Imperatriz do Leste
32 Trigésimo primeiro capítulo
Notas iniciais

— É você mesmo? E não a minha mente me pregando peças? — questionou entre lágrimas sem desviar os olhos dos meus, enquanto continuávamos parados em nossos lugares temendo dar um passo adiante e tudo não passar de uma mera miragem.
— Sim, sou eu. — sussurrei sentindo as lágrimas molharem minha face, devido a emoção de estarmos diante do outro depois de tanto tempo.
Temeroso, provavelmente ainda sem acreditar que estávamos na presença do outro, Gael caminhou em minha direção sem desviar os olhos dos meus até parar na minha frente sorrindo fascinado para mim como se fosse a primeira vez que me via, o que de certa forma era verdade. Havíamos passado um ano longe, mesmo ansiosa para vê-lo novamente temia que quando nos víssemos ele não me olhasse da mesma forma de antes.
Um temor que se mostrou infundável.
Porque Gael ainda me olhava da mesma forma, devotada e apaixonada de quando nos vimos pela primeira vez, como se o tempo não tivesse passado. Segura do que queria, dei um passo em sua direção completando a distância que nos separava, erguendo minha mão direita para acariciar seu rosto com carinho por cima da barba curta que ele agora ostentava, fazendo-o fechar os olhos para aproveitar melhor minha caricia.
— Acho melhor entrarmos, antes que alguém nos veja do jardim — Gael sussurrou abrindo os olhos e balancei a cabeça concordando, enquanto ele entrelaçava sua mão a minha me levando para a sala de estar dos seus aposentos — Depois que recebi a mensagem que mandou através de tia Agnes, pedi a Henrik que providenciasse um lanche para degustarmos enquanto conversamos. — revelou indicando que nos sentássemos no sofá, diante da mesa de centro repleta de iguarias e uma jarra de refresco.
—Obrigada, mas não precisava se preocupar com isso, não posso demorar muito ou poderão suspeitar que vim vê-lo desacompanhada. — expliquei enquanto caminhávamos de mãos dadas para o sofá e no sentamos lado a lado.
— Entendo, sei que é arriscado, mas não posso negar que estou imensamente feliz por poder vê-la novamente, sem ser na frente da corte e de toda a minha família. — apontou e sorri concordando, sem soltar sua mão temendo que tudo aquilo não passasse de um sonho e que ele desaparecesse assim que o soltasse.
— Sei exatamente como se senti, por isso enviei o recado por Agnes, pois gostaria de vê-lo a sós porquê...— sussurrei sem desviar os olhos dos seus e ele me interrompeu, sem quebrar nosso contato visual.
— Porque você não conseguiria ser apenas a monarca do Leste diante do seu futuro noivo arranjado, assim como eu não conseguiria ser apenas seu noivo arranjado diante de toda a corte. — revelou e concordei respirando fundo, enquanto Gael levantava nossas mãos unidas para beijar o dorso da minha mão, acariciando meu rosto com sua mão livre e fechei meus olhos, aproveitando melhor o carinho que ele fazia.
— Me perdoe, por tê-la obrigado a passar pela dor da nossa separação, jamais desejei que sofresse por minha causa... — Gael começou a se desculpar e abri meus olhos para vê-lo, colocando meu dedo indicador em seus lábios impedindo-o de continuar falando.
— Meu amor, você não teve culpa de nada e nem tem porque me pedir perdão — assegurei olhando em seus olhos azuis claros — Gael, você havia acabado de perder seu pai e nem teve a chance de viver o seu luto porque veio cumprir uma promessa feita anos atrás, não era correto da minha parte exigir nada do homem que amo, quando ele estava escondendo a sua própria dor para me ajudar. — expliquei sincera notando que ele não usava mais suas roupas de luto, agora Gael ostentava as tradicionais cores da casa real do Sul, vermelho e dourado.
— Por que está me olhando, como se fosse a primeira vez que me vê? — questionei curiosa e ele sorriu amoroso para mim, se aproximando como se quisesse me contar um segredo.
