Imperium
2 Up & down
Notas iniciais
. UM .
UP & DOWN
Os fotógrafos se amontoavam pela entrada e pelo jardim do casarão da família Dezon, a imprensa não falava de outra coisa a semana toda, os jornais e internet mostravam imagens e dizeres como “A Festa do Século”. Tudo isso, pois a caçula dos Dezon, Helena, completaria seus magníficos 16 anos. Tudo tinha sido planejado nos mínimos detalhes – vestidos da Prada, feitos sob medida. Joias confeccionadas justamente para aquela data em especial.
O salão principal do casarão estava todo enfeitado em dourado e prata, pra combinar com a finesa dos detalhes de Helena Dezon – a princesa de Nova Iorque.
Mesmo com toda aquela excitação de todos, Theo sentia-se incomodado vestido daquele jeito. Seu smoking lhe caia perfeito em seu corpo, mas mesmo assim, era como se estivesse pequeno demais pra ele. E o calor infernal que fazia no interior da limusine não ajudava em nada! Ele queria poder arrancar aquela roupa e sair correndo de pés descalços até a festa.
– Theo, fique quieto, vai amarrotar toda a sua roupa. – Sua mãe disse, enquanto arrumava mais uma vez a barra da calça de Theo.
– Mas mãe, eu não quero usar isso!
– E eu não queria ter que aturar as suas reclamações a casa cinco minutos! Não temos o que queremos, aceite.
Ele bufou de raiva e cruzou os braços. Ele queria poder correr pra longe daquilo tudo. Não podia nem jogar uma partida de futebol com os amigos que dezenas de fotógrafos brotavam do chão e começava a chuva de flashes.
Era só ele aparecer em um shopping que era a mesma coisa. Estar sempre no centro dos holofotes era um saco!
Assim que chegaram à entrada da casa, foi uma guerra pra entrar com o carro. Os fotógrafos e repórteres batiam nos vidros do carro, e os clarões das câmeras o faziam ficar tonto. Quando finalmente entraram, tinham que passar pelo famoso tapete vermelho, onde todos os convidados passavam.
– Lembre-se: sorria e não diga uma palavra pra esses abutres. – Disse sua mãe, enquanto arrumava a gola da camiseta.
– Eu sei, mãe. – Theo deu um leve tapa na mão dela. – Eu só quero entrar logo pra poder ir embora logo também...
O chofer abriu a porta e a mulher saiu. Com o vestido de calda verde escuro, com pequenas pedras brilhantes. Ela acenava pras câmeras e sorria de orelha a orelha. Theo saiu logo em seguida, com a cara fechada. Então sorriu de leve, acenando com a cabeça pra multidão que tirava fotos e mais fotos.
Assim que entraram no salão, foram recepcionados pela anfitriã da família Dezon. Carolin sorria calorosamente, enquanto cumprimentava um por um dos convidados.
– Sejam bem vindos. Helena descera logo. Sintam-se a vontade. – Ela repetia. – Theo, como você está? – Ela o abraçou.
– Me sinto ótimo. Obrigado! – Ele disse, se afastando e procurando algum lugar onde pudesse fugir.
Theo aproveitou que a mãe começara a conversar com a mulher e se afastou devagar. Passando por vários convidados, que acenavam com a cabeça ou lhe apertavam a mão.
Agarrou uma taça de champanhe de uma das mesas e saiu bebendo. Precisaria daquilo pra poder enfrentar aquela noite inteira.
Olhou em volta, tentando achar alguma companhia que pudesse tornar sua noite mais atrativa. Mas ninguém o chamou a atenção: todos ricos e entretidos em serem falsos uns com os outros. Falar de futilidades e comentar sobre quanto custou cada vestido e cada nova joia que usavam.
Theo odiava aquelas pessoas. Quando era pequeno, tudo era mais simples. Vivia correndo pelos corredores do casarão. Ele e seu melhor amigo Caleb. Certo, agora eles não eram tão amigos assim... Mas era que tudo mudara de repente; Theo tinha que aprender isso e aquilo, pois ia ser o novo dono de tudo! E não sobrava tempo pra amizades.
Theo notou a enorme escada que dava acesso ao andar de cima, pensou se ele estaria lá em cima e o que estaria fazendo. Qualquer coisa seria bem melhor que ficar com toda aquela gente.
Ele, então, esperou que um dos garçons deixasse o carrinho por ali, e aproveitou pra pegar uma garrafa fechada de champanhe. Ele escondeu atrás das costas, e andou até as escadas. Por sorte não seria visto por ninguém.
Então todos se silenciaram e olharam em direção da escada. Seu coração gelou de uma vez. Tinha sido pego!
Mas viu que sorriam também, então não podia ser por causa dele. Ele deu uma olhada pra cima, e prestes a descer – e trajada como uma verdadeira princesa – estava Helena Dezon.
A garota sorriu e se preparou pra descer. Flashes e mais flashes em sua direção, e ela começou a deslizar pelos degraus, como se estivesse flutuando.
Essa era a hora perfeita de Theo fugir, aproveitar todo o foco em Helena, e subir correndo assim que ela descesse a escadaria inteira. E foi isso o que ele fez.
==
No andar de cima, Theo andava pelo corredor, em busca do quarto do outro garoto. Podia jurar que ouvia musica vindo de algum lugar dali.
Ainda com a garrafa na mão, ele andou até o fim do corredor, e atrás de uma das portas, ele pode ouvir tocar uma banda de rock suave. Era uma cantora nos vocais, a música era perfeita. Ele hesitou em bater na porta, mas como não era de cerimonias, abriu-a depois de um tempo.
– Não era pra você estar lá embaixo? – A voz suave disse.
Theo virou-se rápido, encarando o garoto no corredor, que o tinha pego com a mão na massa. Caleb usava óculos grandes e um cabelo preto bagunçado, sem corte algum. Bem diferente do outro, que tinha que ser perfeito até o ultimo fio de cabelo.
– Ah, sim. Desculpe por invadir o seu quarto... Ou tentar invadir. – Theo riu baixo.
Caleb continuou serio, o encarando feio.
– Você não devia estar lá embaixo? – Voltou a dizer.
– Você também não devia?
Os dois se encararam em silencio. Caleb, então, andou em direção o outro, parando a poucos centímetros.
– O que faz aqui?
– Vim te procurar, nós costumávamos ser amigos. Não aguento aquelas pessoas lá embaixo... Por favor, deixa eu ficar?
Dessa vez Caleb riu, entrando no quarto e fechando a porta, deixando Theo do lado de fora. Depois de alguns minutos, voltou a abrir a porta, dizendo:
– Vai ficar ai fora mesmo?
Quase que na mesma hora, Theo entrou.
Fale com o autor