Imperium
12 XII - Núpcias Verdadeiras
Ela estava em um campo de flores, cercada em todos os lados por lírios, tulipas e peônias, o cheiro doce das plantas infiltrando seu nariz. Sentia como se estivesse de volta à Áustria, mas era impossível, pois não havia tanta vida em seu país natal, tanta luz.
Clarissa passou sua mão por uma flor ao seu lado, se deliciando com a maciez das pétalas, e suspirou. Tinha certeza de que estava no Jardim de Éden, o paraíso feito por Deus para a humanidade, o lugar para onde sua alma imortal estava indo.
Ela usava apenas uma camisola simples de seda, com uma fita azul delimitando sua cintura e seus pés desnudos tocavam a terra úmida sem impedimentos, os dedos se sujando de lama. Clarissa se sentia mais livre do que nunca antes em seus dezesseis anos de vida, como se as pequenas cordas a prendendo na Corte e no Palácio tivessem desaparecido.
— Seraphina! — uma voz masculina e grave gritou e ela se virou, procurando quem a chamava.
Jonathan andava em sua direção, suas pernas longas cortando com facilidade o campo de flores. Ele também estava praticamente nu, usando apenas calças de couro e uma blusa de linho simples. As bochechas de Clarissa se encheram de cor, mas ela continuou parada, esperando ele chegar perto.
A pele de seu marido brilhava, o sol se refletindo na carne dourada, e ele estava sorrindo, seus dentes brancos a cegando com sua clareza. Estava levemente molhado, como se tivesse andado por chuva em seu caminho até o campo, porém não parecia perceber, principalmente considerando que seus cabelos longos pareciam secos, isolados da pele úmida.
— Jonathan — ela sussurrou quando ele estava tão próximo que conseguia sentir o cheiro de hortelã emanando de seu corpo.
Ele não disse nada, apenas continuou andando até ter que curvar as costas para poder olhá-la nos olhos. Clarissa lambeu os lábios e se arrependeu da ação logo em seguida, assustada com a própria ousadia de seu corpo ao quebrar a postura tão perfeita que mantinha, mas um sentimento quente percorreu por sua coluna, tomando todos os seus membros e seu cérebro. Ela respirou fundo e piscou os olhos, olhando para Jonathan por debaixo de seus cílios.
Ele sorriu de lado e a beijou.
Foi tudo e nada ao mesmo tempo. O beijo de Jonathan era as correntezas do mar, puxando os barcos para seus destinos, e o vento, batendo contra as folhas e as arrancando de seus galhos. Ele passou seus braços por sua cintura e a puxou, erguendo-a para longe do chão até não ter que se inclinar mais para poder beijá-la. Seu marido era tão forte e Clarissa não sentiu timidez ao passar suas mãos por seus braços, sentindo os músculos debaixo da pele, contraindo para conseguir aguentar seu peso.
Ela segurou em seus ombros, apoiando-se, e uma sensação de excitação a tomou, acelerando seu coração e jogando suas respirações para fora do ritmo. Jonathan desceu seu toque e Clarissa percebeu que estava sendo colocada no chão novamente, porém não precisou se preocupar com uma possível separação, pois logo o Príncipe estava se inclinando e levando-a com ele, deitando os dois entre as flores, as costas da princesa encostada contra a lama, porém não se preocupou com o estado de seu vestido. Em sua mente, não havia aulas de etiqueta, horas passadas aprendendo a se sentar e a se portar, nada além dele, além de Jonathan.
— Seraphina — ele sussurrou e disse mais alguma coisa que ela não conseguia entender, repetindo mais uma vez. Demorou algumas tentativas para Clarissa perceber que ele estava falando alemão, uma língua, até onde ela sabia, desconhecida para ele. — Liebes, liebes, liebes, liebes.
Ele beijou sua boca, lambendo seus lábios e dentes. De repente, Jonathan se afastou por um segundo, movendo seu toque para a mandíbula dela, o pescoço. Sua boca se encostou na clavícula de Clarissa e ele usou seu nariz para afastar a manga de sua camisola, expondo seu ombro e seus seios.
Clarissa percebeu a situação em que estava. Ela, sentada na terra, apoiando o corpo nos cotovelos, e Jonathan, acalentado entre suas pernas, beijando todo o seu colo, porém, apesar de saber que seus pais e todos seus tutores e governantas iriam desmaiar se a vissem dessa maneira tão devassa, ela não conseguiu achar em si a força para se importar com eles.