— Porque sinto como se fosse a primeira vez que a vejo... Pode não parecer aos seus olhos, meu amor, mas você mudou muito, Virgínia... Há mais força, determinação, segurança e sabedoria nos seus olhos do que quando a conheci — segredou me olhando com orgulho antes de me olhar com preocupação — Minha princesa, você parece tão cansada...Por acaso, seus pesadelos voltaram? — questionou com preocupação acariciando minha bochecha com carinho e percebi que não era a única que havia mudado no último ano.
— Tem razão, a experiência no poder me permitiu conhecer uma força e determinação da qual não sabia que tinha, mas me proporcionou um peso gigantesco. Nunca pensei que a coroa em minha cabeça fosse se tornar tão pesada, assim que tomasse o controle total do meu reino — apontei e ele apertou a minha mão de leve, tentando me reconfortar de alguma forma por tudo que havia passado — E não tenho mais pesadelos desde que descobri minhas origens, foi como se tivesse feito as pazes com o meu passado — admiti sincera fazendo-o respirar aliviado. — Na verdade, minha falta de sono se deve as preocupações do reino e a falta que meu consorte faz.
— Me perdoe, por não estar aqui para ajudar a aliviar o peso da sua coroa — pediu com a voz culpada. — Desconfiei que pudesse sentir minha falta em sua cama, depois de termos compartilhado o mesmo leito por meses por isso deixei alguns fracos da essência que uso, para que Tia Agnes colocasse no seu travesseiro...Acreditei que isso pudesse amenizar um pouco a minha falta, para que tivesse uma boa noite de sono.
— E amenizou, meu amor, mas quando seu perfume não me ajudava a dormir, foram as suas cartas que fizeram o efeito desejado. Mesmo longe, você sempre esteve ao meu lado — assegurei tentando fazê-lo se sentir menos culpado por sua ausência e sorri olhando-o com mais atenção — Mas não fui a única que mudei no último ano, você também mudou bastante...Tirou o luto... Deixou a barba crescer um pouco...Seu olhar está mais sábio e pacífico que antes... E parece que está um pouco mais alto do que da última vez que lhe vi...Como pode ser possível?! — questionei abismada olhando suas vestes fazendo-o sorrir suave, comparando mentalmente o Gael das minhas lembranças com este que estava na minha frente.
— Obrigado, por seus elogios, minha princesa, mas acho que amadureci com a idade, já que sou três anos mais velho que você. — explicou e dei de ombros, sem me importar com o fato de que ele era três anos mais velho fazendo-o rir por ignorar nossa diferença de idade.
— É bom saber que a nossa diferença de idade, não é importante para vossa majestade. — sussurrou suave aproximando seu rosto do meu e fechei meus olhos, esperando ansiosa pelo contato dos seus lábios nos meus e suspirei de contentamento, assim que meu desejo foi atendido.
Enquanto nos beijávamos Gael soltou nossas mãos para segurar meu rosto com carinho, trazendo-me para mais perto dele como se não estivéssemos próximos o suficiente. Já minhas mãos foram parar em seu pescoço, subindo para os seus cabelos agora um pouco mais longos trazendo-o para cima de mim, querendo sentir seu calor a me envolver tendo certeza de que ele realmente estava comigo, enquanto apoiava minhas costas contra o estofado do assento do sofá.
Só interrompemos nosso beijo quando meus pulmões imploraram por ar, me deixando frustrada por não poder continuar beijando meu noivo, até aplacarmos a saudade que sentíamos do outro. Enquanto tentava normalizar minha respiração, Gael se dedicou a distribuir beijos por meu pescoço descendo até meu ombro e fazendo o caminho inverso.
A cada beijo depositado em minha pele, sentia que meu corpo estava sendo consumido inicialmente por labaredas de fogo que sediam lugar a sensação de frio, me arrepiando por inteira. Mas ao em vez de ser uma sensação insuportável, ela se tornava ainda mais prazerosa arrancando gemidos de satisfação dos meus lábios enquanto segurava os cabelos de Gael temendo me perder no mar de sensações que aquele homem despertava em mim, com seus toques repletos de carinho e cuidado que faziam meu coração acelerar como se estivesse correndo em um campo aberto e meu corpo arder, com a sensação de estar sendo consumido por labaredas de fogo.
