Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso vigésimo segundo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.


— Vocês não entendem, preciso vê-la. Zara, só fica calma comigo — Gael disse visivelmente angustiado por não poder ir até a sua égua, depois de insistimos que ele não deveria se levantar da cama — Ela não suportar ficar presa por muito tempo, desde que me machuquei Zara está estressada e arrisca com todos, nem Jacinto conseguiu levá-la para passear para que se acalme.

— Sabemos filho, mas você não tem condições de sair dessa cama sem ter outra hemorragia, que pode ser fatal dessa vez. — Hortência explicou com gentileza enquanto Gael a olhava aflito, preocupado com a situação de Zara e com sua possível piora, se desobedecesse às ordens médicas.

— Não se preocupe com Zara, príncipe Gael, posso tentar acalmá-la afinal ela me conhece. — assegurei ao meu marido que pareceu preocupado com a minha sugestão.

— Não sei se é uma boa ideia, majestade, Lady Zara não confia em ninguém além do General. — Jacinto explicou me olhando com preocupação — Ela é uma égua de temperamento forte, que não obedece ao comando de qualquer um, só permitiu que o General a montasse depois de muitas quedas e a criação de um vínculo. Seria perigoso, uma dama como a senhora ficar perto de um animal arrisco.

— Jacinto, não chame Zara de arrisca, ela só está estressada e preocupada, imagine-se no lugar dela?! Ver que a pessoa em quem confia, que a alimentava e escovava seu pelo todos os dias some de repente sem qualquer tipo de aviso?! Passamos anos no campo de batalha juntos, com certeza ela deve achar que fui pego por algum inimigo. — Gael disse censurando o tratador de cavalos do Sul que abaixou a cabeça envergonhando por suas palavras.

— Por favor, Jacinto levante a cabeça, me desculpe se fui grosseiro ou se disse algo que o ofendeu, mas quando se trata de Zara...— ele começou a dizer e Hortência o interrompeu.

— Você a defende como uma filha, ao ponto de pedir ao irmão um título real a ela. — a mãe de Gael esclareceu e ele suspirou concordando, voltando sua atenção para mim.

— Pelos deuses, que eu não me arrependa disso — suplicou em tom de prece enquanto me olhava, antes de desviar sua atenção para o tratador de cavalos do Sul — Jacinto, leve a rainha Virgínia até Zara, em minha falta ela irá se acalmar com minha esposa. — explicou ao homem que balançou a cabeça concordando.

— Gael, isso é uma péssima ideia. Se Lady Zara, não está se acalmando com os tratadores que conhece a anos, quem nos garante que ela se acalmará com sua esposa. — Hortência disse com preocupação, a mesma visível nos olhos de todos, especialmente nos do meu marido.

— Vai ficar tudo bem, rainha mãe Hortência, Zara me conhece e da última vez que me viu foi extremamente gentil comigo. — disse tentando tranquilizar a todos, lembrando do dia em que a vi novamente na floresta enquanto estava disfarçada de Fúria da tempestade e tal lembrança fez Gael sorrir, nos deixando confusos.

— Já sei o que pode deixá-la mais calma — disse convicto e todos o olharam em expectativa, enquanto seus olhos azuis cristalinos paravam em mim — Zara reconheceu você, depois de anos longe e disfarçada como Fúria da tempestade, se for vê-la novamente como Fúria da tempestade ela irá se acalmar porque associará sua presença a uma lembrança feliz. Ela confiará em você, porque recordará que estava ao lado dela e garanti que era de confiança. — assegurou e ponderei por alguns instantes.

Uma coisa era todos saberem que sua monarca havia se aliado aos rebeldes, assumindo uma identidade de mercenária para obter aliados enquanto combatia os abusos de poder do falecido General do Leste, outra era os súditos verem sua rainha trajada como a terrível fora da lei desfilando pelos corredores do castelo, como se zombasse de toda a ordem e poder que aquele lugar representava. Mas do outro lado havia Zara, que não podia arcar com meus temores de misturar minhas duas identidades.