Os lábios de Jonathan chegaram em seu seio esquerdo ao mesmo tempo em que suas mãos encontravam o direito. Ele fechou sua boca ao redor do mamilo e ela suspirou, jogando sua cabeça para trás.
— Jonathan… — suspirou, tocando em seus cabelos macios e dourados. — Por favor…
Não sabia o que estava pedindo, sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos sem ordem ou sentido, porém Jonathan ergueu o rosto levemente, seus olhos brilhando sob o sol e ele parecia saber exatamente o que fazer, descendo seus beijos por seu corpo até chegar no lugar entre suas pernas onde ele…
Clarissa acordou em uma cama de suor, os lençóis jogados ao chão e ela olhou ao redor, se vendo em seu quarto no Palácio de St James, as cortinas fechadas por conta da tempestade caindo sobre o mundo. Sophie dormia em um colchão no chão, as mãos juntas e postas embaixo de sua cabeça, alheia aos tumultos de sua princesa.
Aquele sonho… se fechasse os olhos, ainda podia ver o campo, cheirar as flores e sentir o peso de Jonathan sobre o seu e era isso o mais assustador de tudo aquilo. Não sabia que esses pensamentos estavam dentro de si. Por Jesus, de onde eles vieram?
Clarissa tocou em seu pescoço. Estava quente e suado, seu pulso batendo com firmeza debaixo da pele. Ela suspirou, jogando o resto de seus lençóis no chão, e abraçou seus joelhos, apertando-os contra seu peito.
Se sua mãe a visse naquele momento, iria fazê-la ajoelhar sobre o milho e rezar à Virgem Maria, implorando por perdão; se seu pai a visse, provavelmente nem iria reconhecer a menina que chamava de filho e se Sebastian a visse… Clarissa nem queria pensar em seu irmão naquele momento.
Por Deus, o que havia feito? Estava suada, quente, suja, não era nem um pouco melhor do que as garotas se jogando para cima de Jonathan, ou Lady Seelie. Clarissa agarrou suas coxas, querendo retirar a camada externa de sua pele, e quase chorou ao sentir seu ventre acordar com seu toque.
Ela olhou para Sophie, deitada adormecida, sonhando com um sorriso no rosto, e quase se arrependeu do que fez em seguida.
— Sophie! — disse, balançando seu ombro, um tom de desespero em sua voz. — Sophie, acorde, por favor.
A criada abriu os olhos, confusa por um momento, e depois se sentou no colchão, a coluna totalmente ereta.
— O que houve, princesa? — perguntou, se levantando. — Precisa de alguma coisa? Teve um sonho ruim? — ela piscou, seus olhos certamente se ajustando a escuridão do quarto, e se inclinou, espalmando a mão na testa de Clarissa. — A senhora está muito quente, princesa. Suada. Vou chamar o médico.
Ela se levantou, puxando as saias da camisola, e Clarissa se ergueu, segurando o braço da serva.
— Não será preciso — ela sussurrou, nervosa. Não poderia encontrar um médico naquele estado, como iria explicar toda aquela situação? — Eu só vou andar um pouco em meus jardins. Quis te avisar para caso acordasse e se preocupasse sem necessidade.
Sophie franziu o cenho, incerta, mas não disse nada.
— Muito bem, Vossa Alteza — respondeu. — Irei te acompanhar se precisar de algo.
— Não! — Clarissa foi rápida em dizer. — Não se atrapalhe por minha causa. Estou bem.
Sophie mordeu o lábio e suspirou. Ela se levantou, pegando o robe de seda de Clarissa da cadeira onde havia deixado, e ajudou a princesa a colocá-lo. Os dedos gentis de Sophie puxaram seu cabelo, jogando o por cima de suas costas, e apertaram a corda de tecido sobre sua cintura. Clarissa estava tão acostumada com isso que nem conseguiu reagir, pensando apenas em como a criada estava perto de seu corpo, seu cheiro de lavanda emanando de sua pele e…
— Pronto — disse Sophie quando prendeu a frente do cabelo de Clarissa, empurrando sua franja para trás. — Está se sentindo melhor, princesa?
Clarissa sorriu, nervosa.
— Sim — respondeu. — Muito.
Para chegar em seu jardim privado, Clarissa precisava descer até o andar térreo do Palácio e ainda não sabia de nenhum outro caminho além daquele passando por um dos corredores principais da Corte. Por sorte, a maioria dos nobres estavam dormindo — não se podia haver festividades quando o Rei se retirava para seus aposentos —, portanto ela não precisou temer nenhum encontro desconfortável com algum Duque fofoqueiro ou Marquês intrometido. Ela segurava uma vela para iluminação, andando pelos corredores apenas em seu robe e camisola, usando suas sandálias de algodão. Os quadros pareciam mais assustadores sob a chama, como se a qualquer momento um fantasma iria pular e arrancar seu coração.
