Imperfect
5 Trauma
Notas iniciais
Os olhos verdes arregalados percorreram para a primeira linha...
“olá? Tem alguém aí? Por favor, por favor, que apareça alguém, aqui está abafando, eu estou com fome, mamãe disse que no ano novo iríamos visitar a vovó e o vovô, mas cadê a mamãe? Eu não a achei, minhas pernas estão doendo para continuar a andar, eu não quero morrer! Se tiver alguém aí, me escute, me ajude, por favor, ele está ali, um pouco distante, mas ele já fez o circulo, eu estou dolorida, quando acordei tinha algo estranho em mim, está tudo doendo, tudo mesmo, tem sangue no chão... se tiver alguém aí. Ele está chegando. Ele vai me usar para algo, as velas estão me dando tosse, ele está lo...”
As palavras eram cessadas por um rabisco no final, como se alguém a tivesse atrapalhado, ela borrou a última frase, uma lágrima quente marcou sua bochecha, Alvo suspirou surpreso, Scorpius tinha os olhos arregalados assustado
— Alvo... – o loiro sussurrou assustado
— Scorpius... – Alvo respondeu com a voz embargada, as lágrimas enchiam seus olhos, já desciam teimosas pelo rosto
— Rose foi realmente machucada – Scorpius respirou fundo buscando ar para o seu peito amedrontado
— um circulo, sangue, velas... – Alvo sussurrou tremendo
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Gina se espreguiçou no sofá e bocejou, Harry ao seu lado já tinha os olhos pesados, enquanto no sofá a frente Rony e Hermione conversavam sobre a viagem entretidos
— eu sempre quis ir á Paris – ela falou refletindo
— ótimo! Já temos o destino – o ruivo sorriu beijando o topo da cabeça da morena
— amanhã pela manhã conversarei com Rose – ela baixou os olhos
— vai dar tudo certo, Hermione – ele falou reconfortante
— acho melhor irmos dormir – ela afirmou se levantando
— Harry, Gina – ele cumprimentou – boa noite – murmurou e os outros dois responderam com um aceno, subiram as escadas vagarosamente e Gina suspirou parecendo soltar a respiração depois de muito tempo
— o que houve, Gina? – Harry perguntou coçando os olhos por debaixo dos óculos
— Harry... Agora temos a Rose – ela suspirou um tanto confusa
— sim, como sempre tivemos – ele fechou os olhos
— é diferente, Harry! Agora vamos cuidar dela como filha! Como uma Potter!
— calma, é só até Hermione estar pronta para voltar – Harry murmurou a puxando para seus braços
— podemos salvar ela, Harry! Podemos a trazer de volta, ainda não acabou! – Gina falou com olhos marejados
— eu sei, meu amor, nós vamos trazer Rose de volta, tudo bem? Vamos trazer nossa doce Rose de volta – ele sorriu com compaixão fixando os olhos no teto para não permitir lágrimas
— MÃE! PAI! – Alvo desceu as escadas afobado, com o diário em mãos
— Alvo Severo Potter! Não faça barulho! – Gina falou em tom mandão, se levantando em um pulo
— desculpe, veja isso – ele entregou o caderno com todo cuidado para a mãe, a ruiva olhou para o objeto franzindo o cenho e começou a ler, a cada letra seus olhos se arregalavam, Harry se levantou e ficou do lado da mulher, começou a ler junto a ela, Gina já tinha seus olhos cheios de lágrimas enquanto Alvo já chorava copiosamente
— Rose... – em um fio de voz Gina lamentou, tremeu da cabeça aos pés e abraçou Harry, chorando repentinamente
— Rose foi... – Harry não terminou com medo das palavras seguintes
— pai, isso é um ritual – Alvo respondeu entre soluços abraçando o pai
— me prometam que não vão contar para ninguém – Harry murmurou com a voz perdida, os dois assentiram fungando
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O sol raiou e os passarinhos já cantarolavam alegres, os raios de sol pareciam recompensar qualquer dor que alguém podia ter, o tempo estava ótimo, porém nem tudo pode ser consertado por um dia ensolarado.
Hermione caminhou até o quarto da filha com a bandeja em mãos, o café da manhã cheirava deliciosamente, será que Rose gostaria? Ela adentrou o quarto onde a filha estava encolhida debaixo do lençol com olhos bem abertos
— Rose, querida, eu trouxe seu café da manhã – a mãe falou com o coração apertado, a garota se sentou na cama e observou com olhos assustados a mãe colocando a bandeja em seu colo, ela assentiu e começou a comer lentamente
— certo... – murmurou, algo saiu de sua garganta depois de muito tempo, Hermione arregalou os olhos já marejados
— eu e seu pai, decidimos, viajar – ela falou cautelosamente, a jovem apenas a olhou, olhos ainda nublados – e você vai ficar com sua tia Gina e seu tio Harry – a voz já embargada denunciava sua lágrimas, talvez a lembrança tivesse mudado algo nela – eu logo vou estar aqui, me desculpe se alguma vez te deixei sozinha, mas você precisa saber que eu te amo, e nunca vou deixar nada acontecer com você, me desculpe por não estar lá, quando você precisou – a mãe já chorava com o coração apertado – me desculpe, eu te amo, minha filha – ela sussurrou abraçando a jovem e saindo logo depois...
Rose encarou a porta, depois a bandeja, comeu um pouco mais e deixou a bandeja de lado indo até o banheiro, mais uma vez colocou tudo que tinha para fora, e fraca voltou para a cama, o que havia acontecido? Alguma coisa despertou dentro dela? Uma pequena dorzinha no coração, como se queimasse aquela parte pequenina, ou, como se clareasse um pedacinho de seu coração.
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O sorriso reconciliador na cozinha aqueceu seu coração, se sentou a mesa junto aos parentes e começou a pôr seu prato.
— como foi? – Dominique perguntou curiosa
— ela não falou nada, só uma palavra baixinho – todos pararam o que faziam e a encararam
— isso já é alguma coisa, Hermione! – Gina exclamou sorrindo
— minha filha está... – Hermione falou perdendo a voz
— nós vamos trazer Rose de volta, isso é uma promessa – Clarie falou com convicção e todos assentiram
— obrigado, Rose tem muita sorte de ter uma família assim – ela falou enxugando uma lágrima do canto do olho
Todos sorriram docemente e voltaram a devorar a comida, mas afinal, Rose poderia ser trazida de volta? Poderia? E agora com essas revelações? Era realmente possível que a ruivinha voltasse? E se ela não voltasse? O maior medo é que ela escolhesse a outra saída, a morte.
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