— Eu te amo, Virgínia...E não sabe quanta falta me fez, meu amor. — Gael sussurrou em minha pele entre um beijo e outro, arrancando gemidos prazerosos em resposta que logo foram silenciados por seus lábios, até que comecei a ouvir uma agitação do lado de fora.
— Vossa majestade, não pode entrar. — ouvi a voz de Henrik soar abafada do lado de fora e afastei Gael dos meus lábios, deixando-o confuso por meu gesto.
— O que houve amor? Fiz algo que... — Gael começou a perguntar, mas se interrompeu assim que ouviu a voz da mãe.
— E porque não posso entrar no quarto do meu filho, Henrik? — ouvi a voz da rainha mãe Hortência questionar desconfiada ao longe, fazendo Gael arregalar os olhos percebendo o perigo que estávamos correndo naquele momento.
— Porque o príncipe Gael não deve estar apresentável, deixei vossa alteza em sua banheira mergulhado em ervas para que pudesse se refazer da longa viagem que fizemos. — Henrik explicou enquanto Gael se levantava de cima de mim, oferecendo sua mão em seguida para me ajudar a levantar.
— Se a minha mãe nos pegar aqui sozinhos e desalinhados desse jeito, é capaz dela deixá-la viúva antes de nos casarmos. —segredou e balancei a cabeça concordando, sabendo que tinha que correr em direção as passagens secretas, antes da rainha mãe Hortência invadir os aposentos de Gael como estava anunciando que faria a Henrik.
Determinada a escapar do flagrante da minha futura sogra, fiz menção de soltar a mão que Gael ainda segurava, mas ele me impediu de fazê-lo me puxando novamente para os seus braços me dando um beijo apaixonado, sem temer o perigo que estávamos correndo.
— Você só pode estar louco, sua mãe está a um passo de nos descobrir. — segredei a ele assim que nos separamos e Gael sorriu de forma cúmplice para mim.
— Meu amor, por você me faz cometer loucuras, rainha Virgínia — segredou amoroso se inclinado para me dar um beijo que foi interrompido pela voz alterada de sua mãe brigando com Henrik — Agora, você realmente precisa ir. — segredou me olhando com preocupação assim que ouvimos a porta da frente ser aberta, sob os protestos de Henrik.
— Não venha me dizer, que não posso ver meu filho porque ele não se encontra apresentável, Henrik. Eu dei a luz ao príncipe do Sul, o amamentei, troquei todas as suas fraldas e lhe dei banho, mesmo quando todos me recriminavam por ser a rainha e fazer tais ações que deveriam ser feitas por servas e amas de leite, agora saia da minha frente porque quero ver meu filho agora. — ouvimos a rainha mãe Hortência ordenar no interior do quarto, enquanto corria de mãos dadas com Gael até a passagem que me trouxe aos seus aposentos, passando por ela instantes antes da mãe do meu noivo aparecer no local em que estávamos.
— Mamãe, que comoção toda é essa? — ouvi Gael questionar assim que estava em segurança nos corredores secretos do castelo.
— Eu é que pergunto, Gael? Porque pediu para Henrik vigiar a porta do seu quarto, como um leão acuando a presa? O que está escondendo de mim, príncipe do Sul? — a rainha mãe Hortência questionou desconfiada para o filho, enquanto segurava a respiração naquele momento.
Sabia muito bem que deveria voltar para os meus aposentos, fingindo que nada havia acontecido, mas não poderia ir embora sem saber se minha futura sogra havia desconfiado de que encontrei seu filho desacompanhada em seus aposentos.
— Mamãe, não estou escondendo nada, só pedi para que Henrik garantisse que não fosse incomodado, porque queria descansar da viagem para o jantar dessa noite. Afinal, será a primeira vez que verei minha noiva depois de passar um ano longe. — Gael mentiu com perfeição, sem demonstrar qualquer alteração de sua voz mediante a ocultação dos fatos.
