais a frustração

Ao chegar lá teve que ficar por um bom tempo convencendo o porteiro a deixá-lo entrar. Disse que era o namorado de Frank – o que deixou o homem apavorado – E que queria fazer uma surpresa. E que seria culpa dele se a surpresa fosse estragada. Tão bobinho o porteiro.

Ta que ele se enrolou todo ao perguntar qual era o numero e o andar de seu suposto namorado. Porque afinal, ele era seu namorado, então era para ele saber onde era o seu apartamento.

De qualquer jeito, ele acabou subindo. Encarou a porta amarelada, pensando no que iria falar. Não fazia a mínima idéia do que dizer. Acabou batendo na porta levemente, torcendo para que Frank não ouvisse e assim ele poderia ir embora. É... Esses últimos meses tinham o tornado um pouquinho covarde. Mas bem pouquinho. Nada que ele não pudesse superar.

Frank abriu a porta, sem nem se importar em quem estaria do lado de fora. Ele estava nu. Não nu realmente. Seminu. Com uma toalha branca amarrada na cintura, e outra menor vermelha na qual ele usava para enxugar seus cabelos.

Demorou algum tempo para perceber que quem estava ali era Gerard, e quando isso finalmente aconteceu, ele tencionou a porta para frente, indo fechá-la, mas o que estava do lado de fora foi mais rápido, segurando-a.

- O que você esta fazendo aqui Gerard? – ele perguntou, parando de enxugar seus cabelos, deixando-os completamente bagunçados.

- Eu vim te ver.

- Jura? – Frank disse completamente seco. Gerard riu, se sentindo a pessoa mais idiota do mundo.

- Juro. E quero conversar com você.

Frank deu espaço para Gerard entrar. O que o fez arregalar os olhos de medo. Pensou que Frank iria fechar a porta na sua cara ou algo do tipo. Ele analisou toda a sala de estar de seu apartamento. Tipo, só aquela sala dava quase todo o apartamento antigo de Frank.

Parou em frente a um sofá preto de couro, esperando que o garoto que ainda estava parado na porta o convidasse para sentar. Frank coçou a cabeça, aparentemente tentando pensar no que ia fazer. Depois de um silencio desconfortável, Frank fez um ruído de completado desprazer com a presença de Gerard, e logo depois soltou um murmuro.

- Vou me trocar, você senta ai e não mexe em nada. – Frank disse se retirando da sala. Gerard se sentou no sofá extremamente confortável, esperando que ele voltasse logo.

Não mais que poucos minutos depois, Frank voltou ao cômodo com dificuldade de colocar a blusa colada, provavelmente porque não tinha enxugado o corpo direito na pressa de voltar para a sala e verificar se Gerard não estava tocando em nada. Sorriu ao vê-lo sentado no sofá com as pernas cruzadas e o olhar perdido.

- Diga logo, eu tenho coisas para fazer. – Frank se jogou no sofá e Gerard só notou sua presença quando o mesmo afundou, o fazendo voltar a realidade.

- Eu quero que você volte pra mim, Frank. – ele disse, sem encarar o garoto ao seu lado, ainda fixando o olhar em algum ponto. Frank riu gostosamente.

- Há há, você é super engraçado.

- Estou falando sério, para de mentir pra mim, e diz logo que você me quer Frankie. – Gerard riu meio sem jeito, não achando que Frank realmente fosse considerar a idéia.

- Oun, bonitinho, e dês de quando mentir pra você foi um problema pra mim? – ele sorriu. Um sorriso completamente irônico.

- Você gosta de mim. Eu sei, eu sinto. – Gerard ignorou a ultima frase de Frank, e disse como se nada o tivesse interrompido.

- Ok, presta atenção bonitinho. Nós somos irmãos, meio irmãos. O que significa que nós temos o mesmo sangue entende? Tipo assim, você é praticamente parte de mim e nós nascemos da mesma barriga. Agora você quer que eu desenhe, criança?

