Imperatriz do Leste
30 Vigésimo nono capítulo
Notas iniciais

Após todos os esclarecimentos prestados a câmara dos lordes, a população e o devido julgamento de lorde Tarciso e seus associados, o processo de unificação do Norte ao Leste se iniciou com o envio de representantes da coroa compostos por lordes e soldados da minha confiança preparando o local para a minha visita, porque queria ver com meus próprios olhos a extensão do império e como meus súditos viviam.
Como ainda não contava com um grande contingente de homens em minhas tropas, o próprio rei do Sul liberou alguns dos seus para incorporarem o pelotão de soldados enviados com os lordes e alguns que posteriormente me acompanhariam durante minha viagem.
Enquanto estivesse viajando as decisões seriam tomadas por meu antigo professor e agora chefe da câmara dos lordes, lorde Samuel, em quem confiava para conduzir o governo na minha ausência. Mas ele fez questão de que elaborasse um documento limitando os poderes que seu próprio cargo lhe dava, assegurando que meu trono estaria protegido de possíveis golpes.
— Não precisarei de muitos vestidos glamurosos, Agnes, no mínimo três para eventuais recepções que podem acontecer enquanto estiver em viagem, gostaria de levar roupas mais simples e joias discretas, não quero passar a impressão de que estou na presença dos meus súditos para ostentar meu título ou as joias da coroa. — orientei minha dama de companhia enquanto a via organizar as malas que levaria durante a viagem.
— Sim, vossa majestade, farei como deseja — Agnes disse solicita e começou a indicar para as minhas outras damas quais trajes atenderiam meu pedido, antes de voltar sua atenção para mim. — Vossa majestade, gostaria que a acompanhasse?
— Não precisa, Agnes, posso ir na companhia dos guardas até a entrada do jardim onde o príncipe Gael deve estar a minha espera. Pode terminar de organizar minhas bagagens com calma, depois está liberada para se despedir dos seus familiares. — disse e ela sorriu concordando, enquanto deixava meus aposentos e seguia na companhia dos meus guardas até a entrada do jardim com o coração apertado.
Tentei não pensar nesse momento durante meses, aproveitando a companhia de Gael para conhecermos mais sobre o outro consolidando o amor que sentíamos, foram dias maravilhosos repletos de confidências, conversas significativas, trocas de carinhos e inúmeras risadas sobre motivos bobos, mas o dia que tanto evitei lembrar finalmente chegou.
O dia em que a comitiva do Sul finalmente voltaria para o seu reino, retornando um ano depois após a cerimônia do enceramento do seu período de luto, no qual os familiares enlutados acediam lanternas aos deuses agradecendo o tempo de vida do falecido, retirando suas roupas de lamento e voltando a usar trajes com as cores de sua casa.
Assim que vi Gael a minha espera, meu coração se apertou ao pensar que ficaria longe dele por tanto tempo.
Sentiria falta do seu sorriso, que parecia ser o próprio sol iluminando tudo ao seu redor e que sempre me fazia sorrir em resposta, dos seus olhos azuis cristalinos, que pareciam um pedaço do céu límpido repletos de promessas de felicidade e amor, ou do abraço acolhedor que me trazia tanta paz e segurança, depois de anos mergulhadas em incertezas e temores.
O príncipe do Sul, era como um presente dos deuses para mim depois de tanto tempo sofrendo, lutando e temendo perder meu direito de nascença por ter nascido mulher.
Uma mulher que jamais abaixou sua cabeça apesar de todas as dificuldades, que lutou com tudo que tinha para defender seu direito de reinar e proteger seu povo, enfrentando todas as adversidades para finalmente chegar aonde estava.
Uma mulher, soberana de si e amada por seu povo, que se preparava para unir seu reino e assumir o título de imperatriz do Leste. Feitos jamais realizados por meus antecessores homens, mas apesar de toda glória e poder, não era capaz de impedir que meu amor fosse afastado de mim pelas convenções, o que dilacerava meu coração.