Clarissa respirou fundo e piscou, distraída com o papel de parede vermelho, pequenas garças Herondale desenhadas com folhas de ouro. Quando olhou para o caminho novamente percebeu que estava perdida, parada em um corredor vazio e desconhecido, ninguém por perto para mostrar como voltar ao seu quarto.
Ela suspirou, olhando ao redor, e continuou andando, tentando encontrar algum ponto conhecido nas paredes, como a marca de queimadura de uma vela ou um quadro especialmente notável.
O barulho de algo molhado chamou sua atenção e risadas, escondidas em um lugar ao seu lado. Clarissa seguiu o som, andando em passos tímidos até sua origem.
Ela viu o Duque Alexander primeiro. Ele estava parado contra uma parede, inclinando todo o seu corpo em um quadro da bisavó do rei, e sorria de uma maneira que ela nunca tinha visto antes em qualquer outra pessoa. Parecia feliz, verdadeiramente feliz, como se nada no mundo pudesse atingi-lo.
Clarissa deu um passo para frente, determinada a se revelar e pedir ajuda, ignorando o seu próprio estado de quase nudez, quando uma outra pessoa apareceu, dessa vez alguém que ela não conhecia.
Era um homem, mais alto do que ela, porém mais baixo quando comparado ao Duque de Norfolk. Seu cabelo castanho e ombros largos chamaram tanto sua atenção quanto sua pele bronzeada, fruto de horas passadas debaixo do sol. Poderia ser um nobre, porém ela não se lembrava de seu rosto, talvez alguém mais tímido, nervoso demais para se apresentar à ela? Ele também estava sorrindo, covinhas cavando ao lado de sua boca, e deu um passo para frente, cobrindo o corpo de Alexander com o seu. O homem se inclinou para frente e apertou seus lábios contra os de Duque.
Eles se beijaram, alheios ao mundo, e tatearam seu caminho até uma porta aberta no corredor, desaparecendo completamente.
Clarissa permaneceu parada em seu lugar, chocada. Eles estavam… Mas como?... Era impossível… Dois homens… Por que ninguém nunca a avisou sobre isso? Ela lambeu seus lábios, o coração acelerado em seu peito, como se a qualquer momento ele fosse pular por entre suas costelas e cair no chão, ainda pulsante.
— Clarissa? — uma voz pergunta atrás dela e a princesa se virou.
Era Jonathan. Ele estava usando vestes cinzas e segurava uma taça de vinho, suas bochechas coradas mostrando como não era sua primeira naquela noite. Parecia confuso em vê-la ali, contudo seus olhos dourados a analisaram de cima a baixo e Clarissa se corou com a intensidade de seu olhar.
— O que está fazendo aqui? — perguntou, colocando o copo no chão. — Deveria estar dormindo. Está tarde.
Ele se importa comigo, Clarissa pensou, mas afastou aquela ideia de sua mente. Havia outros assuntos mais importantes para tratar.
— Tive um sonho estranho e decidi andar — explicou. — Mas me perdi e cheguei aqui. — ela olhou para trás onde os sons de Alexander e seu amigo atravessavam as paredes e chegavam até eles. — Duque Alexander estava com um homem… Se beijavam.
Jonathan franziu o cenho e olhou para a porta, confuso.
— Venha — ele disse, estendendo a mão. — Irei te levar para seu quarto.
Clarissa mordeu o interior de sua bochecha e assentiu, pegando a palma de seu marido. Estava quente e suada e ela se perguntou onde ele estava e o que fazia.
A imagem de seu sonho iluminou em sua mente. Jonathan com seu rosto entre suas pernas, sorrindo de uma maneira positivamente suja. As bochechas de Clarissa queimaram e ela se sentiu exposta, como se não tivesse usando nada e ele pudesse ver seu corpo inteiro da maneira como veio ao mundo.
— Eu não entendo — Clarissa disse quando se afastavam daquele infame corredor. — Pensei…
Jonathan mordeu o lábio e olhou para ela, talvez considerando o quanto poderia ou não falar.
— Alexander não é seu Duque comum. — ele suspirou. — Norfolk prefere a companhia dos homens, ao invés das mulheres. Não é tão raro quanto se imagina.
Clarissa pensou por um segundo. Alexander Lightwood possuía esposa e filhos nascidos de tal união. Como isso era possível?
