Imperfeito Amor
10 Capítulo 10
– Nem venha mudar de assunto, eu fiquei quase uma hora te procurando, liguei para o seu celular e nada de Roberta Pardo, fiquei preocupado com você! – disse Derrick. – Como você voltou para casa se estava um temporal e o único ponto de ônibus ficava a 2 km da festa?
– Eu... – ia falar, mas fui interrompida pelo sinal. – Melhor a gente ir para sala, não quero receber uma segunda ocorrência! – disse-lhe.
– Ok, mas depois você vai falar direitinho sobre isso, hein? – disse Derrick, assenti.
Entramos na sala, olhei para a cadeira do Ucker, mas ele ainda não havia chegado, me sentei atrás de Derrick como sempre.
– Bom dia, pessoal! – disse a professora entrando na sala.
– Bom dia. – dizia uma galera com voz pouco animada.
– Nossa que desanimo! – disse a professora. – Para vocês animarem vou passar um trabalho para o final do mês! – disse eufórica.
– Ah, não professora! – A turma disse em coro.
– “Anão” é uma pessoa pequena! – disse a professora. – E já vão anotando as informações para o trabalho, porque ele valerá a metade da nota do Trimestre.
– O trabalho pode ser digitado? – perguntei.
– Não, eu quero manuscrito! – respondeu a professora.
– Vadia. – sussurrei e Derrick olhou para mim assustado.
– O que disse? – perguntou a professora que estava no quadro.
– Que alegria... – disse. – Adoro escrever!
– Que ótimo, gosto de alunos assim! – disse a professora sorrindo. – Como estava dizendo o trabalho será manuscrito e depois apresentado.
– É em grupo? – perguntou o amigo do Ucker, acho que o nome dele é Jack.
– Não, será em dupla! – afirmou a professora. – E eu vou escolher a partir de agora os integrantes de cada dupla! – a professora lançou um olhar para a turma.
Pensei: — Eu e Derrick, eu e Derrick...
– Derrick e Belinda, vocês são a primeira dupla! – disse a professora.
Pensei: — Droga!
– Jack e Ana segunda dupla... – a professora estava falando o resto das duplas, mas nem prestei atenção, só queria saber qual seria a minha dupla.
Acho que as duplas já estão formadas... – dizia a professora.
– Professora, falta a Roberta! – disse Derrick.
– Ué, então só sobrou ela... – dizia a professora quando foi interrompida.
– O Ucker também professora! – disse Jack.
Pensei: — Ah... Não, eu e o idiota não!
– Quem é “Ucker”? – perguntou a professora.
– Diego Bustamante, professora... – respondeu Jack.
– Pois bem. A última dupla será Pardo e Bustamante. – sorriu satisfeita.
– Quero fazer sozinha, professora! – disse revoltada.
– Nem pensar o trabalho é em dupla, então será feito em dupla! – afirmou a professora.
– Não tem como trocar? – perguntei.
– Senhorita Roberta Pardo, sem insistências, as duplas já foram escolhidas não tem com o que discutir.
As aulas foram se passando e nada do Ucker chegar, ouvi Jack dizendo que ele tinha vindo para a escola, então cadê ele? Matando aula? O sinal tocou dando início ao intervalo.
– Vamos, Roberta? – Chamou Derrick.
– Primeiro eu tenho que procurar a minha dupla! – disse determinada.
– O Ucker? – perguntou Derrick.
– Não o presidente da república! – fiz cara de óbvio. – Mas é claro que é o Diego.
– Nossa, que estressada! – disse Derrick.
Sai da li e fui procurar o idiota do Diego, tinha que perguntar para ele com que direito ele inventou que eu estava fugido do Derrick.
Se o Ucker realmente estava ali ele tinha o dom de se esconder, porque já tinha procurado por quase toda a escola! Estava indo em direção ao pátio, quando passei pela porta de uma sala e ouvi alguém chorando.
– Foi tudo culpa minha... – dizia fungando. – Tudo, tudo... Eu sou o culpado! — chorava mais ainda.
Pensei: — Não pode ser!
Abri um pouco a porta e conclui o que já havia pensado: Quem estava chorando era o Ucker, ele estava tão frágil. Senti um aperto no coração de vê-lo daquele jeito aproximei-me, mas ele não percebeu, estava totalmente concentrado olhando para foto que estava segurado, a foto era de uma garotinha muito bonita que não aparentava ter mais de seis anos.
Pensei: — Quem é essa menininha? Por que ele chora tanto?
– Diego... – disse em tom baixo colocando a mão em seu ombro. Ele deu um pulo e rapidamente limpou as lágrimas, tentando disfarçar.
– É... O que você quer? – perguntou se virando, os seus olhos estavam vermelhos, com certeza havia chorado muito.
– Por que está chorando? – perguntei passando a mão em seu rosto para limpar as lágrimas que ainda insistiam em cair, ele forçou um sorriso.
– Eu não estou chorando! – ele disse bravo.
– Diego, tudo bem, ok? Eu vi. – me aproximei. — Não fica assim... – disse-lhe em tom manso. – Quem é a menina da foto? – Perguntei apontando para o retrato na mão dele, algumas lágrimas voltaram a cair de seu rosto, mas porque ele tinha que chorar tanto? O abracei e ficamos ali por algum tempo ele parecia tão frágil como um bebê.
– Minha irmã. – por fim ele respondeu em voz falha, se afastando de mim.
– Ham, sua irmã? – perguntei já me dando conta do que poderia ter acontecido. – Sinto muito, Diego!
– Eu também. – ele disse triste, olhei para ele para que continuasse. – Ela morreu há 2 anos... – dizia ainda triste. – e a culpa foi minha!
– Não a culpa não foi sua! – disse me aproximando.
– E como você sabe? – ele perguntou. – Você nem sabe o que aconteceu! – ele disse triste.
– E o que aconteceu? – perguntei calma.
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