Pensar nisso, me fez ter a coragem necessária para pedir a Agnes que providenciasse meu traje de Fúria da tempestade e fui prontamente atendida, apesar de suas feições preocupadas enquanto caminhávamos em direção ao cômodo reservado para a minha troca de roupa.

— Tem certeza disso, minha rainha? A senhora nunca saiu como Fúria da tempestade dessa forma, isso pode gerar sentimentos contrários. — Agnes disse com preocupação, enquanto terminava de colocar todos os enfeites que usava ao longo da minha trança.

— Também compartilho dos mesmos temores, Agnes, mas preciso fazer isso por Zara e por Gael, porque amo os dois e não quero que se machuquem. — expliquei lembrando do que havia ouvido de Jacinto enquanto me aproximava dos meus aposentos sobre terem que amarrá-la contra a sua vontade, para que não se machucasse e as outras pessoas também, e de como Gael ficou desesperado em evitar que tal fato acontecesse mesmo não podendo se levantar da cama.

— Apenas tome cuidado, minha senhora, cavalos estressados são extremamente perigosos por mais que nos conheçam. — recomendou maternal e concordei, voltando minha atenção para o espelho sorrindo, dando boas-vindas para a parte que mantive em segredo durante anos.

Respirei fundo, me preparando para ser vista como Fúria da tempestade na companhia de Agnes, voltando para o local em que todos ficaram me aguardando enquanto trocava de roupa.

— Estou pronta, podemos ir, Jacinto? — questionei entrando nos aposentos atraindo a atenção de todos diante de minhas novas vestimentas, o único que não estava surpreso era Gael que já havia me visto como Fúria da tempestade antes.

— Sim, vossa majestade. — Jacinto disse fazendo uma reverência e indicando que fosse na frente.

— Rainha Virgínia? — Gael me chamou e virei para vê-lo — Antes de irem, preciso lhe dizer algo importante, majestade, poderia, por favor, vir até mim.

— Claro. — disse suave e caminhei em sua direção, me sentando na cama em sua frente, enquanto ele voltava sua atenção para mim.

Sorri feliz por ver que ele estava com a aparência melhor do que quando o deixei mais cedo, assim como sua voz não estava mais soando tão arrastada devido ao cansaço.

— Qual o motivo do sorriso, princesa? — questionou fazendo meu coração acelerar, ao ouvi-lo me chamando de forma carinhosa por seu título de nascença.

— Fico feliz em ver que acordou melhor, você precisa de muito descanso para se recuperar. — declarei e ele sorriu concordando, segurando minhas mãos nas suas.

— Sim, o médico real veio me ver assim que acordei e assegurou que se continuar me recuperando bem, estarei fora dessa cama em breve. — segredou e piscou para mim me fazendo rir, diante do seu breve flerte.

— Não exagera, filho, o médico disse que você estaria bem em alguns meses, mas como se tratava de um ferimento muito profundo poderia requerer um tempo maior de recuperação. — Hortência explicou maternal e Gael olhou feio para mãe, me fazendo rir diante da sua reação.

— Mãe, desse jeito a rainha do Leste vai acabar desistindo de se casar comigo, por achar que nunca vou me recuperar. — Gael brincou fazendo todos rirem e neguei.

— Nada nesse mundo, me faria desistir de casar com você — disse sincera sem desviar dos seus olhos azuis e ele sorriu carinhoso para mim — Os súditos ficarão felizes em saber que seu soberano está melhorando a olhos vistos. — apontei e ele me olhou desapontado, fazendo todos rirem.

— Só os súditos? Achei que minha amada esposa, ficaria feliz também em saber que estou melhorando — indagou confuso me estudando com o olhar enquanto me sentia dividida, por um lado estava feliz em saber que meu marido estava se recuperando bem, mas por outro sabia que isso significava que seu tempo ao meu lado estava se esgotando — Que foi, meu amor, você ficou triste de repente, aconteceu alguma coisa? — questionou com preocupação e neguei sorrindo, tentando tranquilizá-lo.