— Sei...Por que tem um lanche preparado para duas pessoas em sua sala de estar?! Não me diga que...— ouvi a rainha dizer mortificada, antes de ouvir o som alto de bofetadas me deixando preocupada — Não acredito que você estava traindo sua noiva, debaixo do teto dela três dias antes do seu casamento?! Não foi isso que lhe ensinamos, Gael. Se seu pai estivesse vivo, morreria de desgosto enquanto eu te mataria, seu moleque sem vergonha. — falou furiosa ainda batendo em Gael, enquanto ouvia meu noivo e Henrik justificarem que não era nada daquilo que a rainha pensava.
Preocupada que minha futura sogra cumprisse sua palavra, matando meu futuro marido a bofetadas, sai do meu esconderijo ciente de que poderia complicar ainda mais a situação, mas precisava salvar meu noivo de sua mãe e esclarecer a falsa impressão de uma possível traição.
— Rainha mãe Hortência, pare com isso agora, seu filho estava comigo e não com outra mulher em seu quarto — disse séria atraindo a atenção dos homens presentes, interrompendo a rainha mãe do Sul tentando passar por Henrik e por dois guardas que estava na frente de Gael, evitando que seu senhor recebesse os tapas raivosos de sua mãe — A recebi com todo respeito e honrarias em meu reino, por se tratar da mãe do meu noivo e de uma rainha estrangeira, mas se continuar batendo no meu futuro consorte e colocar sua lealdade a mim em dúvida, serei obrigada a mandar que os guardas a levem e a mantenham contra sua vontade em seus aposentos. — ameacei seria para a mulher em minha frente que estreitou os olhos em desafio, enquanto Gael me olhava chocado por ouvir o meu tom de ameaça.
— Amor, ela é a minha mãe — Gael pontou e olhei para ele séria, enquanto o príncipe do Sul suspirava — Virgínia, meu bem, você não pode ameaçar a minha mãe de prendê-la contra a sua vontade em seus aposentos. — Gael disse sério com os cabelos bagunçados, o rosto e pescoço vermelhos assim como as mãos, provavelmente resultados dos tapas que ganhou da sua mãe.
— Claro que posso, sou a soberana desse reino e não permitirei que a rainha mãe do Sul, levante mais um dedo contra o meu futuro consorte — lembrei séria deixando claro que não permitiria esse tipo de afronta contra meu futuro consorte, nem mesmo de sua própria mãe — Olhe só para você...Meu amor, você está todo vermelho — disse repleta de preocupação me aproximando dele tocando sua pele vermelha, virando furiosa para olhar a rainha mãe do Sul.
— Guardas...— comecei a ordenar severa e Gael ficou na minha frente, bloqueando minha visão da sua mãe e segurando minhas mãos nas suas.
— Virgínia, por favor. — implorou com os olhos suplicantes, mas antes que pudesse dizer algo a rainha mãe Hortência voltou a falar.
— Não preciso que me defenda, Gael, posso fazer isso sozinha — assegurou séria sem desviar os olhos de mim — Agora quero saber por que a rainha Virgínia, não se manteve escondida e deixou meu filho levar a culpa de tê-la traído? — questionou cruzando os braços me olhando com curiosidade e fiquei surpresa com a sua pergunta.
— Porque não iria deixá-lo ser acusado por algo que não fez, sei muito bem que Gael seria incapaz de me trair de nenhuma forma. Se há algum culpado nessa história toda sou eu, porque fui eu que marquei esse encontro, pois queria vê-lo a sós sem ter inúmeras pessoas ao nosso redor depois de passarmos tanto tempo separados. — disse segura e sem qualquer tipo de arrependimento em minha voz, sendo surpreendida pelo sorriso da rainha mãe Hortência deixando os homens presentes confusos.