Respirei fundo, tentando espantar a dor que dilacerava meu coração, para aproveitar os momentos que ainda me restavam ao seu lado, porque não gostaria que Gael guardasse em sua memória lembranças de mim chorando e sofrendo por nossa separação, queria que nossos últimos momentos fossem repletos de alegria e amor, como todos que compartilhamos.
— Príncipe Gael. — cumprimentei sorrindo parando na sua frente e ele sorriu voltando sua atenção para mim, seu gesto não chegava até os olhos e soube que ele se sentia da mesma forma que eu, mas estava tentando não demonstrar sua dor para mim.
— Rainha Virgínia — disse educado fazendo uma reverência, antes de me oferecer seu braço direito para me conduzir e neguei, deixando-o confuso com meu gesto — Fiz algo que a desagradou, vossa majestade? — questionou com preocupação e neguei dando um passo em sua direção, deixando um espaço aceitável entre nós sem desviar dos seus olhos.
— O quanto confia em mim, príncipe do Sul? — questionei olhando em seus olhos azuis claros e ele estreitou os olhos, tentando entender o significado por trás das minhas palavras.
— Confio em vossa majestade, com a minha vida. — assegurou sem sombra de dúvidas no olhar e sorri satisfeita com sua resposta.
— Excelente resposta, alteza — elogiei sem desviar os olhos dos seus que tentavam entender aonde queria chegar com a minha pergunta — Se pedisse para fechar os olhos e confiar em mim?! Esquecendo tudo o que aprendeu, durante anos no seu treinamento militar, faria isso? — questionei ciente que o que pedia era praticamente impossível, porque ouvi que os soldados estavam sempre de prontidão mesmo não estando de serviço, pois seu instinto jamais o deixava depois de desperto.
Com cuidado Gael segurou minha mão direita, conduzindo-a em direção ao seu peito no local exato onde seu coração batia acelerado devido nossa proximidade, sem desviar seus olhos dos meus.
— Sou seu, vossa majestade, pode fazer o que quiser comigo que não oferecerei qualquer tipo de resistência. — jurou sem desviar os olhos dos meus fechando-os em seguida, sinalizando que se entregava a mim sem se importar qual seria seu destino.
Satisfeita com sua resposta, afastei nossas mãos de seu peito e beijei sua palma antes de soltá-la, retirando um lenço do bolso do vestido que usava ficando na ponta dos pés para amarrá-lo na frente dos seus olhos, impedindo-o de ver para onde iria levá-lo. Em seguida, coloquei sua mão direita em meu braço, conduzindo-o para a estufa que havia no final do jardim e poucas pessoas sabiam da sua existência.
Durante todo o caminho orientava Gael, sobre quantos degraus ele tinha que descer, quando era preciso levantar os pés para subir uma rampa ou fazer uma curva, apesar de estar um pouco tenso por ter sido privado da sua visão o príncipe do Sul obedecia a meus comandos sem contestar qualquer um deles.
Assim que estávamos próximos da estufa, uma estrutura composta por ferro e vidro contendo uma abobada que nos permitiria ver o céu estrelado dessa noite, fiz sinal para que um dos guardas que nos seguiam abrissem as portas permitindo nossa entrada, enquanto ajudava Gael a subir os dois degraus que davam acesso ao local sentando-o em segurança em uma das almofadas dispostas no chão coberto por tapetes em frente à mesa, repleta de iguarias do nosso agrado aguardando para serem degustadas.

Em seguida me sentei ao lado de Gael, dispensando meus guardas com um aceno de cabeça acompanhando eles tomarem suas posições ficando afastados da estufa de costas para a construção a meu pedido, pois queria ter algum tipo de privacidade com meu noivo. Aproveitei a espera para admirar a organização do local, sorrindo satisfeita por Agnes e Henrik terem feito um excelente trabalho, criando uma atmosfera intimista e romântica com o auxílio de velas e flores, já existentes no local, concretizando o que havia imaginado para essa noite.
