Impossível de esquecer
10 Capítulo 10
Notas iniciais
– Chegamos.
Mercedes disse triste enquanto terminava de estacionar seu carro. Eles estavam no grande e descoberto estacionamento do hotel e conseguiam enxergar o professor Schue e seus alunos. Sam os olhou e, em seguida, voltou seu olhar para Mercedes.
– Eles não parecem sentir a minha falta. – Disse abrindo um sorriso sugestivo na tentativa de convencê-la a deixá-lo ficar.
– Sam, não... – Ela o interrompeu com uma voz triste. Então ele percebeu, finalmente, que aquilo era real. Eles iriam se separar mais uma vez.
– Eu só... Não queria ficar longe de você. – Suspirou. – De novo. – Lamentou e a observou suspirar. – Eu não sei quando nós vamos estar juntos, ou nos falar, ou nos olhar de novo. Eu não quero isso de novo. – Ele pegou sua mão lamentou ao se referir às duas vezes em que tiveram de se separar e o quão complicado fora lidar com aquilo.
– Sam... – Mais uma vez ela o interrompeu. – Não torne tudo mais difícil, ok ? – O encarou, finalmente e viu lágrimas esconderem aquele par de olhos verdes. Suspirou. – Não vai ser como antes. Eu prometo. – Ele não pareceu acreditar. – Por favor, confia em mim – suplicou. – Eu não sei como vai ser daqui para frente, mas não estou pronta para estragar qualquer nova chance que eu tenha de estar com você. – Disse ainda com os olhos fixados nos dele. Depois encarou sua boca e o viu aproximar seu rosto. Selaram os lábios. – Vamos. – Ela pediu enquanto enxugava as lágrimas de Sam. – Eles devem estar cansados de nos esperar. – Tentou sorrir.
Mercedes abriu a porta enquanto Sam destravava o cinto e saía logo em seguida. Eles entrelaçaram os braços depois que Mercedes trancou o carro e andaram, despreocupadamente, até o grupo.
– Oh, Sam... – O professor o saudou querendo transmitir um tom autoritário, mas só conseguiu mostrar o quão aliviado estava. O abraçou. – Onde você estava ? Ligamos como loucos para você... Para vocês dois, na verdade. – Disse, agora, olhando para Mercedes e esperando uma explicação.
– Bom dia para você também, senhor Schue. – Mercedes revirou os olhos e sorriu divertida. – Nós... hm... – Ela olhou para Sam que a encarava esperando uma resposta. Mercedes gaguejou mais um pouco e ele sorriu nervoso para o professor.
– Tudo bem, vocês precisam se explicar. – O professor lançou a mão no ar mostrando que não precisaria de detalhes. – Deixem-me terminar com isso. – Disse-lhes pegando outra mala e colocando-a no espaço apropriado. – Ah, Sam, agradeça ao Blaine. Foi ele quem arrumou todas as suas coisas e as trouxe para cá. – Alertou-o.
– Está tudo bem, senhor Schue. Ele me deve uma. – Blaine passou por trás de Sam e deixou uma de suas mãos pousarem, brutalmente, em um dos ombros do loiro. – E eu espero que ele me pague com todos os detalhes desse fim de semana. – Agora ele estava atrás de Sam, mas de Mercedes também, e sussurrou ao pé de suas respectivas orelhas.
Mercedes sentiu as bochechas queimarem e Sam sorriu sem jeito.
– Eu vou sentir sua falta. De novo. – Era Tina quem aparecera ao lado de Mercedes depois de Blaine ter entrado no ônibus. Ela formava um pequeno bico enquanto inclinava seu corpo para abraçar Mercedes.
– Oh, Tina... Eu também. – A morena lamentou, mas tentou sorrir. Quando se separaram, ela pôde perceber uma Tina extremamente chorosa e emotiva. – Oh, meu Deus... – Soltou sem saber o que fazer ou falar.
– Tina, não... – Sam a parou e a abraçou. A asiática se recompôs e o encarou com raiva.
– Oh Sam, você é tão insensível. – Reclamou e entrou no ônibus. Mercedes riu junto a Sam, quem não entendera nada do que tinha acabado de acontecer.
