Implicância Romântica
3 ...desejo?
Notas iniciais
As aulas naquele dia pareciam arrastadas pra Ikki. Estava ainda na 3º aula, a última antes do intervalo. Ele ainda estava pensativo com o que acabara de acontecer com Shaka. Como podia ter ficado tão sem reação à proximidade do loiro? Um cara? O moreno estava muito calado, o que não é o seu normal.
– Está tudo bem Ikki? – Eiri perguntou, estava o observando o tempo todo, achando-o muito esquisito. O moreno virou o rosto em direção a Eiri que o olhava com preocupação e por alguns instantes começou a avaliá-la melhor.
Eiri é outra das peguetes de Ikki, loira e muito bonita. Sempre mantinha os cabelos presos. Seus olhos eram de um azul muito escuro, parecendo o céu sem estrelas. Apesar de a loira ser calma, não conseguia esconder o ciúme que tinha do moreno com Esmeralda. Nunca foram amigas justamente por causa de Ikki, o que as tornavam quase que uma “rival no amor”.
Chegou à conclusão que tinha tara por loiras, só podia ser. Era a única explicação que via em ter se sentido atraído por Shaka. “É, só pode ser isso!”. Conformou-se com essa conclusão por hora.
Ikki não se importava em fazer intrigas, o que mais queria era pegar e transar com qualquer garota que ele achasse bonita. Se estavam dando em cima dele, porque não aproveitar? Esse era o pensamento dele.
Viu que estava a observando demais, e a garota já estava ficando corada por isso.
– Ah, não é nada, não se preocupe. – Disse, desviando o olhar.
– Ikki... – Chamou-lhe, bastante corada agora.
– Hm? – Com desinteresse.
– Sabe, meus pais estão fora hoje... Se quiser... I-ir... – Parou de falar e olhou para baixo.
– Desculpe Eire, hoje não vai dar. – Responder seco, mentindo. Hoje não teria nada pra fazer, só não estava afim. E mais uma vez viu o que tinha feito. Recusou um pedido para ir transar com uma das garotas mais lindas do colégio? Como isso é possível? Nunca tinha feito isso! Claro, só podia ser culpa daquele loiro veado! Precisava ficar com alguém, precisava tirá-lo por um instante de sua cabeça. Na verdade, necessitava provar a si mesmo, que Shaka não tinha o poder de deixá-lo confuso.
A garota não acreditou que tinha sido vetada tão facilmente. Estava que nem um tomate e não sabendo o que falar de tanta vergonha, resolveu sair dali para ir para sua cadeira que ficava no outro lado da sala. Então o moreno nem pensou duas vezes.
– Quer dizer – Falou Ikki puxando o braço da garota. – Podemos ver outro dia, não faz essa carinha vai... – A pegou pela cintura puxando-a para si, a garota prontamente botou os braços em volta do pescoço do moreno. Colou seus lábios no da loira, pedindo passagem, e assim iniciaram um beijo no meio da sala. É, Ikki adorava chamar atenção. Esmeralda no outro canto da sala vendo a cena, não estava aguentando segurar mais o choro. Sabia que não tinha moral alguma pra fazer um escândalo e chutar aquela loira dali. Então saiu da sala, e foi derramar seu amor não correspondido em forma de lágrimas no banheiro. Por sorte, o banheiro ficava ao lado de sua sala, se olhou no espelho vendo lágrimas caírem.
Mas se controlou, não iria ficar chorando mais uma vez pelo moreno, e ainda por cima estava na escola. Então suspirando fundo, lavou o rosto, borrando a maquiagem. Pegou um pedaço de papel e passou pelo rosto secando-o e tirando um pouco de lápis de olho preto que escorria dos olhos. Viu que seus olhos, como seu nariz estavam vermelhos, mas não se importou. Saiu do banheiro e voltou para a sala vendo que os dois ainda se beijavam. Ignorando a cena, sentou-se em seu lugar.
Nesse mesmo instante, Saga entrava com Shaka e Milo na sala do 2º ano, para resolverem quem iria participar do evento para arrecadar fundos para a festa de formatura do 3º ano. Era obrigatória a participação de todos os alunos para a preparação dessa festa, estavam no início do ano, mas para a festa ser perfeita, começariam as arrecadações desde agora.
Saga é professor de Química, e todos o adoram por ser lindo, simpático e explicar muito bem sua matéria.