— Não aconteceu nada, meu amor, só estou emocionada em ver que finalmente os deuses atenderam meu pedido, não sabe o quanto implorei para que o deixassem viver. — disse com a voz embargada lutando contra as lágrimas e todas as emoções que estava reprimindo a horas.

Sem dizer uma palavra, Gael encostou sua testa na minha acariciando meus cabelos e me permitir fechar os olhos, sentindo a segurança que encontrei no calor da sua presença em meio ao seu cheiro de madeira silvestre.

— Peço perdão por preocupá-la ou assustá-la, jamais foi a minha intenção, prometo que tão cedo não farei parte da lista de pessoas que perdeu — assegurou gentil com sua testa ainda encostada na minha, sem se importar com as pessoas ao nosso redor — Ouvir sua voz, lendo para mim todos as noites ou implorando que não desistisse de lutar pela minha vida, foi o que me trouxe de volta porque sabia que você estava me esperando e se eu não voltasse, acabaria fazendo-o definhar de tristeza.

— Sabia que podia me ouvir, por mais que ninguém acreditasse. — segredei sorrindo feliz em saber que estava certa me afastando para ver seus olhos.

— Você jamais desistiu de mim e agradeço por isso. — disse repleto de gratidão e amor no olhar.

— Eu te amo rei consorte, por isso jamais desistiria de você — segredei fazendo-o sorrir carinhoso para mim — E trate de nunca mais me dá um susto desses novamente. — decretei e ele concordou sorrindo.

— Quanto a Zara, como ela está nervosa pode não reconhecê-la imediatamente por isso se aproxime com cautela, converse com ela em tom suave e com as palmas das mãos erguidas para cima, demonstrando que não deseja machucá-la. Se perceber que ela não quer aproximação, não insista ou a deixará ainda mais nervosa, mas se Zara abaixar a cabeça em sua direção, é sinal de que autoriza sua aproximação — explicou suave sem desviar os olhos dos meus e balancei a cabeça, indicando que estava atenta as suas explicações. — Assim que ela estiver mais calma, leve-a para dar uma volta, o ar frio da noite sempre melhora o seu humor, mas se segure firme, porque Zara ama correr como se fosse o vento, e não puxe as rédeas dela nesse momento, ela odeia isso e a derrubará sem pena.

— Zara é uma égua do Leste, como tal eles amam correr como vento e odeiam ser parados nesse momento. — apontei e ele balançou a cabeça concordando.

— É a definição perfeita para Zara — segredou sorrindo e concordei — Se tudo der certo, a recompense antes e depois do passeio com maças verdes, é a sua iguaria preferida — recomendou a mim, antes de voltar sua atenção para o tratador de cavalos do Sul — Jacinto, peça para alguém providenciar algumas maças verdes na cozinha, depois que elas voltarem do passeio ofereça tudo o que Zara gosta de comer e água fresca — instruiu ao homem atrás de mim — Tenho certeza que ela não deve ter se alimentado direito todo esse tempo.

— Não se preocupe, vamos cuidar bem dela. — assegurei colocando minha mão em cima da sua e Gael voltou sua atenção para mim.

— Promete que irá tomar cuidado?! Que não insistirá em se aproximar, se Zara não sinalizar que pode?! — implorou me olhando com preocupação.

— Prometo, que irei tomar cuidado. — assegurei tentando deixá-lo mais calmo.

— Eu te amo, minha rainha, e tome cuidado. — Gael pediu suave se inclinando para beijar a minha testa com carinho e fechei meus olhos, aproveitando seu gesto de amor sem me importar com as pessoas ao nosso redor.

— Eu também te amo, meu rei consorte, não preocupe vou tomar cuidado. — assegurei tentando tranquilizá-lo, beijando sua testa com carinho antes de nos afastarmos.