Jonathan parou de andar e se virou, inclinando-se levemente para vê-la nos olhos e colocou suas mãos em seus ombros, prendendo-a em seu aperto.
— Clarissa, não deve contar ao Rei o que viu hoje — ele murmurou, sério. — Meu pai é um homem conservador, fruto de sua própria geração. Ele não entenderia.
— Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. Isso é abominável! — ela sussurrou, as palavras decoradas rolando para fora de sua língua como se ela fosse um passarinho, treinada para dizer as mesmas coisas o tempo todo, para toda a eternidade. — Levítico 18:22.
Jonathan suspirou, piscando os olhos lentamente.
— ואת־זכר לא תשכב משכבי אשה תועבה הִוא — ele murmurou, as palavras jorrando para fora de sua boca com facilidade.
Clarissa franziu o cenho, extremamente confusa, mas Jonathan não se afetou por isso, apenas continuou falando:
— E com um homem, não se deverá deitar na cama de uma mulher. É uma abominação. — ele olhou para ela. — Levítico 18:22.
— Do que você está falando? — ela perguntou.
— A bíblia foi mal traduzida, anjo — explicou, paciente. — Esse versículo fala sobre dois homens não se deitarem na cama de uma mesma mulher, considerando que apenas o marido se pode fazê-lo. O adultério é reprimido, não a sodomia.
— Eu li as palavras de Nosso Senhor em latim, Jonathan — Clarissa disse. — Todos os meus tutores disseram…
— A bíblia foi escrita em latim, sim — disse Jonathan. — Mas o original do Antigo Testamento está em hebraico.
Clarissa deu um passo para trás, surpresa. Não havia parado para pensar nisso. Ela suspirou, o coração se acelerando em seu peito.
— Mas como? A lei…
— A lei está errada — continuou o Príncipe. — Alec é um bom homem. É gentil com a esposa e amoroso com os filhos, melhor do que muitos outros livres de pecado por esse mundo. Ele não merece morrer a morte de um indecente.
Clarissa suspirou e lambeu seus lábios, confusa, porém mais calma. Ele estava certo. Alexander havia sido tão gentil com ela no seu primeiro dia, tão compreensível, e ela estava procurando uma maneira de pagar tão amor.
— Tudo bem — disse. — Não irei contar ao rei.
Jonathan sorriu, aliviado.
— Obrigada — ele sussurrou. — Não sei como te agradecer.
As palavras saíram da boca de Clarissa antes que ela pudesse impedir, caindo por entre seus lábios, movidas por uma fome e um desejo incapaz de ser controlado.
— Venha ao meu quarto hoje — respondeu ela. — Por favor.
Jonathan piscou, porém não disse nada. Ele escorregou os dedos por seu braço, segurando sua mão livre, e assentiu, continuando o caminho para os aposentos da princesa.
Os guardas na porta não mostraram nenhum sinal de reconhecimento do Príncipe, apenas abaixaram sua cabeça e abriram o caminho. Sophie estava sentada em um banco, as mãos dentro da boca, e se levantou quando eles entraram, caindo em uma reverência.
— Princesa, — disse. — Estava ficando preocupada com Vossa Alteza.
Clarissa sorriu.
— Obrigada, Sophie — respondeu. — Poderia deixar eu e o Príncipe a sós, por favor?
Sophie piscou e assentiu, puxando suas saias até a porta dos criados, e saiu, deixando-os completamente a sós. Clarissa respirou fundo quando a porta se fechou, subitamente se sentindo presa naquele enorme quarto da realeza.
Ela se virou. Jonathan estava olhando para o quarto, absorvendo as tapeçarias, as cortinas e o chão de mármore. Ele havia retirado o casaco cinza, colocando-o em uma cadeira ao seu lado, e seus sapatos estavam jogados ao chão.
Como se seduz um marido? Clarissa se perguntou, intrigada. Ela andou até ele, passos lentos e calculados, o suficiente para atrair sua atenção, e Jonathan sorriu.
Ele tocou em seu pescoço, puxando-a para um beijo, e Clarissa se permitiu ir, abrindo a boca de maneira submissa ao sentir seus lábios contra os dela. Seus beijos eram iguais aos do sonho, até melhores, e ela suspirou, circulando seu pescoço com os braços. Jonathan chupou sua língua, lambeu sua boca e todo o mundo se explodiu ao seu redor.
Os dedos de Clarissa desceram por seu corpo até chegarem em sua calça, os nós tão intrincados que ela precisou se afastar para conseguir ver e, até onde ela pretendia, desatá-los. Os fios brancos pareciam brilhar na luz da meia noite e ela hesitou, sem saber o que fazer.
