Imperatriz do Leste
24 Vigésimo terceiro capítulo
Notas iniciais

Depois que me certifiquei que Zara estava bem e todos os seus desejos haviam sido atendidos, deixei os estábulos na companhia de Drake caminhando em direção aos aposentos em que ocupava para que pudesse tomar um bom banho, antes de realizar a minha última missão da noite.
Assim que terminei de me arrumar, dispensei minhas servas e utilizei a porta secreta que dava acesso ao quarto em que Gael estava evitando ser vista pela guarda que faziam sua segurança, pois não desejava levantar suspeitas depois do que Drake havia me falado mais cedo.
— O que aconteceu? Porque utilizou a porta de ligação dos quartos e não a porta da frente, como costuma fazer? — Hortência questionou levantando-se alarmada da cadeira em que estava, assim que me viu entrar deixando todos em alerta e voltei meus olhos para o homem deitado na cama que ressonava tranquilamente, aleio aos perigos que o ameaçavam nas sombras.
— Não queria levantar suspeitas infundáveis, Hortência — expliquei de forma evasiva e ela me olhou desconfiada — Será que poderia conversar com todos na sala de estar? Não quero acordar Gael, ele precisa de todo descanso e tranquilidade para se restabelecer. — solicitei e todos balançaram a cabeça concordando, enquanto indicava o caminho.
Assim que chegamos na sala de estar, respirei fundo olhando as únicas pessoas com as quais poderia contar para manter o homem que amava em segurança, pois assim como eu elas seriam capazes de tudo para protegê-lo de qualquer um, enquanto Gael estivesse se recuperando do grave ferimento que sofreu.
— Bem, já estamos aqui como solicitou, agora me diga o que está havendo. — Hortência exigiu séria e olhei nos olhos de todas aquelas pessoas, as quais sabia que amavam meu marido e seriam capazes de tudo para protegê-lo.
— Soube de fonte segura que o Norte está se organizando, eles pretendem enviar um emissário com uma proposta de rendição, com a condição de que o próximo rei consorte tenha o sangue do povo do Norte. — revelei de uma vez esperando pela reação deles que não demorou a aparecer.
— Mas você já tem um acordo de casamento de anos firmado com o Sul, já proclamou Gael como seu consorte diante de todo o reino do Leste, seria imprudente voltar atrás na sua palavra para atender as exigências do norte — Kiara disse perdida em pensamentos e balancei a cabeça concordando — A não ser... Que o candidato preferido para o cargo, saia de cena...Obrigando-a a atender as exigências deles.
— Como assim sair de cena?! — Agnes questionou com preocupação alternando olhares entre mim e Kiara.
— Morto, senhora Agnes — Henrik disse frio fazendo minha dama de companhia arregalar os olhos enquanto a mãe de Gael parecia perder o equilíbrio por alguns instantes, sendo amparada por sua nora — Se o preferido da rainha e do povo, para ocupar o cargo de consorte estiver morto, ela não terá outra alternativa a não ser ceder as pressões do Norte. — explicou perdido em pensamentos e balancei a cabeça concordando, tentando controlar minhas lágrimas.
— Chega, já ouvi o suficiente. Henrik, avise o exército que vamos embora do Leste imediatamente — Hortência disse determinada assim que se recuperou da informação que havia ouvido, fazendo menção de sair da sala e fiquei na sua frente bloqueando sua saída — Como ousa me impedir de sair desse lugar que quer o meu filho morto?!
— Nem eu ou meu reino desejamos que seu filho morra, Hortência — pontuei desesperada — Mesmo sem conhecê-lo direito, meus súditos já amam seu futuro rei consorte por tudo que ele e sua família fizeram por nós, e eu amo Gael mais do que tudo nesse mundo, por isso imploro que respire fundo e se acalme. Se levá-lo agora, pode ser que ele nem consiga chegar vivo no Sul devido a gravidade dos seus ferimentos — implorei entre lágrimas tentado fazê-la ver a razão por trás da sua atitude impensada — Estou implorando, pelo amor dos deuses e por tudo que é mais sagrado para você, não leve meu marido embora quando ele não tem a menor condição de sobreviver a uma viagem tão longa. — pedi desesperada a um passo de me ajoelhar na frente dela se fosse necessário.
