Imperium
4 Feriado Purgat
Todos os anos em qualquer que seja a sociedade, existem as datas especiais. Existia comemoração cedendo datas em específico para a celebração das mães, dos pais, das crianças, dos professores e até mesmo dos mortos. Mas nada se comparava naquela sociedade única, ao dia do Purgat.
Crianças e adolescentes não precisavam ir á escola, adultos não precisavam ir aos seus empregos. Era um feriado especial pra todos. A comemoração da liberdade e do fim da impunidade. Celebravam a Imperium, celebravam a limpeza e principalmente comemoravam a existência de uma cidade em que seus filhos podiam correr livremente.
Liberdade, engraçado o termo utilizado por todos pra comemorar o Purgat, que trouxe com ele o início do governo Franchini, o grande mestre responsável por trazer a realidade, a teoria de sociedade ideal existente apenas em papéis.
Todos estavam nas ruas comemorando, crianças se vestiam de pequenos delatores, os responsáveis por manter a ordem civil. Adultos estavam com seus apitos e outros itens que lembrava o governo disciplinado atual.
A melhor parte do dia de comemoração ao Purgat era o desfile. Onde Franchini e toda a ordem que o acompanhava no governo e no parlamento desfilariam em belos carros de luxo por toda a Avenida Principal. O povo teria a oportunidade de mostrar o seu orgulho pelo se “Herói”. Aquele que mudara completamente um lugar perigoso e horrendo, em um ambiente seguro de se viver.
Mas nem todos os membros da sociedade têm um pensamento uniforme. Em um dos bairros mais nobres um garoto se mantinha enclausurado em seu quarto, e se negava a participar do desfile, mesmo que fizesse parte da família que tornou todo aquele sonho real.
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Adele bateu pela oitava vez na porta do quarto do filho adolescente, suspirando por não conseguir nenhuma resposta como todas as outras vezes.
-Sabe que precisamos participar Alexis. – Ela murmurou aflita já sabendo que a resposta seria negativa. – É a única coisa que te peço durante o ano, quanto egoísmo.
Adele se virou de costas pra porta do quarto desistindo de qualquer outra investida. Ele não participava há alguns anos, mas ela nunca desistia de tentar.
-Egoísmo? Sério, Adele? – Alexis tinha saído do quarto e agora no corredor observava a figura feminina da mãe. – Acha que é egoísmo eu não querer comemorar a merda do sistema que destruiu minha família?
Adele virou na direção do garoto fitando os cabelos desgrenhados, os olhos inchados e a expressão desolada. Talvez ele tenha chorado. Ela sabia que aquele não era um dia fácil pra ele, não era pra ninguém.
-Sua família não está destruída, amor. – Adele tentou no tom mais gentil que conseguiu tentando ignorar que o próprio filho não a chamara de mãe. – Eu estou aqui, vou sempre estar.
-Você não é minha família, Adele. – Ele rebateu amargo. – Você é a que permitiu que ela se destruísse.
-Alexis, não... – Ela tentou murmurar já sentindo as lágrimas brotarem nos olhos verdes.
-Você sabe que é verdade. E se não quer ouvir, não me encha pra ir nessa porcaria de desfile de novo! – Alexis murmurou sem poupar agressividade na voz. – E se quiser ir sozinha vai! Só lembra de não me chamar mais de filho depois!
A mulher tenteou dizer algo percebendo as lágrimas nos olhos do filho. Ela queria dizer que não ia, que estava tudo bem e que eles seriam uma família grande e feliz de novo.
-Me tratar assim não vai trazê-la de volta... – Adele murmurou com a voz fraca. – E eu ainda sou sua mãe...
-Se ser mãe é fazer o que você fez, então eu não quero ter uma. – Ele murmurou finalizando a conversa e voltando ao próprio quarto.
Adele tentou mover as pernas para voltar a se arrumar e não conseguiu. Apenas sentiu o corpo desfalecer aos poucos descendo pela parede do corredor até sentar no chão frio do corredor. As lágrimas corriam livremente pelo seu rosto agora. Ele provavelmente nunca ia perdoá-la. Mas a quem ela queria enganar? Nem ela mesma conseguia se perdoar.
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Anne se remexia na cama incomodada com todos os músculos do seu corpo que latejavam de dor. Abriu os olhos virando em direção ao surdo mudo, levantou um pouco o corpo até ficar sentada ainda sem tirar os olhos do frasco de remédio em cima do surdo mudo.
-Três ao dia... – Ela murmurou pegando o frasco e colocando cinco pílulas na mão. – Mudariam o rótulo se visse o que a Bianca faz com os pupilos. – Ela finalizou pra si mesma tomando todos os que estavam na mão com a ajuda de um copo de água que também estava no surdo mudo.