– Oh, Deus, vocês dois estão cheirando a sexo. – Era Kitty que aparecera pela lateral do casal. Sua última opção era parecer indignada ou ofendida. Ela queria provocar o casal e deixá-los sem graça. Era típico de sua personalidade.
Mercedes, mais uma vez, sentiu as bochechas queimarem enquanto todos a encaravam, pela janela, com sorrisos maliciosos. Sam revirou os olhos e riu nervosamente. Kitty, então, deu de ombros e se juntou aos demais dentro do ônibus..
William soltou um suspiro de alívio enquanto fechava o porta-malas. Olhou para o longe e admirou a beleza da cidade envolta dele. Mercedes e Sam o encararam com dois sorrisos satisfeitos e enquanto os outros se distraíam dentro do ônibus.
– Sam, te espero dentro do ônibus. – Ele se dirigiu ao loiro enquanto fazia seu caminho. – E, Mercedes. – Eles se olharam e a morena sorriu timidamente. – Obrigada por ter nos dado apoio. – A abraçou.
– Vocês são a minha família, senhor Schue. – Ela o deixou entrar e, pela visão periférica, viu que seus amigos encaravam Sam e ela pela janela.
– Então... – Sam a mirou. Seus olhos transmitiam tristeza, assim como os dela. Ele estava hesitante. – Acho que chegou a hora. – Mercedes apertou os lábios e afagou um de seus braços musculosos.
– Eu prometo fazer dar certo desta vez. – Ela sussurrou enquanto aproximava seu rosto e o beijava ternamente.
Sam recebeu os lábios de Mercedes delicadamente e os tomou com os seus de uma forma singela. Depois de alguns instantes ele fez com que Mercedes desgrudasse um pouco seus lábios um do outro e adentrou-lhe boca com a ponta de sua língua. O corpo da jovem amoleceu com o toque e sua boca se tornou cada vez mais receptiva. No primeiro choque entre suas línguas ela sorriu e segurou mais o ar, até que ele lhe faltou completamente.
Mercedes e Sam cortaram o beijo e permaneceram de olhos fechados enquanto descansavam suas testas uma na outra. Ouviram os assobios e as pequenas risadas que vinham do ônibus e não puderam evitar sorrir. Mercedes sentiu, mais uma vez, a respiração do rapaz e abriu os olhos. Havia lágrimas no rosto dele.
– Por favor... – Ela suplicou em um sussurro. Sua voz estava embargada, ela odiava vê-lo chorar. – Não chore. – Secou suas lágrimas.
– Eu vou sentir sua falta. – Ele disse depois de se recompor e se afastar, para, então, segurar suas duas pequenas mãos e lhe encarar os olhos.
– Eu também. – Ela tentou sorrir.
Então, dessa vez, Sam se aproximou e selou seus lábios com força. Agarrou sua cintura e distribuiu beijos pelo seu maxilar até chegar em seu pescoço. Finalmente a abraçou com força.
– Sam ? – Will apareceu na porta do ônibus. – Nós precisamos ir agora. – Disse sem jeito.
– Eu te amo. – Ele sussurrou ao pé do ouvido de Mercedes para que só ela ouvisse. A morena, então, afagou seus cabelos. Separaram-se e, desta vez, quem tinha o rosto repleto de lágrimas era a própria Mercedes. Ela as secou rapidamente e sorriu para ele, quem caminhou e subiu as escadas do ônibus.
– Sam ? – Ela o fez parar. Ele olhou para trás e sorriu. – Eu também te amo. – Disse por fim. – Muito. – Sorriu ao ver os olhos do amado marearem e sustentou seus olhares.
Enfim ele criou forças para continuar seu caminho até a parte interior do ônibus. Sentou em algum lugar longe da janela – para evitar ver Mercedes e soltar mais lágrimas, mas ainda assim pôde vê-la acenando para seus amigos.
*
Em apenas um fim de semana Sam conseguiu descobrir que aquele verão tinha sido impossível de esquecer para os dois. Tinha certeza, mais do que nunca, de Mercedes sentia o mesmo por ele e de que, agora nem a distância faria com que todo esse amor desse errado.
Fale com o autor