Impossible
11 Eu não esperava por isso
Notas iniciais
P.O.V. Alec.
Nada que um baile de máscaras não resolva. As damas de vestidos vitorianos, os rapazes de trajes vitorianos e máscaras.
Então, começou a tocar Dance Macabre de Camille Saint-Saes.
E eu tirei para dançar uma senhorita misteriosa que trajava o mais belo vestido rosa bebê, cheio de bordados e babados, os cabelos ruivos cheios de cachos feitos com papel, aqueles cachos do século dezoito. O penteado dela era do século dezoito. Aquele enorme topete como nos filmes Maria Antonieta e havia uma coroa de flores
Ela até parecia uma fada.
—Que irônico não acha? Dançar a Dança da Morte com um vampiro de verdade.
—Conhece a música.
—Eu conheço muitas coisas.
—Vampiros não existem.
—Vou fingir que acredito em você. Vou fingir que não sei que você é um dos gêmeos diabólicos do Aro, que se o seu mestre não tivesse salvado a sua medíocre existência você seria torrada agora.
—E quem é você?
—Todo o ponto das máscaras é esconder a identidade daquele que as usa.
—Mas, os olhos são verdes. Como esmeraldas.
—E os seus são vermelhos. Como rubis. Sabia que tem duas novelas com estes títulos?
—Gosta de novelas?
—Gosto. Sabe, aqui e agora sob a luz desta lua cheia e com essas roupas...podíamos muito bem ser Hades e Perséfone. Numa das versões do mito, Hades e Perséfone vão inadvertidamente um em direção ao outro e revoltada por saber que Perséfone acabaria virgem e sozinha pela eternidade se negando a amar e a se apaixonar assim como Hades, Afrodite e o filho Eros usam isso em sua vantagem. Esta proximidade. E com uma flechada, o bebê alado faz a deusa da primavera se apaixonar pelo Deus das trevas. E foi no coração do Deus do Submundo que a flecha acertou. Irônico não acha?
—Esse seu vestido bem que parece uma toga.
—Hades e Perséfone. A escuridão e luz, a morte e a vida que caminham juntas entrelaçadas, unidas sempre e para sempre.
—E gosta de mitologia também.
—É.
—O que foi?
—Minha prima. Está sofrendo esta noite e vai sofrer por muitas noites ainda. Dizem que melhora com o tempo, mas... sempre será uma maldição.
—Sua prima é amaldiçoada?
—É. Ela ativou a maldição sem querer. Aquela desgraçada, criatura do inferno.
—Sua prima?
—A pessoa que tomou o corpo dela e a fez ativar a maldição. A coisa que tomou o corpo dela e a fez ativar a maldição. Maldição esta que ela criou e jogou sob a própria mãe!
—Estou curioso para conhecer a sua prima.
—Eu não recomendaria. Especialmente hoje.
—Porque não?
—Porque você e ela estão em pé de igualdade hoje. E uma mordida dela... e você já era.
A lua estava cheia. E baseado nas informações que ela me forneceu, logo descobri o que a prima dela era.
—Sua prima é lobisomem.
—Sim.
—Você é lobisomem também?
—Eu to gritando enquanto meus ossos se quebram um a um?
—Não.
—Eis ai a sua resposta.
—Quebrando ossos ein?
—Porque acha que é maldição? Eles são forçados a quebrar cada osso do seu corpo todo mês.
—Você disse que sua prima ativou a maldição. Como se ativa a maldição?
—Porque eu diria isso a você? Pra você sair por ai caçando linhagens de lobisomens?
—Não quero caçar lobisomens. Só quero saber mais.
—Pra ativar a maldição, eles tem que fazer uma coisa que você faz todo dia. Matar. Inadu usou a energia de sua própria morte para lançar a maldição, sendo assim... é tirando uma vida humana que se ativa a maldição. Acidente de carro, de barco, assassinato.
—Então, matou ativou.
—Isso.
—Você nunca matou.
—Não. E eu não tenho gene do lobisomem.
—Gene?
—Maneira de dizer. Ser lobisomem é uma maldição sanguinis, uma maldição de sangue é passada através das gerações.
—Ser um filho da lua é hereditário.
—Isso é Lycan. Lobisomem tem metamorfose completa.
—Quem é você?
—Não sei. Quem sou eu?
Quando deu meia noite e as máscaras caíram eu quase tive um ataque.

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