P.O.V. Elijah.

Ela concordou em vir comigo para Nova Orleans, mas quer levar as coisas da Clary. A mobilha do quarto para que ela sinta menos estranhamento no ambiente.

—Bom, hora de conhecer gente nova querida.

Estava mais que claro que Renesmee não estava confortável em estar entre a minha família.

No segundo em que entramos na casa, Hayley apareceu.

—Onde você estava?! Estávamos loucos atrás de você... e... Quem é a vagabunda?

—Eu sou Renesmee Cullen.

Hayley a havia chamado de vagabunda e ela havia ignorado completamente.

—Ta me olhando com esta cara porque? Eu sei, tenho a cara da Katherine, mas eu não sou a Katherine. Eu não pedi pra nascer duplicata. Se vai me julgar pela minha aparência, então... você tá no seu direito.

—Foi você não foi? Aquele dia na festa dos Lockwood. Você me avisou para ficar longe dos Mikaelson.

—Falei mas, você não ouviu. Mas, você tem a sua filha e a sua matilha então, não foi de todo ruim. Foi?

—Não. E eu sou uma híbrida agora.

—É.

P.O.V. Hayley.

Cara eu odeio ela. Quero morder o pescoço dela e assistir ela morrer.

—E que bem isso te faria?

—O que?

—Morder o meu pescoço e me assistir morrer.

Ahm, ela acabou de ler a minha mente?

—Sim.

—Sai da minha cabeça!

—Você é mais parecida com a Katherine do que eu. Aqui, segura ela Elijah. O caminhão chegou com as coisinhas da Clary.

—Como é que é?!

Ela estava carregando um berço velho pra dentro.

—Eu não sou nada parecida com a Katherine!

—Não é? Você está casada e ainda assim quer que o Elijah fique correndo atrás de você. Te esperando. Você merece ser feliz e ele também. Não concorda?

—E ele seria feliz com você?

—Com qualquer pessoa. Comigo, com outra. Mas, você gosta de ter ele sempre atrás de você. Te idolatrando. Foi isso que a Katherine fez com os Salvatore. Ela os prendeu, os fez serem infelizes e brigaram entre si por cento e quarenta e cinco anos. Você quer ser feliz, mas não deixa ele ser.

—Isso não é verdade.

—Você já veio com cinco pedras na mão no segundo que eu passei por aquela porta. E Elijah e eu nem estamos juntos. O que acontece quando ele encontrar alguém? Você vai infernar a vida da mulher até ela ir embora? Vai mordê-la e deixá-la para morrer? Elijah te deixa morar praticamente dentro da casa dele com o seu marido. E ele trás a mãe da filha dele e você já pira.

Ela ficava indo e vindo com as coisas. Mas, eu sabia que ela estava certa.

Ele não é meu para roubar ou manter. Não tenho direito de fazer isso com ele. Elijah sempre foi tão gentil comigo, como ninguém nunca havia sido. Cuidou de mim, me protegeu. Das bruxas, do Tyler, do Klaus.

—Você tem que deixar ele ir. Não vai perdê-lo, vai libertá-lo.

Disse me dando dois tapinhas nas costas.

Fomos dormir, mas todos acordamos no meio da noite com coisas sendo quebradas, destroçadas.

—Não! Não! O berço não!

Chegamos no quarto onde estava alojada a filhinha do Elijah e o Klaus estava destruindo a mobília. O bebê chorava desesperadamente. E quando Klaus quebrou o berço, a mãe chorou. Chorou de tristeza.

—Não. O berço. O bercinho, estava na minha família a gerações.

Ela ajoelhou no chão e chorou sob aquele monte de madeira despedaçada. E estavam a mãe e a filha chorando. A mãe de tristeza e a filha de medo.

Klaus tinha destruído uma relíquia de família, só porque ela pediu para ele não destruir.

—Eu sei. Estava lá quando eu matei toda a família Petrova.

—Você é mais filho de Mikael do que pensa.

Disse ela chorando. A mulher levantou e saiu correndo pra fora do quarto.

—Era uma relíquia de família Klaus. Era especial.

—E desde quando você liga?

—Eu passei a minha vida inteira sem ter uma família. Eu sei como é importante!

—Estou muito decepcionado com você Niklaus.

P.O.V. Renesmee.

Foi um erro vir aqui. No meio dessa gente odiosa. Tóxica.

—Eu sinto... o que está fazendo?