E quando Shaka viu o que estava acontecendo ali, quase deu meia volta. Não podia acreditar! Como conseguia ser tão galinha?
Saga pigarreou, sentando-se em sua mesa.
– Hei, meus queridos alunos, aqui não é lugar de agarração sabem?! – Disse vendo os dois se afastarem instantaneamente. Eiri, mais vermelha impossível foi para seu lugar murmurando um “desculpe” tímido e Ikki muito surpreso com a presença de Shaka ali em sua sala, sentiu um frio subir-lhe a barriga e terminar com uma falha entre as batidas de seu coração. Mas nunca deixaria transparecer que estava nervoso com a presença do loiro.
– Ah, desculpe professor, não consegui me controlar. Sabe, são os hormônios... – Disse botando as mãos nos bolsos da calça, com um sorriso sacana encarando o loiro que o olhava com desdém.
Saga retirou os óculos e se levantou ficando ao lado de Shaka que já estava em pé.
– Meu querido aluno, creio que possa liberar essa tensão sexual mais tarde! – Todos riram, menos Eiri que ficou muito sem graça com a brincadeira do professor, e vendo isso, tratou de se corrigir. – Sem ofensas Eiri! – Mas só piorou a situação, e todos riram mais ainda. – Mas enfim – Tentou falar o propósito dos dois alunos do 3º ano estarem ali, com o intuito de acalmar a turma. Então como todos respeitavam Saga, foram capazes de conter o riso. – Bem, Shaka e Milo estão aqui para dar-lhes um comunicado.
Shaka começou falando olhando para a turma toda, ignorando totalmente Ikki que já estava devidamente sentado em sua cadeira o olhando de cima a baixo.
– Alunos, nós do 3º ano estamos organizando a festa de formatura, que como todos sabem, sempre, todas as turmas ajudam para que façamos uma graduação que todos possam se divertir. Eu e o Milo ficamos encarregados de pegar duas pessoas de cada série para nos ajudar na tarefa de conseguir arrecadações durante o ano, que pode ser em forma de eventos, festas, gincanas e qualquer coisa que esteja entre as normas do colégio, com o intuito de conseguir dinheiro. – Shaka falou tudo muito calmamente, e sua voz aveludada parecia com a de um anjo, e ninguém daquela sala podia negar.
Milo que até então estava encostado no quadro da sala prestando muita atenção ao que Shaka estava falando, deu um passo à frente, ficando ao lado do loiro.
– Então, quem está disposto a ajudar? Se ninguém quiser, teremos que fazer sorteio. – Disse sorrindo de lado, ao ver o quanto sua frase surtiu efeito. Todos estavam murmurando entre si. Olhou para Ikki que ainda olhava Shaka como se estivesse olhando para um Deus, enquanto Shaka apenas o ignorava. Então, logo percebeu que algo muito estranho tinha acontecido entre os dois, pois o olhar do moreno estava diferente. Não era mais um olhar provocativo, mas não conseguia explicar o que via dentro daqueles orbes azuis escuras.
– Ikki, porque não tenta? É divertido! – Perguntou, com um sorriso enorme. Tirando o moreno do transe.
– Ah não, tenho mais o que fazer. – Respondeu irredutível.
– Ikki, será que você só “tem mais o que fazer” ou simplesmente não é capaz? – Shaka perguntou desafiante. O moreno fechou a cara na hora, e ficou encarando o loiro com muita raiva por desafiá-lo na frente de todos da sala.
Saga olhou de um para o outro, e sentiu a tensão no ar.
– Err, Shaka é melhor deixá-lo pensar um pou-
Foi interrompido pelo moreno.
– Tudo bem Saga. – Fez uma pequena pausa. – Eu aceito. – Mantendo o contato visual com o loiro, que apenas sorriu triunfante. Ainda estava indignado com Ikki pelo que viu mais cedo. Ficava abismado como conseguia ser tão safado assim, ficar com tantas!
– Beleza Ikki! E então alguém mais? – Milo perguntou olhando a turma. Sorrindo por dentro, por saber que a provocação de Shaka tinha funcionado.
Eiri ia levantar a mão, mas Esmeralda foi mais rápida. Olhou para a outra loira, com um sorrisinho de “eu ganhei”, que deixou Eiri furiosa.
