Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso vigésimo sexto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


Unificar um reino que passou anos lutando entre si estava se mostrando um desafio, porque os cidadãos do Leste não aceitavam que os habitantes do Norte, vistos como inimigos desde sempre, estavam agora do nosso lado.

Eram crenças que seriam difíceis de ser mudadas do dia para a noite, mas não desistiria de insistir até que nosso reino vivesse em completa harmonia, mesmo que não vivesse o bastante para presenciar tal fato. Com o dinheiro que obtive da venda das minhas joias e roupas, consegui saldar as contas mais emergências, mas ainda tínhamos que viver com inúmeras restrições que não agradavam em nada os nobres, acostumados a uma vida de luxo graças ao falecido General do Leste que para obter seu apoio os comprava com privilégios, o que não aconteceria no meu reinado.

Já as investigações sobre possíveis traidores no castelo do Leste deram resultados, permitindo que desarticulássemos os poucos inimigos contrários à minha tomada do poder e futura união com o príncipe do Sul.

Sem aliados no Leste, o Norte solicitou uma reunião usando um tom diferente do anterior, sem qualquer tipo de exigências. Diante disso, fiz questão de receber sua comitiva para que pudéssemos finalmente acertar os últimos detalhes para a unificação do império.

Mesmo que meus convidados estivessem estendendo a bandeira branca, alegando que não queriam nada em troca sabia que devia estar preparada para um pedido inesperado, pois o Norte já havia perdido a grande oportunidade de colocar um dos seus homens para ser o próximo consorte, então eles pensariam muito bem no que pediriam em troca para que a unificação se realizasse.

Mas em meio a todos os problemas que poderia enfrentar, sabia que dessa vez não estava sozinha. Porque o homem que amava, seguraria minha mão durante todo o caminho, me protegendo quando necessário e apontando meus erros sem temer pela própria vida, como muitos tinham medo de fazer devido ao meu título.

A cada dia que passava Gael melhorava a olhos vistos, surpreendendo até mesmo o médico real que atribuía a sua recuperação milagrosa aos deuses, assim como todos os súditos do reino que mesmo sem conhecer pessoalmente o marido de sua rainha e futura imperatriz, ainda continuavam a acender lanternas ao cair da tarde agradecendo a recuperação de seu futuro soberano e pedindo por seu total restabelecimento de saúde.

Um gesto que emocionou meu marido, assim que ele pode se levantar da cama e presenciar as incontáveis lanternas dominarem o entardecer do céu do Leste, em prol da sua recuperação.

Apesar de já ter se passado três meses desde a minha fatídica festa de aniversário, na qual Gael havia sido gravemente ferido, só agora o médico real havia autorizado que ele se levantasse da cama para caminhar um pouco pelo quarto e tomar sol todas as manhãs e tardes na sacada, mas até essa simples atividade devia ser feita com cautela e sempre na companhia de duas pessoas, caso o príncipe do Sul sentisse algum desconforto ou tontura durante a atividade.

Depois dessa sugestão, Hortência questionou ao médico real se poderia levar o filho para casa devido a sua melhora considerável, uma ideia que foi descartada momentaneamente pelo médico. Alegando que ainda era ariscado submeter o rei consorte a uma viagem tão longa, mas que ele reavaliaria o caso novamente de acordo com a melhoria do paciente e concordei com a sua decisão.

Não só porque sofreria com a ausência dele, mas era visível que Gael ainda não estava totalmente recuperado do ferimento que podia estar cicatrizando como o esperado por fora, mas por dentro ele poderia estar em um ritmo totalmente diferente. E tal argumento pareceu convencer a rainha mãe do Sul, pois tudo que ela desejava era o bem do seu filho.

Cumprimentei as servas que acompanharam a rainha mãe Hortência ao Leste, antes de adentrar aos aposentos que Gael ocupava desde que havia se ferido vendo-as trocar os lenções da cama usados por novos, ouvindo o som de risadas que vinham da varanda e reconheci o sorrindo do meu marido imediatamente entre as outras.

Caminhei em direção a varanda, encontrando-o sentado na mesa que havia no local na companhia de sua mãe, de Agnes, Henrik e Kiara, jogando cartas enquanto tomava sua dose diária de sol.