— Há minha criança, a cada dia gosto mais de você...— revelou sorrindo orgulhosa caminhando em minha direção e segurando minhas mãos, enquanto me olhava nos olhos — Sempre tive minhas reservas sobre seus sentimentos por Gael, sempre achei que pudessem ser resultado de todo o caos e perigo que os dois compartilharam durante os planos contra o falecido General do Leste, mas hoje você me mostrou que não tem medo de arriscar sua segurança ou honra para proteger meu filho de qualquer ameaça ou situação. Por isso, dou a minha benção para o casamento de vocês, desejo que sejam imensamente felizes e que me deem netos...Se bem que pelo estado que os dois estão, eles podem chegar antes de completarem um ano de casados. — segredou olhando de mim para o seu filho sorrindo de forma maliciosa para nós.
Ouvir que minha futura sogra abençoava o nosso casamento fez meu coração se encher de alegria, porque desde que firmamos nosso compromisso a rainha mãe Hortência fazia de tudo para demonstrar seu descontentamento mesmo nos ajudando a ficar juntos, mas agora entendia que no fundo ela só estava preocupada se amaria seu filho com a mesma intensidade que ele me amava.
— Mamãe, não aconteceu nada do que a senhora está pensando, seria incapaz de fazer algo contra a honra da minha noiva — Gael se defendeu enquanto a rainha mãe Hortência o olhava em dúvida — E obrigado por sua benção, mãe, não sabe o quanto me deixa feliz em ouvir que aprova nosso casamento.
— De nada meu querido, mas agora você precisa ir para os seus aposentos antes que toda essa confusão atraia ainda mais curiosos para cá. — recomendou preocupada e concordei, sendo surpreendida por seu abraço afetuoso enquanto olhava confusa para Gael que sorria para nós, antes de sua mãe interromper o abraço e pedir ao filho que me ajudasse a sair dali em segurança, enquanto cuidava dos dois guardas que haviam me visto em seus aposentos.
— Você está bem? — questionei com preocupação para Gael, assim que paramos em frente a passagem que havia me trago aos seus aposentos, acariciando seu rosto vermelho com cuidado temendo machucá-lo e ele segurou a mão que fazia carinho em seu rosto beijando-a em seguida.
— Estou bem, meu amor, os tapas da rainha mãe Hortência não são tão fortes assim — segredou carinhoso e sua mãe falou séria que tinha ouvido suas palavras, nos fazendo rir — Agora, você realmente precisa ir.
— Mas e os guardas?! Eles me viram aqui. — questionei preocupada e ele segurou meu rosto em suas mãos, beijando minha testa com carinho afastando-se em seguida.
— Não se preocupe, eles são homens de minha confiança e não dirão nada. Para todos os efeitos, a rainha do Leste nunca esteve nos meus aposentos essa tarde, só nos veremos novamente depois de um ano separados em nosso jantar de noivado essa noite, como o esperado. — informou seguro e balancei a cabeça concordando, ganhando um último beijo em minhas mãos antes dele abrir a porta que ficava atrás de um quadro, me ajudando a voltar para os corredores e solicitei que me entregasse o castiçal em cima da mesa sendo prontamente atendida, enquanto trocávamos um último olhar e mergulhava novamente pelos túneis ocultos do castelo.
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— Vossa majestade, está lindíssima. — Agnes disse me olhando emocionada, assim que colocou a tiara de diamantes na minha cabeça.
Meu vestido para o jantar de noivado era verde escuro, a cor do meu reino, com um decote em “v” com detalhes de brilhos por todo o tecido e uma fita de cetim da mesma cor marcando minha cintura. Já meus cabelos, encontravam-se presos em um coque dando destaque a tiara de diamantes que ganhei de presente do meu noivo no dia do meu aniversário, um ano atrás.

— Obrigada, Agnes. Vamos, pois não desejo deixar meu noivo esperando. — disse sorrindo para as minhas damas de companhia, as mesmas para quem dei as cartas de liberdade e as bolsas de couro antes da minha festa de aniversário e que se negaram a me deixar, depois que toda a situação se acalmou, continuando a me servirem agora como mulheres livres assim como todos os servos que trabalhavam no castelo agora.
A cada passo que dava em direção ao salão de festas sentia meu coração bater acelerado, como se quisesse sair do peito e tive que respirar fundo controlando minha ansiedade, só de pensar que finalmente daria um passo mais perto em direção a minha felicidade, ao lado do príncipe do Sul.
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