Imperfect plan
2 On the road
Notas iniciais
Era a sexta vez que escutava a buzina do carro de Jason. Estávamos indo para a faculdade, e Jason era o único com presa no momento.
Ele já tinha arrumado todas as malas no carro um dia antes, porque, segundo ele, ele não queria que arrumássemos as malas no carro de qualquer jeito, e também, poderíamos nos atrasar, e ele não queria se atrasar nem um minuto se quer.
Dou mais um abraço na família e saio em direção a Jason. Vejo-o escorado em seu carro, estava vestido com calças azuis escuras, botas estilo militar, uma blusa branca, e sua inseparável jaqueta de couro preta. Estava debruçando sobre a janela do carro, prestes a apertar a buzina de novo, quando chego ao seu lado.
— Oi gatinho! — digo assustando-o — Olha só, eu tenho que dizer, essa posição que você está, favorece pra gente ver essa bundinha linda.
— Eu sei que minha bunda é linda. Pena que eu não posso dizer o mesmo, gatinha — ele diz olhando pra mim e sorrindo.
— Querido, olha lá pra cima? — digo — Não é o seu ego?
— Não é o ego, meu anjo — ele diz piscando e entrando no carro e abrindo a porta do passageiro para mim — É a realidade.
Revido os olhos e sento-me no banco do carona. Assim que fecho a porta e coloco o cinto, Jason da a partida e vamos em direção a casa da avó de Reyna.
Rey queria ficar um pouco com a sua vó, antes de ficar oito horas de distancia da mesma, durante cinco anos. Dona Rubia era um amor de pessoa, sempre que ia à casa de Rey, chamava-nos para comermos o seu delicioso bolo de cenoura. Era uma festa sempre que ela a visitava.
— E então, senhor ego, para que tudo isso de lanche? — pego as duas sacolas em mão mostrando para ele.
— Para comermos na hora que tivermos com fome?
— Isso eu sei, mas duas sacolas cheias? — pergunto — é uma viagem de oito horas, não de oito dias.
— É, só que eu sei que tenho uma melhor amiga que come quando tá entendida — ele ri da minha careta.
— Ué, Rey não está de dieta? — pergunto fingindo desentendimento — acho que ela não vai comer tudo não.
— Não é dela que eu estou falando — ele diz rindo.
— Você está falando de mim? — reclamo colocando as mãos no peito com falsa indignada. — Que acusação falsa. Eu como bem pouco.
— Claro, querida. — ele ri olhando de canto de olha para mim — Fui eu quem comeu uma pizza inteira esses dias.
— Ei, em minha defesa, era uma pizza vegetariana — digo pegando um pacote de salgadinho e jogando nele. — E difícil encontrar um vegetariana boa.
— Ei, eu estou dirigindo! — ele ri jogando novamente em mim — Mas falando sério, não sei como tu tem um corpão desse se você come como se tivesse um buraco negro no estômago.
Engasgo com o que o mesmo diz. Nunca pensei que ouviria essas palavras vindo de Jason.
— Você tem que ver sua cara — ele ri ainda mais.
— Isso não é engraçado
— É sim — ele ri — Como foi a despedida com a família?
— Foi normal — dou de ombros — Minha mãe chorou um monte e meu pai ficou brigando com ela porque eu tinha que voar e ela não estava deixando. E a sua?
— Lá em casa foi bem diferente — ele ri — Minha mãe ficou: ata beleza. E meu pai só meu deu tchau. Quem ficou conversando comigo sobre as coisas que devo ou não fazer na faculdade foi Thalia, e ela também me deu alguns conselhos.
— Alguns dos conselhos que ela deu são bons? — pergunto curiosa, normalmente os conselhos de Thalia não podem ser levados a sério.
— Sim — ele ri como se tivesse lembrando-se do momento — ela me mandou parar de ser covarde e me declarar para a garota que gosto.
