Imperfeito
2 Meu delírio repete teu nome
Notas iniciais
“E nessa noite embriagante
Até a lua quer você aqui
Paixão a gente não esconde
Perdão, é que eu não sei fingir
Meu delírio repete teu nome
Meu desejo só quer teu calor
Imperfeito, sou carne, sou homem
Me alimento só do teu amor”
Alguém batia na porta freneticamente, lá fora havia chuva, isso explicava o frio mais forte, não podia ser somente do “ar” gelado.
_Meu Deus!! Que está havendo?
Aturdido pelo bater forte, cambaleou confuso até a porta. Tateou no caminho e vestiu o casaco antes de abrir e sentir seu corpo paralisar diante da pessoa que batia.
_Sara... – a meia voz ele pode sussurrar e ver os cabelos grudados no rosto, os olhos escuros o encaravam.
_Desculpe, fuso horário – com um meio sorriso característico ela apontou para o relógio ao lado da entrada da porta.
_Entre! – ele saiu do caminho para que ela passasse, procurou bagagens para poder carregar e notou que não haviam, talvez fosse uma viagem rápida.
_Grissom... eu tinha que vir.
_Eu esperava isso.
_Porque?
_Por que eu... quero acreditar em nós Sara.
_Então qual o motivo disto? – Ela mostrou uma pasta transparente com o que parecia ser os papéis do divorcio – O que você quer fazer comigo agora Gil? Passa anos me ignorando, depois me mantém tão perto de seu coração que eu pensei que fosse durar para sempre e agora...
Ela engoliu em seco para não se render às lágrimas, um golpe forte no coração dele que falhou por um instante enquanto as lágrimas ameaçavam manchar aquele rosto com mais dor. Isso ele não podia suportar.
_Onde estão suas malas?
_O que importa agora?
_Só quero que você troque de roupas.
_Me abandona e se preocupa com minha saúde? Que tipo de crápula é você Gilbert Grissom?
Doeria menos se ela tivesse entrado com um taco de beisebol e começado a agredi-lo fisicamente de todas as formas possíveis. Enquanto ela enfim deixou-se levar pelo choro, ele fechou a porta para sentar no sofá e enterrar as mãos nos cabelos grisalhos. Ela sentou na outra ponta e enxugava as lágrimas teimosas.
“E nessa noite embriagante
Até a lua quer você aqui
Paixão a gente não esconde
Perdão, é que eu não sei fingir”
Ela não veio até aqui apenas para entregar aqueles malditos papéis. Ah não mesmo! Não veio até aqui sem bagagem alguma, no meio de uma chuva tropical, horas de voos, talvez escalados, por nada. Ainda havia amor. Aquelas lágrimas não estariam ali se o amor não fosse verdadeiro. A foto no espelho, o perfume, a camiseta... Também nele o amor ainda estava vivo, latente, pulsante e agora flamejante. Em acesso de fúria ele a abraçou.
Ela quis resistir, mas não podia. Não quando tudo o que queria era estar nos braços dele mais uma vez... um beijo sôfrego e urgente, desesperado pela necessidade de contato.
Ela abandonou a maldita pasta com os papeis dentro e o abraçou, sabia que as lagrimas ainda fluíam, sem saber se eram de insegurança ou alivio. Estava nos braços dele, para mais uma vez concretizar todo o amor e o desejo que havia entre os dois.
Ele a guiou pelos recintos, abraçado, colado, apaixonado. Repetia em sua mente que a amava e era loucura deixar que tudo fosse jogado no lixo. A roupa molhada era um incomodo e como tal precisava ser retirada. O casaco pesado, a blusa, a calça apertada...
Caíram na cama juntos, ele queria saciar toda a fome que sentia daquele corpo magro e definido. Ela deixou-se envolver nas caricias dele, arranhava suas costas, mordiscava seu ombro cada vez que um arrepio mais forte tomava seu corpo, ajudou-o na tarefa de despir as peças intima. Ele beijava seu rosto, seu pescoço, seu colo, seus seios... Agarrava-se a ele como podia, se sentindo sexy e feminina outra vez. Os beijos percorrendo a trilha do desejo, as mãos precisas de um entomologista e perito forense renomado lançavam flashes de loucura sobre ela, acariciando, buscando, envolvendo todo o corpo. Em contrapartida ela emaranhava os cabelos dele a medida que tecia sua rede de luxuria. Ela agarrou-se aos lençóis da cama quando enfim sua carne úmida recebeu a boca dele... perfeito.
Os sons dos gemidos dela eram mais prazerosos que musica clássica, ele ergueu os olhos e a viu delirando com o toque, tremendo e gemendo sob ele. Mas não podia passar muito tempo ali, não conseguiria segurar seu orgasmo por muito tempo. Fez o caminho inverso no corpo dela até encontrarem-se face a face, entregues naquele universo de prazer. Com um movimento preciso os corpos se encaixaram. Os movimentos dele controlavam o ato, ela já se contorcia e gemia “eu te amo Gil...”
“Meu delírio repete teu nome
Meu desejo só quer teu calor
Imperfeito, sou carne, sou homem
Me alimento só do teu amor”
Em seu próprio delírio ele também repetia “Sara... querida... amor...”, não saberia dizer em qual ordem e isso também não importava, só queria continuar fazendo-a gemer. Ouviu o gritinho relutante dela enquanto a beijava no momento do ápice... estava pronto para liberar toda a sua carga acumulada... tremeu e gritou o nome dela
“Saraaa!!!”
Acordou com o eco do próprio grito no vazio do quarto gelado.
Arfante e desesperado, ele passou as mãos no rosto. No lençol a prova visível resultante do sonho, tão real.
Não podia continuar com essa história de divorcio. Vasculhou rapidamente o quarto com os olhos a procura da calça, o celular devia estar ainda no bolso. Avistou a camiseta branca que havia arremessado no vazio exatamente em cima das próprias roupas, até parecia que ela esteve mesmo ali e que o sexo fora verdadeiro.
Levantou-se apressado e quase rasgou o bolso para retirar o celular. Discou o numero e esperou a chamada continuar. Ela devia estar no trabalho, então não haveria problema ligar as 3 da madrugada, seriam 5 em Las Vegas.
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