Notas iniciais
Vemo-nos lá em baixo :3

- Vamos? — a Jo perguntou.

- Deixas-me na sala de castigo? — perguntei-lhe.

- Yup.

O resto do dia tinha passado sem incidentes, as aulas tinham acabado e estava na hora do castigo. Chegamos à sala e a Jo despediu-se de mim, desejando-me sorte e pedindo para eu não matar o Bieber

- Vou tentar – respondi, antes de ela ir embora.

Inspirei fundo e bati à porta, entrando na sala de seguida.

- Sr. Stewart, faça favor — a professora que estava a tomar conta do castigo e que por acaso era a minha professora de matemática, disse.

Entrei na sala e sentei-me num lugar à frente, olhando em meu redor de seguida. Só o Sr. Convencido é que estava na sala... Somos só nós os dois? Por favor digam-me que não!

- Parece-me que hoje são só vocês os dois! – a professora anunciou, como que respondendo à minha pergunta mental – Há trabalhos de casa para fazer?

Ambos eu e Bieber acenamos negativamente com a cabeça e a professora continuou a falar.

Bem, sendo assim – que me dizem de em vez de ficarem aqui sentados a olhar para o boneco, fazerem algo de útil? Vão os dois limpar a casa de banho dos professores.

- Ah? – exclama-mos os dois ao mesmo tempo, incrédulos.

- Ficarem aqui não vos leva a lado nenhum e as auxiliares agradecem o vosso trabalho. Agora, aparelhos eletrónicos na caixa que está em cima da mesa e vão buscar os utensílios de limpeza ao armário de arrumos. Vá, toca a andar!

Pousamos as nossas coisas na caixa, como a professora tinha mandado, e começamos a caminhar para os arrumos. Estranhamente, o coiso ainda não tinha reclamado da sua «sorte».

- Estou admirada por ainda não teres tido um ataque de diva, recusando-te a limpar” eu pus os meus pensamentos em palavras, quando entramos na casa de banho com todas as coisas necessárias.

- Não me apetece discutir, por isso vamos acabar isto depressa para eu me ir embora ok? — ele respondeu-me e agarrou em algumas folhas de jornal e no limpa vidros, começando a limpar um dos espelhos. Eu fui limpar os lavatórios.

- Isto está imundo! E ainda dizem que nós sujamos muito! — queixei-me, enquanto continuava a limpar os lavatórios.

- Nem queiras ver isto aqui! — O Bieber disse, do cubículo que estava a limpar — Parece que alguém esteve a fazer peripécias aqui, se é que me entendes. Voto na Sr.ª Montgomery e no Sr. Williams! – ele apostou, voltando-se para trás, para mim, que tinha vindo ver o estado do cubículo.

- Isso está mesmo horrível! E como é que sabes que foram eles? — eu perguntei, curiosa.

- Vi-os aos beijos no carro dele, ontem. Acredita, não foi uma imagem bonita de se ver — ele riu-se.

- Aposto que sim. Não queria estar no teu lugar — e rí-me com ele. Finalmente uma conversa civilizada! — Vou para o outro cubículo — avisei.

Estava baixada, a limpar a parte debaixo de uma das paredes do cubículo quando senti algo húmido a cair-me pela cabeça abaixo. Virei-me e o Bieber estava atrás de mim, a tentar conter o riso, com um balde na mão.

- Tu não fizeste isso!

- Foi sem querer, eu vinha ajudar e o balde escorregou — ele defendeu-se e tentou parar de rir, mas falhou.

- Prontos, esquece, não faz mal – levantei-me e cheguei-me a ele.

- Obriga-a-a-a… — ele ficou a meio da palavra quando lhe deitei água fria do meu próprio balde pelas costas abaixo.

Em sua defesa, ele pegou no spray limpa vidros e começou a pulverizar-me e, para me defender, fui-lhe ao ponto fraco… o cabelo, deitando-lhe mais água e estragando o penteado.

- O cabelo não! Isto agora é guerra, Stewart!”

- Bring it on, Bieber! — respondi e começou uma enorme luta de água que, por muito divertida que fosse, deu-nos uma bronca, castigo outra vez no dia seguinte e causou uma enorme discussão entre nós, sobre quem era a culpa.

Parece que a paz dura pouco.

Às 18:00, duas longas horas depois do início do castigo, acabamos de limpar tudo pela segunda vez e fomos “libertados”. Por esta altura, depois de um dia inteiro no vai e não vai, tinha começado a chover e, como os autocarros já tinha ido todos e eu não tinha guarda-chuva – sabia que me ia fazer falta — tinha de ir a pé, à chuva. Não é que eu já não estivesse ligeiramente molhada da luta na casa de banho, mas depois de limpar toda a casa de banho outra vez tinha quase secado.