– Bem, então fechamos com o 2º ano. Voltaremos para acertarmos sobre o evento que está próximo. – O loiro dizendo isso, deixou a sala sendo acompanhado por Milo e voltaram para a sua.
Tudo isso tinha tomado o 3º tempo, então logo o sinal do intervalo bateu. Todos saíam de suas salas que nem animais famintos. A maioria dos alunos, que como era normal, compraram seus lanches, e comiam em seus cantos preferidos, mas alguns preferiam ir jogar futebol na quadra, perdendo a chance de ir comer.
Shaka estava sentado com Mu e Aiolia em um banco no pátio. À sua frente estava o bando de Ikki.
– Mu, o que você vai fazer amanhã depois da escola? – Aiolia perguntou falando com a boca cheia de sanduíche.
– Aiolia, quando terminar de mastigar fale. Sabe, não é muito agradável ver sua comida ser triturada. – O olhava em tom de reprovação.
– Ah para de ser bichinha! – Engoliu. – Mas eein, vamos ao shopping comigo?
– Para que? – Perguntou desinteressado. ”Bichinha” ecoou na sua mente. Tratou de ignorar.
– Quero comprar um presente, e quero sua opinião.
Mu o olhou curioso.
– Presente pra quem?
– Para uma pessoa ai. – Desviou o olhar.
– Quem é a nova? – Indagou um tanto decepcionado, mas sua expressão não mudou.
– Bem, depois te mostro a foto! Muito gata! Ela é linda, faz... – Começou a contar animado sobre a garota enquanto Mu apenas mergulhava em sua tristeza de ter que ouvir seu amado falar de outra. Mas não se importaria, só fingiria estar escutando.
Enquanto Mu estava destroçado por dentro, Shaka estava totalmente alheio à conversa ao seu lado. Tomava um suco pelo canudinho enquanto observava Ikki. Estava agarrando outra garota que não sabia quem era. Não era nenhuma das outras duas. Percebia que o moreno lançava uns olhares para ele de vez em quando, e quando isso acontecia tratava de desviar pra qualquer lugar. Um mal estar tomou-lhe conta. Nem sabia o porquê de estar dando tanta importância assim, mas não pensou que depois do que fez com ele mais cedo o moreno iria se comportar dessa forma. Quer dizer, ele sempre foi galinha, mas hoje estava demais. Parecia que queria provar algo. Mas é claro! Uma luz piscou em sua mente. “Quer provar que não ficou excitado comigo. Mas isso não prova absolutamente nada. Aliás, prova sim, prova o contrário. Mas é muito idiota mesmo!” Pensava Shaka.
O sinal de início as aulas soou e os alunos entraram em suas devidas salas.
Quando Shaka ia entrar na sua sala, viu que Milo estava beijando uma garota que nem sabia quem era. E logo a menina se despediu e o outro loiro entrou na sala.
Shaka pensou. ” Para entender um galinha, só outro galinha.” Milo era até mais safado que Ikki. Ficou com metade da escola já e sua fama era a pior de todas nesse quesito. Não perdoava ninguém, sempre jogando charme mesmo sem querer. Usava e abusava de sua beleza. Então, entretido em seus pensamentos, foi em direção ao outro.
Sentou-se na cadeira à sua frente e sem delongas perguntou.
– Milo, porque você é tão galinha? – Perguntou calmo como se estivesse perguntando “O que você comeu no lanche?”. Milo desatou a rir e Shaka ficou sem entender nada.
Camus estava sentado na cadeira atrás de Milo, e conseguiu resistir à vontade de rir. A cara de Shaka estava hilária, e a forma como este perguntou, ajudou muito. Era muito difícil arrancar um sorriso de Camus, mas ele se segurou e só esboçou um semblante divertido. E também estava curioso para saber sobre a resposta do outro.
Ainda rindo Milo perguntou.
– Como assim cara?
– Oras, acho que você entendeu minha pergunta. – Respondeu sério.
– Okey. Porque sou galinha? Ham... Porque gosto de me divertir, acho. – Mentiu. Sempre pegou todas essas garotas porque queria chamar a atenção de certo ruivo, que por sinal, sempre ignorava esse fato. Mas nunca, em hipótese alguma, iria falar isso pra alguém, muito menos para Camus.
