Implicância Romântica
5 ...vontade?!
Notas iniciais
A casa de Shaka ficava a três quarteirões da escola. Passaram pelo primeiro quarteirão em silêncio, parecia mais uma guerra muda. Observavam-se de esguelha, como se fossem tomar uma atitude imprevisível. Andavam lado a lado, mas com razoável distância entre eles. Até que o primeiro movimento foi de Shaka. Ele levou as mãos aos cabelos que estavam soltos, e prendeu em um coque deixando a franja um pouco bagunçada cobrindo-lhe as sobrancelhas, e parcialmente os cílios. Se o olhassem de costas certamente achariam que era uma garota, se não fossem os ombros largos e a calça baixa, que chegava a sobrar pano na bunda. Ikki observou tudo isso, e resolveu se pronunciar, não estava mais aguentando aquele silêncio.
– Ei, porque você deixa esse cabelo grande que nem uma garota? – Perguntou realmente curioso, o olhando.
– Porque eu gosto. – Respondeu simplesmente, sem tirar os olhos da rua. Colocou as mãos nos bolsos.
Ikki não parou de analisá-lo, e também não ficou satisfeito com a resposta arrogante do outro. Mas também sabia que Shaka não queria conversar, mesmo assim não desistiu.
– Sabia que isso deixa sua aparência afeminada e “angelical” – Fez aspas. –, o que é totalmente o inverso da sua maldita personalidade? – Se irritou um pouco. Nem Ikki sabia por que se irritava com tanta facilidade, não era nem preciso Shaka falar nada que com os próprios pensamentos e palavras já se emputecia.
– E o que você tem a ver com isso? Aliás, porque você não cala essa boca e voltamos ao silêncio que é muito mais agradável? – Agora Ikki realmente conseguiu tirar-lhe do sério.
Uma veia na têmpora de Ikki saltou.
– Porque você tem que ser tão desagradável? E o “acordo de paz”? –Fez aspas. – Você sofre de transtorno bipolar por acaso?! – É, Ikki estava visivelmente irritado. O olhou com chamas nos olhos.
Shaka devolveu o olhar, e parou de andar, coisa que Ikki também fez. Um de frente para o outro, se encarando com ódio. Qualquer pessoa que passasse na hora acharia que estavam a ponto de começar uma briga. Mas o loiro respirou fundo, fechando os olhos por um momento. “ Acordo de paz, acordo de paz, acordo de paz.” Ficou repetindo essa frase algumas vezes até abrir os olhos e encontrar um Ikki com a maior cara de idiota.
Acontece que enquanto o loiro tentava se tranquilizar, Ikki ficou olhando para cada detalhe do rosto de Shaka. Viajando em suas análises, e vendo o quanto Shaka tem uma beleza estonteante, se perdeu naquela boca que parecia chamar-lhe. Mas não viu quando o loiro abriu os olhos e ficou o observando. O loiro sabia que ele estava olhando para sua boca, e resolveu ver até onde o outro iria. Voltou a fechar os olhos.
Ikki voltou a si, e percebeu que Shaka ainda estava de olhos fechados, com uma expressão serena, pensou em chamá-lo, mas quando o viu daquele jeito tão indefeso... Não conseguiu se controlar, e levou lentamente sua mão à bochecha de Shaka, os nós dos dedos o tocaram. O loiro sentiu um choque percorrer por todo seu corpo, se perguntou se não estava o deixando ir muito além. Mas não esboçou nenhuma reação, apenas deixou Ikki fazer o carinho.
O moreno passou os dedos nos lábios do loiro, estava paralisado. Porque o loiro não fazia nada? Podia entender então como um pedido mudo? Mas quando se tocou o que estava fazendo, e onde estava fazendo, o choque da consciência o acertou em cheio. Afastou-se bruscamente e recomeçou a andar. O loiro sentindo a movimentação, abriu os olhos a tempo de ver Ikki recolher a mão e voltar o caminho.
O moreno estava visivelmente puto. Perguntava-se se era mesmo uma boa ideia tentar se dar menos pior com o loiro, pois isso estava o levando a beira da insanidade. Isso era muito, estava muito confuso pra conseguir ficar ao lado do loiro sem fazer nada.