Com cuidado me aproximei do meu noivo, desamarrando o nó que havia feito permitindo que visse onde estávamos.
Esperei pacientemente Gael abrir os olhos, adequando sua visão a claridade das velas depois de ser privado por alguns minutos antes dele olhar ao redor, provavelmente tentando reconhecer o local em que estávamos.
— Sei que ainda estamos no palácio, porque não andamos o suficiente para sairmos das suas dependências, mas não me recordo de ter visto uma estufa quando estive aqui pela primeira vez. — disse olhando ao redor tentando identificar o local no qual havia lhe trazido, voltando sua atenção para mim.
— Na verdade, só soube desse lugar muitos anos depois da sua visita, por isso não o trouxe até aqui quando éramos crianças — justifiquei e ele balançou a cabeça concordando — Meu pai mandou construir essa estufa, como presente de agradecimento a minha mãe por ter lhe dado sua tão sonhada herdeira. Ela amava cultivar flores, mas não pode aproveitar esse lugar por muito tempo. — disse perdida em pensamentos tentando reviver as poucas lembranças que tinha da minha mãe, mas era como ver através de um espelho embaçado.
— Você me contou certa vez que era parecida com sua mãe, mas nunca me disse como ela se chamava. — Gael disse suave me trazendo de volta ao presente e sorri surpresa por sua pergunta.
— Alice...Minha mãe, se chamava Alice.
— É um lindo nome. Na verdade, Alice, era o nome que meus pais escolheram caso tivessem tido uma filha, mas isso foi impossível porque meu parto foi muito difícil para a minha mãe e o médico real a recomendou evitar outra gestação, pois seria perigoso demais para ela.
— Deve ter sido muito difícil para eles, desistirem de ter a sua tão sonhada filha.
— Creio que por algum tempo sim, ainda mais para a minha mãe e para os súditos do Sul que foram governados durante séculos por mulheres e de uma hora para outra possuíam dois príncipes na linha direta de sucessão, mas com o tempo eles aceitaram o destino que os deuses haviam reservado e todos fizemos o melhor que podíamos com ele — Gael explicou suave enquanto me olhava com curiosidade — Mas e você? Nunca se questionou por que era filha única?
— Sim. Lembro que dizia para os meus pais que queria ter um irmão, para poder brincar e fazer coisas de irmão como todas as outras crianças, mas recordo que sempre que tocava nesse assunto minha mãe ficava triste, como se fosse chorar a qualquer momento e nunca entendi porque...Mas uma noite, depois que terminou de me contar uma história antes de dormir meu pai me contou que eu não poderia ter um irmãozinho porque o fato de eu já estar com eles era um milagre dos deuses, do qual não poderia mais se repetir — disse perdida em pensamentos tentando me lembrar das palavras exatas que meu pai havia usado. — Só anos depois, Agnes me contou que meus pais demoraram anos para me terem porque segundo o médico real da época, meu pai não conseguia ter filhos e a minha mãe ter engravidado foi um verdadeiro milagre, depois de anos suportando o julgamento dos outros por não ter dado um herdeiro ao reino.
— A sua mãe, assumiu a responsabilidade da falta de um herdeiro para o trono para não manchar a honra do seu pai?! — Gael questionou surpreso e balancei a cabeça concordando.
— Foi o que Agnes me explicou — disse sincera e respirei fundo, sem saber como começaria aquele assunto — Gael, por ser filha do meu pai, pode ser que tenha alguma chance de também não poder gerar um herdeiro e... — comecei a dizer e ele me interrompeu com carinho.
— E a culpa recair sobre mim por ser o seu consorte, tendo como única obrigação lhe dar herdeiros. — apontou sério e balancei a cabeça concordando.