— E você espera que fique de braços cruzados?! Esperando algum assassino de aluguel vir apunhalar meu filho enquanto dorme? Ou sufocá-lo com o travesseiro, quando não estivermos perto? Quem sabe trocar suas medicações por veneno? Ou a melhor de todas, envenenar as refeições dele que são feitas na cozinha do seu castelo? — questionou sorrindo sem humor para mim — Se acha que permitirei, que mais alguma coisa aconteça com meu filho caçula é porque não me conhece, sou capaz de queimar esse reino inteiro para proteger meu filho. E o irmão mais velho dele, é mil vezes pior do que eu...Liam seria capaz de levar o caos por todo o seu reino, se alguém tocar novamente num fio de cabelo de Gael. — ameaçou severa e balancei a cabeça concordando.
— Eu sei...— comecei a dizer e Hortência me interrompeu furiosa.
— Não, você não sabe — disse me olhando de forma severa — A segurança do seu reino está sendo feita exclusivamente pelos meus soldados, já que a maioria dos seus homens eram aliados do falecido General do Leste, basta apenas uma ordem minha para que o Leste sucumba aos pés dos soldados do Sul. E aí minha querida, você verá que nada do que passou nas mãos do seu tio bastardo te preparou para o inferno que meus homens infligirão ao seu povo, se algo acontecer a um fio de cabelo que seja do meu filho. — jurou com fúria e dei um passo para trás, vendo nos seus olhos que ela não estava blefando.
— Minha sogra, por favor, Virgínia é tão vítima de tudo isso quanto Gael, os dois se amam e jamais permitiriam que algo de ruim acontecesse ao outro — Kiara interveio calma — Não tome nenhuma atitude precipitada, da qual poderá se arrepender depois.
— Amor?! Que tipo de amor é esse, no qual meu filho é único que acaba machucado?! — questionou cética — Amores vem e vão. Além do mais, Gael é um homem que já teve algumas aventuras amorosas e não um jovem, para perder a cabeça com a primeira mulher bonita que vê. E para a sua informação, o príncipe do Sul, tem candidatas a futura princesa bem menos complicadas que vossa majestade. — revelou e senti meu coração se partir diante das palavras de Hortência.
Era como se tivéssemos dado um passo para trás, depois de termos pedindo perdão para a outro após dizermos palavras tão duras anteriormente e não seria eu a tratá-la da mesma forma, ela só estava agindo como mãe para proteger seu filho e respeitava esse sentimento, mas não admitiria que Hortência diminuísse meu amor por seu filho daquela forma.
— Acha que também não seria capaz de tudo para protegê-lo?! Eu amo o seu filho, rainha mãe Hortência, e não me interessa quantas mulheres Gael já teve antes de me reencontrar, elas fazem parte do passado dele do qual não podemos mudar — destaquei séria e ela me olhou surpresa por minhas palavras — Nunca mais duvide do amor que sinto por seu filho, não sabe quantas vezes desejei estar no lugar dele agora...Não sabe o quanto dilacerou minha alma, ouvi-lo gritar de dor até que a anestesia fizesse efeito durante sua operação...O quanto temi, nunca mais poder vê-lo de olhos abertos ou ouvir sua voz novamente... — disse perdida em minhas próprias memórias dolorosas.
— Não irei pedir para que confie em mim, porque sei que não o fará, mas peço que acredite que farei o impossível para mantê-lo em segurança em meu castelo, enquanto arrumo a bagunça que está o meu reino — destaquei seria sem lhe dar oportunidade para argumentar — E o rei consorte Gael, só sairá da sua casa para seu reino natal quando estiver fora de perigo, antes disso meu marido não sairá do meu lado. — ordenei séria e ela me olhou em desafio.
