Imperatriz do Leste
22 Vigésimo primeiro capítulo
Notas iniciais

— Obrigada novamente pela deliciosa refeição, rainha mãe Hortência. — agradeci sincera, depois que terminamos de consumir os alimentos que haviam sido preparados pela mãe de Gael.
— Não precisa agradecer, rainha Virgínia, fiz com as melhores das intenções sem esperar receber nada em troca — disse gentil colocando sua taça em cima da mesa desviando os olhos da refeição consumida, alternando olhares entre mim e a rainha consorte Kiara que estava sentada do meu lado esquerdo — Já que estamos em família, acredito que poderemos deixar os protocolos reais de lado e nos tratarmos por nossos nomes. O que acha? — questionou me olhando com expectativa e concordei.
— Ótimo. Além de ter a intenção de que se alimentasse adequadamente, gostaria de lhe fazer uma pergunta da qual peço que seja a mais sincera possível.
— Não se preocupe, rainh... Hortência, serei sincera. — assegurei assim que me corrigi perante a forma que iria chamá-la.
— Como está a posição de Gael como rei consorte, perante a câmara dos lordes e o povo do Leste? — questionou de repente e respirei fundo sabendo que não poderia mentir, pois havia prometido ser o mais sincera possível.
— Por enquanto está estável, apesar de não conhecerem seu soberano meu povo é extremamente grato a tudo que Gael fez, desde que lhes contei que meu marido é filho de um filho do vento do Leste e que ariscou sua vida para proteger a rainha deles, eles acendem lanternas todas as noites implorando para os deuses restabelecerem a saúde de seu monarca. — expliquei e Kiara virou surpresa para sua sogra, como se não esperasse pelo que havia acabado de ouvir.
— Você contou a todos sobre as origens de Gael? — questionou querendo obter novamente a minha confirmação e fiz que sim com a cabeça, fazendo Kiara sorrir orgulhosa para mim — Foi uma jogada de mestre, meus parabéns. Com essa manobra, permitiu que todos se identificassem com Gael sem que ele precisasse construir uma relação com os súditos, o que normalmente acontecesse durante todo o tempo de noivado e casamento real. Se a quantidade de lanternas que vimos no céu a noite enquanto viajávamos, corresponder ao afeto que sentem pelo novo consorte do Leste, o povo ama seu marido. — assegurou voz e balancei a cabeça concordando.
— Sim, mas contar a verdade para o meu povo, não foi nenhuma estratégia minunciosamente calculada para obter o apreço deles para o meu marido, só estava cansada de tantas mentiras. Minha casa quase se destruiu por sua causa, se queria mudar o final da nossa história devia começar fazendo o certo que era contar toda a verdade. O povo pode amar meu marido, mas a câmara dos lordes está começando a verbalizar o seu temor, perante a falta de um herdeiro para o trono e suas desconfianças sobre as reais intenções do atual rei consorte, já que ele foi um pretendente escolhido pelo falecido General do Leste e ainda tem as revoltas acontecendo no Norte, um território que para todos os efeitos era um reino hostil e inimigo do meu, mas recentemente descobri que tudo não passava de mentiras. Essa região sempre fez parte do meu reino, só que nunca soube disso. — expliquei cansada e a mãe de Gael balançou a cabeça concordando.
— Então, estamos diante de uma imperatriz e não de uma rainha, se levarmos em consideração a extensão de seu reino se juntarmos o Norte ao Leste? — Hortência questionou perspicaz me encarando com seus olhos azuis escuros.
— Tecnicamente sim, se conseguir unificar os dois reinos o que está se mostrando algo impossível através do diálogo.
— Nem sempre o diálogo a distância funcionará, eles precisam ver sua monarca de perto, saber que ela se importa com eles. Você precisa urgentemente percorrer pessoalmente a extensão do seu império, para acalmar a população e resolver os conflitos internos antes que se transformem em uma guerra civil — Hortência sugeriu séria e balancei a cabeça concordando, porque já havia pensado nessa hipótese — Quanto a questão da falta de um herdeiro para o trono, não poderá ser resolvida imediatamente. Gael ainda não tem condições de lhe dar um herdeiro imediatamente, creio que meu filho só poderá cumprir com suas obrigações daqui a alguns meses quando estiver totalmente recuperado, e nem vou cometar sobre a ideia absurda de que o meu menino, era aliado do falecido General do Leste. — destacou ofendida e balancei a cabeça concordando, porque essa ideia era realmente absurda mas entendia que tudo não passava de puro medo do desconhecido.