Olhou o relógio bufando logo depois, agora em menos de duas horas teria que levantar. Só que hoje não seria Bianca quem iria encarar, e sim o passado. O Purgat para Mundus significava um dia livre pra todos os membros da equipe de “Proteção”. Todos voltariam ao inicio de suas vidas, ao lugar onde viviam antes de serem recrutados.
Passou pouco mais de meia hora buscando o sono conseguindo apenas leves cochilos, por fim desistiu como sempre e levantou pra arrumar as coisas que levaria. Melhor seria fazer algo útil do que ficar se revirando na cama apenas frustrando a si mesma por ter uma maldita insônia.
Nem tudo era ruim no dia do Purgat. Porque ela mesma sentia saudade de algumas pessoas que ela crescera na companhia e agora nunca tinha a oportunidade de ver, só achava mesmo estranho porque Mundus comemoraria uma data como essa. Afinal a vida de todos ali tinha mudado não necessariamente pra melhor, quando ocorreu a “Segregação”. Mas e daí? Todos estavam livres do seu trabalho diário e podiam ficar em casa com suas famílias.
Ás vezes nem importa qual o motivo do feriado, ou o que aconteceu pra que ele existisse. Todos ficam felizes por simplesmente saírem da rotina e sentirem que por um dia tem certa vantagem, por não precisarem fazer nenhuma de suas obrigações de sempre.
Terminou a pequena bolsa colocando no chão do corredor ao lado da porta. Era pequena não só porque seria apenas um dia fora daquele quartinho, mas também porque não tinha assim tantos pertences, nenhum protetor tinha. Afinal tudo tinha que ser confiscado e avaliado pelo Sistema. Até mesmo livros e cadernos não eram permitidos sem uma justificativa legal. Um dos detalhes irritantes de tudo aquilo na opinião dela.
As coisas estavam arrumadas, sua cama estava pronta e ela sem perceber já tinha organizado completamente o quarto. O relógio dizia que estaria liberada dali por 24 horas em pouco tempo. Sorriu se jogando na cama, estava louca pra rever todo mundo, mesmo já sabendo a condição que eles deviam estar.
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A casa Franchini era um caos em feriados como o do Purgat. A família perfeita tinha a casa cheia de convidados e os empregados corriam como loucos de um lado pro outro. Todos que acompanhariam Natanael no desfile estavam ali bebendo e comendo em comemoração a um dia tão especial pra todos.
O patriarca da família sorria e se mostrava hospitaleiro a todos os que chegavam, assim como sua bela esposa Lia e filhos Jean e Clarice. Como todos os anos alguns cidadãos comuns de Imperium tinham o direito de participar de camarote de tal festa.
Todos que residiam em Imperium escreviam sobre como o governo tinha melhorado suas vidas, sobre como o Purgat tinha transformado pra sempre uma sociedade que vivia a beira do caos em um lugar próspero e pacífico. Sobre como eles estavam gratos por Natanael e sua força de um líder nato tinha conseguido trazer a prática, toda a teoria de cientistas renomados que provaram a teoria que mudou o curso de tudo.
Nicholas Detzel como Chefe da Segurança de Imperium e noivo da bela Clarice Franchini não podia deixar de comparecer. Com seus fios negros sempre bem alinhados e seu terno tom azul-marinho, estava impecável e charmoso como sempre.
-Que bom que chegou. – Uma loira sorridente comentou dando um selinho no mais novo participante da festa. – Meu pai vai enlouquecer, quer te apresentar pra milhões de pessoas.
-Me sinto até um convidado importante. – Ele brincou sendo levado pelas mãos em uma direção que ele desconhecia. O salão da casa da noiva nunca estivera tão cheio antes.
Sentiu algo vibrar em seu bolso quando estava quase alcançando o sogro. Parou pra olhar quem era no visor do celular fazendo Clarice parar e olhar impaciente pra trás.
-O que eu falei sobre celulares, amor? – Ela começou em um tom nem tão dócil.
-Eu preciso realmente atender esse. – Nicholas murmurou lançando um olhar sentido a moça que pareceu não achar suficiente, ainda assim ele virou de costas pra ela buscando um lugar longe da multidão onde pudesse retornar a ligação.
Entrou em um dos corredores que conhecia bem, já estivera naquela casa incontáveis vezes. Seguiu reto encontrando no fim uma enorme biblioteca, que até agora era o lugar mais silencioso da sala que encontrara. Nem procurou um lugar pra sentar antes de retornar a ligação.
-Pronto.
A voz chorosa na outra linha o fez respirar fundo. Já tinha quase certeza do que aquilo se tratava.
-Está tudo bem, Adele?
-O Alexis ele... não vai... eu não vou... hoje foi o mesmo de sempre...