Gerard demorou um pouco para processar o que Frank havia dito. Quase foi necessário um tapa em sua cabeça para cair a ficha. Ele nem tinha percebido que Frank era filho da sua mãe. Assim, ele sabia disso, mas ele nunca tinha pensado realmente. Para ele Frank havia nascido do espírito santo, e o mesmo tipo de sangue que corria em ambas as veias era mera coincidência do destino.

- Pode desenhar se quiser, eu to demorando um pouco pra pegar o espírito da coisa. – disse, percebendo depois o quão idiota havia sido aquilo que ele disse. – Enfim, o que tem demais? Eu e Mikey éramos irmãos de sangue e nem por isso nós deixamos de ficar juntos.

- Éca. – Frank soltou um falso grunhido de nojo. – Você é uma aberração, sabia? Sabe por que Mikey ficava com você? Porque ele sabia que não era seu irmão.

- E quanto a mim? Eu sabia, quer dizer, pensava que ele era meu irmão e mesmo assim ficava com ele.

- Eu já disse, você é uma aberração da natureza e merece morrer. – Frank riu pela primeira vez. Pela primeira vez em meses. Gerard o encarou, encantado com aquele sorriso, que logo desapareceu, deixando Frank sem graça.

- Não seja dramático, ambos sabemos que você quer que eu viva, mesmo que pra isso eu tenha que ficar longe. – foi a única coisa verdadeira que Gerard disse em dias. Verdadeira não, sincera. A uma grande diferença entre verdade e sinceridade.

- É, nós dois sabemos. – Frank sorriu sem graça, percebendo depois que não deveria ter dito aquilo.

Não conversaram muito depois daquilo. Frank disse educadamente que tinha negócios a tratar, fazendo assim com que Gerard voltasse para seu solitário apartamento.

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Gerard acordou no outro dia com uma extrema dor de cabeça. Achava que provavelmente aquilo era ressaca. Ele havia passado à noite toda no bar do Frank. Quer dizer, o bar do Frank onde o único que trabalhava lá era o Ray. Era porque de um dia pro outro aquele lugar que nem era muito freqüentado tinha se tornado o point. Sério, aquilo lotava todas as noites. O que só acontecia no Maximo nas noites de sábado.

Frank era a estrela. E todos – inclusive Gerard – Esperavam sua presença no bar todas as noites. Por mais que soubessem que ele não ia aparecer, ficavam lá, feito bobos.

E por quê? Porque depois de toda aquela história, Frank virou o assunto. Olha que até inventaram que ele deveria se candidatar a presidente ou algo do tipo.

A principio foi uma idéia bem engraçada pra todo mundo, mas depois, até integrantes do governo afirmavam que ele realmente deveria ser. Eles alegavam que deveria ser assim porque a nova família de Frank toda tinha feito parte do governo.

A família nova dele. A família nova estava o recebendo muito bem na verdade, mas, enfim, não era importante.

Ele se levantou com dificuldade, sentindo sua cabeça deveras pesada. Gerard quase pensou em segura-la com medo de que a qualquer instante ela pudesse cair, o que obviamente não aconteceria.

A campainha tocou. Ele quase pôde sentir seu tímpano vibrar com o barulho. Com aquele apartamento completamente vazio de vida, tudo, qualquer tipo de som, dês de uma vasilha de metal caindo no chão, até um simples murmuro fazia um barulho ensurdecedor, pelo menos era assim que Gerard interpretava todos aqueles sons. Tudo bem que às vezes o silencio era de enlouquecer qualquer um.

Arrastou-se até a porta imaginando que talvez quem tinha o incomodado era alguém querendo lhe entregar as contas do mês, ou alguma coisa que tinha pedido quando estava bêbado demais para fazer alguma coisa com lucidez.

Colocou seu olho no buraquinho da porta que lhe permitia ver quem estava do lado de fora. Ele viu aqueles olhos. Aqueles olhos tão claros e sem brilho. A dor de cabeça veio mais forte, fazendo-o perceber que aquilo não era apenas ressaca. Sentiu seu estomago embrulhar, dar algumas voltas, fazendo seus olhos se revirarem, e sua cabeça ficar realmente pesada, fazendo com que ela caísse, juntamente com o seu corpo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.