— Que coisa feia Henrik, roubando de uma dama no jogo?! — Agnes se queixou brincando fazendo todos rirem sem perceberem a minha presença.

— Jamais roubaria de uma dama, senhora Agnes, não tenho culpa de estar ganhando. — Henrik se defendeu, enquanto Gael negava com a cabeça.

— Que mentira, Henrik. Você sempre me roubava nas cartas quando era criança. — Gael destacou sorrindo, mas vi quando ele repousou a mão direita em cima do seu ferimento, sinal de que estava sentindo algum incomodo em seu machucado.

— Não sei por que estão discutindo o fato de Henrik estar ou não roubando, quando no fim quem ganhou a partida fui eu. — Hortência disse colocando suas cartas na mesa atraindo a atenção de todos que gemeram desgostosos, jogando suas cartas na mesa ao constatar que a rainha mãe do Sul havia ganhando a partida.

— Pelo jeito, Hortência ganhou mais uma partida. — disse atraindo a atenção de todos e Agnes e Henrik se levantavam, fazendo uma reverência para mim.

— Sim, meu amor, parece até que a minha mãe foi criada em uma taberna, não me lembro de tê-la visto perder uma vez na vida nas cartas. — Gael disse chocado fazendo todos rirem, enquanto ganhava um olhar feio de sua mãe.

— Me respeite garoto, isso lá é jeito de falar com a sua mãe?! A mulher que já comandou o reino com um exército invencível. — repreendeu o filho com doçura que se desculpou, antes de voltar sua atenção para mim estreitando os olhos em seguida, como se estivesse lendo o que se passava comigo.

Durante os três meses em que estamos convivendo, pudemos nos conhecer melhor algo que nos agradava e me fazia estar cada vez mais apaixonada por Gael assim como ele por mim, bastava apenas um olhar e ele sabia quando precisava conversar sobre o meu dia ou dos seus carinhos, para aliviar a tensão que os problemas reais traziam a minha mente.

— Podem nos deixar a sós alguns instantes, gostaria de falar com a minha rainha. — Gael pediu sem desviar os olhos de mim e todos concordaram, se levantando dos seus lugares e dirigindo-se para a saída do local.

Assim que estávamos a sós, ele afastou a coberta que estava em seu colo expondo um lugar vago ao seu lado, um convite silencioso para que me sentasse ali e foi o que fiz, sendo aconchegada em seus braços imediatamente.

— Preocupada com a sua reunião com a comitiva do Norte amanhã? — questionou enquanto acomodava minha cabeça em seu pescoço, na curva exata em que ele se ligava ao seu ombro, antes de colocar a manta no meu colo.

— Sim, eles alegaram que não queriam mais fazer exigências, mas algo me diz que eles estão tentando me distrair para algo maior. — segredei em seu pescoço fechando os olhos, inalando seu perfume que tanto amava e sempre me transmitia paz, enquanto acariciava meus cabelos.

— Também estou desconfiado disso, eles podem se aproveitar de que estão na sede do reino para fazer uma manobra arriscada.

— Que seria?

— Colocá-la em uma situação que não a deixaria outra alternativa, a não ser se casar com o homem que desejam ser o próximo rei consorte.

— Duvido muito que Lorde Tarcísio aceite se casar com uma mulher que divide o leito todas as noites com o seu futuro marido, a desconfiança de que possa estar esperando um filho de outro o fará declinar de um possível casamento. — expliquei simples e Gael sorriu surpreso, acariciando meus cabelos.

— É quando é que iria me contar, que serei pai do seu filho de mentira?

— Quando houvesse necessidade dele existir. — disse simples e ele suspirou resignado.

— Você sabe que isso só vai complicar ainda mais as coisas, se alguém acreditar que você está realmente esperando um filho meu será um caos não só no Leste, mas no Sul e no Norte.

— Sei disso, mas seria a solução perfeita para todos os nossos problemas.