— Jacinto, se perceber que Zara não se acalmou na presença da minha esposa, solte-a e deixe que corra sem que ninguém a persiga. — recomendou me deixando surpresa com seu pedido, enquanto me levantava da cama.

— Mas se fizermos isso, talvez Lady Zara nunca mais volte, General. — Jacinto informou e Gael balançou a cabeça concordando, sinalizando que estava ciente dessa possibilidade.

— Estou ciente desse fato, mas prefiro saber que Zara está livre e feliz do jeito dela, do que mantê-la infeliz ao meu lado. — meu marido explicou e o olhei orgulhosa por suas palavras, confirmando que ele era o homem certo para estar ao meu lado governando o Leste.

— Farei como me ordena, meu General. — Jacinto concordou fazendo uma reverência diante de todos, antes de voltar a sua posição normal e indicar que o seguisse.

Me despedi de todos e segui Jacinto para fora dos aposentos, assim que os guardas me viram estreitaram os olhos confusos com minhas vestimentas, mesmo aqueles que integravam o exército de rebeldes que liderei durante anos, mas me mantive de cabeça erguida enquanto caminhava pelos corredores do castelo até sentir a presença de alguém ao meu lado.

— Por acaso, vossa majestade, cansou de brincar de rainha e resolveu voltar a vida de bandida, sem me avisar que voltaríamos para o lado ilegal da força? — Drake questionou baixo caminhando ao meu lado sem ser convidado e sorri discretamente diante do seu comentário.

— Nada mudou, ainda estamos do lado legal da força, só coloquei minha roupa de Fúria da tempestade a pedido do meu marido. — expliquei e ele me olhou surpreso me deixando confusa.

— E o rei consorte está em condições de ter suas fantasias atendidas por sua esposa? — questionou surpreso e parei no meio do caminho olhando-o sem entender, até que tudo fez sentindo em minha mente.

— Pelos deuses, Drake, você só pensa nisso?! — questionei severa e ele deu de ombros — Devia mandar arrancar a sua língua por sua insolência, soldado.

— Muitas damas ficariam furiosas com vossa majestade, por tamanha barbaridade. — assegurou e revirei os olhos, voltando a seguir o meu caminho enquanto ele me seguia novamente.

— Não me lembro de ter pedido a sua companhia.

— Sei disso, minha senhora, mas ainda estamos passando por momentos turbulentos e não é aconselhável que a única pessoa viva da casa real do Leste ande por aí sem escolta, com um homem estranho para um lugar desconhecido.

— Meu marido sabe para onde estou indo e para a sua informação, Gael também faz parte da casa real do Leste.

— Até onde me lembro da pouco de instrução que recebi, um consorte só passa a ser considerado membro da família real depois que der um herdeiro para seu conjugue, o que não é o caso do loirinho no cavalo branco — segredou enquanto caminhávamos e respirei fundo, odiando ouvir a verdade — Todos estão gratos, por ele ter ajudado a livrar o reino daquele bastardo e por quase ter morrido protegendo a vida da nossa rainha, mas a coroa na cabeça dele pode se tornar instável rapidamente. Só um filho, de preferência um menino para a alegria dos conservadores presentes na câmara dos lordes, deixaria seu marido estável como consorte. Tem certeza de que ele...— Drake começou a insinuar e o cortei severa.

— Gael, mal consegue se mexer na cama sem sentir dor ou correr o risco de perder mais sangue. Além disso, ele acabou de perder o pai, nem se quer teve tempo de chorar por sua perda, pois saiu do Sul antes das cerimonias fúnebres para que pudesse chegar aqui como o planejado, diante disso o reino do Sul ficará de luto por um ano em memória do antigo consorte, impedindo-o de participar de qualquer comemoração ou celebração, inclusive o seu próprio casamento. Mesmo que ignorássemos todos os protocolos, me valendo apenas da documentação de união de casas e do fato de tê-lo proclamado meu consorte no pronunciamento perante os súditos, qualquer criança que ele me desse seria vista como uma bastarda perdendo seu direito de herdeiro legal do trono, e seu pai seria apontado por todos da corte como meu amante — expliquei e ele balançou a cabeça concordando, enquanto nos aproximávamos dos estábulos e comecei a ouvir barulhos de relinchos altos e sons de algo sendo chocado contra a madeira, provavelmente devia Zara.