— Sim. Você seria capaz de suportar esse peso? O peso de ser apontado, ridicularizado e difamado para proteger a minha imagem, como a minha mãe fez durante anos pelo meu pai? — questionei olhando em seus olhos claros segurando a respiração à espera da sua resposta.
— Desde que confessamos os nossos sentimentos, prometi para mim mesmo que faria tudo que estivesse ao meu alcance para protegê-la e fazê-la feliz, se isso significar proteger sua imagem ou lhe dar todos os herdeiros que eu puder, farei isso sem hesitar ou reclamar porque te amo, Virgínia, tudo que mais desejo nessa vida é ficar ao seu lado pelo tempo que os deuses nos concederem. — assegurou e sorri emocionada por suas palavras, abraçando-o com carinho sendo correspondida em seguida.
— Por favor, não se arrependa do que acabou de me falar daqui a alguns anos se não conseguir lhe dar um filho. — implorei em seu pescoço e Gael me abraçou com mais força, como se tentasse espantar os meus temores sobre o futuro.
— Prometo que não irei me arrepender, meu amor — jurou sem sombra de dúvidas na voz, me afastando dos seus braços para que pudesse olhá-lo e ver a verdade. — Eu amo você, não importa se conseguirá me dar filhos ou não, Virgínia.
— Eu te amo, Gael — disse emocionada com as suas palavras e ele sorriu amoroso para mim, beijando minha testa, voltando sua atenção para a decoração do lugar — Gostou? — questionei curiosa atraindo sua atenção novamente para mim.
— Sim, está tudo lindo e aconchegante.
— Que bom que gostou, meu amor, porque fiz tudo isso para você ou melhor, para nós. Para que pudéssemos passar um momento a sós, aproveitando a companhia do outro já que ficaremos tanto tempo separados.
— Ficar a sós com você, é tudo que poderia desejar para a nossa última noite. — segredou sincero e sorri feliz por ver que ele havia gostado da surpresa.
Além de desfrutarmos da deliciosa refeição a nossa frente, compartilhamos momentos da nossa vida que ainda não havíamos conversado, Gael me fez rir ao contar suas primeiras experiências no campo de batalha ou assumindo seus deveres reais como membro oficial da coroa, em contrapartida dividia com ele os poucos momentos de alegria que tive durante a infância, no qual grande parte era por sua causa.
No meio da nossa conversa acabamos deitados no chão com minha cabeça repousada em seu ombro esquerdo, ouvindo sua descrição detalhada sobre seus lugares favoritos em seu reino natal, tentei imaginar como seriam os lagos termais abundantes na região ou as áreas vulcânicas que dominavam partes do local e as incontáveis minas de rubis, que em alguns lugares chegavam a brotar do chão sem precisarem ser escavados.
— Mas as pessoas conseguem tomar banho nos lagos termais, apesar de sua temperatura elevada? — questionei curiosa depois de ouvir atentamente sua descrição sobre esses locais.
— Sim, há lagos termais que possuem temperaturas agradáveis sem causar qualquer tipo de mal, mas há outros que podem queimar uma pessoa viva se ela se aproximar demais do vapor liberado por ele — explicou acariciando meus cabelos distraidamente. — Nossos sacerdotes, utilizam a água dos lagos termais sagrados para cerimônias importantes, como a cura de doenças, a consagração de um novo monarca ou sacerdote, e para pedir benções aos recém-casados, proporcionando uma união feliz e duradoura.
— Entendo, no Leste as folhas do antigo carvalho que fica no centro do reino são utilizadas para a fabricação de unguentos e óleos utilizados nas mais diversas cerimônias. A mais importante de todas, ocorre durante a apresentação do herdeiro do trono depois de um mês do seu nascimento, quando os soberanos plantam uma muda do carvalho sagrado na floresta pedindo aos nossos deuses que protejam essa nova vida, para que ela possa conduzir o povo quando chegar a hora de assumir o trono. — expliquei brincando com um dos botões do casaco preto que Gael usava.