—Seria, mas não seria a correta. E quero me unir a você do jeito certo, não por meio de mentiras e acordos nebulosos. Nossa história de amor começou assim, mas ela não precisa continuar dessa forma — explicou e balancei a cabeça concordando, porque ele tinha razão, mas seu sorriso curioso me fez prestar atenção no que Gael diria — Mas agora me responda uma coisa que me deixou curioso, meu amor, como um homem que mal consegue sair do quarto ou caminhar mais do que alguns minutos sem sentir desconforto, pode dar um filho a mulher que ama?

E a sua pergunta me pegou desprevenida, ao ponto de me afastar dele para que pudesse olhar seus olhos azuis claros curiosos à espera da minha resposta.

— É uma boa pergunta — disse perdida em pensamentos — a qual não havia considerado. Se me perguntassem como isso ocorreu me faria de ofendida, por solicitarem detalhes da concepção do meu herdeiro de mentira. Não que eu não saiba como os bebês são feitos na teoria, já que Agnes fez questão de me explicar tudo, mas creio que seja diferente da prática — segredei me lembrando de tudo que Agnes havia me ensinado, antes de olhar assombrada para Gael temendo o que ele não estaria pensando de mim depois da minha fala — Não que eu já tenha estado com um homem antes...— comecei a dizer nervosa tentando me explicar e ele me interrompeu carinhoso.

— Eu sei, meu amor, não precisa se explicar para mim — assegurou gentil acariciando minhas costas sem desviar seus olhos dos meus — Sei que sou o único homem com quem esteve, o único que a beijou e com quem já dividiu o leito. Por isso, peço que tenha calma porque sei que se os deuses nos trouxeram até aqui é porque nos darão a solução correta, sem precisar que minha amada rainha invente um filho de mentira, movida pelo desespero de evitar um casamento com alguém que não ama.

— É tudo que peço todos os dias, quando faço minhas orações aos deuses. — segredei voltando a deitar a minha cabeça em seu ombro, enquanto ele recomeçava a acariciar meus cabelos sem pressa.

— Eu também — segredou para mim antes de sorrir carinhoso — E da próxima vez que me disser que serei pai do seu filho, asseguro que ele não será de mentira.

— Espero que não. — brinquei antes de rimos de maneira cumplice.

— E quanto filhos, minha princesa, deseja ter? — Gael questionou curioso e ponderei por um momento.

— Não sei...Na verdade, nunca me imaginei casada muito menos parei para pensar em quantos filhos teria...Mas sei que sempre senti falta de ter alguém com quem brincar ou contar quando precisasse — disse me lembrando de todas as vezes em que desejei não ter sido filha única — Ter um irmão é tão bom quanto imaginei que seria, Gael?

— Às vezes sim, mas em outras já sai aos tapas com Liam, mas jamais desejaria não tê-lo na minha vida. — assegurou e sorri concordando, porque queria que meu filho ou filha tivesse o mesmo carinho que Gael tinha ao falar do seu irmão mais velho.

— Então, não quero ter apenas um filho. — assegurei e Gael sorriu surpreso com a minha afirmação.

— Tem certeza, rainha Virgínia? Olha que posso encarar isso, como um desafio particular nosso.

— Me surpreenda então, rei consorte Gael.

— Assim que possível, meu amor. — declarou beijando a minha testa enquanto continuávamos sentados ao lado do outro, observando as primeiras lanternas aparecerem no céu indicando que estava na hora de Gael entrar devido à baixa temperatura que chegaria com o anoitecer.

Me levantei da cadeira que estava sentada e com cuidado ajudei Gael a se levantar, conduzindo-o para dentro do quarto no qual os servos já começavam a acender as velas, iluminando o local que estava mergulhado na penumbra da noite.

— Confortável? — questionei ajeitando as almofadas atrás da sua cabeça, depois que o ajudei a se deitar na cama.

— Sim, querida, obrigado.

— De nada, querido. — disse sorrindo amorosa para ele que beijou o dorso das minhas mãos com carinho.

— Que bom que já entraram, estava indo justamente solicitar que entrassem e questionar se Virgínia ficará para jantar conosco, filho. — Hortência disse entrando no quarto alternando olhares de mim para seu filho, que voltou sua atenção para mim.

