Imperfect
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Ah, me lembrei!! Eu sempre me refiro ao Kyousuke como Tsurugi, talvez seja o mal habito, mas que assim seja, não mudei por pura preguiça e porque me acostumei a ouvir sempre Tsurigi pra cá e Tsurugi pra lá, não tenho culpa u.u
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Agora acabou . __ . Boa leitura! o
De certa forma os dias continuavam os mesmos na Raimon, treinos todos os dias, cada um trabalhando duro como podia, sempre dando tudo de si. Com o tempo as coisas se acertaram, no começo todos achavam que seria impossível surgir algum romance, por menor que fosse, entre qualquer um dos membros do time. Bom, se impossível ou não, o impossível aconteceu: Shindou e Akane estavam juntos, no fim Shindou era apenas orgulhoso e reservado demais para admitir que gostava mesmo que um pouco da doce e meiga garota, que em um futuro próximo seria uma ótima fotógrafa. Tenma sempre com garotas ao seu redor, depois que ficou popular... Tudo aconteceu pra ele. E bem... Aoi não gostou nem um pouco daquilo, grudou nele e assim ficou, até onde a história deles vai, ninguém é capaz de dizer. Tsurugi quando começou a treinar com Goenji ficou muito próximo da irmã do mestre, bem... Isso incomodava muita gente.
Ele é bonito, charmoso, elegante, arrogante, chato, fechado, frio e muitas outras coisas. Ela é bonita, mandona, arrogante, doce, só quando quer, e mesmo sem perceber, sedutora. Bem, seria muito simples dizer que os dois nunca dariam certo juntos. Tsurugi e Midori, dois seres completamente diferentes, mas que de alguma forma eram completamente compatíveis. Completos.
A tensão entre os dois sempre foi grande, viviam discutindo, mas durante os jogos era o nome dele que ela gritava do banco quando ele fazia um gol. Com o tempo ele foi se soltando, pegando intimidade, se abrindo mais com as pessoas, até demais. Atrevido dos infernos, um grande idiota na opinião dela. Mas sempre que ela o via com Yuuka, tinha vontade de acabar com aquela carinha perfeitinha de boneca que a aquela garota tinha. Ciúmes? Talvez. Mas ela nunca, jamais, em hipótese alguma iria admitir pra alguém. Muito mal pra si mesma.
Eles se provocavam de todas as formas possíveis e impossíveis. Era um verdadeiro caso de amor entre os dois. Todos já sabiam onde aquilo iria parar, menos os dois que se negavam a admitir. Por mais que ele fosse atrevido, arrogante e insensível, ele nunca fez menção de agredi-la ou algo parecido. Yuuka não tinha coragem de fazer alguma coisa que fosse contra ela, tinha medo, e tinha medo dele também, que nunca deixou que falassem de Midori, por menos que fosse. E muito menos ela deixava que falassem dele, por mais cretino que ele tenha sido no passado, ela foi uma das primeiras a duvidar dele, mas a primeira que acreditou nele no fundo do coração quando cruzaram os olhares no campo de futebol.
Eles eram sempre discretos nos olhares, nas palavras e nos gestos. Mas nunca poderiam se esconder por muito tempo, as coisas começaram a ficar naturais demais, já era mais do que certo pra eles.
Mais uma vez Tsurugi estava atrasado pro treino da manhã, todos já estavam em campo treinando, mas as coisas sempre ficavam difíceis sem ele por perto, uma peça necessária e indispensável.
– Midori, liga pro Tsurugi e manda ele vir treinar, o time ta desfalcado sem ele aqui. – Falou Tenma que foi pro banco um pouco pra pegar um pouco de água.
– E posso saber por que você mesmo não liga, ou o próprio capitão? – Ela perguntou irritada, enquanto olhava pro garoto.
– Porque Shindou já ta puto o suficiente com ele, e eu não to a fim de ligar pra ele, liga você, porque ele te ouve.
Midori respirou fundo, pegou o celular e discou o número do garoto, esperou uns segundos até que ele atendesse ao telefone.
– Posso saber onde você ta, idiota?
– Já to chegando, apenas quis dormir mais um pouco.
– Anda logo, seu merda. Já estão todos treinando, só falta você.
Ela desligou o telefone irritada e ficou em pé, ao lado do campo enquanto observava os garotos treinarem e ficava perdida em pensamentos. Estava tão distraída que não reparou que Tsurugi vinha chegando e que todos paravam pra observar a cena que se seguiu.
Tsurugi chegou bem perto dela, passou um braço pela cintura dela e deu um beijo no rosto da garota.
– Cheguei, linda. Não demorei.
Midori ficou vermelha, não sabia se de vergonha ou raiva.
– Some da minha frente, Tsurugi! – Gritou ela enquanto ele saía rindo em direção ao campo.
