Imperfect
31 Epilogo
Notas iniciais
A casa estava lotada naquela noite, todos corriam de um lado para o outro, seja com comida na mão ou alguma decoração, era finalmente a noite de natal.
Eles se espalhavam pelo jardim da Toca, ajudando, todos estavam ali, até mesmo Clarie, que ficava encolhida no canto, os Potter não contaram tudo para os pais, apenas que alguém tinha feito muito mal a Rose, mas já não estava mais vivo, eles não podiam fazer muito depois de Rose tanto mexer no tempo, eles nem sabiam mais quais eram as memórias verdadeiras.
Molly já estava radiante depois daquilo tudo, suas bochechas estavam vermelhas, cheias de vida como os últimos exames que sua mãe tinha ido buscar no hospital, não existia nenhum sinal de tristeza e doença mais, tudo tinha acabado.
Alvo e Scorpius trocavam piadas jogados no sofá da sala quando James passou por eles, Lia atravessou a porta correndo com um pudim delicioso nas mãos, James sorriu ao sentir o cheiro.
Chegou ao quintal e olhou atentamente ao redor, quando seus olhos recaíram sobre a mesa, ele sabia.
James engatinhou até entrar debaixo da mesa, encontrando a ruiva mais linda da noite sentada, com as pernas encolhidas, dessa vez ela não tinha o olhar vazio ou desesperado, ela não sentia medo mais, só estava dedilhando a grama enquanto aproveitava o momento barulhento da casa.
— Eu não tive a chance de dizer... – Ele começou atraindo a atenção da prima – Mas você foi muito corajosa, como nunca tinha visto antes
— Você também foi, Jay – Ela sorriu de canto ficando envergonhada
— Depois de tudo que passou, eu nem consigo imaginar, Rose – Disse suspirando – Ele tocou em você? Tipo... Tocou...
— Não, James, eu jamais permitiria
Ele soltou o ar, que não sabia que estava prendendo, em alivio.
— Tudo parece tão diferente agora – Murmurou olhando para além dos pés da mesa
— Ainda bem que parece – Ela riu anasalado e ele acompanhou
— Estava juntando coragem pra falar com você, acho que gastei tudo no hospital...
Rose subitamente estava corando, ela colocou as mãos na bochecha escondendo seu rosto vermelho como um tomate
— Não precisa de burocracia comigo – Ela disse baixinho
James a encarou
— Você é brilhante, Rose
Rose o encarou
— Me desculpe por não enxergar antes, eu não sabia que você me olhava dessa maneira
— Acredite em mim, nem eu mesma sabia – Ela sibilou o fazendo rir
— Agora eu não posso passar mais nem se quer um segundo sem você, Rose
Ela prendeu a respiração
— E eu não quero passar...
— James, está tudo bem – Ela esticou a mão encostando na do moreno, fazendo os dois arrepiarem com o toque – Eu não vou mais a lugar nenhum
— Pensei que quisesse passar algum tempo sozinha
— Eu já passei muito tempo sozinha, Jay – Ela revirou os olhos sorrindo – Eu tive um sonho muito estranho, sabe? A alguns meses atrás, eu podia jurar que sonhei com a sua avó
— Minha avó? – Ele arregalou os olhos
— Sim, ela mesma, sabe uma lição que ela me deixou?
— O que?
— Que eu deveria ficar com o James... – Ela disse tomada por uma coragem que não queria pensar sobre para não ficar encabulada
Dessa vez James corou.
Os dois permaneceram em silêncio de novo, fitando um ao outro envergonhados, não sabiam o que dizer mais, mas sabiam que precisavam com urgência daquele momento, desde o dia em que Rose voltou, os dois sabiam em seu interior que eles estavam enlouquecendo por aquilo.
— Eu não quero passar nem mais um dia sem que você saiba que eu sinto também, Rose
— Eu sei que sente, Jay – Ela sorriu gentil
Ele se arrastou um pouco na grama ficando perto dela
— Eu sinto também – Ela sussurrou
— Eu sei que sente, Rosa – Respondeu em um fio de voz
Ele levou as mãos ao rosto da ruiva fazendo um turbilhão de borboletas invadirem o estomago dela, que sensação arrasadora que arrebatava Rose da sua própria consciência.
— Então por que demorou tanto? – Ela perguntou já fechando os olhos
Os rostos agora estavam próximos o suficiente para sentir a respiração na pele
— Porque eu queria ter certeza que não vou te perder de novo – Ele finalizou também fechando os olhos.
Sem muito jeito Rose quebrou o espaço entre os dois, tomando os seus lábios em um beijo desesperado, urgente.
Impacientemente James a puxou para mais perto, grudando os seus corpos em uma junção infindável, ele passara os últimos dias sonhando com aquele momento, não podia perder nenhum segundo.
Eles sentiam como se não existisse mais nada ao redor, a Toca inteira parecia estar vazia e em silêncio enquanto só os dois se beijavam avidamente ali, movidos pela emoção estonteante.
Foram tantos anos, tanto tempo, ele não podia esquecer da carta com o laço vermelho que dizia que ele era o único que podia a fazer sorrir em meio a escuridão, que afastava os monstros de Rose durante a noite e que tinha o melhor abraço de todos, ele agora entendia, Rose sempre estivera reparando nele, mas existiam as amigas dela que a faziam tentar contrariar aquela ideia dentro de sua cabeça.
Ele realizava a verdade agora diante dos seus olhos, queria repetir aquele momento todos os dias, todas as horas e queria cada vez mais.
James quebrou o beijo pra olhar para a menina, com os lábios vermelhos e a respiração ofegante, céus! Como ele amou aquela visão.
Rose sorriu embaraçada se desvencilhando um pouco para respirar, só Deus sabia o quanto ela tinha esperado por aquilo.
Os dois foram arrancados de seus devaneios quando a cabeça de Lily despontou olhando para os dois em baixo da mesa
— Saiam daí, pombinhos, já é quase natal!
Os dois se entreolharam e saíram dali sorrindo, de mãos dadas se juntaram ao resto da família.
Rebeca sussurrou alguma coisa para Lia que Rose não pode ouvir, mas ela sabia que estavam falando dos dois, comentando que Rose finalmente abrira os olhos.
A pequena e dócil Rose não existia mais, agora sim, ela era real.
Fale com o autor