—O que parece que estou fazendo? Estou indo embora!

—Eu entendo que Niklaus possa ser...

—Você não entende nada! O berço estava na minha família a gerações! Desde antes de você ser vampiro. E pra alguém que presa tanto a família... parece não possuir a menor consideração pela minha. Ele podia ter quebrado tudo! Menos o berço. Amara dormiu nele, Katherine e muitos outros bebês da linhagem Petrova. O berço foi tudo... tudo o que sobrou. Mas, agora só tem... nada. E mais nada. Ele conseguiu. Vocês conseguiram, meus parabéns. Destruíram a última coisa que ligava a mim e a nossa filha ao nosso passado. Nossos ancestrais.

P.O.V. Elijah.

Eu sabia que era culpado daquilo também. Só Deus sabe o que eu fiz á linhagem Petrova.

Ela saiu se escorando nas paredes tamanha era a sua dor. E quando estava fora da mansão soltou um grito e junto com o grito veio uma rajada de energia que fez os alicerceies chacoalharem.

Voltou para dentro para pegar Clarissa e ir embora.

—Ei docinho, vamos...

Nós assistimos chocados enquanto Clary fazia o berço se reconstruir pedaço por pedaço com um único olhar.

—Oh, docinho. Você é mesmo o bebê mais especial do mundo. Bom, um deles pelo menos.

—Ela já consegue engatinhar?

—Sim. Em casa eu tinha protetores nas tomadas e travas nas privadas, mas aqui...

—Vamos arrumar essas coisas.

—E vamos precisar de mobilha nova para o quarto.

—Podíamos pintar as paredes.

—Sim. É uma boa ideia.

Nós saímos para comprar a nova mobília do quarto.

P.O.V. Hayley.

Vê-los saindo juntos com a menininha. Partiu meu coração, mas eu escolhi casar com o Jackson e tenho que aceitar.

P.O.V. Elijah.

Era estanho ver aquelas coisas de bebê. Carrinhos, bercinhos, bichinhos de pelúcia e saber que estava comprando aquilo para a minha filha.

—A gente podia comprar um leão.

—Um leão?!

—De pelúcia! Tem leões no brasão da minha família. Podíamos mandar fazer um brasão da sua família para pendurar na parede.

—Quer mesmo isso?

—Porque não? Ela é sua filha. Não legalmente, mas biologicamente.

—Tem razão.

Comecei a notar que Renesmee usava roupas alegres, de estampas florais. Brincos de pena, faixas no cabelo.

—Não coma a lagarta.

Disse tirando uma lagarta de pelúcia colorida das ávidas mãozinhas de Clarissa. Que a todo momento tentavam agarras os brinquedos em exposição.

Compramos um carrinho, mobilie de estrelinhas, muitas pelúcias incluindo um leão. E na hora de pagar, ela me fez dividir a conta com ela.

—Foi uma manhã divertida.

—Vamos parar pra tomar alguma coisa? Assim, sei lá a gente se conhece melhor.

P.O.V. Renesmee.

Ai como você é besta!

—Tá ideia idiota. Foi mal.

—Não. Não é uma ideia idiota. Nós temos uma filha juntos então...

—É. Onde você quer ir?

—Onde você gostaria de ir?

—Eu sei lá. Nunca estive aqui.

—Gosta de suco?

—Gosto.

Fomos até uma loja de sucos naturais.

—Boa tarde, em que posso ajudar?

—Pode trazer os cardápios por favor?

—Claro. Oh, que bebê lindo. Ela é sua filha?

—É.

Respondemos juntos.

—Cuidado que ela morde.

Avisou Renesmee á vendedora. E então...

—Ai o meu dedo!

—Eu avisei. Solta, solta Clary. Não podemos morder as pessoas. É feio, é feio, é muito feio.

Com certo esforço, Clary soltou o dedo da vendedora.

A mulher saiu correndo. Com o dedo sangrando. E uma outra nos trouxe os cardápios.

—Diga a sua amiga que eu lamento. Ela não fez por maldade.

—Eu digo.

Renesmee fez uma careta quando a atendente se virou.

—Bebê de Rosemary é a sua avó.

Disse num tom quase inaudível. Fizemos os pedidos e sem demora os sucos chegaram.

Ela pediu de melancia e eu de banana. Vi-a colocar uns seis pacotinhos de açúcar lá dentro.