– Pronto seus inúteis, já to aqui. Qual é o problema que eu não pude ficar dormindo? – Perguntou ele um pouco irritado enquanto olhava pros companheiros de time.
O treino seguiu normalmente até a hora das aulas. O dia passou rápido, com aulas normais e chatas. Até que chegou a tarde e já era hora de todos irem pra casa. Tsurugi arrumou as coisas, deixou tudo dentro do armário e foi andando pelo corredor em direção a saída, com as mãos nos bolsos da calça.
Midori guardou as coisas no armário e ficou apenas com a bolsa do lado do corpo enquanto seguia pelo corredor até a saída, olhou pra frente e visualizou Tsurugi que já ia saindo da escola. Ela sorriu levemente e foi atrás dele, até que ele diminuiu os passos e esperou que ela chegasse até ele.
– Yuuka não veio te buscar hoje? – Ela perguntou casualmente.
– Ainda bem que não veio, não agüento mais, Midori... – Ele disse meio chateado.
– O que houve? – Ela olhou pra ele pelo canto dos olhos.
– Ela é chata demais, ciumenta demais...
– Com razão né, querido? – Ela deu uma risada, enquanto andava ao lado dele.
Ele sorriu um pouco e continuou andando.
– Vou indo visitar meu irmão, quer vir? – Ele perguntou olhando fixamente pra frente.
– Por que não, né?
Eles andaram até que chegaram ao hospital, entraram, se apresentaram na recepção e subiram até o quarto do irmão de Tsurugi, ele deu leves batidas na porta e entrou, dando espaço pra Midori entrar, um pouco envergonhada e receosa.
Yuichi observava a cena com atenção, com um sorriso divertido nos lábios.
– Não precisa ter vergonha, querida. Não sou uma má pessoa, não precisa ter medo. – Ele disse com um sorriso gentil nos lábios.
Tsurugi observou com expressão normal a cena, Midori ao ouvir as palavras do mais velho relaxou um pouco e sorriu.
– Apenas passei pra ver como estava, irmão. Precisa de alguma coisa? – Tsurugi falava com uma voz suave, que ninguém ouvia na escola. Ele parecia até gentil e educado.
Midori quis rir, mas achou que seria inapropriado.
O mais velho olhou atentamente para ela, que quando reparou, corou levemente. Tsurugi observava com as sobrancelhas levemente franzidas.
– Não vai me apresentar a linda moça, irmão? – Pediu o mais velho, olhando Tsurugi que estava sério.
– Desculpe, irmão. Essa é Midori, ajuda no time. Midori, esse é meu irmão. – Fez as apresentações e ficou em pé observando o irmão, cruzou os braços.
– Prazer. Nem parece ser irmão do ser presente nesse quarto... Você é tão simpático e gentil. – Falou Midori, ainda um pouco desconfortável. Mas com um tom divertido na voz.
Tsurugi bufou baixinho quando viu o irmão soltar uma risada alta ao ouvir o que Midori disse. Ela sorriu pra ele, um sorriso espontâneo e não por obrigação. Tsurugi observava, maravilhado, o sorriso dela.
– É sempre um prazer conhecer uma moça como você, me admira muito que meu irmão aceite sua companhia, apesar de ter mudado bastante... – Disse o mais velho, observando as reações do irmão calmamente.
Tsurugi apenas revirou os olhos.
A conversa continuou por um tempo, e Tsurugi às vezes participava, respondendo algumas perguntas e provocações, essas por parte de Midori. E o mais velho observava tudo com atenção e interesse.
– Bem, a conversa realmente ta boa, mas eu preciso ir. Não posso me atrasar pro jantar, foi um prazer conhecer você Yuichi. – Midori sorriu e apertou a mão do mais velho.
– Vou indo também, irmão. Amanhã volto pra te ver, como sempre. Vê se se cuida.
Se despediram e saíram do quarto indo em direção à saída do hospital.
– Eu te levo em casa, ta ficando tarde... – Ofereceu Tsurugi
– Tudo bem... – Midori aceitou
– Não vai gritar, nem nada do tipo? Midori... você ta bem? – Tsurugi fez uma cara estranha enquanto olhava pra ela, que soltou uma gargalhada
– Sim, eu to bem. Gostei de conhecer seu irmão...
– Ele gostou de você... – Ele comentou de forma despreocupada, olhando pra frente.
– Também gostei dele... Mas por que a surpresa? — Ela perguntou, apenas curiosa
– Ele tem horror à Yuuka...
– Não me admira muito, Tsurugi... Ela parece uma boneca.
– Ela é uma boneca... – Ele comentou distraído.
Midori apenas ficou em silêncio durante todo o percurso até sua casa, deixando os pensamentos vaguearem pela sua mente.