Shaka o alcançou e segurou-lhe o braço.
– Ikki, o que estava fazendo? – Perguntou baixo, um pouco incerto. Ele mesmo tinha ficado com vontade de que o moreno continuasse, mas não queria admitir isso. Ele, Shaka, afim de ficar com Ikki? Só podia ser brincadeira né. Mas no fundo sabia que isso não era mais novidade, sabia que sentia atração por ele.
– Como é que é? Você só pode tá brincando comigo. – Soltou o braço, o olhando com indignação.
– Como assim? – Fez uma cara confusa.
– Você com aquela cara toda, só faltava dizer “Vem Ikki, vem me comer!” – Fez uma encenação afetada na ultima frase. Shaka quase riu se não fosse pra ele mesmo o insulto que Ikki proferiu.
– Você é idiota ou o que? Me respeita tá legal?! Acha que está falando com quem? Foi você que ficou lá me acariciando! Nem vem com essa, só me deixei levar! – Estava realmente ofendido. Como que aquele idiota podia falar com o loiro desse jeito?
– Shaka... Você realmente me irrita, de verdade. – Falou quase sussurrando e de cabeça baixa fechou olhos com força. Massageou as têmporas de leve, aquilo tudo estava lhe dando uma dor de cabeça.
– Ikki, acho que no fim das contas não conseguimos passar nem 15 minutos juntos. É melhor continuarmos a sermos “inimigos.” – Disse com um pouco de desapontamento na voz. Recomeçou a andar.
Ikki ficou parado vendo o loiro se afastar, não podia negar isso. A convivência deles era quase impossível, ambos eram geniosos demais. Suspirou longamente, não ia desistir, mas não esperava que fosse tão difícil. Pôs-se a correr atrás do loiro. Quando chegou perto, em vez de chamá-lo, puxou o coque do cabelo dele que o fez soltar um gemido de surpresa. Olhou para o moreno por cima do ombro atônito, ele estava com um brilho diferente nos olhos.
– O que é isso?
Ikki ainda segurava o coque entre os dedos, e o loiro tentava se soltar, mas o moreno não deixava. Olhou em voltar para ver se tinha alguém por perto e reconheceu um beco que ficava em frente de onde eles estavam. Foi puxando o loiro pelo cabelo mesmo, que agora o coque já havia se desfeito.
– Ikki, você tá maluco?! Qual é o seu problema?! Seu idiota! Solta meu cabelo! – Reclamava indignado. O que o outro estava tramando? Soltou um gemido de dor quando foi jogado contra a parede do beco. Foi quando viu onde estava, “Pronto, vou ser estuprado” Pensou o loiro. Fez uma cara de assustado ao olhar os olhos de Ikki, pareciam fogo.
– O que está tramando Ikki? – Agora a raiva tomou Shaka, sua voz saiu ameaçadora.
– Sabe loiro, você fala demais... – Falou, jogando a mochila no canto, o loiro seguiu os movimentos, estava cada vez mais assustado. Ninguém passava ali naquela hora.
Ikki aproximou-se lentamente, ficando colado com o loiro. Suas respirações estavam pesadas, e davam para ser sentidas nos rostos de ambos. O moreno levou a mão no rosto de Shaka, e o afagou com muito carinho, que ate o loiro achou estranho. Levantou o olhar para encarar os orbes flamejantes do moreno, e não tinha nenhum resquício de raiva, e sim desejo.
– Ikki... – Conseguiu sussurrar em protesto, quando sentiu os lábios do outro roçando contra os seus.
– O que foi loiro? – Roçou seus lábios carnudos de um lado para o outro nos do loiro, o vendo fechar os olhos. Parecia entregue.
– Porque está fazendo isso? É vingança...? – Falou quase em um sussurro. Não pensava que ficaria tão entregue assim com uma atitude do tipo de Ikki. Estava mole, suas pernas bambas.