—Então, você tem um nome bem diferente.

—Minhas avós são Renné e Esme. E os meus avós são Charlie e Carslile. Por isso, Renesmee Carlie.

—Interessante.

—Pode me chamar de Ness.

—Ness. Então, pode ler mentes.

—Sim.

—O que mais pode fazer?

—Posso ver o futuro, sou empata, sou bruxa e sou um escudo mental. Clary é um escudo também, não posso ler os pensamentos dela.

—Escudo?

—Dons puramente defensivos são chamados de escudos.

—Seus familiares são dotados, como você?

—Eu sou assim por causa deles. Minha telepatia e o escudo eu herdei dos meus pais, os outros eu copiei. Posso projetar meus pensamentos nas mentes de outras pessoas e atravessar escudos psíquicos se eu quiser. Aquela sua coisinha de controlar as pessoas é incrível, mas também é ruim.

—Porque?

—Forçar alguém á sua vontade? Um poder como este é o suficiente para levar até a melhor das almas para lugares sombrios. Precisamos de limites ou perdemos quem nós somos.

—Sim. De fato. Ela morde com muita frequência?

—Está diminuindo com a idade. Eu tenho que confessar que sabia o que estava fazendo naquela noite. Eu usei você e isso foi errado. Eu sinto muito.

Ela estava envergonhada e claramente se arrependia.

—Perdoada.

—Obrigado. E eu perdoo você pelas coisas ruins que fez com a minha família.

—Obrigado.

Renesmee estava alimentando Clary com uma mamadeira cheia dum conteúdo vermelho e comendo com a outra mão.

—Você é boa nisso.

—Eu pratico muito. Você já comeu Waffles Belgas?

—Já.

—São iguais aos waffles normais só que com um nome chique.

Eu ri. Ela se levantou.

—Eu não queria...

—Relaxa. Só vou colocar ela pra arrotar.

A vi pegar a nossa filha e começar a dar leves tapinhas em suas costas até que a ouvi arrotar. Foi um som suave, até fofo.

—Pronto.

—Os seus familiares são bem diferentes de mim. Fisicamente.

—É. Eles são os filhos dos filhos do Clã Corvinos.

—Clã Corvinos?

—Alexander Corvinus era um senhor da guerra que chegou ao poder no início do quinto século bem a tempo de ver uma praga devastar a sua aldeia, ele foi o único sobrevivente. Seu corpo conseguiu adaptar a doença e moldá-la a seu benefício e ele teve ao menos dois filhos que herdaram este mesmo traço. Um mordido por um lobo e outro por um morcego.

—Um lobo?

—William virou uma besta. Mas, então nasceu Lucian. Ele é o primeiro Lycan. É tipo um lobisomem, só que mais grotesco. Quando eles se transformam não é metamorfose completa. Eles viram um ser com cara de lobo, peludo e com patas, garras, mas bípede. É um vírus.

—Credo. Já viu uma destas criaturas?

—Já. Eles não tem controle quando estão transformados, matam o que aparece no caminho.

—E imagino que os seus parentes tenham vindo do outro filho.

—Sim. Marcus Corvinus. Ele pode controlar quando se transforma.

—Ele se transforma?

—Sim. Num morcego homem gigante. Os braços viram asas, o rosto... não é bonito, mas o tempo foi passando o vírus foi mudando e hoje não queimam mais no sol ou se transformam.

—Então, o sol não os afeta?

—Não foi o que eu disse. Os afeta só não queima.

—Afeta como?

—Você já viu um diamante? É assim. É como se o corpo deles fosse cravejado de diamantes e é com certeza tão ou mais resistente que um.

—Diamantes?

Ela tirou o delicado anel com uma pedra de lápiz latzuli e eu vi a sua pele adquirir um brilho suave. Quase imperceptível. Esforçando-me mais, pude ouvir o barulho, era um leve tilintar.

Então, ela recolocou o anel. E o brilho parou assim como o tilintar.

—Não é tão impressionante assim.

—É porque eu sou uma híbrida. Um puro sangue é... mais. Fiz anéis para os meus parentes, eles vão se mudar logo.

—Porque não mudarem-se pra cá?

—Não. Aqui não tem uma área de caça boa.

—Tem milhões de habitantes.

—Mas, não tem animais. Eles não bebem sangue humano, apenas animais. Conseguem sobreviver sem. Por isso as íris douradas.

—Interessante.