— Concordo com suas sugestões, Hortência. Estou contornando de todas as formas possíveis o problema sucessório, porque nada me faria arriscar a saúde de Gael apenas para resolvê-lo, por enquanto a câmara dos lordes se conformou de que o herdeiro do trono só virá após nosso casamento oficial, quando meu marido estiver plenamente recuperado.
— Mesmo depois que estiver recuperado, Gael não poderá se casar logo com você. — Kiara disse e voltamos nossa atenção para a mulher ruiva sentada ao meu lado.
— Como assim? — questionei sem entender onde ela queria chegar.
— O período de luto...Meu marido morreu a quatro semanas, desde então todo o nosso reino está de luto, não podemos fazer ou participar de comemorações durante um ano. — Hortência explicou e arfei em choque diante desse fato, enquanto me recostava na cadeira em que estava sentada olhando para as duas mulheres que trajavam roupas pretas, honrando a perda que haviam sofrido recentemente.
— Um ano?! Um ano é muito tempo, não sei se conseguirei convencer a câmara e o meu povo a esperarem tanto. — disse perdida em pensamentos, enquanto minha mente ficava inquieta atrás de uma solução para o meu problema, foi quando percebi o quanto minhas palavras poderiam ter machucado as duas mulheres na minha frente.
Elas haviam perdido alguém importante em suas vidas, em vez de ser solidária com a dor delas estava apenas pensando no quanto esse fato me prejudicaria.
— Peço perdão por minhas palavras, foi incessível da minha parte pensar apenas em mim e ignorar a dor que o povo do Sul está sofrendo pela falta do seu falecido rei consorte. — disse envergonhada por minha atitude e elas concordaram.
—Sabemos que não fez por mal, minha querida, só estava pensando como uma soberana e sobre isso, nós três entendemos muito bem — Hortência disse gentil segurando minhas mãos nas suas, enquanto olhava no fundo nos meus olhos — Se não puder esperar um ano para se casar com meu filho, case-se com alguém influente no Norte e faça de tudo para conceber uma criança nos primeiros meses de casamento, garanta sua linha sucessória e unifique seu império. — sugeriu e soltei a sua mão enquanto a olhava em choque, porque jamais esperei que a mãe do homem que amava pudesse me dar tal solução.
— Não vou me casar com outro homem. — disse firme sem desviar os olhos dos seus, deixando claro que não seria convencida a tamanho absurdo.
— Por que não?! — Kiara questionou e sorri sem humor.
— Porque amo Gael e não desistirei dele por nada nesse mundo, se tenho que esperar um ano para nos casarmos farei isso.
— Sabe que tudo seria mais fácil, se fizesse o que lhe sugeri. — Hortência disse sincera e neguei com a cabeça.
— Nunca fui amante de facilidades, se fosse o contrário não me chamariam de Fúria da tempestade — apontei séria — Apresentarei a situação a câmara dos lordes na próxima reunião, sei que não ficaram felizes, mas tenho certeza que deixaram esse assunto de lado para dar total atenção aos conflitos do Norte.
— É uma ótima ideia, mas depois que Gael estiver plenamente recuperado não poderá continuar no Leste ou as pessoas começaram a falar. — Kiara apontou e Hortência balançou a cabeça concordando.
— Sim, seria suspeito se meu filho continuasse embaixo do mesmo teto que a rainha do Leste sendo apenas seu noivo, isso dará margem a comentários maldosos que poderão colocar em dúvida sua honra. O certo é que assim que estiver plenamente recuperado, envie Gael de volta conosco para que ele possa retornar um ano depois para o casamento de vocês.
— Mandá-lo embora?! — questionei entre lágrimas sentindo meu coração se partir diante dessa possibilidade.
Sabia que nos conhecíamos a pouco mais que três semanas, mas eu já amava Gael como se nos conhecêssemos a muito mais tempo, devido as circunstâncias em que nos encontramos e tudo o que dividimos e passamos juntos, resultando em uma conexão tão profunda e intima que não conseguia mais me ver sem ele ao lado.
Não.
Não conseguia me ver sozinha novamente naquele castelo enorme sem ele.