– Só por isso? – Fez uma pausa. – Não quer provar nada a ninguém? – Indagou inocente pensando na situação de Ikki.
Sem perceber Shaka estava entrando em um assunto de total sigilosidade. Milo espantou-se ao ouvir a pergunta, e ficou sem reação. Mas não podia fraquejar na frente do motivo de todo seu mau comportamento.
– Não, é porque é divertido. Só isso. – Respondeu seco, olhando para os demais alunos, demonstrando que não queria mais conversa.
– Obrigado Milo. Desculpe se fui indiscreto. – Não entendeu porque Milo ficou tão incomodado com sua pergunta, mas percebeu que sim, foi indiscreto. Levantou-se e ia sair, mas foi impedido pelo outro loiro que viu que tinha sido rude.
– Foi mal Shaka, não foi nada indiscreto, relaxa. – Lançou-lhe um sorriso amigável.
– Ah, então tá! – Sorriu e foi sentar-se na sua cadeira e nesse momento o professor entrou na sala iniciando a aula.
Camus esperou a troca de professor para falar com Milo.
– Milo, você não achou estranho a conversa de Shaka? – Perguntou baixo próximo ao ouvido do loiro que estava sentado na sua frente.
– É verdade! Nem tinha percebido! – Virou-se de lado, fitando o ruivo. Só agora parou pra analisar as perguntas do loiro, estava tão perdido nos próprios problemas que nem prestou atenção.
– Você sempre tão astuto não tinha percebido?! – Falou com sarcasmo.
– Ora, não sou perfeito que nem você, sabe! – Respondeu ofendido.
– Eu sei que não é. – Não perdia a chance de importunar o loiro.
– Claro, sou melhor! – E Milo nunca ficaria por baixo.
– Okey, okey, “Sr.Galinha”. – Zombou com desdém.
– Mas eu acho que ele estava falando de Ikki... Não sei por quê... – Fingiu-se de pensativo ignorando o que Camus tinha falado.
– Bem, isso não tem a ver com a gente de qualquer forma. Mas que foi estranho foi.
– Desde quando você ficou tão interessado na vida alheia? – Sorriu de lado.
– Idiota, só fiz uma observação. – Desviou o olhar ajeitando o óculos. Realmente estava se metendo demais e isso não era do seu feitio, corou ao perceber isso.
– HÁ! Tá com vergonha! Que bobinho... – Milo apertou-lhe as bochechas.
O ruivo afastou os braços do loiro de si.
– Vou ao banheiro. – Falou seco.
– Frio. – Resmungou o loiro.
Novamente o ruivo o ignorou e seguiu para seu objetivo.
O tempo passou, e logo o sinal da saída ecoou pelos corredores da enorme escola. Ikki saiu quase correndo do colégio, precisava chegar em casa e pensar.
E assim, foi o mais rápido que pôde em seu quadriciclo vermelho. Chegando em casa, passou que nem um furacão pela sala jogando sua mochila no sofá, e entrou no banheiro. Tirou toda a roupa e entrou no Box.
Começou a pensar em tudo que aconteceu com ele nesse dia.
Shaka.
Shaka.
Só conseguia pensar nele. Só nele. Só naqueles olhos azuis lhe encarando, na sua boca roçando seus lábios. — Nessa hora sentiu uma pontada em seu baixo-ventre. — Pensou nele arrastando seus lábios carnudos por seu rosto chegando em seu ouvido. Ignorou a frase insolente proferida pelo loiro. E depois pensou nele mordendo seu lóbulo, o que sucedeu em uma série de arrepios em seu corpo. — E mais uma pontada em seu membro. — Resolveu parar de lembrar, porque se não iria ser tarde.
Mas, pronto. Estava excitado por lembrar-se do loiro. Era só o que faltava.
Ligou o chuveiro na água fria, e jogou-se em baixo dela. Não ia se masturbar pensando em outro cara! Não mesmo! Não podia! Sua heterossexualidade não deixava, mas só por ter ficado excitado por Shaka, já se esvaia um pouco de sua “heterossexualidade”.
“Não vou fazer isso! Fala sério! Isso é muito ridículo. Ok, vou pensar em algo bem feio.... Professora de Matemática! Isso! Toda caída!”
E pronto, pensar nessa professora já era o suficiente para o amiguinho de Ikki voltar a dormir. Riu de sua situação. Realmente, só rindo.
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