—Quem é você, para me dizer quando devo levar meu filho embora? O Leste não é a casa dele, Gael é membro da casa do Sul, mesmo que seja seu noivo no papel ele ainda está sob a lei do nosso reino e nesse momento sou a maior autoridade do Sul aqui. — destacou severa e a encarei de forma mortal.
— Não nego que ele seja seu filho ou que esteja sob as leis do Sul, mas enquanto Gael estiver debaixo do meu teto ele pertence a minha casa e está sob as minhas ordens, assim como todos vocês — disse séria ganhando um olhar furioso da mãe do meu marido — Não desejo causar uma guerra, mas se continuar insistindo em me ter como inimiga a cada problema que surgi não conseguiremos cuidar de quem mais importa para nós que é Gael. Peço que confie em mim, e acredite que farei de tudo para proteger seu filho. — jurei séria e ela deu um passo em minha direção, sem desviar seus olhos azuis escuros de mim parando em minha frente, a uma curta distância.
— Só irei confiar em você, se prometer que arrancará o coração de qualquer um que ousar machucar meu filho novamente. — disse severa sem um pingo de emoção na voz, enquanto seus olhos azuis frios ainda estavam presos aos meus.
— Eu prometo.
— Ótimo — disse sorrindo para mim — Acho bom cumprir sua parte ou arrancarei o seu coração em troca, por mais que Gael me odeie por isso. No fim, o que importa é que meu filho esteja vivo. — destacou feliz se afastando de mim, sabendo que seu desejo havia sido atendido.
— E o que tem em mente, rainha do Leste? — questionou Hortência sinalizando que estava me dando um voto de confiança e respirei fundo, antes de explicar a todos seus papeis em manter Gael em segurança, até que ele estivesse apto a voltar para o Sul retornando um ano depois para se casar comigo.
Instrui Agnes, Henrik e Kiara, a revessarem os cuidados com Gael, não permitindo que ele ficasse a sós em hipótese alguma, distraindo-o do que estava acontecendo ao seu redor, pois tudo que não precisávamos agora era que ele se preocupasse com algo.
Meu marido, precisava de tranquilidade e repouso para se recuperar e daríamos isso a ele, nem que tivéssemos que fingir que tudo estava calmo dentro das paredes do seu quarto, enquanto o reino era revirado em busca de possíveis traidores.
Já a Hortência, solicitei que continuasse a preparar pessoalmente as refeições do filho, assegurando que nenhum “ingrediente” extra estivesse na comida do meu marido, um pedido muito bem recebido por ela, que alegou sendo a ideia mais lógica e importante no momento.
Revelei a todos que já havia instruindo Drake a fazer tudo que fosse necessário, para garantir a segurança de Gael, investigando todos que residiam no castelo e as pessoas mais influentes do Norte, especialmente o nome sugerido ao cargo de futuro consorte.
— Posso confiar que farão tudo de acordo com o que lhes instrui? — questionei cansada, devido o avançado da hora e dos inúmeros problemas que resolveram acontecer nesse único dia, alternando olhares entre eles.
— Claro. — todos disseram juntos e respirei fundo fechando os olhos aliviada, por saber que quando não estivesse ao seu lado Gael estaria seguro com aqueles que o amavam.
— Agradeço a todos, ouvir isso me deixa um pouco mais calma para arrumar o meu reino, quando sei que meu marido estará seguro em minha ausência.
—Não precisa agradecer, qualquer um aqui faria de tudo para proteger meu filho, especialmente eu que sou a mãe dele — Hortência destacou me analisando de cima a baixo — Acho que deveria ir para a cama, está com a aparência de alguém que irá desmaiar de cansaço a qualquer instante. Na verdade, todos deveríamos ir para a cama descansar um pouco ou não teremos energia para cuidar de Gael.
— Rainha mãe Hortência tem razão, como sei que não desejam se ausentar dos aposentos de Gael devido a sua segurança, vou pedir para as outras damas trazerem colchões, mantas e travesseiros para que todos possam se acomodar perto da cama do meu sobrinho, assim poderemos protegê-lo e atender a qualquer necessidade que possa ter durante a noite. — Agnes ofereceu gentil e Hortência concordou.