— Meu pai me contou sobre essa tradição e tantas outras do Leste no meio das suas histórias de ninar. — Gael segredou saudoso e sorri orgulhosa por seu pai jamais ter esquecido suas raízes, apesar de ter sofrido muito em meu reino natal, antes de ser coroado o consorte da rainha do Sul.
— Sem saber, seu pai acabou preparando-o para assumir o trono do seu reino natal. Gael, acha que seu pai ficaria feliz por nosso casamento? — questionei temerosa e ele beijou minha testa com carinho.
— Sim, meu pai sempre pensou na felicidade dos filhos em primeiro lugar...Na verdade, acho que ele desconfiou que pudéssemos acabar tendo algum tipo de compromisso, após o nosso encontro anos atrás. Ele sempre pareceu enxergar, muito além de todos nós...— disse perdido em lembranças e beijei sua bochecha esquerda, tentando reconfortá-lo por sua perda e um silêncio confortável tomou conta do ambiente enquanto aproveitávamos a companhia do outro.
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Não queria ter que me despedir de Gael naquela manhã fria.
Lembrar da sua partida quebrava meu coração, mas não podia simplesmente não comparecer na despedida da comitiva do Sul, pois meu gesto seria interpretado de forma contraria ao que sentia. Por isso reunindo toda a força que havia em mim, caminhei em direção a entrada do palácio onde todos já estavam prontos para seguirem viagem em direção ao seu reino natal.
Assim que notaram a minha presença, os lordes da câmara fizeram uma reverência assim como os servos que auxiliavam na organização das bagagens da família real do Sul.
— Vossa majestade, me desculpe mais fiz os agradecimentos em seu nome para as rainhas do Sul, para não atrasar a partida dos nossos convidados. — o chefe da câmara dos lorde explicou assim que parei ao seu lado em frente as duas mulheres que pertenciam a casa do Sul.
— Está tudo bem, chefe da câmara dos lordes, peço perdão pelo meu atraso, mas amanheci indisposta essa manhã. — justifiquei a elas que balançaram a cabeça, enquanto Hortência se aproximava de mim envolvendo suas mãos nas minhas.
— Está tudo bem, minha querida, sei que esse momento não é fácil para vocês, agradeço por tudo que fez por meu filho enquanto ele esteve aqui, por ter cuidado dele e o protegido em seu momento mais frágil e por ter me avisado sobre o estado grave no qual Gael ficou. Sei que no começo fui rígida e cruel, mas peço perdão se a fiz sofrer com as minhas atitudes. — Hortência disse maternal sem desviar seus olhos dos meus e tive que me controlar para não chorar diante de todos.
— Está tudo bem, já perdoei você por tudo que fez, vamos deixar o passado no passado, que tal? — sugeri e ela concordou sorrindo, antes de me envolver em um abraço maternal.
— Não se preocupe, porque cuidarei bem dele — segredou para mim durante nosso abraço. — Sei que seu coração deve estar despedaçado, por ver que estou levando o homem que ama embora, mas prometo que o trarei para você de maneira definitiva daqui a um ano.
— Obrigada. — sussurrei assim que nos separamos e ela sorriu amorosa para mim, antes de me despedir de Kiara e dos demais integrantes da comitiva do Sul, percebendo que Gael não estava entre eles.
— Onde o príncipe do Sul está rainha mãe Hortência? — questionei preocupada temendo que ele tivesse amanhecido indisposto, resultado de alguma sequela tardia do seu grave ferimento.
— Meu senhor está nos estábulos, rainha Virgínia, checando os últimos detalhes dos cavalos antes de liberá-los para a viagem. — Henrik explicou e agradeci seguindo em direção ao local, encontrando com alguns soldados que seguiam pela direção contraria levando os animais que seriam responsáveis por conduzir toda a comitiva do Sul para casa.