Sem seu sorriso que parecia iluminar tudo ao seu redor, até mesmo os cantos escuros que sempre me assombravam a noite.
Sem suas palavras de conforto, sempre acreditando que tudo iria dar certo no fim por mais impossível que parecesse.
Sem o seu abraço acolhedor, no qual me sentia protegida de tudo e todos por pior que a situação pudesse parecer, ou de quando sua mão envolvia a minha de forma terna e inconsciente, nos momentos em que me sentia tão insegura e agitada por dentro.
Sentiria até mesmo falta das raras vezes em que ele me enfrentava, sem temer as consequências por sua insubordinação, apenas para me mostrar o quão errada ou egoísta estava sendo em minhas escolhas.
— Não. Isso está fora de cogitação. Coroei Gael como o consorte do Leste, é aqui que ele deve permanecer até o último dia da sua vida, assim que o médico real o liberar nos casaremos e consumaremos nossa união, creio que não demorarei a conceber um filho depois disso. — disse convicta e Hortência me olhou com preocupação.
— Virgínia, você seria capaz de desrespeitar o período de luto do homem que diz amar, por que não quer arriscar sua coroa?! — questionou chocada e neguei com a cabeça.
— Não é por causa da coroa — admiti derrotada por ter que confessar meu temor recém adquirido para duas mulheres que havia acabado de conhecer — Faria qualquer coisa para manter Gael ao meu lado, porque não me imagino vivendo sem ele...Ele pode ter sido escolhido pelo falecido General do Leste, com a intenção clara de me prejudicar, mas nos apaixonamos quando éramos duas crianças e levamos esse amor adormecido dentro de nós por anos, acordando-o assim que nos reencontramos. Meu coração escolheu seu filho para ser meu marido, não por causa de um documento ou por sua beleza, mas por sua bondade, generosidade, altruísmo e luz, capaz de espantar todos os meus fantasmas, que fez com que me apaixonasse por ele quando tinha sete anos de idade. Por tudo isso, não posso ser egoísta com o homem que amo...Se é da minha permissão que precisa para que Gael volte assim que estiver recuperado, você a tem, mas peço que me deixe contar a ele sobre isso. — pedi as duas, pois queria ter a chance de explicar tudo ao meu marido com calma assegurando que não estava desistindo dele, apenas estava adiando o nosso felizes para sempre em respeito a sua dor.
—Não se preocupe, Gael não saberá de nada do que conversamos por nós. — Hortência garantiu e Kiara confirmou.
— Bem, peço perdão por ter que me ausentar, mas preciso informar ao povo e a câmara dos lordes que o rei consorte já acordou, assim como toda a situação sobre a regularização do nosso casamento — disse sem emoção e as duas concordaram, enquanto me levantava da cadeira em que estava sentada. — Quando Gael acordar, digam a ele que estou resolvendo problemas do reino, provavelmente passarei o dia todo na câmara, mas assegurem que virei vê-lo após o jantar.
— Não se preocupe, vá tranquila, diremos a ele. Cuidaremos muito bem do seu marido, enquanto inicia a arrumação da sua casa. — Kiara prometeu e agradeci gentil, levantando da mesa e caminhando para fora da sala de estar na qual havíamos feito nossa refeição, seguindo em direção ao local em que Gael estava.
Assim que entrei em meu quarto em silêncio, Agnes e Henrik pararam seus afazeres fazendo uma reverência da qual não dei importância, enquanto caminhava em direção a cama onde meu marido dormia profundamente. Me deitei ao seu lado e acariciei seus cabelos claros com carinho, acompanhando sua respiração tranquila aleio a tudo que havia sido dito sobre seu futuro no cômodo anterior.
— Não se preocupe com nada, meu amor, apenas descanse e se recupere, enquanto arrumo a nossa casa — segredei para ele sem desviar os olhos do seu rosto ou interromper meus carinhos — Vou fazer de tudo para organizá-la, deixando-a forte e segura, não só para você como para os futuros filhos que teremos. Quero que tenham orgulho, de pertencerem a casa imperial do Leste. Eu te amo, meu rei consorte. — sussurrei baixo interrompendo meus carinho e me inclinando para beijar a testa de Gael me afastando com cuidado dele, levantando da cama e seguindo em direção a câmara dos lordes.