— Seria uma completa desonra para o loirinho no cavalo branco, pior ainda para seus filhos.

— Sim, Gael não merece passar por tamanho desgosto, depois de tudo que fez para ajudar nosso reino — justifiquei e Drake balançou a cabeça concordando — Diante da sua preocupação com o lugar do meu marido, devo concluir que está sabendo de algo que não sei?! — questionei estreitando os olhos e ele pareceu desconfortável.

— São apenas rumores, que podem levar a nada, Fúria da tempestade. — disse fazendo pouco caso das informações que possuía.

— Isso quem julgará sou eu, agora fale de uma vez, sabe que odeio rodeios. — segredei severa diminuindo meus passos, evitando ser ouvida por Jacinto que caminhava a nossa frente.

— Nossos espiões da fronteira, ouviram rumores de que o Norte está se organizando para negociar uma rendição, com a condição de que o consorte seja alguém que tenha o sangue deles, pois assim terão a garantia de que a coroa do Leste não se voltará contra eles. Para que isso aconteça, eles serão capazes de eliminar o favorito para o ocupar o cargo.

— Redobre a segura do meu marido sem que ele perceba, por mais difícil que seja por causa da sua experiência militar. Limite o acesso dos guardas ao corredor no qual estão meus aposentos, deixe apenas Yumi, Arthur e mais dois guardas da nossa inteira confiança protegendo a porta do local, informe aos demais que qualquer um não autorizado que se aproximar dos aposentos em que Gael está deve ser preso para interrogatório — ordenei e ele balançou a cabeça concordando — Diga aos nossos espiões para continuarem na missão, quero um relatório completo sobre todas as intenções do Norte, uma lista de todos os envolvidos e o nome do homem que desejam indicar para subir ao trono como consorte do Leste. Cuide disso pessoalmente, aproveite para investigar todos que residem no castelo dos nobres aos serviçais, não deixe escapar ninguém e tome cuidado, não quero levantar suspeitas se ainda tivermos algum traidor conosco. E se o achar, traga-o até mim, não permitirei que ninguém ameasse meu rei consorte em sua própria casa.

— Sim, majestade, faria como me ordenou assim que a deixar em segurança nos seus aposentos novamente. — explicou e agradeci enquanto voltávamos a andar normalmente para os estábulos.

Assim que adentrei ao local, vi os tratadores tentando acalmar Zara o que a deixava ainda mais nervosa, relinchando e batendo as patas da frente no chão como se deixasse claro que deveriam ficar longe dela.

— Afastem-se, só estão deixando-a mais nervosa, cercando-a dessa forma — ordenei séria caminhando em direção aos homens que acuavam Zara, afastando-os de perto dela voltando minha atenção para a égua branca em minha frente — Oi, Zara, lembra-se de mim? Sou eu, Virgínia. — disse suave me aproximando dela com as palmas da mão voltadas para cima, como Gael havia me instruído, mas isso pareceu deixá-la mais nervosa aumentando seus relinchos partindo em seguida para cima de mim, antes que ela pudesse me atingir Drake me puxou para o lado me tirando do caminho dela.

— Quem lhe deu permissão para me tocar? — questionei séria me separando dele rapidamente, evitando dar margem a possíveis falatórios e Drake me olhou confuso — Nem mesmo o rei consorte, tem autorização de me tocar se não a conceder. Essa sua ousadia, pode custar o seu pescoço, Drake.

— Me desculpe, vossa majestade, da próxima vez que um animal selvagem correr com sede de sangue em sua direção pedirei autorização para tocá-la, só espero que dê tempo de autorizar antes de acabar morta. — disse sarcástico e estreitei os olhos, ponderando se era uma boa ideia mandar meu melhor soldado para a guilhotina por sua insubordinação, mas no fim conclui que seria uma perda lastimável para meu exército e no fundo o idiota tinha razão.