— Gostaria de jantar comigo, amor? — questionou me olhando com expectativa e sorri concordando, porque todas as noites ele me fazia a mesma pergunta já sabendo que minha resposta sempre seria sim.

— Fico feliz em ouvir isso, hoje para a sobremesa teremos torta de maça. — Hortência segredou e sorri empolgada com a sobremesa, pois era a minha preferida.

Desde que solicitei que a mãe de Gael preparasse seus alimentos, ela tem me surpreendido com seus dotes culinários assim como todos os funcionários da cozinha que sempre estavam atentos as receitas que a monarca do Sul fazia, era natural agora chegarmos à cozinha e presenciá-la dando uma verdadeira aula sobre algum prato ou truque que usava para deixar a comida ainda mais saborosa.

Aos poucos percebi que cozinhar, estava se tornando uma forma de Hortência ocupar sua mente trazendo a ela um pouco da alegria que havia ido com a partida do seu amado marido.

— Tentando agradar sua futura nora, mamãe? — Gael questionou brincando com a mãe que deu de ombros.

— Só estou retribuindo a gentileza da rainha do Leste, por nos hospedar durante tanto tempo e não custa nada fazer a sobremesa preferida dela.

— Pra mim é um gosto hospedá-los no meu reino, mas não posso negar que sempre espero ansiosa pelo jantar para poder desfrutar das iguarias feitas pela minha sogra. — segredei fazendo-a rir enquanto Gael sorria surpreso.

— E eu achando que você vinha me ver, por que estava com saudades de mim.

— Também querido, mas sua mãe cozinha divinamente bem.

— Isso é verdade. — segredou brincando enquanto Hortência solicitava que organizassem a mesa, para que pudéssemos realizar a nossa refeição.

Assim que tudo estava pronto, Henrik ajudou seu príncipe a se levantar da cama e caminhar em direção a mesa na qual nosso jantar estava posto. Hortência fez questão de servir a todos, antes de se juntar a nós para compartilhamos mais uma refeição da qual sempre fazia questão de que Henrik e Agnes se sentassem a mesa conosco.

Sorrimos assim que Gael gemeu deliciado, ao provar o primeiro pedaço do carneiro assado com ervas preparado por sua mãe e compartilhava da sua reação, pois a carne estava realmente uma delícia, podíamos sentir o leve toque das ervas utilizadas para a sua preparação.

— Pelos deuses, mãe...Isso está uma delícia. — Gael elogiou parando de mastigar e todos concordaram.

— Obrigada, filho, mas termine de mastigar para poder falar. Além de ser falta de educação, você corre o risco de se engasgar. — apontou com carinho e Gael concordou, obedecendo ao pedido da mãe.

— Posso lhe fazer uma pergunta, Hortência? — questionei colocando minha taça de vinho em cima da mesa, ganhando sua atenção.

— Mas é claro, minha querida.

— Como aprendeu a cozinhar tão bem? — questionei curiosa olhando para minha sogra, sabia por experiência própria que herdeiras do trono deviam saber inúmeras funções, tanto as administrativas, para conduzirem seus reinos, como as vistas apenas como passatempos reservados as mulheres: como bordar, pintar e tocar instrumentos, mas nunca cozinhar porque era algo que só os servos faziam.

— Aprendi com a minha ama de leite — respondeu sorrindo, provavelmente se lembrando da mulher que havia lhe ensinado tal arte — Sempre achei magico, como os servos da cozinha conseguiam transformar os alimentos in natura em comidas saborosas, não só para o paladar quanto para o olhar...E cozinhar sempre foi meu refúgio, quando queria fugir das obrigações sufocantes da coroa. Minha mãe odiava, sempre dizia que uma futura rainha não deveria ficar cheirando a temperos, pois meu futuro consorte não se agradaria disso — revelou perdida em pensamentos, antes de sorrir saudosa — O mais engraçado é que quando conheci meu marido, estava com as pontas dos dedos vermelhos por causa do corante que havia usado, para fazer um prato e isso o deixou intrigado...Depois que nos casamos, Marco descobriu que amava cozinhar, ele não me recriminou como minha mãe disse que faria, meu marido passou a cozinhar comigo por mais que não soubesse de nada...Sinto saudades, do meu cortador de temperos. — segredou entre lágrimas e Gael colocou sua mão esquerda em cima da mão de sua mãe, apertando-a com delicadeza tentando lhe passar algum tipo de conforto.