Preparei-me mentalmente para a chuva, pus o capuz do meu camisolão por cima da cabeça, guardando o gorro que estava a usar antes na mochila e comecei a andar. Nesse momento começou a chover com mais força. Juro que sempre que se tem que sair para a chuva, começa a chover mais e mais. Para piorar a situação, vi um relâmpago, seguido de um forte trovão. Comecei a andar mais depressa, mas ainda estava longe de casa e a chuva caía sem piedade.

De repente ouvi um carro a buzinar.

- Stewart, entra! — O Bieber gritou através da janela aberta, e sobre o som da chuva.

- Não, obrigada – berrei de volta e continuei a andar.

- Anda lá, senão ficas doente – ele insistiu.

- Não faz mal.

Ele fechou a janela e pensei que ia seguir caminho, mas vi a porta do carro abrir e ele veio ter comigo ao passeio.

- Não sejas casmurra, anda lá para o carro – ele pediu.

Estava prestes a dizer que não outra vez quando se fez ouvir outro trovão. Cedi, finalmente, com um «ok» um bocado contrariado e circundei o carro para entrar pela porta do passageiro. O carro estava incrivelmente quente em relação ao exterior. O Bieber entrou e o carro começou a andar. Mantivemos o silêncio, até que eu decidi falar.

- Porquê?

- Porquê o quê? — ele perguntou.

- Para quê insistir tanto para eu entrar no carro? Se ficasse doente era menos um dia que me tinhas de aturar.

Depois de alguns momentos de silêncio, ele respondeu:

- Podes não acreditar, mas a minha mãe educou-me correctamente e eu respeito-a muito. Ela criou-me sozinha e fez tudo o que podia por mim. Ela ensinou-me que devo ajudar até o meu pior inimigo e, honestamente não me sentia bem comigo mesmo se te deixasse ali a ir sozinha, a pé e a chuva para casa. – ele confessou, sem tirar os olhos da estrada.

A resposta dele deixou-me sem palavras. O que é que é suposto responder a um discurso daqueles?

O carro continuou a andar e eu comecei a tremer com frio. Só tinha vestido o camisolão, sem nada por baixo, e o tecido frio contra a minha pele… O carro estava quente, mas não suficiente. Tentei disfarçar ao máximo as tremuras que me atravessavam o corpo, mas o Bieber notou à mesma.

- Toma lá ele disse e passou-me o casaco dele que estava pendurado no banco dele.

Não me sentia em condições de rejeitar a oferta e aceitei o casaco, vestindo-o. Ficava-me bastante grande nas mangas, mas era muito quente e confortável. Além disso cheirava muito bem. Agasalhei-me, puxando mais o casaco contra mim.

Chegamos a minha casa e eu ia-lhe devolver o casaco mas ele parou-me.

- Depois devolves-mo. Lavado por favor. — boa maneira de estragar a frase, tronho.

- Obrigada — agradeci à mesma e comecei a abrir a porta do carro.

- Ei, Stewart!? — Ele chamou — Isto não aconteceu, ok?

- Não te preocupes, o teu segredo está seguro comigo. — Respondi-lhe, saindo do carro e indo até à porta de casa.

Entrei e quando cheguei à sala a Joanne estava sentada no meu sofá a ver TV, supostamente à minha espera. A esta hora os meus pais ainda não chegaram, mas ela tem a chave de minha casa, tal como eu tenho a da dela.

- Olá Jenny! Estava a ver que não chegavas!

- Atrasei-me. Houve uma luta de água e tivemos de limpar tudo – justifiquei-me. Ela não precisa de sabes que a luta de água foi entre mim e o Bieber.

- Só vocês os dois?

- Yup.

- Que mau! Mas… porque é que não estás toda encharcada? Está a chover a potes! Não vieste a pé? E de quem é o casaco que estás a usar? Não o tinhas de manhã!

- Ei, ei, ei!! Calma com as perguntas! — pedi — repete uma de cada vez.

- Ora… porque é que não estás molhada?

- Eu…deram-me boleia — Não é mentira.

- Hum… Foi a mesma pessoa que te emprestou o casaco? É que da última vez que vi o teu armário não o tinhas, e algo me diz que não o compraste porque te fica enoooorme. É de rapaz, até parece um do Jus… OH MEU DEUS É O CASACO DO JUSTIN! — e começou aos saltos.

- Calma! Ele… deixou-o na escola e eu… tinha frio! E estava a chover por isso vesti-o. — Ufff, safei-me por pouco.

- Claro que sim… depois contas-me. Agora preciso da tua ajuda com a roupa para sábado! — ela disse, mostrando-me 6 modelos.

Passamos o resto da tarde a escolher a roupa e a conversar, até que os meus pais chegaram e ela foi embora porque ia jantar com os avós.

Hoje o Coiso foi, por muito estranho e impossível que pareça, simpático. Nunca pensei que isto fosse acontecer. Quem diria?

Notas finais
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Review :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.