— Você tem razão, mas que isso não se repita. — destaquei me recompondo e ele sorriu sem humor.

— Essa é a maneira que a grande rainha do Leste pede desculpas? — questionou me provocando e sorri sem humor.

— Uma rainha jamais pede desculpas, porque sempre estamos com a razão. — destaquei fazendo-o revirar os olhos, enquanto Zara ficava em pé nas patas traseiras deixando os tratadores assustados — Saiam de perto dela, agora. — ordenei séria temendo que ela partisse para cima deles novamente e eles me obedeceram.

— Essa foi por pouco...Que garota brava. — Drake disse olhando para Zara — Não é melhor laçá-la de uma vez? Assim podemos controlá-la.

— Nada de cordas, prometi a Gael que não a prenderíamos. — expliquei para Drake que me olhou como se tivesse falando algo inimaginável.

— As cordas só deixaram Lady Zara ainda mais furiosa. E quando ela fica assim, só o General para acalmá-la. — Jacinto explicou para Drake que sorriu, como se reconhecesse o animal que nos encarava de forma ameaçadora.

— Lady Zara?! Desde quando um animal tem título de nobreza?! Só podia ser coisa daquele...— ele começou a dizer com escarnio e o interrompi severa.

— Sugiro que escolha muito bem as palavras das quais irá se referir ao meu marido, Drake. Não estamos na floresta agindo por codinomes, estamos no castelo do Leste onde sou a rainha e o príncipe do Sul é o meu consorte, e não permitirei que ele seja desrespeitado por ninguém. — avisei severa e ele concordou a contra gosto, enquanto voltava minha atenção para a égua branca em minha frente.

— Oi, Zara, lembra-se de mim? Sou eu, Virgínia — disse com a voz suave como um veludo, dando um passo de cada vez em direção a ela com as palmas mãos voltadas para cima, enquanto ela me olhava atentamente — Sei que se lembra de mim...Estava com você naquela noite na clareira, lembra? Quando me reconheceu e Gael disse que podia confiar em mim.

Assim que ouviu o nome do meu marido, ela pareceu me dar mais atenção como se buscasse na memória o fato que lhe contei abaixando a cabeça em minha direção, indicando que permitia minha aproximação, da mesma forma que Gael explicou que ela faria.

Sem perder mais tempo, caminhei em sua direção até poder lhe fazer um carinho recebendo outro em troca enquanto sorria feliz, por saber que Zara ainda me considerava de confiança.

— Não precisa se preocupar, nem ficar assustada, Gael não veio mais vê-la por que está doente — expliquei e ela parou de acariciar meu ombro com seu focinho para me ver — Não foi nada grave, mas ele precisa ficar um tempo de cama por isso me pediu para cuidar de você. O que acha de darmos uma volta, garota? — sugeri e ela relinchou balançando a cabeça, como se concordasse com a minha sugestão.

Em seguida pedi a Jacinto que me desse uma maça verde, a qual Zara aceitou de bom grado enquanto era selada para que pudesse levá-la para dar uma volta pelos jardins dentro do palácio, pois não seria prudente me arriscar na floresta semanas depois de tomar o poder do reino e mandar inúmeros corruptos para as prisões.

Sabia que havia deixado muitas pessoas descontentes com minhas ações, assim como estava ciente de que elas estavam apenas esperando uma oportunidade para reverter tudo a seu favor, algo que não deixaria mais que acontecesse.

A coroa devia servir e proteger o povo e não explorá-lo, arrancando tudo deles até mesmo a sua vontade de sonhar com um futuro melhor.

E essa seria a minha maior missão de agora em diante, possibilitar que meu povo pudesse voltar a sonhar com um futuro melhor, acreditando que poderiam novamente confiar que seu soberano iria fazer o melhor para eles.