— É uma ótima ideia, Agnes. Já havia planejado passar a noite ao lado do meu filho, velando seu sono pronta para qualquer coisa que precisasse, da mesma forma que fazia quando era pequeno e ficava doente.
— Rainha Virgínia, irei acompanhá-la até seus aposentos assim que organizar os preparativos com as servas, levarei seu chá de ervas calmantes e sua essência de lavanda em seguida. — Agnes informou e balancei a cabeça concordando.
— Está tudo bem, Agnes, só irei ver como Gael está, enquanto organiza tudo com as servas antes de ir para os meus aposentos. — expliquei cansada e ela balançou a cabeça concordando, enquanto Henrik e Kiara se ofereciam para ajudá-la nos deixando a sós.
— Por favor, me siga irei acompanhá-la até onde meu filho está. Não quero que os servos, coloquem em dúvida a honra da rainha do Leste. — Hortência disse e indicou que fosse na frente.
Em silêncio caminhei em direção ao local em que havíamos deixado Gael dormindo, encontrando-o da mesma forma, me deixado aliviada em saber que nossa conversa acalorada no cômodo anterior não havia incomodado seu descanso.
Sem me importar com a presença ou a opinião de Hortência, caminhei em direção a cama em que seu filho estava me sentando ao seu lado, afastando uma mecha de cabelos dourados da sua testa acariciando sua bochecha esquerda sem desviar meus olhos dele, assimilando cada detalhe do seu rosto sereno.
Acariciei seu rosto com cuidado temendo acordá-lo, até que suas pálpebras tremeram de leve abrindo-se em seguida me presenteando com um par de olhos azuis cristalinos, tão claros quanto um céu sem nuvens, e um sorriso sonolento que aqueceu meu corpo por inteira me fazendo sorrir em resposta.
— Desculpe, não quis te acordar só queria ver se estava bem. — admiti envergonhada por tê-lo acordado.
— Está tudo bem, estava esperando que viesse me ver antes de se recolher, mas acho que acabei pegando no sono — se desculpou envergonhado por sua atitude — E Zara? Como está? — questionou com preocupação e sorri carinhosa para ele.
— Ela está bem, se acalmou depois do nosso passeio e só a deixei após me certificar de que foi bem alimentada e estava descansado — assegurei fazendo-o sorrir aliviado ao saber que sua égua estava bem — E não precisa se desculpar por ter dormido enquanto me esperava, você precisa de todo descanso possível para se recuperar, eu que não deveria te incomodar a uma hora dessas.
— Você jamais incomoda, meu amor — assegurou suave sem desviar seu olhar do meu, estreitando os olhos durante sua análise — Aconteceu alguma coisa, Virgínia? Seus olhos estão vermelhos e um poucos inchados...Por acaso andou chorando, princesa? — questionou perspicaz e segurei a respiração surpresa, por ele perceber algo mesmo sob o torpor do sono.
— Não aconteceu nada, Gael.
— Virgínia. — ele pediu suave sem desviar os olhos dos meus.
— A rainha Virgínia já garantiu que não aconteceu nada, meu filho, por que insistir em um assunto sem fundamento?! Tudo com que deve se preocupar agora, é com a sua recuperação.
— Nos deixe a sós, mamãe. — Gael disse sério, sem desviar os olhos de mim.
— Gael, você sabe...— Hortência começou a explicar, mas foi interrompida pelo filho.
— Me deixe a sós com a minha esposa, mamãe. — ordenou sério sem desviar os olhos de mim e Hortência abriu a boca para falar algo, mas a interrompi.
— Não precisa pedir para sua mãe nos deixar, Gael, não há nada para conversarmos. Está tarde, você devia estar descansando e não acordado conversando comigo. — justifiquei me levantando tentando escapar dos seus questionamentos, os quais tinha certeza que seriam capazes de me fazer falar sobre tudo que estava escondendo, mas antes que pudesse deixar o quarto ele segurou minha mão e voltei minha atenção para o homem deitado na cama que me encarava sério.