– Não loiro, sabe, isso já está ficando insuportável... – Avançou colando os lábios. Shaka segurou-se fortemente no pescoço do moreno. Ikki pediu passagem com sua língua que foi prontamente concedida pelo loiro. O moreno apertava a cintura de Shaka, ambos cediam os resquícios de sanidade. As línguas travavam uma guerra que só era conhecida pelo mundo exterior que nunca teve um vencedor, e agora no interior de suas bocas também não tinha. Urgente, insano, fogoso, intenso... Tudo isso e muito mais podia descrever esse beijo. Ambos excitados, podiam sentir por debaixo das calças as ereções pulsantes. E quando o ar faltava para ambos, se separaram com muito esforço.
Ikki se encontrava com a mente nublada. Que beijo foi aquele? O que foi isso? Estava mais confuso que antes. E como sempre agira por impulsividade, e agora estava nessa situação. Sem coragem de olhá-lo e sem falar nada, afastou-se de Shaka, pegou sua mochila e foi quase correndo para casa.
O loiro estava estupefato. Deslizou parede a baixo, sentando-se ali no beco sujo mesmo, sua frescalhez nem dava sinal agora.
– E agora? O que vai ser agora? Deus... – Perguntava para si mesmo. As coisas entre eles pareciam nunca acertarem, sempre acontecia alguma coisa inesperada. Nunca pôde imaginar que um beijo com o moreno podia mexer tanto consigo assim. Resolveu ir para casa, pensava se contaria sobre isso para Mu, ou era melhor deixar quieto.
(...)
Camus e Milo chegaram à casa do loiro logo após o colégio. O ruivo sempre ia para lá, era mais confortável que sua própria casa, afinal. Dirigiu-se logo para o quarto do loiro, não havia ninguém em casa, então o fez sem cerimônia. Abriu a porta e aquela cama o chamou, jogou-se de bruços e ali ficou, fechou os olhos e percebeu o quanto estava cansado. Estudar cansa. O quarto de Milo era típico de adolescente, espaçoso e com vários pôsteres de banda de Rock, e vários de mulher pelada. As partes que eram visíveis das paredes era possível ver que eram todas em branco. A cama ficava no canto esquerdo, ao lado um criado mudo com vários objetos aleatórios em cima, e logo ao lado ficava um sofá moderno de couro vermelho de dois lugares e de frente uma estante de madeira escura, contendo a TV enorme de plasma. Entre a TV e o sofá, havia uma mesa de centro baixa e pequena também de madeira escura, que tinha várias coisas espalhadas. O armário no lado direito era embutido na parede, as portas de madeira escuro lotadas de adesivos. De frente para a cama havia um grande espaço para então ter a mesa do computador encostada na parede esquerda, que tinha muitas coisas nela além do PC, ao lado direito a porta.
Milo foi até a cozinha e pegou dois copos, enchendo-os de refrigerante para logo depois ir para seu quarto. Depositou os dois copos na mesa do computador, pois no criado mudo não tinha mais espaço, e se jogou na cama onde Camus estava, fazendo este quase pular. O loiro subiu em cima do ruivo, botando uma perna em cada lado do quadril e passou a massagear as costas e ombros do outro.
– Anh... – Gemeu adorando a massagem.
– Está tenso Camie... Tá tudo bem? – Perguntou preocupado.
– Sim, só um pouco cansado. – Ainda de olhos fechados.
– Hm, sei. – Milo parou a massagem, e debruçou-se em Camus, passou os lábios no pescoço do outro, e ali respirou profundamente o cheiro do ruivo. – Amo seu perfume. – Sussurrou, fazia tudo isso para provocar o outro, sabia que Camus era gay e não perdia a oportunidade de provocá-lo. Apesar de o ruivo ser gay, nunca demonstrou interesse por Milo e este ficava muito irritado por isso, pois fazia essas coisas e ele apenas o ignorava.
– Para Milo, amigos normais não fazem essas coisas. – Resmungou indiferente ao toque do outro.
– Nós não somos normais então... – Agora passou a beijar a nuca do outro, vendo que a pele deste se arrepiava.
Camus virou bruscamente fazendo com que Milo rolasse para o lado saindo assim, de cima dele. Levantou-se e bocejou. Olhou para o copo que estava em cima da mesa do computador e foi pegá-lo. Milo estava com um bico enorme o olhando com a cara enfezada.