— Jacinto, por favor, leve Zara durante a viagem, irei na carruagem com as rainhas já que ainda não tenho condições de montar, mas assim que pararmos para descansar irei vê-la para que não fique agitada — ouvi Gael explicar de costas acariciando o dorso de Zara que relinchou alto assim que notou a minha presença, fazendo os dois homens virarem para me ver — Jacinto, pode nos deixar a sós, por favor.
— Claro, General. Quer que eu leve lady Zara? — Jacinto ofereceu e Gael negou com a cabeça, acariciando o dorso de Zara.
— Não precisa, Jacinto, depois a levarei até você. — assegurou e Jacinto concordou caminhando para fora das dependências do estábulo.
Assim que percebi que estávamos a sós, caminhei em sua direção abraçando-o com força deixando meus sentimentos tomarem conta de mim, logo um choro doloroso preencheu o ambiente no mesmo instante que Gael me envolveu em seus braços sem dizer uma palavra.
— Me desculpe...Disse a mim mesma que não iria chorar...Que seria forte...— disse com a voz embargada pelo choro assim que consegui me acalmar.
— Não precisa fingir ser forte comigo, querida, porque sei como se senti — Gael sussurrou com dor e me afastei do seu peito para ver seu rosto repleto de lágrimas, antes dele encostar sua testa na minha — Eu amo você, Virgínia, e vou sentir tanto a sua falta. — soluçou em meio as lágrimas e passei meus braços por seu pescoço, abraçando-o com carinho enquanto chorávamos nos braços do outro por termos que nos separar naquele momento.
Por mais que quiséssemos ficar juntos agora como qualquer outro casal apaixonado, éramos cientes de que nossas decisões impactariam na vida de inúmeras pessoas, por isso não podíamos ser imprudentes e ouvir apenas o nosso coração.
Tínhamos um papel a desempenhar separadamente em nossos reinos, antes de ficarmos finalmente juntos e era nosso dever executá-lo da melhor maneira possível.
Precisava reorganizar o meu reino, unindo o Leste com o Norte em um só formando o nosso tão sonhado império, pacificando anos de conflitos proporcionando melhores condições de vida para todos os meus súditos, antes de finalmente poder viver a felicidade que tanto me foi negada durante anos.
Já Gael, precisava encerrar sua carreira militar com honras da forma que sempre serviu, podendo assim continuar a se preparar para assumir a posição de imperador consorte, o primeiro do Leste, tornando-se assim um futuro exemplo para os demais que o sucederiam.
— Promete que não irá me esquecer novamente? — Gael questionou me afastando do seu peito, para que pudesse ver meu rosto.
— Prometo, dessa vez não irei esquecê-lo. — assegurei sem desviar dos seus olhos e o vi tirar seu medalhão com o pingente de estrela brilhante de oito pontas, o qual ficou comigo durante anos e só retornou para o seu dono recentemente, colocando-o em meu pescoço novamente enquanto lágrimas desciam dos meus olhos.
— Não importa quanto tempo passe, jamais vou esquecer de você, daqui a um ano estarei de volta e prometo que nunca mais sairei do seu lado — assegurou sem desviar seus olhos dos meus — Lembre-se sempre disso, os filhos do Sul sempre cumprem suas promessas, não importa em qual situação eles estejam...Uma promessa, sempre será uma promessa e sempre será honrada. — disse solene e lembrei de quando éramos crianças e ele me disse as mesmas palavras quando nos despedirmos.
— Eu vou me lembrar — assegurei sem desviar os olhos dos seus colocando em sua palma o pequeno broche em forma de carvalho que pertenceu a minha mãe, símbolo da casa real do Leste, a mesma joia que havia ficado com ele durante anos. — Vou esperar por você, General do Sul, então por favor, não se esqueça da promessa que acabou de me fazer.
— Jamais, minha rainha. — assegurou sincero envolvendo minha cintura com sua mão livre, antes de nos beijarmos apaixonadamente, selando assim a promessa que havíamos feito novamente para o outro.
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