— Você tem certeza? — Jonathan perguntou, a voz rouca.
Clarissa respirou fundo.
— Eu preciso te dar herdeiros, não preciso? — ela questionou de volta.
Jonathan franziu o cenho.
— Precisa — ele respondeu, mas não cobriu seus dedos com os próprios, mostrando o caminho. O Príncipe soltou o roupão de Clarissa e desprendeu seus cabelos, deixando-os cachos caírem livres sobre seus ombros. Jonathan pegou uma mecha e a aproximou de seu nariz, cheirando-a com vontade. — Eu amo seu cabelo — ele suspirou.
As bochechas de Clarissa queimaram e ela sorriu, subindo na pontas dos pés para mais um beijo, porém Jonathan não permitiu. Ele correu o comprimento de seu corpo com os dedos, apertando sua cintura, sentindo o peso de seus seios nas mãos e lambendo um ombro suado.
Ele se inclinou, curvando a coluna levemente, e puxou a barra de sua camisola com as mãos, completamente despindo a princesa. Clarissa sentiu vontade de se cobrir com os braços, de esconder seus seios e sua intimidade para não ser vista por ele, mas se lembrou da atriz que Jonathan chamava de amante e se impediu. Se ela não era envergonhada, também não iria ser.
Jonathan retirou a própria camisa, exibindo seus músculos, mas não a deu chance de apreciar a visão ou tocá-los, puxando-a para mais um beijo quase que instantaneamente. Suas mãos pareciam menos tímidas, explorando toda a sua pele e carne até chegarem no lugar onde importava mais. Ele tocou o espaço entre suas pernas com gentileza, coagindo reações de sua esposa, e separando o beijo, encostando suas testas para poder ver suas expressões com melhor facilidade. Umidez se acumulou com o toque de seus dedos, unindo-se ao calor que se espalhava pelo corpo de Clarissa, o sangue correndo para aquela área sensível que ela não conseguia se lembrar do nome.
— Não… — ela sussurrou quando ele atingiu um lugar particularmente sensível e ele logo afastou seus dedos, procurando o nó que a fazia tremer as pernas. — Sim…
Ela gemeu alto, quase gritando quando foi atingida por ondas de prazeres maiores do que poderia ter imaginado. Se não fosse pelos braços de Jonathan a segurando, teria caído no chão. Os joelhos estavam moles e seu corpo inteiro tremia, vibrando na mesma intensidade. Sentia como se pudesse escorregar para fora de sua pele, tão livre como se via naquele momento, e se apoiou no marido, segurando seu antebraço musculoso.
A respiração dele estava batendo em sua bochecha, quente e úmida. Clarissa a perseguiu com os lábios até estar o beijando novamente, suas línguas se encostando como velhas amigas.
Ele a deitou na cama e retirou sua calça, jogando-a para longe. O barulho de vidro se quebrando pode ser ouvido, provavelmente a peça havia atingido algum pote de perfume, mas Clarissa não encontrou em si a força para se importar. Apenas se arrastou até os travesseiros, abrindo as pernas e estendendo sua mão, convidando Jonathan para perto.
O Príncipe beijou seus dedos, chupando as pontas em sua boca, e continuou suas carícias pelo comprimento do braço até chegar em seu pescoço, onde enterrou o rosto entre os fios de cabelo, mordendo seu ponto pulsante com vontade.
A penetração não doeu tanto quanto da primeira vez, mas a dor ainda estava ali. Parecia menor, mais distante, e era possível ignorá-la, principalmente quando se pensava no peso de Jonathan sobre si, arrastando seu peito contra o dela ao se mexer. Ele conseguia entrar com mais facilidade, talvez por conta da umidade em sua intimidade, e estava gemendo, abafando os sons na pele de seu pescoço.
Minutos, ou talvez horas, se passaram antes de ele derramar sua semente dentro dela. Jonathan suspirou, apertando-a contra ele.
Ao contrário de sua noite de núpcias, Jonathan não a soltou, correndo para colocar suas roupas antes de fugir para os braços de sua amante. Ele apenas caiu ao seu lado, suado e sem fôlego, tão exausto quanto ela. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele se aproximou, a puxando pela cintura contra o seu peito nu e a abraçando com os braços musculosos. Em poucos segundos, ele estava dormindo, o nariz arrepiando o seu pescoço, mas ela não conseguia se importar. Sentia como se fosse explodir por dentro, o coração batendo forte e seu estômago dando nós em sua barriga.
Se isso não era felicidade, Clarissa não sabia o que era.
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