— Concordo. — ele me olha assustado — Digo, Rey precisa saber que você gosta dela. Estamos indo pra faculdade, vai ter um monte festas, e em festas vai ter um monte de caras, entende. Tem que contar pra ela antes que ela ache outro.
Jason apenas balança a cabeça como se tivesse concordando. Suspira e aperta o volante um pouco mais forte, fazendo os nós dos dedos ficarem branco.
— Eu acho que não consigo contar para a garota que eu gosto, que gosto dela — ele sorri triste — e se ela não gostar de mim, no tanto que eu gosto dela?
— Ela é sua melhor amiga
— Sim, e se ela gostar de mim só como amiga? — pergunta ele sem tirar os olhos da estrada.
— Então faça ela gostar de você — respondo — eu ajudo.
— Varia isso? — Pergunta olhando-me.
— Você é meu melhor amigo — exclamo — é claro que eu faria.
Ele sorri para mim, e volta a prestar atenção na estrada. Tento imaginar como eu ajudaria esses dois a ficar juntos, o que, admito vai ser muito difícil.
— Não acredito — escuto Jason reclamar chamando minha atenção — Só pode ser brincadeira.
Sigo a direção de seu olhar, e encontro Reyna conversando com Dylan Green, o mesmo garoto que estava com Reyna horas atrás na nossa formatura.
Jay diminui a velocidade e para ao lado de Rey que estava na calçada nos esperando. Ela estava com um vestido florido que ia até os joelhos, botas de cano curto, e uma jaqueta jeans clara. Abaixo o vidro e tiro minha cabeça para fora para chama-la.
— E aí gatinha — respondo escorado na janela. Ela sorri quando me vê. — Tá afim de fazer um ménage à trois?
— Opa! Gata. É pra já — ela responde rindo. — Ainda bem que estou usando meu conjunto de lingerie novo. Tchau Dylan. Não posso perder mais tempo, tenho convite para um ménage à trois, não posso perder!
Dylan olha assustado para mim e depois para Reyna, como se não acreditasse no que estávamos falando. Rimos e Rey senta-se atrás de mim.
— Oi Dylan — digo e escuro Jason bufar — Já está indo para a faculdade?
— Na verdade, não — ele diz — vou amanhã de manhã. Eu quis pedir pra Rey uma coisa antes de ir.
Olho para Reyna sentada atrás de mim, a mesma estava sorrindo como se tivesse aprontado olhando para Jason, sigo o olhar de Rey, encontrando Jason irritado, olhando para a frente, vermelho de raiva.
— Ah, sim. — digo voltando o olhar para Dylan. — Tchau Dy...
— Podemos ir? — Jason me atrapalha, começando a andar com o carro.
— Perai, Piper — Dylan segue o carro que estava devagar e começando a ir mais rápido — Eu queria saber se você... Ei, Jason! Para!
— Acabou a conversa — Jason diz acelerando o carro, fechando minha janela e deixando Dylan para trás. Escuto a risada de Reyna atrás de mim.
— Jason!
— O que? O cara estava atrapalhando — ele diz como se aquilo respondesse o porquê, fazendo Reyna rir mais alto.
— Caramba — exclamo entrando na onda de Reyna — Você não gosta mesmo dele né?
Jason da os ombros, o que faz eu e Reyna rirmos alto. Jason sempre foi muito protetor com a gente, principalmente se houvesse garotos, não justificando o que ele faz, mas meio que já estávamos acostumadas com isso, e, além disso, não gostamos de Dylan, o que eu dou um desconto para não brigar com Jason.
— Vocês viram a cara dele? — Reyna exclama — foi: "Meu Deus, calma aí cara".
Olho para Jason que não estava rindo nem um pouco. Ele ainda estava vermelho, como se ainda estivesse com raiva.
Sorrio sabendo o quanto ele estava com ciúme de Reyna. E já imagino que, o primeiro passo para Jason conquistar Reyna e lidar com o seu ciúmes, porque ninguém merece um namorado ciumento demais.
Fale com o autor