— Por que está fugindo de mim?
— Não estou fugindo de você. — disse tentando soar segura, mas senti uma sensação estranha tomar conta de mim, me fazendo perder as forças nas pernas enquanto minha vista escurecia.
Tentei me apoiar na cama em que Gael estava deitado evitando cair no chão, enquanto ele ainda segurava minha mão tentando me aparar, gritando para que a mãe me socorresse.
— Deite-a aqui do meu lado, mãe, por favor. — Gael disse com a voz tremula de preocupação enquanto Hortência me ajudava a ficar de pé, por sorte não havia perdido os sentidos por completo o que me permitiu ajudá-la na tarefa de me levar até onde o filho estava.
Mesmo com dificuldade, Gael se afastou um pouco permitindo que me deitasse ao seu lado afastando em seguida meus cabelos do rosto para que pudesse me ver, acariciando minha bochecha direita com cuidado.
— Vou atrás do médico real e pedirei para Henrik vir ficar com vocês.
— Tudo bem, mãe, só vá rápido, por favor. — Gael pediu repleto de preocupação, voltando sua atenção para mim assim que sua mãe deixou o quarto.
— Pelos deuses, meu amor, você está gelada — disse repleto de preocupação segurando minha mão direita na sua, beijando-a com carinho — Você não pode ficar doente, princesa...Meu coração não suportaria, vê-la sofrendo sem poder fazer nada.
— Estou bem, você não pode se exaltar dessa forma ainda está se recuperando. — sussurrei com preocupação e ele sorriu triste entre lágrimas.
— Não ouse dizer que está tudo bem ou me pedir para não me exaltar, quando o amor da minha vida perde as forças na minha frente segurando minha mão. — sussurrou entre lágrimas e vi em seus olhos o quanto ele tinha medo de me perder.
— Vai ficar tudo bem, Gael, foi apenas um mal-estar passageiro. — sussurrei tentando acalmá-lo e logo Hortência adentrou o quarto na companhia de Agnes e Kiara, assegurando que Henrik havia ido chamar o médico real que não demorou a entrar no local.
Todos acompanharem em silêncio o exame minucioso do médico real, aguardando o seu diagnostico para o meu mal-estar súbito, por mais que alegasse que já estava me sentindo melhor.
— Por favor, médico real, me diga o que minha esposa tem — Gael pediu angustiado de preocupação assim que o médico deu por encerrado seu exame. — Não me poupe qualquer detalhe, por causa do meu estado, médico real.
— Não precisa se preocupar, meu rei consorte, o mal-estar da rainha se deve a fraqueza e pouco descanso. Provavelmente, vossa majestade, está pulando as refeições ou não se alimentando como se deve e não deve estar dormindo o suficiente — explicou ao meu marido, antes de voltar sua atenção para mim — Ainda continua tendo pesadelos, vossa majestade, apesar dos chás e óleos que receitei?
— Sim, depois do que houve com seu consorte, vossa majestade, não consegui dormir a noite toda devido aos pesadelos. A única vez que minha senhora, conseguia dormir a noite toda era quando adormecia cuidando do rei consorte enquanto ainda estava em inconsciente. — Agnes respondeu à pergunta do médico que balançou a cabeça concordando.
— Em relação ao seu mal-estar, recomendo que vossa majestade não pule as refeições e tente dormir o pouco que conseguir enquanto preparo um elixir para dormir, mas seu efeito pode causar mal-estar, devido às fortes ervas que usarei em sua fabricação. — alertou e Gael balançou, sinalizando que concordava com o que havia ouvido.
— Não se preocupe, médico real, a partir de hoje cuidarei pessoalmente para que minha esposa não pule nenhuma refeição e descanse o necessário. — Gael assegurou e o médico o olhou com preocupação.
— Vossa majestade, ainda não está em condições...— o médico real começou a alertar, mas foi interrompido por meu marido.