— Estou bem, querido, não precisa se preocupar — assegurou amorosa para o filho, sorrindo para nós — É melhor continuarmos a comer, o cordeiro é muito mais delicioso quente. — assegurou sorrindo nos incentivando a continuar comendo.

Nossa refeição seguiu de forma harmoniosa, enquanto conversávamos sobre amenidades evitando citar o nome do pai de Gael, pois mesmo tentando disfarçar ainda era visível a dor nos olhos de Hortência ao lembrar que seu amado marido não estava mais ao seu lado para compartilhar momentos simples, como a preparação de uma receita.

— E então, o que achou da torta de maça, Virgínia? — Hortência questionou sorrindo abrindo um vidro do preparado de ervas que o médico real receitou para Gael tomar, evitando infecções no seu machucado, servindo uma quantidade em uma colher e entregando ao filho que tomou sem reclamar fazendo uma careta no final devido ao gosto amargo do remédio, como havia nos relatado quando começou a tomá-lo.

— Estava uma delícia, Hortência. — disse agradecida servindo uma xicara de chá de ervas calmantes para Gael, entregando-a em seguida para ele que tomou um gole longo para se livrar do gosto amargo presente em sua boca.

— Fico feliz que tenha gostado — disse sincera — Bem, vou ajudá-los a levar a louça suja para cozinha.

— Tudo bem, Hortência, fico com Gael até você voltar, aproveito para conversarmos a sós sobre algo que gostaria de pedir a ele. — expliquei a ela que concordou nos deixando a sós sendo seguida por minha dama de companhia, pelo secretário do filho e por sua nora, enquanto Gael voltava sua atenção para mim deixando a xicara em cima da mesa.

— O que gostaria de me pedir, amor? — questionou curioso e respirei fundo, sabendo que a partir daquele momento estaria possivelmente pisando em um terreno delicado.

— Na verdade, não queria pedir algo ao meu marido, mas ao General do Sul. — pontuei e Gael estreitou os olhos surpreso com a minha condição.

— Pois bem, rainha do Leste, o General do Sul está ouvindo. — assegurou e respirei fundo, organizando as palavras em minha mente antes de voltar a falar.

— O general sabe que desde a minha fatídica festa de aniversário, a segurança do meu reino tem sido feita exclusivamente por seus homens já que grande parte do meu exército se encontra preso por traição, por ser leal ao falecido general do meu reino — comecei devagar e ele balançou a cabeça, sinalizando que estava ciente de tudo que falava — Mas apesar de ser grata por disponibilizá-los, não posso continuar aceitando que a proteção do meu reino seja feita por seus homens. Continuar dessa forma, abalaria ainda mais a soberania do Leste dando aos cidadãos a impressão de que estamos sob o julgo do Sul, algo que sabemos que não é verdade.

— Entendo, vossa majestade, mas não seria prudente se desfazer da proteção dos meus homens agora, quando não dispõem de um próprio exército para assegurar a segurança do seu reinado ou dos cidadãos.

— Sei disso, por isso vim lhe pedir ajuda. Preciso formar um exército o quanto antes composto por filhos do Leste, mas para isso precisarei de um General que os treine e ensine tudo o que precisam saber para defender nosso reino.

— É a atitude mais acertada a se tomar, mas devo informar que um soldado não se forma em alguns dias ou meses, são necessários anos de estudo e muito treinamento — explicou suave pegando sua xicara de chá e tomando um gole, antes de voltar a falar — Já tem alguém em mente, rainha Virgínia?

— Estou ciente disso, General do Sul. E sim, já tenho alguém em mente por isso vim falar com o senhor, pois preciso da sua autorização antes de fazer o convite formal.

— E quem seria o homem para ocupar tal cargo? — questionou curioso.

— Tadeu. — disse com segurança e ele ficou em silêncio, enquanto aguardava por sua resposta.