Nicholas agora podia ouvir soluços no outro lado da linha, passou a mão no cabelo impaciente.
-Eu já conversei com ele sobre isso. E para de chamá-lo de Alexis, você alimenta todo esse comportamento destrutivo fazendo isso. – Ele comentou tentando manter a voz no tom mais calmo e amigável possível. – Se não vierem, tudo bem, eu falo com o Natanael.
-Eu... eu não vou sem ele... disse que se eu fosse era pra esquecer que eu era mãe dele...
-Você não pode tolerar esse tipo de coisa. Eu já disse pro Leo mil vezes que estou fazendo de tudo pra encontrar a Alexia, mas eu preciso da cooperação dele. Você não teve responsabilidade sobre nada do quer aconteceu.
-Eu não... sei mais o que fazer...
-Respira fundo Adele, assim que eu terminar aqui eu mesmo vou falar com ele. Não se preocupe mais com isso.
-Eu... nem sei como agradecer...
-Não se preocupa. E não o chame mais de Alexis. Todos nós sentimos falta dela, mas essa não é a forma mais saudável de se resolver as coisas. Agora eu preciso ir, o desfile começa em menos de uma hora.
-Tá certo... te espero hoje depois de toda a comemoração então.
Nicholas respondeu positivamente e desligou o telefone, bufou devolvendo o aparelho ao bolso e voltando ao corredor pelo qual tinha vindo. O adolescente estava começando a ficar demais, primeiro obriga a mãe a mudar seu nome pra Alexis e depois obriga todos a chamá-lo assim. Depois se comporta de uma forma destrutiva.
Todos sentiam falta de Alexia, Nicholas principalmente. Afinal ela um dia fora sua melhor amiga, sua futura esposa e a garota que ele desbravaria o mundo como companhia. Suspirou, muita coisa tinha mudado nesses anos, ele não era mais um pré-adolescente, Leo que agora se chamava Alexis não era mais uma criança e principalmente o mundo não era mais o mesmo. Mas se existia uma coisa que ele nunca desistiria de fazer, seria encontrar Alexia.
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Bruno tentava ser o mais depressa possível enfiando as roupas de qualquer jeito em uma bolsa enquanto um impaciente Anne bufava na porta. Ele nem lembrava direito do Purgat, seu corpo estava tão exausto na noite anterior que ele caíra na cama e só acordara com batidas impacientes na porta.
-Você podia ser um pouco mais organizado. – A moça na porta murmurou olhando o estado do quarto da figura masculina em desespero. – Isso aqui é repulsivo.
-Eu prefiro aconchegante como definição. – Ele rebateu sem olhar pra ela colocando tudo que achava que precisaria nas bolsas.
-Não sei como se pode achar confortável um ambiente tão bagunçado. – Ela comentou entrando sem agüentar mais fitar a agonia dele. – Eu te ajudo.
-Não precisa. – O loiro negou fazendo sinal pra que ela parasse. — Está tudo sobre controle.
-Claro... – Anne debochou ignorando o pedido dele e começando a pegar algumas roupas do chão. – Do mesmo jeito que tinha tudo sobre controle na chave de braço da Bianca no ultimo treinamento.
-Ela é um monstro... – Ele resmungou enquanto ela gargalhava.
-O que será que ela deve estará fazendo agora?
-Torturando alguém, sei lá... – Bruno comentou quase terminando de empacotar tudo.
-Não acha que ela vai pra Mundus, a casa onde provavelmente cresceu?
-Não sei ode ela cresceu Anne, mas vai por mim... – Ele respondeu colocando a bolsa nas costas mostrando que estava pronto. – Tenho certeza que não foi nas redondezas de Mundus.
-Como isso é possível?
-Não sei, só sei que qualquer registro sobre ela surgiu já na pré-adolescência. Antes disso Bianca era um fantasma por aqui.
-Acho engraçada essa sua mania de acreditar nessas teorias da conspiração absurdas.
Bruno deu os ombros colocando o resto da bagunça que ainda estava jogada no guarda-roupa e fechando tudo.
-Pode ser, mas que tem algo de errado nela e no histórico tem.
Notas finais
Enfim, aqui estou.
Como vão vocês?
Primeiro valeu o apoio, e tudo mais. De verdade. Inspira muito pra que esse capítulo saia, e o tempo realmente me desculpem... ando com pouco tempo até pra comer ultimamente.
Algum erro é só avisar, não deu tempo de revisar mesmo, eu mal tive tempo de escrever então... maaas e vcs? Alguma teoria da conspiração ai? Capitulo q vem tudo começa a ficar agitado e complicado pra todo mundo.
Falem do capítulo, da vida, de música celta. Bom, valeu mesmo gente. Continuo esperando a opinião de vcs com um tema como esse, reviews? :D
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