– Que cara é essa? – Sorriu de lado, para depois dar um longo gole no líquido.
– Você é um grosso! Nem deixa eu te dar um beijinho, aposto que com os outros vai muito mais além. – Deitou botando as mãos para trás da cabeça.
– Você nem sabe o que fala Milo. – Irritou-se, mas não demonstrou isso, apenas a expressão fechada e fria de sempre.
– O que eu não sei? Só queria brincar um pouco. – Sorriu malicioso. Sabia que assim nunca conquistaria Camus, mas era o único jeito que conseguiu para aproximar-se dele dessa forma insinuante. O ruivo é o primeiro homem que Milo sentiu vontade de ficar e se tocou disso a uns 4 anos. Pirou quando descobriu que gostava do melhor amigo, mas procurou esconder isso com sua canalhice. E no ano passado, quando Camus lhe contou que era gay, surgiu um ponto de esperança. Mas isso não mudou nada, o ruivo agia como sempre. E Milo começou essas “brincadeiras”, coisa que Camus tenta ignorar ao máximo.
– Não estou para brincadeiras, e vê se para de ficar me alisando, está bem? – Falou indiferente, bebendo mais um gole de refrigerante.
Milo o olhava dos pés a cabeça. Sempre o achou lindo, seu cabelo vermelho fogo estava solto, e a franja cobria-lhe as sobrancelhas. Os olhos azuis sempre mexeram consigo, eram brilhantes e vivazes, mas nunca conseguiu arrancar nada deles. Era uma porta da alma fechada a sei la quantas chaves. E o que mais o deixava perfeito, era o jeito frio e indiferente.
– Aé, esqueci que você gosta... – Riu alto. Adorava zoar a opção do amigo, mas este sabia que era brincadeira, então deixava passar.
– É, gosto, mas não de você! Se enxerga, né. – Sorriu vitorioso ao ver a cara de abandono do outro.
– Me enxergo, e me acho um puta gostoso. – Fez um gesto obsceno, colocou uma mão em seu membro e o apertou, mostrando o quanto era gostoso. Camus corou e desviou o olhar, não falou nada, o que fez Milo rolar de rir na cama.
– Viu! Sua cara demonstra tudo! Pode falar Camie, fala o quanto eu sou gostoso! – Ainda rindo, o olhou malicioso.
– Não seja ridículo! Apenas não sei como agir com essas suas brincadeiras idiotas. – Falou visivelmente irritado. Mas sua voz não alterava o tom.
– Ah vai, eu sei que você gosta... – Falou se enrolando nos lençóis.
– Ok Milo, chega de brincadeira. Vamos ao que interessa? – Falou Camus tirando a camisa, mostrando aquela barriga perfeita, a faixa da cueca Hugo Boss preta aparecia por conta da calça baixa. Prendeu os cabelos que eram até um pouco abaixo dos ombros, em um rabo de cavalo largado. Camus o olhou penetrante, Milo sentiu-se tremer diante daquela visão.
(...)
Era já de tarde, o sol estava quase se pondo, quando Mu saiu de casa em direção à casa de Aiolia. Chegou à conclusão de que tinha que conversar com ele, antes que as coisas ficassem piores. Não queria que o outro se afastasse, e por isso mesmo soube que nunca seria correspondido. Então era melhor manter a amizade né?!
Desceu do ônibus e em poucos minutos de caminhada já estava na porta de Aiolia tocando a campainha. Quem atendeu foi Aioros, irmão de Aiolia.
– Entraí Mu! – Falou animado, dando espaço para o outro.
– Fala Aioros, tudo bem? – Sorriu, entrando na casa.
– Andou sumido ein! Bem, Aiolos tá lá no quarto dele! – Falou se afastando em direção a sala.
– Obrigado! – Subiu as escadas, e andou pela pequena salinha que tinha um sofá e ao lado uma imensa estante lotada de livros. Vários quadros espalhados. Bateu na segunda porta a direita do corredor que seguia após a sala. Ouviu um “Entra”, e adentrou o quarto.
Quase teve uma sincope ao ver a cena. Aiolos estava deitado na cama com os braços atrás da cabeça vendo TV, só de samba canção, e a perna esquerda largada de qualquer jeito na cama e a direita dobrada. Se a luz estivesse acesa daria para ver tudo. Mu corou, mas disfarçou perfeitamente.