— Estou ciente, médico real, mas só poderei me recuperar adequadamente se tiver certeza que minha esposa está bem de saúde ou o Leste terá que pedir ao deuses por seus dois monarcas. Porque não suportarei perder minha rainha, assim como ela não suportaria me perder. — assegurou sério despertando a preocupação de todos.
— Em nome dos deuses, meu filho, não fale isso nem brincando. Meu coração, não suportaria passar por outra perda. — Hortência implorou aflita para o filho.
— Não estou brincando, mamãe. — disse sério voltando sua atenção para mim, acariciando minha bochecha com cuidado.
— Não diga uma coisa dessas, Gael. Sua mãe tem razão, sua família já sofreu demais e não merece passar por outra perda ainda mais por minha causa.
— Então tente não me deixar, porque prometi para mim mesmo que cuidaria da minha rainha e faria de tudo para que ela fosse feliz, depois de todo sofrimento que teve em sua vida — segredou sem desviar os olhos dos meus ainda acariciando meu rosto — Me promete, que irá se cuidar, para que possa cumprir a minha promessa?
— Prometo. — disse sincera e ele sorriu feliz em ouvir minha promessa.
— Ótimo. — sussurrou amoroso beijando a minha testa com carinho, pedindo em seguida para Agnes providenciar um copo de leite morno para mim sendo atendido em seguida, enquanto o médico real deixava o local.
— Acho que a rainha Virgínia, se sentiria mais confortável para descansar em seus próprios aposentos. Venha, querida, irei ajudá-la a se levantar e ir para a sua cama. — Hortência disse gentil se aproximando da cama e Gael me segurou mais forte em seus braços, olhando de forma séria para a mãe.
— Minha esposa não irá a lugar algum, mãe — alertou sério deixando-a surpreso. — A senhora ouviu tia Agnes dizer que ela só conseguiu dormir melhor ao meu lado, assim como ouviu o médico real solicitar que Virgínia descanse.
— Meu filho, isso não é correto as pessoas irão...— Hortência começou a dizer, mas foi interrompida pelo filho.
— Pouco me importa o correto ou o que as pessoas irão pensar, mãe, a única coisa que me importa nessa vida é que minha esposa esteja bem de saúde e que consiga ter uma noite tranquila sem pesadelos. — assegurou sério sem desviar os olhos da sua mãe, enquanto Agnes entrava no quarto com dois copos de leite quente.
— Trouxe um para você, também Gael, afinal ainda necessita de cuidados. — disse amorosa se aproximando com a bandeja e Gael agradeceu, antes de Agnes solicitar a Henrik que ajudasse Gael a sentar na cama e ela fazia o mesmo por mim, para que pudéssemos tomar o leite que ela havia trazido.
— Desejam mais alguma coisa, majestades? — Agnes questionou solicita assim que lhe entreguei meu copo de leite vazio e Gael fez o mesmo.
— Não tia Agnes, estou satisfeito — ele disse cansado voltando sua atenção para mim — Meu amor, deseja mais alguma coisa?
— Não, estou satisfeita. Obrigada, Agnes. — disse cansada enquanto Henrik ajudava Gael a se deitar na cama em seguida ele entrelaçou sua mão a minha, me puxando para o aconchego dos seus braços e senti todo o cansaço se apoderar de mim enquanto fechava meus olhos.
— Príncipe Gael e Rainha Virgínia — Hortência advertiu séria assim que Gael me cobriu com a manta me aconchegando mais aos seus braços, permitindo que seu queixo repousasse no alto da minha cabeça enquanto relaxava automaticamente no calor dos seus braços embriagada por seu cheiro de madeira silvestre.
— Em nome de todos os deuses, mamãe, pare de atormentar a minha esposa e a deixe descansar — Gael disse baixo, provavelmente temendo me incomodar — Apenas vá dormir, a senhora fez uma longa viagem até aqui e sei que não deve ter descansado nada. — recomendou e ouvi um suspiro contrariado, antes de cair na inconsciência.
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