Durante todo o percurso até o local, me preparava mentalmente para o embate que teria para garantir o lugar de Gael como meu marido, impedindo que outro fosse escolhido para ocupá-lo. Já que o homem que amava, ainda não poderia oficializar o nosso compromisso devido o período de luto que a sua casa de nascença passava.
— Um ano?! — lorde Inacio questionou surpreso, depois que informei a todos sobre o estado de saúde do meu marido e o motivo de não realizarmos nossa cerimônia de casamento assim que o médico real o liberasse — O reino não pode esperar tanto, o casamento de vossa majestade, fortaleceria seu reinado e nos permitiria ter acesso ao poderoso exército do Sul, mas com as notícias preocupantes vindas do Norte devemos buscar um novo candidato a consorte que possa nos oferecer algum tipo de vantagem militar em uma possível guerra civil. — destacou preocupado recebendo o apoio de todos os outros ministros, menos do chefe da câmara.
— Entendo a preocupação de todos, mas não lhes informei sobre essa situação para que começassem a procurar novos pretendentes a consorte, esse cargo pertence ao príncipe do Sul desde que tinha dez anos e continuará sendo dele até seu último suspiro de vida. Esse fato, nunca esteve e nem nunca estará em discussão — informei severa olhando nos olhos de cada homem a minha frente, deixando claro que não mudaria de ideia — Enquanto não puder me casar, me ocuparei em resolver os conflitos que se instauram no Norte através de emissários, após o restabelecimento da saúde do meu marido viajarei pelo reino, com a finalidade de unificar o império para que os cidadãos saibam que sua rainha se importa com eles e que fará o possível para que vivam em segurança e felizes.
— É uma sabia decisão minha rainha, mas peço que deixe sua mente aberta para a possibilidade de ter que se casar com algum homem influente do Norte para acalmar uma possível guerra. — o chefe da câmara pediu e respirei fundo, ciente dessa possibilidade já que Hortência havia me oferecido a mesma alternativa horas atrás em meus aposentos.
— Estou ciente disso chefe da câmara dos lordes, mas espero não ter que recorrer a esse tipo de saída. O príncipe Gael se mostrou de confiança, disposto a tudo para defender a casa do Leste assim como meus súditos. Ele é um filho do vento e do fogo, amado por dois reinos, muitos acreditam que seja favorecido pelos deuses já que conseguiu sobreviver a um golpe que seria mortal para qualquer outro — expliquei devagar atraindo a atenção dos homens mais poderosos do meu reino, ciente de que apesar de quererem fazer a coisa certa todos estavam mais preocupados com a sobrevivência do reino do que quem seria o próximo consorte do Leste — O príncipe do Sul, vem de um pequeno reino se comparado ao nosso, conhecido por ser a terra das fontes termais e dos rubis mais raros e valiosos de todos os reinos, por isso são considerados filhos do fogo. Ele pode ser o terceiro na linha de sucessão, mas como lorde Inacio disse anteriormente, o Sul tem um dos mais poderosos exércitos de que se tem notícia e depois do rei Liam eles só obedecem ao comando do seu General, meu marido. Vocês conseguem imaginar, o quanto o nosso próprio exército pode ganhar com os conhecimentos militares de anos passado entre os oficiais do Sul?!
E logo todos os presentes começaram a falar entre si, notei que grande parte concordava com o meu argumento dizendo que era mais vantajoso esperar o período de luto do príncipe passar para nos casarmos adequadamente, do que sermos precipitados escolhendo um pretendente qualquer que não nos ofereceria as mesmas vantagens militares e riquezas que a casa do Sul.
Se havia uma coisa que aprendi durante todos esses anos vivendo debaixo do mesmo teto que o falecido General do Leste, que só recentemente descobri ser meu tio paterno, foi que os homens poderosos sempre fariam de tudo para ter mais poder sendo capazes de tudo para chegar ao lugar que tanto almejavam, e os lordes na minha frente não eram diferentes nesse quesito se comparados aos que ocupavam essas mesmas cadeiras meses atrás.
Por isso se quisesse assegurar o título de consorte para o homem que amava, deveria exaltar os benefícios da união das nossas casas e fortalecer a integridade do seu caráter, distanciando-o assim da pessoa inescrupulosa que era o falecido General do meu exército.