– Que vida boa, todo largado ai. – Falou fechando a porta e se jogando na cama de Aiolos, fazendo este encolher as pernas dando espaço para Mu.
– Se você não estivesse aqui, estaria fazendo o mesmo. – Sorriu.
– É.. – Travou, passou a ver a TV também, estava na MTV Top 10. Uma porcaria pensou. Aiolia viu que ele não ia falar nada do que foi fazer ali, incentivou.
– E então, o que veio fazer aqui? Pensei que não poderia ir ao shopping, mas está de bobeira ai.. – Parou de falar ao ver que estava fazendo o mesmo.
– E você não né?! Tudo bem Aiolia, pode falar porque você disse que não ia mais. – O olhou nos olhos esperando uma resposta. Seu tom de voz foi calmo como sempre, o que deixava as outras pessoas à vontade para falar o que fosse.
–Não é nada... Sério. Só não tava afim mesmo. – Mentiu, não pareceu, mas para Mu isso não passou despercebido.
– Tudo bem, vou dizer então porque menti dizendo que não ia. – Fez uma pausa. – Porque você ficou incomodado sim com a minha revelação. Não vou ficar chateado, mas espero que você seja sincero, afinal, eu não espero menos de um amigo. – Falou sério. Estava disposto a destruir qualquer barreira que se formou quando disse que era gay.
– Tá bom Mu, eu fiquei incomodado sim... Mas não foi por repugnância ou algo parecido. E sim porque eu fiquei muito surpreso, não tenho nenhum amigo gay! Ou melhor, não tenho nenhum que tenha assumido. Me desculpa, prometo que não ajo mais assim... – Seu olhar era realmente sincero. Mas estava tenso, porque mais uma vez não tinha sido totalmente sincero.
– Entendi, espero que você consiga se “acostumar” a isso. – Sorriu compreensivo. Abriu os braços em um pedido mudo de abraço.
Aiolia levantou-se da cama e puxou a mão de Mu, e pelo impulso ele acabou caindo nos braços do bronzeado. Aiolia não se fez de rogado e o abraçou forte pela cintura, coisa que Mu retribuiu em igual força colocando os braços ao redor de pescoço do outro. Aiolia um pouco mais alto que o outro, enfiou a cabeça na curva do pescoço dele, aspirado o cheiro. O garoto de cabelos lavanda estranhou tal ato, porque tinha tido uma conversa séria como aquela, e agora o outro estava o abraçando assim. Sentiu-se nervoso. Aiolia não queria soltar ele, estava gostando muito daquele abraço. Mas sentiu que Mu estava incomodado.
– Só quero que saiba que estarei aqui para tudo que precisar. – Falou ao pé do ouvido. Mu sentiu fortemente um choque na espinha. Todo aquele contato agora parecia mais intenso. Sentiu as emoções quererem tomar-lhe conta quando sentiu seus olhos úmidos, tratou de engolir qualquer que fosse esse sentimento que queria aflorar.
– Muito obrigado... Não sabe o quanto você é importante para mim. – Aiolia sentiu um peso tão grande nessas palavras, que ficou sem reação. Não entendeu porque parecia um grande esforço ele falar isso. Afastou-se um pouco para fitar o rosto de Mu, não conseguindo ligar aquela expressão serena e normal como a de sempre com a carga que sentiu em suas palavras.
– Que isso, cabelo de papel crepom! – Riu, mostrando os dentes perfeitos. Bagunçou os cabelos de Mu e se jogou na cama. Mu riu do comportamento do outro, e ajeitou o cabelo.
– Bem, vou indo, só passei para conversar sobre isso. – Falou indo até a porta e a abrindo.
– Por quê? Fica mais um pouco! – Pediu manhoso.
– Nem to afim de ficar olhando para essa sua cara! – Riu e mostrou-lhe a língua para logo em seguida fechar a porta e ouvir um “Idiota” do outro lado.
Sorriu sem alegria, e passo por passo foi para casa. ”É assim que tem que ser.” Pensou.
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