– É isso... Eu fico aqui, obrigada por fazer companhia. Te vejo amanhã na escola.
Midori comentou ainda um pouco distante e abriu a porta de casa, entrando logo em seguida, sem falar mais nada. Ele apenas observou ela entrar em casa, mas não respondeu.
No dia seguinte, tudo parecia cinza, o dia amanheceu nublado e sem graça. Midori parecia distante demais do planeta à sua volta. A verdade é que ela ainda estava pensando nas palavras de Tsurugi no dia anterior. De alguma forma ela se sentia incomodada e de certa forma triste.
Naquela tarde Yuuka foi à escola pra poder ir embora com Tsurugi. Midori apenas observou de longe, observou a garota, realmente ela era linda, uma princesa, até os cabelos perfeitamente trançados, toda educada, não gritava, não falava palavrão, ao contrário dela, que era tudo que uma garota não deveria ser... Tentou não dar importância, mas não deu certo. Ela se sentia triste, chateada, e de certa forma magoada. Mesmo que negasse até a morte, ela tinha sentimentos por ele... Gostava dele exatamente do jeito que ele era. Sem perceber começou a chover levemente, mas ela não se importou. Não queria ir pra casa, seria pior.
Midori caminhou até o parquinho da cidade e ficou ali, em silêncio, tendo companhia apenas os próprios pensamentos. A chuva ficou mais forte, mas ela nem se importou, apenas retirou a tiara da cabeça porque estava incomodando. Sentiu dois braços em volta do seu corpo, a abraçando por trás. Se assustou, e ainda mais quando percebeu que era Tsurugi.
– Tá fazendo o que aqui, idiota? – Perguntou ela, ainda bem assustada com a presença dele.
– Vi você sair da escola sozinha e quis ver pra onde iria... – Ele disse olhando atentamente pra ela.
Midori desviou o olhar do dele, não queria encarar aqueles olhos e se entregar tão facilmente. Mas parecia tão certo enquanto sentia aqueles braços envolvendo seu corpo daquela forma. Tsurugi olhava pra ela cada vez mais, observando as reações dela...
– Porque você complica tanto as coisas, Midori? – Perguntou ele suavemente, enquanto a apertava contra o corpo. Ambos molhados pela chuva.
– Não complico nada. Só não acho certo... Não sou pra você. Não sou perfeita, não sou educada, falo palavrão sempre que quero, sou sem educação, não tenho o sorriso perfeito e nem o corpo perfeito... Não sou uma boneca. E isso me incomoda. Porque não posso ser, Tsurugi? – Ela olhou diretamente pra ele, enquanto falava de forma angustiada e triste, de certa forma desesperada. Ela sentia os olhos arderem, mas não iria chorar, não agora, não na frente dele.
Tsurugi se surpreendeu um pouco com as palavras dela. Foi uma confissão, um desabafo. Ele olhou nos olhos dela e viu tudo que tinha de ver. Tão vulnerável, tão delicada e ao mesmo tempo tão forte e corajosa.
– Porque você não é perfeita, não é uma boneca. E é isso que te faz mulher. – Ele disse de forma suave, levou a mãos até o rosto dela e fez um leve carinho.
Ela fechou os olhos e sentiu o toque da mão dele em seu rosto, inclinou um pouco a cabeça, para aproveitar mais o contato. Tsurugi sorriu e deslizou a mão pelo pescoço dela até a nuca, o que fez garota de arrepiar, o que não tinha nada a ver com a chuva. Ela continuou com os olhos fechados, até que sentiu seu corpo ficar ainda mais em contato com o dele e sentiu aquela boca em contato com a sua. Deu um leve gemido e sem pensar mais levou a mão até a nuca dele, fazendo carinho. Tsurugi aprofundou o beijo, passando a língua no lábio inferior dela, que cedeu a ele e deu passagem. Tsurugi desceu as mãos até a cintura dela enquanto o beijo continuava apaixonado e cada vez mais intenso. As línguas em contato uma com a outra em um beijo molhado, delicioso. Ela acariciava a nuca dele levemente com a ponta dos dedos, puxando levemente os cabelos dele. Tsurugi apertava o corpo dela contra o seu fortemente, e o beijo ia ficando mais suave até que chegasse ao fim.
Midori se encontrava ofegante e Tsurugi também. Ambos sorriram. Não precisariam de palavras pra terem certeza do que sentiam, apenas demonstrariam um para o outro os sentimentos, da forma certa e do jeito deles. Era assim que eles eram, e não importava o resto, enquanto estivessem juntos, o resto seria apenas o resto, e nada mais que isso. Tudo o que importava eram os dois, naquele fim de tarde sob aquela chuva, entre beijos, abraços e afagos. E nada no mundo importava mais.
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