— Utilizem esse tempo para pensarem, analisem com cuidado o que precisaremos para nos unificar no futuro próximo, acima de tudo não associem a imagem de um príncipe honrado, que colocou sua vida em risco para proteger a rainha de vocês, com o traidor da família real que tramou contra seu próprio sangue — expliquei lembrando-os da diferença gritante que havia entre os dois homens — E lembrem-se, será melhor ter o Sul do nosso lado do que contra, já que ele pode nos atacar como uma forma de retaliação pela quebra do acordo de noivado. — destaquei e todos começaram a conversar entre si explanando suas preocupações se algo assim acontecesse.
— Como seu antigo tutor, a parabenizo por seus argumentos sólidos e indiscutíveis em defesa da manutenção do seu acordo de noivado com o príncipe do Sul — lorde Samuel segredou com orgulho em pé ao meu lado, enquanto víamos os lordes deixarem a câmara assim que dei a seção por encerrada — Mas como chefe da câmara dos lordes, gostaria de saber por que minha rainha e futura imperatriz está arriscando tudo para assegurar um compromisso que inicialmente não desejava.
— Porque eu o amo e ninguém nunca havia despertado tais sentimentos em mim, por mais presentes, a cortes e galanteios que recebesse. Sem precisar de nada disso, Gael me deu tudo o que desejava, ajuda para libertar o meu povo e a segurança de que estaria ao meu lado, independente do resultado do meu embate com o falecido General do Leste. Mesmo sem pedir ou desejar, ele me deu a opção de fugir de toda essa disputa pelo trono para ter uma vida calma e tranquila como uma nobre no Sul. Na época, recebi tal sugestão como uma afronta, mas hoje sei que foi a forma que ele encontrou de me dar uma alternativa se não tivesse mais forças para continuar e sem saber, eu o amei por isso e por tantas outras demonstrações de afeto que ele sempre deu desde que pós os pés no meu reino, tenho certeza absoluta que Gael é a melhor escolha para me ajudar a governar o futuro império do Leste. — assegurei e ele balançou a cabeça concordando.
—Jamais duvidei de suas decisões, minha rainha, sempre calculou minunciosamente cada passo que deu em sua vida, agindo algumas vezes pelo calor da raiva, mas é a primeira vez que a vejo seguindo seu coração é nítido nos vossos olhos que está em paz e feliz com sua escolha.
— Sim.
— Que bom, o reino precisa de uma rainha feliz e amada por seu consorte. Não se preocupe, no que depender de mim apoiarei sua decisão de manter seu compromisso com o herdeiro do Sul até que possa se casar com o homem que ama. — segredou e sorri agradecida para o meu antigo tutor.
— Obrigada, lorde Samuel, não tenho palavras para descrever o quanto sou grata por todos os anos de lealdade e ensinamentos valiosos.
— Não precisa agradecer, minha rainha, só estava cumprindo a promessa que fiz ao meu falecido rei de cuidar do seu bem mais precioso, se algum dia ele faltasse.
— Não se preocupe, o senhor cumpriu e ainda cumpri sua palavra. — assegurei sincera e ele agradeceu, antes de nos despedirmos e caminhei em direção aos meus aposentos, para ver como meu marido estava depois que o deixei dormindo.
— Já fizemos como nos instruiu, General, mas ela continua agitada e não teremos outra alternativa a não ser amará-la, antes que se machuque ou a um dos tratadores. — ouvi uma voz desconhecida dizer assim que me aproximei do meu quarto.
— Por favor, não façam isso, Zara é extremamente gentil e amorosa, ela só está assustada e preocupada com a minha ausência nunca fiquei tanto tempo sem vê-la — Gael disse aflito para o homem em pé na sua frente — Tenho certeza que ela irá se acalmar se me ver — explicou afastando as cobertas para se levantar da cama e foi impedindo por sua mãe, sentada em uma cadeira ao lado da cama.
— Nem ouse levantar dessa cama, rei consorte, ainda não tem condições de sair dela — avisei séria atraindo a atenção de todos, enquanto Hortência concordava e ajeitava as cobertas ao redor do filho, deixando claro que ele não podia se levantar e voltei a minha atenção para o homem na frente de Gael — O senhor poderia explicar, o que está acontecendo com Zara? — solicitei séria e ele respirou fundo, antes de me relatar tudo o que estava acontecendo.
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